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segunda-feira, 24 de novembro de 2014

O que quero ser quando crescer?

A resposta sempre esteve na ponta da língua: quero cantar! De preferencia em uma banda de metal/rock, fazer shows, gravar álbuns, escrever minhas próprias músicas...bem por aí. Então enfiei na cabeça que pra conquistar isso tudo eu precisava ir pra faculdade aprender isso tudo. Em Belo Horizonte e em toda Minas Gerais não existe faculdade de música popular, rock, etc, se quiser estudar música na faculdade vai ter que ser música erudita. E foi bem isso que eu fiz, comecei a estudar música erudita um pouco antes meu primeiro ano do ensino médio, participei de vários coros, produções de ópera, recitais, fiz aulas com professores renomados e até ganhei uma graninha com o canto erudito. 

Fiz isso de 1999 até 2007, nesse tempo em comecei e terminei o ensino médio, fiz cursinho e tentei vestibular três ano seguido, tanto pra UFMG quanto pra UEMG. Não passei na em nenhum dos dois por causa de cursos que não têm nada a ver com música, tipo matemática e química. Mas eu nunca parei de me dedicar ao canto. Só que fui ficando cansada desse mundo erudito. É muita falsidade nesse meio, muita gente querendo fuder com os outros só pra ficar bem vista aos olhos dos maestros e produtores. Fora que eu comecei a reavaliar o porque de eu estar fazendo isso tudo e percebi que, apesar de eu amar muito e ter sim bestante satisfação, a musica erudita não era minha paixão. Eu queria uma banda, queria escrever minhas próprias musicas, queria fazer turnê. Nada disso seria possível se eu continuasse a me dedicar tanto ao canto erudito. 

Apesar de tudo eu ainda estava com a ideia fixa de que pra realizar meu sonho eu precisava fazer uma faculdade de canto, então comecei a procurar fora de Minas Gerais por algum curso universitário mais direcionado à musica popular, rock, etc. Foi aí que eu tomei a decisão mais drástica da minha vida. Eu mudei pra Holanda! Eu já contei aqui um pouco de como foi que eu decidi mudar pra cá. Vim com a certeza absoluta de que eu iria estuar na Rock Academy no sul da Holanda. Daí eu fui visitar a faculdade e descobri que além de mim, metade do país resolveu ir estudar canto. Também descobri que todos os cursos eram dados em holandês e eu precisaria aprender a língua antes de me inscrever. Então resolvi procurar outras faculdades, pois a Holanda tem várias faculdades direcionadas à outros estilos musicais além do erudito, eles têm até uma faculdade especializada em metal! Mas todas tinham o mesmo problema: competição acirrada. Se eu quisesse aprender baixo a história seria diferente, mas eu queria o mesmo que várias pessoas, queria estudar canto. 

Foi então que me inscrevi pra um curso preparatório pra faculdade de musica de Rotterdam. Foi nessa época também que comecei à ter contato com músicos já formados por essa mesma faculdade (e outras espalhadas pelo país) e todos eles me diziam a mesma coisa, diziam que fazer faculdade de música não significa nada, não garante que você vai se dar bem como músico, não garante que você vai ter algum tipo de renda depois de formar. A maioria dessas pessoas já formadas estavam passando por dificuldades financeiras, tendo que dar aulas das 8 da manhã até as 22 horas pra conseguir pagar o aluguel, algumas até estavam trabalhando em empregos nada a ver com musica, depois de ter dedicado 4 anos à se tornar músicos profissionais. O que todos me diziam é que não é necessário ter um diploma acadêmico pra ser um bom músico e que eu estaria perdendo meu tempo e meu dinheiro. 

Nessa época eu tomei a decisão mais difícil da minha vida, eu desisti de fazer faculdade de musica. Veja bem, eu não desisti da musica e nem desisti de estudar com bons instrutores e me aprimorar. Eu continuo fazendo curso de canto com uma professora ótima e tenho uma banda na escola de musica com quem me apresento algumas vezes por ano. Eu desisti foi de ter um diploma dizendo que eu aprendi aquilo tudo em nível  universitário. Mas porque essa decisão foi tão difícil? Porque eu passei praticamente 15 anos da minha vida com essa ideia fixa de que eu precisava disso tudo pra me tornar a cantora que eu gostaria de ser. Eu inclusive deixei isso ser uma barreira no passado, achando que eu não seria boa o suficiente pra cantar em uma banda até eu obter esse diploma. Foi muito complicado mudar de ideia e tem hora que eu acho que ainda não mudei completamente, acho que é um longo processo até eu conseguir me limpar totalmente desse pensamento. 

Então depois de meses pensando no que eu gostaria de fazer eu descobri que a unica coisa que eu gosto tanto quanto musica é a internet. Pesquisei cursos e faculdades e escolhi o curso de comunicação com especialização em mídia digital. Estou no meu terceiro ano e no momento estou fazendo estágio. Estágio aqui funciona diferente, são seis meses de estágio em tempo integral. Não tem aulas nesse período (só duas vezes por mês um encontro pra conversar sobre as experiencias no estágio) então é praticamente como se estivéssemos no emprego que teremos depois de formados. Eu gosto do meu curso, apesar de me sentir bem frustrada de vez em quando. Eu gosto também do meu estágio. Mas as vezes fico questionando se é isso mesmo que quero pro resto da vida. Passei tantos anos perseguindo um sonho que nunca parei pra pensar no que faria caso não desse certo. Hoje em dia eu acordo todos os dias bem desmotivada, acho legal o que faço mas não mais que isso, nada mais que legal. Será que eu me sentiria assim se tivesse escolhido um outro curso? Será que qualquer coisa que fizer que não seja diretamente relacionado à música vai me fazer sentir assim? Será que vou ter que passar o resto da vida procurando por algo que me satisfaça por completo, além da música? Ou será que vou ter que me contentar com fazer algo que acho simplesmente legal? 

Ainda tenho até julho de 2016 pra responder todas essas questões, mas na verdade o que me faz tudo piorar é a pressão que sinto pra já ter todas essas respostas, afinal já tenho 31 anos e já era pra ter minha vida resolvida. Ou não? O que fazer quando o seu plano de vida precisa ser totalmente retraçado depois dos 30? Como lidar com a incerteza de não saber o que quer? Nem posso dizer que me sinto como uma adolescente decidindo meu futuro porque quando eu era adolescente eu sabia exatamente o que queria ser quando crescer....

Música que define esse momento da minha vida: Mary Jane da Alanis Morissette. Quase 20 anos ouvindo o álbum Jagged Little Pill e até hoje encontro músicas com letras relevantes pra coisas que sinto :-)

Mary Jane

What's the matter Mary Jane, you had a hard day
As you place the don't disturb sign on the door
You lost your place in line again, what a pity
You never seem to want to dance anymore
It'sa long way down
On this roller coaster
The last chance streetcar
Went off the track
And you're on it
I hear you're counting sheep again Mary Jane
What's the point of trying' to dream anymore
I hear you're losing weight again Mary Jane
Do you ever wonder who you're losing it for
Well it's full speed baby
In the wrong direction
There's a few more bruises
If that's the way
You insist on heading
Please be honest Mary Jane
Are you happy
Please don't censor your tears
You're the sweet crusader
And you're on your way
You're the last great innocent
And that's why I love you
So take this moment Mary Jane and be selfish
Worry not about the cars that go by
All that matters Mary Jane is your freedom
Keep warm my dear, keep dry
Tell me
Tell me
What's the matter Mary Jane
Mary Jane (tradução)
O que há Mary Jane, teve um dia difícil?
Assim você põe o sinal de "não perturbe" na porta
Você perdeu o lugar na fila de novo, que pena
Você parece mais querer dançar
É uma longa descida
Nesta montanha russa
O bonde da última chance
Saiu da pista
Com você dentro
Ouço você contando carneirinhos de novo, Mary Jane
Pra que tentar continuando a sonha
Ouço você perdendo peso de novo, Mary Jane
Você imagina para quem você está perdendo isto?
Bem, isto é velocidade máxima, baby
Na direção errada
Há um pouco mais feridas
Se este é o caminho
Que você insiste em seguir
Por favor seja honesta Mary Jane
Você está feliz?
Por favor não censure suas lágrimas
Você é uma doce guerreira
E está em seu caminho
Você é a ultima grande inocente
E esta é a razão por eu te amar
Então pegue este momento, Mary Jane, e seja egoísta
Não se preocupe com os carros que vão embora
Tudo que importa, Mary Jane, é sua liberdade
Mantenha-se quente minha amiga, mantenha-se seca
Conte-me
Conte-me
Qual o problema Mary Jane?


segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Fim do Orkut e amizades virtuais

Semana passada o Orkut deu seu ultimo suspiro de vida. Foram dez anos que mudaram a maneira com que os brasileiros se relacionam com as redes sociais e a maioria de nós ainda acha que o Orkut era infinitamente melhor que o Facebook. O Orkut oferecia inúmeras possibilidades de interação que o Facebook não oferece (ou começou a oferecer pouco tempo atrás). Muita gente assim como eu acredita que o Facebook seja uma plataforma mais pra ficar vendo o que os outros estão fazendo do que pra criar um diálogo verdadeiro. Quem aqui já não perdeu noites de sono discutindo um ponto de vista em alguma comunidade do Orkut? Agora, quem já fez o mesmo em um grupo do Facebook? Talvez porque estamos ficando mais velhos e isso tudo não importa mais, ou porque sabemos que tudo que fazemos no Facebook está sendo documentado. A verdade é que o nível de engajamento entre as duas plataformas é completamente diferente. Eu, como estudante de comunicação com especialização em mídia digital, posso dizer que o Facebook frustra e nos compele a viver num mundo onde nos esforçamos pra impressionar quem nos segue. O Orkut tinha um pouco essa função, mas a interação nas comunidades era o alvo e não o compartilhamento dos acontecimentos de nossas vidas. O foco do Orkut era conectar pessoas, o do Facebook é mostrar as coisas que você faz ou até o que você pensa. Não que isso seja necessariamente ruim, só não é tão legal e motivador quanto passar horas discutindo aquela série que você ama ou aquela banda que mudou sua vida. 
Enfim, uma das coisas que nos deixa mais saudosos do Orkut são as pessoas que conhecemos por lá. Eu fiz grandes amigos por lá e um dos namoros mais longos que já tive também começou em uma das dezenas de comunidades que eu fazia parte. Conheci gente de Belo Horizonte que acabaram virando meus amigos na "vida real" também e conheci gente do Brasil inteiro (e até do resto do mundo) que viraram amigos virtuais muito queridos. A maioria dessas pessoas eu ainda mantenho contato. Quando mudei pra Holanda pra ser au pair, 80 por cento das informações que consegui foram nas comunidades de au pair daqui. Também quando mudei pra Bélgica pra conseguir um visto de permanência, comunidades como a Brasileiros na Bélgica me deram várias dicas úteis. O Orkut era quase uma plataforma de utilidade pública! 

Por anos as comunidades que mais tomaram meu tempo eram das séries Lost e Supernatural. Lá eu passava várias horas diariamente, especulando, bolando teorias, falando sobre episódios passados, falando sobre os atores, etc. Foram noites sem dormir conversando (e as vezes brigando) nos tópicos de ambas comunidades. Mas a comunidade que mais me marcou, que sempre foi a mais querida, foi a da banda After Forever. Já falei aqui sobre o quanto essa banda foi importante na minha vida e que foi um dos fatores de eu ter escolhido a Holanda pra morar. Essa comunidade foi transferida pro Facebook com vários membros originais e alguns novos. Nessa comunidade eu conheci pessoas incríveis! Tenho um carinho enorme pela maioria dos membros e o nosso relacionamento é muito legal. Infelizmente todas essas pessoas queridas só fazem parte da minha vida virtualmente.

De todas essas pessoas especiais que conheci lá, a mais querida de todas foi a Laís Tomaz. A Laís e eu começamos a nos falar com mais frequência por volta de 2009, quando ela montou um fã-site sobre a Floor Jansen, vocalista do After Forever. Nessa época eu estava começando a estudar holandês e a Laís pediu minha ajuda pra traduzir algumas entrevistas e artigos pro site (pra quem não sabe os membros do After Forever são holandeses). Eu aceitei pois vi como uma boa oportunidade de praticar meu holandês e também porque sempre achei a Laís bem legal. Mas nessa época era só isso mesmo, uma garota legal da comunidade. Nós começamos a nos comunicar com mais frequência via chats e outras redes sociais, no começo falando mais sobre musica e sobre canto (ela também estuda canto). Depois de uns meses conversando com certa frequência eu já me sentia a vontade de falar de coisas mais pessoais. O relacionamento foi progredindo naturalmente, a gente se falava cada vez com mais frequência e por mais horas e cada vez tocando em assuntos mais pessoais. A Laís é 8 anos mais nova que eu, mas quando eu converso com ela eu nunca vejo diferença nenhuma pois ela tem mente aberta e experiência de vida. 

De 2009 pra cá muita coisa aconteceu tanto na minha vida quanto na dela, mas ambas passamos por todo o processo juntas durante esses anos. Sinto que crescemos juntas, temos uma visão bem parecida do mundo e até nossas frustrações são mais ou menos as mesmas. Quando algo bom acontece comigo ela é uma das primeiras pessoas com quem quero compartilhar e quando é algo ruim, eu quero correr pra desabafar com ela. Sempre tive a sensação de que ela me entende e ela sempre tem o poder de me fazer sentir melhor quando eu to pra baixo. 

Porém até esse verão a Laís era só um bando de palavras GTalk e fotos nas redes sociais, ela sempre foi virtual e por mais que nosso relacionamento fosse genuíno, ele nunca teve a parte física de ir afogar as mágoas num boteco, de ir à shows juntas, de bater perna pela cidade, de ir ver um filme. Nenhuma das coisas que uma amizade "normal" tem. Até que ano passado em agosto ela me mandou uma mensagem pra informar que estava vindo pro festival Wakken na Alemanha e depois viria passar uns dias na minha casa. Eu entrei em êxtase!! Fiz questão de montar o quarto de hóspedes pra ela (que até então tava cheio de caixas e bagunça que não tinha lugar no resto casa), fiz um roteiro de lugares pra levar ela pra conhecer, entupi ela de dicas de viagem e de festivais. Passamos um ano inteiro planejando essa viagem, eu nunca quis tanto conhecer alguém pessoalmente quanto ela. 

No inicio de agosto desse ano ela finalmente chegou com o namorado. Eles ficaram só 4 dias, foi o suficiente pra levar eles pra conhecer Rotterdam e Amsterdam e pra nos divertir e conversar muuuuuito. Apesar de quatro dias ser extremamente pouco, ela tava alí, real, de carne e osso. Eu tava com medo da situação ser meio constrangedora, tipo passamos 5 anos conversando praticamente todos os dias por horas seguidas, daí nos vemos pessoalmente e não temos nada pra conversar. Mas foi bem o contrário disso, pareceu que nos ver pessoalmente era algo normal que acontece com frequência. Não houve um momento sequer que a gente não ficou à vontade em ter ultrapassado o virtual e tornado tudo real. Quando ela foi embora ficou um vazio enorme por vários dias, a sensação de estarmos perdendo toda essa experiência de estar juntas e fazer coisas que amigas "normais" fazem. Eu confesso que chorei uma tarde inteira só de pensar que não faço ideia de quando eu a verei pessoalmente de novo, até agora escrevendo esse texto uma lágrima acabou de descer pelo meu rosto só de pensar nisso. A vontade que tenho é de entrar no próximo avião pra São Paulo só pra ver ela, ninguém mais, só ela.

Logo depois que ela voltou pra casa foi meio estranho voltar a falar só pelo GTalk e por redes sociais, ficou uma sensação imensa de que aquilo não era mais suficiente. Mas agora, alguns meses depois, já está tudo normal novamente. Continuamos conversando várias horas por dia e continuamos compartilhando tudo que acontece na vida. Mas agora sabemos que virtual não é suficiente e sabemos que nossa amizade é de verdade, por isso já estamos pensando em novas possibilidades de nos vermos o mais rápido possível. E sim, uma pessoa pode se tornar extremamente importante na sua vida sem você nunca ter conhecido pessoalmente. Amor transcende até as barreira físicas. E sim, eu tenho plena consciência de que esse post saiu bem lésbico e meloso, mas nem ligo :-P

Amizades "normais" não são a única opção e se não fosse pelo Orkut eu nunca saberia disso....

