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segunda-feira, 24 de novembro de 2014

O que quero ser quando crescer?

A resposta sempre esteve na ponta da língua: quero cantar! De preferencia em uma banda de metal/rock, fazer shows, gravar álbuns, escrever minhas próprias músicas...bem por aí. Então enfiei na cabeça que pra conquistar isso tudo eu precisava ir pra faculdade aprender isso tudo. Em Belo Horizonte e em toda Minas Gerais não existe faculdade de música popular, rock, etc, se quiser estudar música na faculdade vai ter que ser música erudita. E foi bem isso que eu fiz, comecei a estudar música erudita um pouco antes meu primeiro ano do ensino médio, participei de vários coros, produções de ópera, recitais, fiz aulas com professores renomados e até ganhei uma graninha com o canto erudito. 

Fiz isso de 1999 até 2007, nesse tempo em comecei e terminei o ensino médio, fiz cursinho e tentei vestibular três ano seguido, tanto pra UFMG quanto pra UEMG. Não passei na em nenhum dos dois por causa de cursos que não têm nada a ver com música, tipo matemática e química. Mas eu nunca parei de me dedicar ao canto. Só que fui ficando cansada desse mundo erudito. É muita falsidade nesse meio, muita gente querendo fuder com os outros só pra ficar bem vista aos olhos dos maestros e produtores. Fora que eu comecei a reavaliar o porque de eu estar fazendo isso tudo e percebi que, apesar de eu amar muito e ter sim bestante satisfação, a musica erudita não era minha paixão. Eu queria uma banda, queria escrever minhas próprias musicas, queria fazer turnê. Nada disso seria possível se eu continuasse a me dedicar tanto ao canto erudito. 

Apesar de tudo eu ainda estava com a ideia fixa de que pra realizar meu sonho eu precisava fazer uma faculdade de canto, então comecei a procurar fora de Minas Gerais por algum curso universitário mais direcionado à musica popular, rock, etc. Foi aí que eu tomei a decisão mais drástica da minha vida. Eu mudei pra Holanda! Eu já contei aqui um pouco de como foi que eu decidi mudar pra cá. Vim com a certeza absoluta de que eu iria estuar na Rock Academy no sul da Holanda. Daí eu fui visitar a faculdade e descobri que além de mim, metade do país resolveu ir estudar canto. Também descobri que todos os cursos eram dados em holandês e eu precisaria aprender a língua antes de me inscrever. Então resolvi procurar outras faculdades, pois a Holanda tem várias faculdades direcionadas à outros estilos musicais além do erudito, eles têm até uma faculdade especializada em metal! Mas todas tinham o mesmo problema: competição acirrada. Se eu quisesse aprender baixo a história seria diferente, mas eu queria o mesmo que várias pessoas, queria estudar canto. 

Foi então que me inscrevi pra um curso preparatório pra faculdade de musica de Rotterdam. Foi nessa época também que comecei à ter contato com músicos já formados por essa mesma faculdade (e outras espalhadas pelo país) e todos eles me diziam a mesma coisa, diziam que fazer faculdade de música não significa nada, não garante que você vai se dar bem como músico, não garante que você vai ter algum tipo de renda depois de formar. A maioria dessas pessoas já formadas estavam passando por dificuldades financeiras, tendo que dar aulas das 8 da manhã até as 22 horas pra conseguir pagar o aluguel, algumas até estavam trabalhando em empregos nada a ver com musica, depois de ter dedicado 4 anos à se tornar músicos profissionais. O que todos me diziam é que não é necessário ter um diploma acadêmico pra ser um bom músico e que eu estaria perdendo meu tempo e meu dinheiro. 

Nessa época eu tomei a decisão mais difícil da minha vida, eu desisti de fazer faculdade de musica. Veja bem, eu não desisti da musica e nem desisti de estudar com bons instrutores e me aprimorar. Eu continuo fazendo curso de canto com uma professora ótima e tenho uma banda na escola de musica com quem me apresento algumas vezes por ano. Eu desisti foi de ter um diploma dizendo que eu aprendi aquilo tudo em nível  universitário. Mas porque essa decisão foi tão difícil? Porque eu passei praticamente 15 anos da minha vida com essa ideia fixa de que eu precisava disso tudo pra me tornar a cantora que eu gostaria de ser. Eu inclusive deixei isso ser uma barreira no passado, achando que eu não seria boa o suficiente pra cantar em uma banda até eu obter esse diploma. Foi muito complicado mudar de ideia e tem hora que eu acho que ainda não mudei completamente, acho que é um longo processo até eu conseguir me limpar totalmente desse pensamento. 