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Criando raízes e lidando com estresse

Não creio que cheguei a contar como sobrevivi meu segundo ano da faculdade. Foi tão estressante que eu pensei em desisti inúmeras vezes, eu tinha crises de choro, passava várias noites em claro pensando em como ia dar conta da quantidade de coisa que tinha pra terminar, desenvolvi um distúrbio alimentar que me fez engordar oito quilos em quarto meses. Passei raiva com professores que estão pouco se fudendo se você precisa de uma ajuda, mesmo que seja só uma indicação sobre qual direção tomar em determinado projeto. Também passei muita raiva com alguns colegas de sala com quem fui obrigada a fazer trabalho em grupo e que me faziam sentir um lixo super inútil. 

Foi um ano traumático e eu estou extremamente feliz que acabou e que agora eu posso fazer seis meses de estágio sem precisar lidar com estresse de faculdade. Eu ainda sou obrigada a seguir uma aula a cada duas semanas e eu escolhi mais dois cursos facultativos durante esse período de estágio. Um desses cursos (video editing) é algo que meus patrões acham super legal eu fazer e eu posso anotar as horas do curso como se fossem horas trabalhadas. Mas o importante é que esses cursos facultativos eu to fazendo simplesmente por interesse próprio e não porque preciso de nota, então se eu perceber que estou ficando sobrecarregada eu posso deixar de fazer um trabalho ou faltar uma aula sem o menor estresse. 

Depois de dois meses de férias me recuperando do trauma e estresse que foi o segundo ano, eu comecei meu estágio. Quando eu comecei a pensar no que eu queria pro meu estágio (lá pra outubro do ano passado), eu decidi que queria ir pra Espanha. Seriam seis meses morando lá, aprimorando meu espanhol, lidando com outra cultura, etc. Eu já estava até começando a olhar o que eu era necessário pra fazer estágio lá, mas daí um casal de amigos meu deram meu contato pra um casal de amigos deles que têm uma agencia de comunicação. Eles me enviaram email dizendo que estavam interessados no meu perfil e perguntaram se a gente poderia se conhecer. Fui tomar um café com eles e conversa vai, conversa vem, a gente percebeu que PRECISÁVAMOS trabalhar juntos. 

A agencia é super pequena, tem a dona e o namorado dela que é meio que dono também e uma outra menina que trabalha pra eles. Então somos só nós quatro no escritório, mais a cachorrinha linda e fofa deles que passa o dia todo aqui com a gente. Eles são super flexíveis quanto à horários de trabalho e tarefas que preciso cumprir, não há estresse e nem hierarquia. E como eu disse, até o curso que estou fazendo vai contar como horas trabalhadas. Um bom exemplo foi no meu terceiro dia, tava fazendo calor (provavelmente um dos últimos dias de calor do ano) e o "patrão" (eles odeiam que eu me refira a eles como patões) disse pra gente mandar o trabalho se fuder e ir tomar uma cerveja no barzinho da esquina. Então, às 15h a gente fechou o escritório e fomos, com eles pagando ainda por cima....se continuar assim eu acho que nunca mais vou conseguir trabalhar em nenhum outro lugar, vou ficar mimada hahahaha. 

Alguns dos meus colegas de sala foram fazer estágio em outros países, uma delas está escrevendo um blog e quando eu li me bateu um questionamento. Porque será que eu desisti de ir pra Espanha tão facilmente, depois de uma unica entrevista bem sucedida aqui na Holanda? Eu nunca tinha parado pra pensar nisso antes, mas eu acho que encontrei a resposta. Não pode ter sido por medo, né? Afinal, estamos falando de uma pessoa que largou tudo que conhecia e que lhe era familiar pra trás, sem nem mesmo a segurança de um visto, pra vir tentar a vida por aqui sem pensar duas vezes. Então uns míseros meses na Espanha não assustariam essa pessoa, certo? A diferença é que aquela Liss do incio de 2008 não tinha nada à perder, nunca teve a sensação de um lar de verdade e a maioria das pessoas que ama ou já tinham deixado o planeta Terra ou moravam em outras cidades, estados, países. Aquela menina não deixou nada pra trás que a prendia lá. A Liss de 2014 tem muito mais a perder, ela tem um lar, um apartamento lindo onde moram seu marido e seus dois gatinhos super carinhosos e companheiros (tanto os gatos quanto o marido). Essa Liss morreria de saudades de casa todos os dias, sem a menor sombra de dúvidas. A Liss que vos fala criou raízes e agora fica muito mais difícil de simplesmente largar tudo pra trás, mesmo que seja só por seis meses. 

Eu ainda pretendo estudar na Espanha durante o quarto ano da faculdade, mas aí vai ser por oito semanas ao invés de seis meses. Mesmo assim, só a ideia de passar oito semanas longe de casa já dói o coração. Mas não adianta sofrer por antecipação, eu ainda tenho o terceiro ano inteiro pra cursar antes de ter que decidir se vou ou não pra lá. A notícia boa é que o primeiro semestre do terceiro ano será fazendo estágio nesse escritório com essa vista linda e esse povo legal e essa cachorrinha fofurinha. Sem estresse de faculdade ou ter que aturar colegas de sala insuportáveis. Estou feliz onde estou e quando o expediente acaba eu vou pra casa ficar com meu marido lindo e meus gatinhos perfeitos....e assim a vida segue bem mais leve do que estava três meses atrás :-D

terça-feira, 22 de abril de 2014

To de folga e cheia de novidades!

Depois de meses com a faculdade sugando meu sangue, aqui estou eu de novo! Dessa vez acho que vim pra ficar. Meus horários no próximo trimestre vão ser um pouco mais tranquilos e eu devo voltar a ter tempo pra respirar. Mal da pra acreditar que daqui duas semanas eu começo o ultimo trimestre do segundo ano da faculdade. Em setembro começo o terceiro ano e já vou de cara fazer estágio, isso é meio assustador e empolgante ao mesmo tempo. Eu nunca me senti tão estressada na minha vida, faculdade está realmente acabando com todas minhas reservas de energia, principalmente nesse trimestre que acabou, eu tive sete matérias pesadíssimas e mais uma recuperação da unica matéria que não passei ano passado. Não tive tempo pra fazer nada que não fosse relacionado com faculdade. Mas agora acabou, eu passei na minha recuperação e estou oficialmente formanda no primeiro ano e terei duas semanas de folga antes de começar o ultimo pedacinho do segundo ano. 

Então, como o título diz, eu estou cheia de novidades pra contar! Uma delas é que três semanas atrás eu fiz um novo show com a minha banda da escola de musica (se você não tem ideia do que estou falando é só clicar aqui). Dessa vez eu estava menos preparada, não tive tempo pra estudar as musicas em casa e só treinava durante os ensaios. O show caiu bem na semana que tive um tanto de provas e trabalhos pra entregar. Também foi em um lugar diferente onde eu nunca tinha cantado antes, com um som totalmente diferente ao que estou acostumada. Tudo isso influenciou pra que a performance não fosse lá grandes coisas, mas mesmo assim eu me diverti e achei legal ter feito um novo show. Em julho vai ter mais um e aí o ano letivo acaba, ainda estou decidindo se voltarei pro ano que vem. 

Outra novidade é que virei holandesa!!! Isso mesmo, depois de tanto lutar pra conseguir um mísero visto pra poder ficar ao lado do meu amor, agora eu sou naturalizada e tenho todos os direitos e deveres de alguém que nasceu aqui. Teve até cerimonia na prefeitura e tudo mais. Amanhã recebo meu passaporte e hoje recebi meu titulo de eleitor. Ter a nacionalidade holandesa não muda nada na pratica, a unica diferença é que agora eu posso votar e se algum dia eu precisar eu terei direito ao seguro desemprego. Mas muito além disso, significa que enquanto eu morar dentro da Europa, eu nunca mais vou precisar lidar com imigração na vida! Essa é a parte mais importante pra mim, pois lidar com a imigração holandesa nesses últimos anos foi uma dais coisas mais traumatizantes da minha vida e eu estou imensamente feliz de nunca mais precisar passar por isso. Sem contar que agora não há nada mais que possa me separar do meu amor, não há nada que eu possa fazer que vai dar o direito deles me deportarem de volta pro Brasil. Eu pertenço à Holanda até o dia que eu morrer!



Outra coisa que queria compartilhar é que meus filhotes já vão fazer um ano!!! Lembra quando adotei eles? Então, eles já não são tão miudinhos. No dia primeiro de maio o Mojito faz um aninho e no dia 23 de maio é a vez do Midas (e da irmãzinha dele, a Loena). Nem acredito que aqueles filhotinhos tão pititinhos já são adultos. Na verdade Midas ainda é bem pititinho, ele não pesa nem três quilos (é normal, a Loena também é miudinha igual). Enquanto isso o Mojito já pesa seis quilos!!! No últimos oito meses eles mudaram minha vida completamente, eu já nem consigo lembrar como era viver sem eles. Eles são extremamente carinhosos, dengosos, brincalhões, dóceis e ativos. Eles não desgrudam nunca do outro, dormem juntos, brincam juntos, comem juntos, fazem tudo juntos. Eles se dão bem com todo mundo que vem aqui em casa e nunca nem tentaram fugir nem nada. Dormem na cama comigo e o marido todos os dias e só acordam na hora que o despertador toca. Ficam todas as noites agarradinhos conosco no sofá enquanto vemos TV, ficam no meu colo ou ao lado do laptop enquanto to fazendo trabalhos da faculdade. Enfim, eles me fazem muito felizes e a minha vida melhorou muito depois que eles vieram fazer parte dela. 

Duas semanas depois que os adotamos, eles foram viajar com a gente. Levamos eles pra passar cinco dias na ilha de Terschelling, no norte da Holanda. Fomos de carro até o norte e de lá pegamos uma balsa pra chegar na ilha. Foram duas horas dentro do carro e mais uma hora na balsa e os três se comportaram super bem. Lá ficamos hospedados num chalezinho e eles nem viram diferença entre o chalé e nossa casa. Semana que vem vamos repetir a dose, só que agora com eles já adultos. Vamos passar cinco dias no sul da Bélgica e vamos novamente levar os três gatos conosco. Espero que a experiencia seja tão agradável como foi na primeira vez. Eu realmente gosto da ideia de poder levá-los conosco aonde vamos e saber que eles vão se comportar e se adaptar super bem. Tomara que dê certo. 

Algumas fotos da viagem pra Terschelling em agosto de 2013. Na época eles eram tão miúdos que cabiam os dois em um só transportador, agora não dá mais, cada um precisa do seu. 


Os três comendo na casinha em Terschelling
 E aqui algumas fotos de como eles estão hoje em dia.

 

Falando em semaninha no sul da Bélgica, esse verão vai ser cheio de shows, festivais e algumas viagens. Pra começar iremos ver Pearl Jam no Ziggo Dome em Amsterdam e Soundgarden no Tivoli em Utrecht. Também iremos ao Pinkpop, Graspop e ao Fortarock. Talvez iremos ao Parkpop e Appelpop também, mas esses a gente sempre deixa pra decidir na ultima hora, de acordo com o tempo, já que são festivais gratuitos. Em agosto vou receber minha primeira visitante oficial aqui em casa. Em três anos que moro aqui, o quarto de visitas tem sido usado pra tudo, menos receber visitas. Estou super feliz de ter essa amiga linda e especial aqui, já passou da hora dela ser mais do que palavras em um chat e fotos em social media. Depois vamos passar uma semana linda em Rhodos, na Grécia. Esse ano resolvemos conhecer outra parte do país, pois eu já visitei a mesma região duas vezes. Rhodos é uma ilha praticamente na fronteira com a Turquia e eu sempre tive vontade de conhecer lá. Então, esse verão promete.

Mas por enquanto eu vou tentando balancear a vida com o novo trimestre da faculdade, voltar a praticar esporte, voltar a comer direito, voltar a ter vida social e voltar a escrever aqui com frequência. Eu sinceramente tava sentindo falta de vir aqui falar bobagem. Mas será que alguém tava sentindo falta das minhas bobagens? heheheheeh


sábado, 4 de janeiro de 2014

Retrospectiva clichê

O ano de 2013 acabou e nele aconteceu tanta coisa que achei legal fazer uma daquelas retrospectivas bem clichês e colocar tudo num post só. Tomara que não esqueça de nada importante...

O ano começou comigo na metade do primeiro ano da faculdade. As minhas inseguranças e medos em relação à faculdade estavam começando a ser controladas e eu estava começando a aceitar que eu poderia sim conseguir vencer os obstáculos de estudar em uma língua que eu ainda encontro dificuldades, ser a unica estrangeira na sala e ter uma diferença de quase 10 anos entre eu e meus colegas de sala. Eu entrei pra faculdade achando que não sobreviveria o primeiro bimestre e acabei terminando o primeiro ano com um artigo publicado em um jornal de verdade (fui a unica numa sala de quase 40 pessoas que teve um artigo publicado) e três pontos extras além do máximo de 60 pra passar de ano. 

Completei 5 anos morando na Holanda em abril aprendi que não adianta fugir do seus problemas, eles irão te perseguir através do oceano. 2013 também foi o ano que completei 5 anos de relacionamento e finalmente conseguimos fazer a viagem pra Praga que planejávamos desde que completamos 1 ano de casados. Eu contei tudo sobre Praga aqui

Esse ano fui à vários shows e um festival. Reafirmei amizades antigas e fiz algumas novas amizades. Me surpreendi com pessoas em quem eu não acreditava e me decepcionei com pessoas que considerava muito próximas de mim. Foi um ano em que eu aprendi muito sobre mim mesma e descobri o que quero fazer da minha vida após terminar a faculdade. Desde que comecei o primeiro ano eu estava me sentindo meio sem propósito, como se estivesse fazendo faculdade só pra ter um emprego e não pra ter um futuro. Estava preocupada em ter que passar o resto da minha vida tapando buraco e só me preocupando em ganhar dinheiro. Um dia ainda escrevo um post sobre isso. 

No verão viajamos pela primeira vez na vida com um casal de amigos e foi super legal! Fomos pra Grécia, passamos duas semanas fazendo nada na praia e passeando pelos monumentos gregos. Eu ia escrever um post sobre isso, mas como a minha câmera quebrou na viagem eu tive que esperar minha amiga me mandar as fotos dela. Acabou passando muito tempo e eu esqueci completamente de escrever sobre isso. Mas dá pra ver as fotos aqui

Assim que voltamos de viagem adotamos os maiores amores da minha vida. Contei sobre eles aqui. Quatro meses se passaram, os bebezinhos cresceram e tomaram conta da minha casa e do meu coração. Mal consigo lembrar de como era a vida sem eles esfregando em mim o tempo todo, subindo no laptop quando to tentando estudar, deitando agarradinhos comigo quando to assistindo tv, miando na porta do banheiro quando estou fazendo minhas necessidades ou tomando banho, etc etc etc...Eles me fazem muito feliz e tudo que eu quero é que eles cresçam saudáveis e felizes. Eu amo meus filhotes! Se quiser ver mais fotos e acompanhar o crescimento deles é só clicar aqui: lissincatheaven.tumblr.com

Esse ano eu fiz 30 anos! Sabe o que mudou na minha vida? Absolutamente nada! A unica diferença é que agora eu pago 20 euros a mais todo mês pelo plano de saúde afff. Também deixei de ser ruiva e passei a ser verde e agora estou lutando pra voltar a ser morena, mas o verde insiste em aparecer depois de algumas lavagens mesmo depois de ter passado um castanho bem escuro. Estou começando a acreditar que vou ter que conviver com o cabelo verde até a hora que sair tudo na tesoura hahahaha

Mas a coisa mais legal que aconteceu esse ano foi eu ter subido em um palco pela primeira vez na vida com uma banda e cantado pra um publico!!! Já escrevi um post enorme sobre isso aqui. Foi um dos momentos mais lindos da minha vida e a melhor maneira de fechar um ano cheio de coisas legais. Acho que posso dizer com toda certeza que 2013 foi o melhor ano que tive desde que cheguei na Holanda. Pela primeira vez aprendi a controlar minhas inseguranças, pela primeira vez em 5 anos não precisamos mais contar moedas pra fazer ou comprar coisas que queremos e precisamos, não preciso mais me preocupar com vistos e finalmente estou aprendendo que posso fazer coisas uteis com a minha vida e ser feliz sem comprometer meus sonhos e minha identidade. 