Então depois de meses pensando no que eu gostaria de fazer eu descobri que a unica coisa que eu gosto tanto quanto musica é a internet. Pesquisei cursos e faculdades e escolhi o curso de comunicação com especialização em mídia digital. Estou no meu terceiro ano e no momento estou fazendo estágio. Estágio aqui funciona diferente, são seis meses de estágio em tempo integral. Não tem aulas nesse período (só duas vezes por mês um encontro pra conversar sobre as experiencias no estágio) então é praticamente como se estivéssemos no emprego que teremos depois de formados. Eu gosto do meu curso, apesar de me sentir bem frustrada de vez em quando. Eu gosto também do meu estágio. Mas as vezes fico questionando se é isso mesmo que quero pro resto da vida. Passei tantos anos perseguindo um sonho que nunca parei pra pensar no que faria caso não desse certo. Hoje em dia eu acordo todos os dias bem desmotivada, acho legal o que faço mas não mais que isso, nada mais que legal. Será que eu me sentiria assim se tivesse escolhido um outro curso? Será que qualquer coisa que fizer que não seja diretamente relacionado à música vai me fazer sentir assim? Será que vou ter que passar o resto da vida procurando por algo que me satisfaça por completo, além da música? Ou será que vou ter que me contentar com fazer algo que acho simplesmente legal? 

Ainda tenho até julho de 2016 pra responder todas essas questões, mas na verdade o que me faz tudo piorar é a pressão que sinto pra já ter todas essas respostas, afinal já tenho 31 anos e já era pra ter minha vida resolvida. Ou não? O que fazer quando o seu plano de vida precisa ser totalmente retraçado depois dos 30? Como lidar com a incerteza de não saber o que quer? Nem posso dizer que me sinto como uma adolescente decidindo meu futuro porque quando eu era adolescente eu sabia exatamente o que queria ser quando crescer....

Música que define esse momento da minha vida: Mary Jane da Alanis Morissette. Quase 20 anos ouvindo o álbum Jagged Little Pill e até hoje encontro músicas com letras relevantes pra coisas que sinto :-)

Mary Jane

What's the matter Mary Jane, you had a hard day
As you place the don't disturb sign on the door
You lost your place in line again, what a pity
You never seem to want to dance anymore
It'sa long way down
On this roller coaster
The last chance streetcar
Went off the track
And you're on it
I hear you're counting sheep again Mary Jane
What's the point of trying' to dream anymore
I hear you're losing weight again Mary Jane
Do you ever wonder who you're losing it for
Well it's full speed baby
In the wrong direction
There's a few more bruises
If that's the way
You insist on heading
Please be honest Mary Jane
Are you happy
Please don't censor your tears
You're the sweet crusader
And you're on your way
You're the last great innocent
And that's why I love you
So take this moment Mary Jane and be selfish
Worry not about the cars that go by
All that matters Mary Jane is your freedom
Keep warm my dear, keep dry
Tell me
Tell me
What's the matter Mary Jane
Mary Jane (tradução)
O que há Mary Jane, teve um dia difícil?
Assim você põe o sinal de "não perturbe" na porta
Você perdeu o lugar na fila de novo, que pena
Você parece mais querer dançar
É uma longa descida
Nesta montanha russa
O bonde da última chance
Saiu da pista
Com você dentro
Ouço você contando carneirinhos de novo, Mary Jane
Pra que tentar continuando a sonha
Ouço você perdendo peso de novo, Mary Jane
Você imagina para quem você está perdendo isto?
Bem, isto é velocidade máxima, baby
Na direção errada
Há um pouco mais feridas
Se este é o caminho
Que você insiste em seguir
Por favor seja honesta Mary Jane
Você está feliz?
Por favor não censure suas lágrimas
Você é uma doce guerreira
E está em seu caminho
Você é a ultima grande inocente
E esta é a razão por eu te amar
Então pegue este momento, Mary Jane, e seja egoísta
Não se preocupe com os carros que vão embora
Tudo que importa, Mary Jane, é sua liberdade
Mantenha-se quente minha amiga, mantenha-se seca
Conte-me
Conte-me
Qual o problema Mary Jane?


quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Criando raízes e lidando com estresse

Não creio que cheguei a contar como sobrevivi meu segundo ano da faculdade. Foi tão estressante que eu pensei em desisti inúmeras vezes, eu tinha crises de choro, passava várias noites em claro pensando em como ia dar conta da quantidade de coisa que tinha pra terminar, desenvolvi um distúrbio alimentar que me fez engordar oito quilos em quarto meses. Passei raiva com professores que estão pouco se fudendo se você precisa de uma ajuda, mesmo que seja só uma indicação sobre qual direção tomar em determinado projeto. Também passei muita raiva com alguns colegas de sala com quem fui obrigada a fazer trabalho em grupo e que me faziam sentir um lixo super inútil. 