Espero que 2014 só continue toda essa onda de coisas boas. Não sou de fazer resoluções de final de ano, mas eu sei que ainda tem muita coisa pra acontecer. Sei lá. é bom terminar o ano com uma vibração legal pra variar. Chega de sentir que a vida é uma merda e que eu não mereço ser feliz!!!

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Meu primeiro ano de faculdade acabou!

Sim, eu sei que não dou as caras por aqui já faz um mês. Mas eu tava passando pela fase mais complicada da faculdade e mal tava tendo tempo até pra comer. Só que hoje eu finalmente fiz a ultima prova do ano letivo. Sabe o que isso quer dizer? Que meu primeiro ano de faculdade chegou ao fim! Eu sobrevivi a tudo e agora terei dois lindos e mais do que merecidos meses de férias pra aproveitar a vida e não pensar em nada relacionado à escola. 

Na verdade eu ainda vou ter que passar esse final de semana terminando um projeto que tenho que entregar na segunda e na terça ainda tem mais uma provinha de espanhol. Então, na verdade só estarei oficialmente de férias depois de terça. Mas só de já ter terminado 90% das matérias, principalmente das mais pesadas, eu já estou me sentindo bem mais leve e feliz. 

Quando penso em tudo que me aconteceu nesse primeiro ano de faculdade, eu mal acredito que só fazem 10 meses que essa jornada insana começou. Nesse primeiro ano eu chorei, ri, estressei, fiquei puta da vida, aprendi muuuuuuuuito (não só academicamente, mas também aprendi bastante sobre mim mesma). 

Entrei pra faculdade cheia de inseguranças, o curso era em um idioma que tinha acabado de aprender, com colegas que são uns 10 anos mais novos do que eu e ainda por cima eu era a unica estrangeira na sala. Todas as chances estavam ali na minha fuça, gritando pra eu falhar. Mas elas escolheram a pessoa errada pra vir atazanar, porque eu trabalhei muito duro pra conseguir terminar meu primeiro ano acadêmico. O vontade de desistir apareceu algumas vezes, mas a vontade de ser bem sucedida foi sempre mais forte. 

No momento o meu maior sentimento é de orgulho. Estou extramente orgulhosa de mim e de tudo que conquistei nesses 10 meses. As noites mal dormidas, os finais de semana enfurnada dentro de casa fazendo projetos, os dias de verão que fiquei estudando pras provas (ao invés de ir pra praia), as vezes que deixei de sair com as amigas pra fazer projeto em grupo. Tudo isso valeu super a pena porque minhas notas têm sido super bonitas. No primeiro bloco (contei sobre o sistema de blocos aqui) da faculdade eu peguei uma recuperação em Marketing e no terceiro bloco pequei uma em Psicologia. Mas tirando isso, só tirei 8s e 9s alguns 7s também nas outras matérias. Acho que posso considerar que tive um bom saldo final do primeiro ano. Tudo bem que eu ainda tenho que esperar umas duas semanas pra saber os resultados desse ultimo bloco, mas até agora eu estou confiante que passei em tudo. 

Mas enfim, vou deixar de lero-lero porque daqui a pouco começo a chorar de felicidade. Agora que vou estar de férias terei mais tempo pra voltar a me dedicar à esse bloguizinho querido. E assim que as minhas notas saírem eu venho aqui compartilhar a alegria de ter passado de ano ou chorar as pitangas por ter que repetir algumas matérias. Também voltarei em breve pra contar meus planos pra esse verão. Então pode voltar a visitar esse meu cantinho e saber de todas as minhas bobagens ;-)

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Cinco anos morando na Holanda!!!

Pois é, parece que foi ontem que eu aterrissei em Schiphol. Olhando pra trás, parece que a pessoa que chegou na Holanda há exatamente 5 anos era outra.... 

Em 2011 eu fiz um post sobre os prós e contras de morar por aqui. Eu ainda penso assim hoje em dia, talvez eu poderia acrescentar mais coisas a essa lista, mas não é isso que quero fazer hoje. Meus posts sobre o segundo e terceiro ano morando aqui foram mais uma espécie de resumo dos acontecimentos até os respectivos anos. Ano passado eu escrevi um post tanto quanto superficial sobre o quanto eu cresci e mudei desde que vim morar aqui. Hoje eu resolvi que vou me aprofundar mais no quanto eu venho mudando e amadurecendo desde do dia em que pisei em um avião com destino á Amsterdam. 

Eu sempre fui uma menina muito melancólica e com tendencias à depressão e me sentia vitima do mundo. Ao vir morar na Holanda eu achava que, por estar realizando um grande sonho e ainda estar cheia de esperanças de realizar todos os outros, todos esses problemas iriam passar. Sabe o Chandler de Friends? O cara que pra esconder seus medos e inseguranças usa sarcasmo e piadas? Pois é, eu sou meio assim. Me esconde atrás de uma máscara de 'menina engraçada' pra não ter que lidar com o buraco negro que é minha cabeça. Mas o problema é que eu não fazia ideia de que agia assim, era tudo inconsciente demais.  

Vir morar na Holanda foi a maior jornada de auto-conhecimento que eu poderia ter feito. Principalmente o tempo em que eu fui morar na Bélgica. Foram tantos dias em que eu ficava sozinha que não houve outra alternativa a não ser me confrontar de todas as maneiras possíveis. Foi aqui que aprendi que eu me escondo atrás das piadas e sarcasmo. Foi aqui que eu fui pressionada a lidar com a minha melancolia e tendencias depressivas de maneira a não deixar isso afetar meus planos e atitudes. Foi aqui que eu aprendi que sou, na verdade, bastante anti-social e não vejo graça alguma em coisas que são impostas.

Nesses anos de Holanda eu também me descobri uma grande ativista dos direitos humanos. Tanto que estou me programando pra trabalhar em ONGs que cuidam dessa área assim que me formar na faculdade. No últimos anos eu tenho desenvolvido tanto esse meu lado humanista e acho que parte disso é por eu ter vivido o outro lado da história. Como vocês sabem, eu vim pra cá pra ser au pair. Mas por muito tempo fui tratada praticamente da mesma maneira que as empregadas brasileiras são tratadas e isso me fez refletir muito no quanto nos consideramos superiores ao outros e nem percebemos o tamanho do nosso privilégio. Sério, só o fato de eu ter tido uma mãe que me fez ir à escola já é um privilégio enorme. Tanto eu quanto você que está lendo esse texto com algum aparelho que tem acesso à internet, fazemos parte de uma porcentagem minúscula da população mundial que teve acesso à educação. Esse ativismo todo me fez descobrir que eu não sou de maneira alguma vitima do mundo. Muito pelo contrário, eu sou uma das poucas pessoas que tem alguma forma de condição financeira e recursos básicos pra, pelo menos, tentar fazer alguma diferença no planeta. 

Eu já não sou mais aquela menina sonhadora e cheia de esperanças inatingíveis. Eu aprendi da maneira mais difícil que alguns sonhos simplesmente não se tornam realidades, mas outros sim. E nada nos impede de criar outros sonhos ao longo da vida. Hoje eu não vivo mais de sonhos e sim de objetivos a curto prazo. No momento meu maior objetivo é terminar o primeiro ano da faculdade (ainda faltam três meses) sem nenhuma recuperação ou atrasos. Outro objetivo que eu já estou trabalhando há algum tempo é pra clarear o buraco negro que são minha emoções e não ser mais tão depressiva e melancólica. Já melhorou uma quantidade enorme desde que me tornei consciente da minha maneira de ser. Mas o processo é longo e doloroso e ainda tem dias que eu acordo sem vontade de nada, a não se ficar na cama e chorar sem motivo algum. Mas nesses dias eu sempre procuro dentro de mim mesma algum motivo pra levantar e fazer algum tipo de diferença no mundo. Mesmo que seja pequena, mesmo que seja só levar o lixo pra reciclar. 

Enfim, o post tá ficando grande e triste demais. Vou encerrar dizendo que sou sim uma pessoa feliz e que a minha jornada de auto-conhecimento só tem me feito bem. A cada dia eu tento ser uma pessoa melhor do que fui ontem. Mas a lição mais importante que eu aprendi nos últimos cinco anos é que se você não enfrentar seus problemas, eles nunca vão se resolver. Palavra de quem mudou de continente pra fugir deles e mesmo assim eles vieram na bagagem....

Ah, caso não tenha notado ainda, eu mudei o layout do blog. Me diz se ficou legal ;-)

segunda-feira, 11 de março de 2013

A gente ainda se importa com os outros?

Semana passada aconteceu algo que me deixou muito reflexiva. Estava eu na aula de espanhol da faculdade, aula essa que é aberta à todos os cursos pois é aula facultativa, então tem gente de vários curso, períodos e nacionalidades lá. Faço essa aula uma vez por semana nas quintas de manhã. 

Então, na ultima quinta no final da aula a gente tava arrumando a mochila e vestindo os casacos pra ir embora quando eu percebo que uma menina tava sentada no chão. A principio eu achei que ela estava procurando algo, pois estava sentada olhando pra baixo. Depois ela tentou levantar e caiu no chão e ficou lá deitada. Eu demorei um pouco pra processar a ideia de que ela não estava se sentindo bem. No meio tempo várias pessoas que estavam ao lado dela começaram a ir embora com um olhar de reprovação pra ela, tipo "pra que essa fulana tá deitada no chão, que palhaça". Algumas pessoas até passaram por cima dela pra pode ir embora. Eu tava mais ao final da sala e percebi que ninguém próximo à ela iria ajudá-la. Até que eu, uma angolana e a outra brasileira da sala resolvemos ir até ela pra auxiliá-la. Nesse ponto a professora, que é mexicana, também percebeu o que estava acontecendo e também veio ajudar. Então a professora disse que iria levar a menina até a enfermaria e que nós poderíamos ir embora. 

O que me chamou atenção é que TODAS as pessoas que passaram por ela e fingiram que não a viram ou que fizeram olhar de reprovação, são holandesas. A própria menina também é holandesa. Eu achei curioso que só as estrangeiras da sala (não todas, tem mais estrangeiros na sala, mas acho que eles não perceberam o que tava acontecendo) é que tomaram a atitude de socorrer a menina que tava lá, estirada no chão. 

Foi aí que eu comecei a pensar, será que as pessoas estão se preocupando cada vez menos umas com as outras ou será que isso é uma reação tipicamente holandesa? Será que foi só uma coincidência que só estrangeiros foram socorrer a menina? Ou será que como a sala ainda tava cheia, as pessoas ao lado da menina pensaram que alguma outra pessoa lidaria com o problema e por isso elas não tomaram atitude alguma? Talvez tenha sido só coincidência que só três estrangeiras foram socorrer a menina, porque também éramos uma das poucas pessoas ainda na sala e por isso a mentalidade de que alguma outra pessoa a socorreria já não cabia mais. 

Eu sempre me considerei uma pessoa meio fria e individualista, mas mesmo assim eu nunca consegui ver uma pessoa passando mal na minha frente e não fazer absolutamente nada. Mesmo eu tendo ido socorrer a menina, eu ainda passei o dia todo achando que eu deveria ter feito mais. Não achei que deveria ter deixado a menina ali com a professora sem garantir que ela receberia socorro médico. Isso porque eu mal conheço a menina, só tive três aulas com ela, não sei o nome dela e não sento próximo à ela na sala. Mas mesmo assim eu fiquei genuinamente preocupada com ela.  

Quando eu comentei o caso com meu marido ele achou que eu estava exagerando. Ele disse que os holandeses não são tão individualistas assim e que eles teriam sim ido ajudar a menina se a sala não tivesse tão cheia. Mas como eu argumentei com ele, eu não quero tirar conclusões, só sei do que eu vi. Eu tava lá, sei como tudo aconteceu e sei que só três pessoas numa sala de mais de trinta foram socorrer a menina. E  que, coincidência ou não, as três pessoas eram estrangeiras. Sem contar que o tal olhar de reprovação de algumas pessoas só veio dos holandeses, não vi nenhum estrangeiro olhando assim. 

Aí fica a pergunta. Eu estou exagerando? Você teria ajudado ou passaria direto, fingindo que não viu? Acho que é um tópico super válido para avaliação da nossa sociedade e pra nossa auto-avaliação também. Eu gostaria muito de saber a sua opinião sobre isso tudo....



terça-feira, 20 de novembro de 2012

Farofa linguística....

Oi, meu nome é Liss e eu sou fluente em quatro línguas. Isso soa tão legal, né? Soa tão impressionante. Mas a realidade é que isso dá um trabalho enorme! Ser fluente em línguas que você usa pouco é uma coisa, agora ter que usar quatro línguas diferentes TODOS OS DIAS é algo bem complicado. A cabeça dá nó, sério mesmo. As palavras mais simples desaparecem da sua cabeça e por algum motivo desconhecido da humanidade você lembra dessa palavra em todas as outras línguas menos na que você precisa, lógico. 

Funciona assim, eu penso em português duh, além de que pelo menos 50% do tempo que passo na internet é lendo ou escrevendo em português (assim como estou fazendo agora hehe) e me comunico com alguns amigos por aqui também em português. Na rua, na faculdade, com a família do marido, etc, eu só falo holandês, além de ter que ler e escrever textos acadêmicos em holandês todos os dias. E em casa é só inglês, primeiro porque acho super estranho mudar de língua com o marido (afinal, quando a gente se conheceu eu ainda não falava holandês e a gente só conversava em inglês), então eu só falo holandês com ele quando estamos entre outros holandeses. Segundo porque eu acho importante manter meu inglês afiado, já que ele é mil vezes mais importantes no mundo do que o holandês. E terceiro porque eu acho muita folga pro marido eu ter que falar uma terceira língua dentro de casa e ele até hoje não se deu ao trabalho de aprender o português. Além disso, pelo menos 40% (o resto é dividido entre holandês e espanhol) do meu tempo na internet é com coisas em inglês. E desde setembro passado eu comecei a usar o espanhol diariamente. Eu não sou tão fluente em espanhol quanto nas outras três línguas, principalmente porque não sei tanto de gramática quanto deveria, mas na faculdade temos direito de escolher duas matérias por trimestre (expliquei o sistema de trimestres aqui) que não tem nada a ver com o nosso curso, então escolhi espanhol como uma delas pra finalmente aprender a gramática corretamente. Mas tirando a construção gramatical, eu consigo sim entender praticamente tudo que ouço ou leio em espanhol e consigo também ter conversas curtas. Agora estou aprendendo a ter conversas longas hahaha.

Eu falo inglês desde que mais ou menos meus nove aninhos. Com essa idade eu já tinha decorado todos os diálogos do filme My Girl (ou meu primeiro amor, bleh). Eu era tão fissurada em aprender a língua que eu pegava letras de música e traduzia palavra por palavra com um dicionário. Sempre odiei filmes e séries dublados, só assistia se fossem legendados e com o tempo até as legendas eu passei a odiar. Quando eu tinha uns 13 anos eu comecei a ganhar uma graninha com traduções e por volta dos 16 eu já arriscava dar umas aulinhas particulares. Passei grande parte da minha vida "pré-Holanda" ensinado inglês tanto pra crianças quanto pra adultos. E o detalhe, eu nunca realmente estudei inglês, tive um ano de aula no ensino médio, mas lá só ensinavam coisas super básicas como o verbo To Be, e nessa época eu já estava ensinando a língua então não foi muito útil pra mim. Portanto eu aprendi tudo que sei sozinha. Assim como meu espanhol, mas como a gramática do espanhol é milhares de vezes mais complicada do que a do inglês, eu sempre tive problemas nessa área. Morando na Holanda e usando inglês todos os dias, eu me desenvolvi tanto na língua a um ponto que me sinto tão confortável quanto com o português, até sonho em inglês com certa frequência. 