Foi um ano traumático e eu estou extremamente feliz que acabou e que agora eu posso fazer seis meses de estágio sem precisar lidar com estresse de faculdade. Eu ainda sou obrigada a seguir uma aula a cada duas semanas e eu escolhi mais dois cursos facultativos durante esse período de estágio. Um desses cursos (video editing) é algo que meus patrões acham super legal eu fazer e eu posso anotar as horas do curso como se fossem horas trabalhadas. Mas o importante é que esses cursos facultativos eu to fazendo simplesmente por interesse próprio e não porque preciso de nota, então se eu perceber que estou ficando sobrecarregada eu posso deixar de fazer um trabalho ou faltar uma aula sem o menor estresse. 

Depois de dois meses de férias me recuperando do trauma e estresse que foi o segundo ano, eu comecei meu estágio. Quando eu comecei a pensar no que eu queria pro meu estágio (lá pra outubro do ano passado), eu decidi que queria ir pra Espanha. Seriam seis meses morando lá, aprimorando meu espanhol, lidando com outra cultura, etc. Eu já estava até começando a olhar o que eu era necessário pra fazer estágio lá, mas daí um casal de amigos meu deram meu contato pra um casal de amigos deles que têm uma agencia de comunicação. Eles me enviaram email dizendo que estavam interessados no meu perfil e perguntaram se a gente poderia se conhecer. Fui tomar um café com eles e conversa vai, conversa vem, a gente percebeu que PRECISÁVAMOS trabalhar juntos. 

A agencia é super pequena, tem a dona e o namorado dela que é meio que dono também e uma outra menina que trabalha pra eles. Então somos só nós quatro no escritório, mais a cachorrinha linda e fofa deles que passa o dia todo aqui com a gente. Eles são super flexíveis quanto à horários de trabalho e tarefas que preciso cumprir, não há estresse e nem hierarquia. E como eu disse, até o curso que estou fazendo vai contar como horas trabalhadas. Um bom exemplo foi no meu terceiro dia, tava fazendo calor (provavelmente um dos últimos dias de calor do ano) e o "patrão" (eles odeiam que eu me refira a eles como patões) disse pra gente mandar o trabalho se fuder e ir tomar uma cerveja no barzinho da esquina. Então, às 15h a gente fechou o escritório e fomos, com eles pagando ainda por cima....se continuar assim eu acho que nunca mais vou conseguir trabalhar em nenhum outro lugar, vou ficar mimada hahahaha. 

Alguns dos meus colegas de sala foram fazer estágio em outros países, uma delas está escrevendo um blog e quando eu li me bateu um questionamento. Porque será que eu desisti de ir pra Espanha tão facilmente, depois de uma unica entrevista bem sucedida aqui na Holanda? Eu nunca tinha parado pra pensar nisso antes, mas eu acho que encontrei a resposta. Não pode ter sido por medo, né? Afinal, estamos falando de uma pessoa que largou tudo que conhecia e que lhe era familiar pra trás, sem nem mesmo a segurança de um visto, pra vir tentar a vida por aqui sem pensar duas vezes. Então uns míseros meses na Espanha não assustariam essa pessoa, certo? A diferença é que aquela Liss do incio de 2008 não tinha nada à perder, nunca teve a sensação de um lar de verdade e a maioria das pessoas que ama ou já tinham deixado o planeta Terra ou moravam em outras cidades, estados, países. Aquela menina não deixou nada pra trás que a prendia lá. A Liss de 2014 tem muito mais a perder, ela tem um lar, um apartamento lindo onde moram seu marido e seus dois gatinhos super carinhosos e companheiros (tanto os gatos quanto o marido). Essa Liss morreria de saudades de casa todos os dias, sem a menor sombra de dúvidas. A Liss que vos fala criou raízes e agora fica muito mais difícil de simplesmente largar tudo pra trás, mesmo que seja só por seis meses. 