Holandês foi a única língua que eu estudei na vida (até o momento), aprendi do zero com cursos e métodos tradicionais (já que o assortimento de boas música, filmes e séries na língua é tão escasso). Em mais ou menos três anos eu me tornei fluente o suficiente pra ser aceita na faculdade. Eu consigo me comunicar direitinho, consigo entender sem problemas e até traduzo bem. Mas ainda estou longe de me sentir confortável com a língua. Até com espanhol que eu não domino tão bem quanto o holandês, eu me sinto mais confortável. 

Mas a verdade é que, eu nunca imaginei que algum dia diria isso mas, eu entendo bem o que acontecia com a Luciana Gimenez quando ela dava pala no programa e usava a desculpa de que fala várias línguas. É difícil admitir isso mas ela estava falando a verdade. É assim mesmo que acontece e não é só comigo e sim com todas as pessoas que eu conheço que precisam usar várias línguas diferentes todos os dias. Jamais imaginei que um dia eu me identificaria com aquele ser chamado Luciana Gimenez. Mas essa é a verdade de gente que é obrigado a ser poliglota diariamente, por mais que você fale bem todas as línguas, sempre vai soltar umas merdas nada a ver, esquecer palavras, fazer traduções sem o menor sentido e passar vergonha de tanto dar pala por aí. 

Só um pequeno exemplo de como nossa cabeça começa a funcionar depois de algum tempo:

-Então, a gente precisa salvar dinheiro pra poder viajar
-Salvar dinheiro? De que? Ele está em perigo?
-hahahaha, não, economizar, juntar dinheiro hahahahah tô pensando no inglês, save money hahahah

E esse é só um leve exemplo de como a cabeça vira uma farofa linguística depois de algum tempo vivendo em outro país e usando tantas línguas ao mesmo tempo hehehe. Alguém mais também passa por isso? Eu sei que os expatriados passam, mas e os que moram no Brasil mas que também usam mais de uma língua com frequência? Eu fico super curiosa como outras pessoas lidam com o fato de falar várias línguas. 

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Estudos, sushis e hospedes felinos

Hoje eu venho por meio deste blog declarar que eu sobrevivi ao primeiro trimestre da faculdade! Segunda passada eu tive minhas ultimas provas e hoje passei o dia todo procrastinando porque tenho até o final da semana sem nada pra estudar e isso é tão gostoso.

Deixa eu explicar um pouco como funciona os sistema de trimestres da faculdade (já que tem um tanto de gente que me pergunta isso todos os dias). Funciona assim, o ano é dividido em quatro blocos e cada bloco em dez semanas. Dessas dez semanas, oito são de aulas, uma pra estudar em casa e terminar e entregar os trabalhos e projetos pendentes e uma só de provas. Normalmente tem também uma semana de "férias" no meio, coloco entre aspas porque não creio que existem muitas pessoas que conseguem relaxar e curtir as férias sabendo que daí duas semanas começam as provas. Aí cada dez semanas começa um novo bloco, com novas matérias, novos professores e um horário escolar novo. 

Nesse bloco eu tive muitas matérias práticas, então a maioria delas são avaliadas com trabalhos. Eu tive duas matérias teóricas, Marketing e Introdução à Comunicação e essas duas foram avaliadas com provas. Pra estudar pras provas eu tive que ler dois livros enormes em holandês e também assistir à vários documentários de mais de uma hora cada um, fora o tanto de slides de PowerPoint que o professor apresenta durante as aulas. Então passei de mais ou menos quatro semanas estudando como nunca estudei na vida, passando por volta de seis horas diárias, inclusive finais de semana, fazendo resumos dos livros, mindmaps dos slides, repassando os termos com o maridoncio, fazendo anotações sobre os documentários e tudo mais que devemos fazer quando queremos tirar uma nota boa na prova. Nunca em toda a minha vida eu levei os estudos tão à sério, na verdade até eu começar a fazer cursinho pré-vestibular, eu nunca levei os estudos nenhum pouco à serio. Mas como eu aprendi da maneira mais complicada possível que fingir que to estudando não serve pra nada, eu resolvi que é melhor pegar pesado por quatro anos e dar o melhor de mim pra não só passar nas matérias mas também aprender tudo que for necessário pra me dar bem na carreira que pretendo construir muito em breve. 

O meu problema é que por mais que eu estude e faça tudo direitinho, eu nunca me sinto preparada de verdade pra prova nenhuma, por isso eu odeio provas e prefiro mil vezes ter meu conhecimento avaliada por trabalhos e projetos. Eu entendo a matéria toda, decoro os termos importantes, associo o que preciso saber com exemplos e saio de casa confiante que vou fazer uma boa prova. Aí eu abro a prova e me dá um branco fudido, eu começo a ficar nervosa, vai me dando uma vontade de chorar. Mas a medida que eu vou sabendo responder algumas perguntas o nervosismo vai passando e eu vou conseguindo fazer a prova sem vomitar em cima dela. E lógico que eu sou do tipo que vai correndo no livro pra ver se eu acertei a resposta daquela pergunta. Eu não sou do tipo que precisa tirar um notão e muito menos ser a melhor da sala, eu me contento com uma nota suficiente pra passar na matéria e não precisar repetir tudo. Enfim, agora é esperar duas semanas pra saber o resultado...
Fazendo resumo do livro em holandês, traduzindo pro português com a ajuda do Google
Mas nem só de trabalho duro vive uma pessoa, né? Uns dois finais de semana passados eu convidei alguns amigos pra fazer uma sushi night. Ano passado eu ganhei de presente (agora não lembro se foi no meu aniversário ou no natal e to com preguiça de procurar agora) um kit pra fazer sushi em casa. Então a gente fez um vaquinha pra comprar os ingredientes e eu enrolei por volta de 200 sushis, alguns nigiris e vários sashimis com o que sobrou do peixe. Ficou delicioso! Todo mundo comeu até não caber mais e ainda sobrou alguns pro meu almoço no dia seguinte. Nunca recebi tantos elogios em um jantar com amigos e pretendo fazer novamente, assim que eu tiver três horas livres pra ficar fazendo rolinhos e mais rolinhos de sushi haha.
Enrolei 30 rolinhos sozinha o que rendeu mais ou menos 200 sushis, comida pra um batalhão!
Agora que as provas passaram e eu já posso respirar aliviada (pelo menos até semana que vem, quando começa o novo bloco), eu posso curtir um pouco a convidada felina de honra que ficará hospedada aqui em casa pelas próximas três semanas enquanto uma amiga está passeando pelo Brasil. Ela é a coisinha mais fofa e peluda e eu estou apaixonada por ela, mas não posso ficar tanto assim porque dentro de três semanas ela vai voltar pra casinha dela e eu vou ter que adotar um pra mim permanentemente porque senão eu entro em depressão.
Toetje é a gatinha mais fofa da Holanda! Ah sim, o nome dela pronuncia tutia, e significa docinho em holandês
Bom, acho que essas foram todas as novidades por enquanto. Vou aproveitar o resto da minha semana sem me preocupar com os estudos porque semana que vem começa um novo bloco e acaba a folga. Gostaria que você me contasse como são/eram suas experiencia com provas, é normal passar pelo estresse e nervosismo que eu passo? Me conte pra eu saber que sou normal e não sou a unica que entro em panico hahaha. E hasta la vista... 





sexta-feira, 5 de outubro de 2012

E a vida deu um giro...

Outubro começando e com ele a depressão pré aniversário....só que não! Esse ano não! Esse ano eu tenho muito pra comemorar, conquistei tantas coisas, venci tantos obstáculos, lutei, sacrifiquei várias coisas e fui recompensada pela vida. A maioria das pessoas fazem o balanço geral do ano em dezembro, eu sempre faço em outubro e desde de outubro do ano passado a minha deu um giro de 180 graus e quando eu olho pra trás parece que meu ultimo aniversário foi há uns 5 anos atrás.

Ano passado eu estava na fossa, estava me sentindo uma loser total. Tinha feito tantas entrevistas de emprego e nada. Não fazia ideia se ia conseguir passar na prova de Holandês pra conseguir fazer faculdade e muito menos se meu diploma do ensino médio seria aceito pela escola que eu queria. Sem contar que eu ainda estava lidando com a minha escolha de desistir de fazer faculdade de música pra estudar algo mais relevante pro meu futuro. 

Desde outubro do ano passado eu comecei a trabalhar (em um emprego que eu odiava, mas era melhor do que nada) e trabalhei no mesmo emprego até agosto agora e só saí pra começar a faculdade, inclusive meu chefe ficou super triste porque eu saí. Também fiz a ultima etapa do curso de holandês e depois de 6 meses estudando loucamente passei na prova de proficiência da língua em fevereiro. Consegui um segundo emprego (que acabou não dando certo, mas pelo menos valeu a experiência e foi ótimo pra auto-estima), fui aceita na faculdade e há pouco mais de um mês eu comecei a estudar. Logo no primeiro mês eu já passei em uma matéria que foi a mais difícil da minha vida, tirei um lindos 8 pontos em 10. Esse projeto sugou minha vida na ultimas 4 semanas, eu mal tinha tempo pra comer, dormir, tomar banho e tudo mais. Vida social então foi algo que eu não tive. Nem na internet eu tava aparecendo direito. Mas valeu super a pena porque eu já garanti meus pontos pra passar em uma das matérias e isso é algo muito recompensador pra mim.

Outra coisa que me fez feliz durante esse ano é o fato de eu ter conseguido manter o cabelo vermelho por uma ano inteiro. Eu seu que é bobo e fútil, mas isso na verdade representa o quanto que eu tenho me tornado uma pessoa disciplinada e determinada ultimamente. Se não fosse toda essa disciplina eu já teria desistido da faculdade na primeira semana. Na área de música eu também tenho evoluído bastante, mas como toda a pressão e estresse agora está indo pra faculdade eu tenho cantado mesmo só pra me descontrair e desestressar, não tenho mais a necessidade de cantar profissionalmente e agora é mesmo só um hobby pra me tirar dos problemas da vida. Mas mesmo assim ainda tem uma parte de mim que fica torcendo pra que um dia tudo mude na minha vida e que tudo me leve à ser uma cantora profissional algum dia hahaha. 

Enfim, eu podia ficar aqui falando e falando sobre o tanto que minha vida melhorou no ultimo ano, mas acho que já deu pra ter uma ideia, né? Só sei que a fossa que eu estava ano passado foi embora e hoje em dia eu me sinto bem mais realizada. Será que sou só eu que fico analisando a vida só levando em consideranção o numero de conquistas e realizações? Alguém mais fica analisando a vida toda quando o aniversário está aproximando? De qualquer modo, esse ano eu posso relaxar e não ficar toda depressiva pelo fato de estar completando 29 anos de vida e sim celebrar esse fato =)

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Meu jeito Dr. House de ser...

O marido e eu adoramos assistir séries. Nós curtimos séries de fantasia, terror, suspense e comédia. Somos viciados em Game of Thrones, Walking Dead, Supernatual e vários sitcom's tipo How I Met Your Mother, New Girl, Cougar Town e mais um tanto. Esse é o nosso passa-tempo durante a semana, a gente janta e aí vai assistir alguma séria que eu baixei pela internet. Mas quando o verão chega a gente fica se sentindo super órfãos, todas as séries entram de férias e nunca sabemos o que fazer depois do jantar. Então a gente resolve ou rever desde o início uma série que já acabou ou começar a assistir uma série de algum estilo que um de nós dois normalmente não curte muito. Esse verão a série escolhida foi House. Ele sempre achou uma série interessante, eu nunca vi graça mas também nunca tinha assistido à um episódio inteiro. A verdade é que a dinâmica da série é bem bestinha, um paciente tem algum sintoma que ninguém consegue identificar e é mandando pra o Dr. House. Aí House faz um monte de merda, quebra regras e protocolos e quase mata o paciente (porque ele sempre fica pior durante o episódio), então no terceiro ato ele tem uma epifania e salva a vida do paciente. São pouquíssimos os episódios que não se baseiam nessa fórmula. No final acaba sendo mais uma séria de investigação, daquelas que eu acho um porre. 

Mas o que faz dessa série interessante não é sua fórmula e sim seu personagem principal, o Dr. House. House é um cara cínico, sarcástico, irônico que não gosta de nada e que acha que todo mundo é idiota. Ele fala o que bem entende, do jeito que quer e sem fazer rodeios. Ele trata todo mundo com desrespeito e não espera que ninguém o trate bem. A unica coisa que ainda faz com que ele tenha motivos pra continuar vivendo é sua curiosidade em saber como as coisas funcionam. Ele enxerga tudo como um quebra-cabeças, desde o corpo humano até os relacionamentos humanos e é por isso que ele se tornou médico. 

Enfim, esse post não é um review da série e muito menos um julgamento. Esse post é pra falar no tanto que eu sou parecida com ele. Eu também tenho problemas em enxergar o mundo com lentes cor de rosa, também não vejo família, amor e amizades da mesma maneira que a maioria das pessoas vêem. Eu também tenho uma tendencia enorme a achar que todo mundo é idiota até que se prove o contrário. Eu também sou sarcástica, irônica e muitas vezes até cínica. A unica diferença é que todos esses traços da minha personalidade ficam bem quietinhos dentro da minha cabeça. Ao contrário do Dr. House, eu nunca tive coragem de falar o que me dá na telha, de tratar as pessoas o tempo todo com falta de respeito, de agir do jeito que a minha cabeça quer agir. Talvez se eu fosse um gênio indispensável como ele eu teria coragem de ser mais coerente comigo mesma. Mas como eu sou só mais uma pessoa comum no mundo e sem nenhum dom especial, eu tenho que me adequar às convenções sociais e fingir que eu sou normal. O meu lema na vida é sempre "Just Smile and Wave". 

Deixa eu dar um exemplo claro, essa semana um colega de sala (que infelizmente faz parte do meu grupo em um projeto) foi em frente da turma pra contar que dez anos atrás a mãe dele ficou muito doente e quase morreu - preste bastante atenção no QUASE, do verbo ainda está viva. Aí ele contou que por causa disso ele tem andando super depressivo ultimamente e que não está dando conta do estresse da faculdade. No final do "discurso" dele, ele se debulhou em lágrimas e todo mundo aplaudiu e mandou mensagens de apoio moral pra ele. A professora falou que iria mandar email pros outros professores pra que eles pudessem "pegar leve" com o garoto. E qual foi a minha reação? Eu fingi que senti tanta dó dele quanto os outros colegas, mas por dentro eu queria dar umas boas bofetadas na cara dele, isso sim. Ah, vira gente! Sua mãe quase morreu dez anos atrás, mas ela NÃO morreu! Tenho certeza que na época deve ter sido horrível, ainda mais porque ele era uma criança, mas vamos combinar né? Como assim agora, dez anos depois e com a mãe vivinha da silva, ele resolveu entrar em depressão? E não é super conveniente pra ele que essa depressão apareceu justamente quando ele começou a estudar. E o pior é que os professores vão pegar leve com ele por causa disso. Eu que ainda não domino a língua cem por cento, tenho que me esforçar em dobro pra dar conta e ele que passou por problemas DEZ anos atrás pode se esforçar menos. É justo?

Esse tipo de coisa me faz questionar se eu sou fria demais pros problemas dos outros ou se o problema é que é idiota demais pra eu ter qualquer tipo de compaixão. Afinal, eu tenho certeza que não estaria tão puta da vida se a mãe dele estive doente agora ou se esse ano fosse o aniversário de dez anos da morte dela. Tenho certeza que eu não iria considerar esse colega um idiota. Mas agora, por causa desse "problema" dele não só eu acho o cara um tremendo idiota e babaca mas também acho que meus outros colegas e professores também são idiotas por levarem à sério esse "problema". Mas enfim, se eu fosse um gênio como o Dr. House eu teria coragem de estar falando isso tudo pro colega idiota ao invés de estar desabafando por aqui....