Eu ainda pretendo estudar na Espanha durante o quarto ano da faculdade, mas aí vai ser por oito semanas ao invés de seis meses. Mesmo assim, só a ideia de passar oito semanas longe de casa já dói o coração. Mas não adianta sofrer por antecipação, eu ainda tenho o terceiro ano inteiro pra cursar antes de ter que decidir se vou ou não pra lá. A notícia boa é que o primeiro semestre do terceiro ano será fazendo estágio nesse escritório com essa vista linda e esse povo legal e essa cachorrinha fofurinha. Sem estresse de faculdade ou ter que aturar colegas de sala insuportáveis. Estou feliz onde estou e quando o expediente acaba eu vou pra casa ficar com meu marido lindo e meus gatinhos perfeitos....e assim a vida segue bem mais leve do que estava três meses atrás :-D

terça-feira, 22 de abril de 2014

To de folga e cheia de novidades!

Depois de meses com a faculdade sugando meu sangue, aqui estou eu de novo! Dessa vez acho que vim pra ficar. Meus horários no próximo trimestre vão ser um pouco mais tranquilos e eu devo voltar a ter tempo pra respirar. Mal da pra acreditar que daqui duas semanas eu começo o ultimo trimestre do segundo ano da faculdade. Em setembro começo o terceiro ano e já vou de cara fazer estágio, isso é meio assustador e empolgante ao mesmo tempo. Eu nunca me senti tão estressada na minha vida, faculdade está realmente acabando com todas minhas reservas de energia, principalmente nesse trimestre que acabou, eu tive sete matérias pesadíssimas e mais uma recuperação da unica matéria que não passei ano passado. Não tive tempo pra fazer nada que não fosse relacionado com faculdade. Mas agora acabou, eu passei na minha recuperação e estou oficialmente formanda no primeiro ano e terei duas semanas de folga antes de começar o ultimo pedacinho do segundo ano. 

Então, como o título diz, eu estou cheia de novidades pra contar! Uma delas é que três semanas atrás eu fiz um novo show com a minha banda da escola de musica (se você não tem ideia do que estou falando é só clicar aqui). Dessa vez eu estava menos preparada, não tive tempo pra estudar as musicas em casa e só treinava durante os ensaios. O show caiu bem na semana que tive um tanto de provas e trabalhos pra entregar. Também foi em um lugar diferente onde eu nunca tinha cantado antes, com um som totalmente diferente ao que estou acostumada. Tudo isso influenciou pra que a performance não fosse lá grandes coisas, mas mesmo assim eu me diverti e achei legal ter feito um novo show. Em julho vai ter mais um e aí o ano letivo acaba, ainda estou decidindo se voltarei pro ano que vem. 

Outra novidade é que virei holandesa!!! Isso mesmo, depois de tanto lutar pra conseguir um mísero visto pra poder ficar ao lado do meu amor, agora eu sou naturalizada e tenho todos os direitos e deveres de alguém que nasceu aqui. Teve até cerimonia na prefeitura e tudo mais. Amanhã recebo meu passaporte e hoje recebi meu titulo de eleitor. Ter a nacionalidade holandesa não muda nada na pratica, a unica diferença é que agora eu posso votar e se algum dia eu precisar eu terei direito ao seguro desemprego. Mas muito além disso, significa que enquanto eu morar dentro da Europa, eu nunca mais vou precisar lidar com imigração na vida! Essa é a parte mais importante pra mim, pois lidar com a imigração holandesa nesses últimos anos foi uma dais coisas mais traumatizantes da minha vida e eu estou imensamente feliz de nunca mais precisar passar por isso. Sem contar que agora não há nada mais que possa me separar do meu amor, não há nada que eu possa fazer que vai dar o direito deles me deportarem de volta pro Brasil. Eu pertenço à Holanda até o dia que eu morrer!



Outra coisa que queria compartilhar é que meus filhotes já vão fazer um ano!!! Lembra quando adotei eles? Então, eles já não são tão miudinhos. No dia primeiro de maio o Mojito faz um aninho e no dia 23 de maio é a vez do Midas (e da irmãzinha dele, a Loena). Nem acredito que aqueles filhotinhos tão pititinhos já são adultos. Na verdade Midas ainda é bem pititinho, ele não pesa nem três quilos (é normal, a Loena também é miudinha igual). Enquanto isso o Mojito já pesa seis quilos!!! No últimos oito meses eles mudaram minha vida completamente, eu já nem consigo lembrar como era viver sem eles. Eles são extremamente carinhosos, dengosos, brincalhões, dóceis e ativos. Eles não desgrudam nunca do outro, dormem juntos, brincam juntos, comem juntos, fazem tudo juntos. Eles se dão bem com todo mundo que vem aqui em casa e nunca nem tentaram fugir nem nada. Dormem na cama comigo e o marido todos os dias e só acordam na hora que o despertador toca. Ficam todas as noites agarradinhos conosco no sofá enquanto vemos TV, ficam no meu colo ou ao lado do laptop enquanto to fazendo trabalhos da faculdade. Enfim, eles me fazem muito felizes e a minha vida melhorou muito depois que eles vieram fazer parte dela. 

Duas semanas depois que os adotamos, eles foram viajar com a gente. Levamos eles pra passar cinco dias na ilha de Terschelling, no norte da Holanda. Fomos de carro até o norte e de lá pegamos uma balsa pra chegar na ilha. Foram duas horas dentro do carro e mais uma hora na balsa e os três se comportaram super bem. Lá ficamos hospedados num chalezinho e eles nem viram diferença entre o chalé e nossa casa. Semana que vem vamos repetir a dose, só que agora com eles já adultos. Vamos passar cinco dias no sul da Bélgica e vamos novamente levar os três gatos conosco. Espero que a experiencia seja tão agradável como foi na primeira vez. Eu realmente gosto da ideia de poder levá-los conosco aonde vamos e saber que eles vão se comportar e se adaptar super bem. Tomara que dê certo. 

Algumas fotos da viagem pra Terschelling em agosto de 2013. Na época eles eram tão miúdos que cabiam os dois em um só transportador, agora não dá mais, cada um precisa do seu. 


Os três comendo na casinha em Terschelling
 E aqui algumas fotos de como eles estão hoje em dia.

 

Falando em semaninha no sul da Bélgica, esse verão vai ser cheio de shows, festivais e algumas viagens. Pra começar iremos ver Pearl Jam no Ziggo Dome em Amsterdam e Soundgarden no Tivoli em Utrecht. Também iremos ao Pinkpop, Graspop e ao Fortarock. Talvez iremos ao Parkpop e Appelpop também, mas esses a gente sempre deixa pra decidir na ultima hora, de acordo com o tempo, já que são festivais gratuitos. Em agosto vou receber minha primeira visitante oficial aqui em casa. Em três anos que moro aqui, o quarto de visitas tem sido usado pra tudo, menos receber visitas. Estou super feliz de ter essa amiga linda e especial aqui, já passou da hora dela ser mais do que palavras em um chat e fotos em social media. Depois vamos passar uma semana linda em Rhodos, na Grécia. Esse ano resolvemos conhecer outra parte do país, pois eu já visitei a mesma região duas vezes. Rhodos é uma ilha praticamente na fronteira com a Turquia e eu sempre tive vontade de conhecer lá. Então, esse verão promete.

Mas por enquanto eu vou tentando balancear a vida com o novo trimestre da faculdade, voltar a praticar esporte, voltar a comer direito, voltar a ter vida social e voltar a escrever aqui com frequência. Eu sinceramente tava sentindo falta de vir aqui falar bobagem. Mas será que alguém tava sentindo falta das minhas bobagens? heheheheeh


quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Desmotivada....

troque desligado por desmotivado
Eu sei que a versão dos Mutantes é melhor, mas eu não resisto à chance de babar pela lindona da Fernanda Takai :-D


Ultimamente eu tenho tido problemas em encontrar motivação pra fazer qualquer coisa que não seja obrigação. Tenho andado desmotivada pra me exercitar, para cuidar do cabelo, para comer direito, para eventos sociais e principalmente para escrever aqui. 

Talvez porque a vida ande meio monótona ou talvez porque as obrigações estão tomando todo meu tempo que era pra ser livre e sugando minhas energias. Estou na metade do segundo ano da faculdade, faltam menos de 5 meses pro ano letivo acabar e eu nunca imaginei que fosse ser tão difícil. Está muito mais difícil do que no primeiro ano. Até agora passei em todas as matéria sem recuperação, mas tive que ralar muuuuuuuuuito pra isso e tenho me sentindo esgotada. 

Chega final de semana eu só penso em dormir e terminar trabalhos da faculdade e estudar para provas. Não tenho a menor vontade de sair, de ver gente, de fazer coisa legais. O pouco tempo que tenho pra mim, eu quero mais é me enfiar embaixo das cobertas, assistindo um sitcon bestinha agarradinha com meus gatos e meu amore. 

Semana passada tive uma semana livre e mal passei perto do laptop, tenho passado tantas horas diárias sentada em frente à ele que não aguento mais olhar pra essa tela. Quando não to pendurada nele por causa da escola eu só o uso pra baixar os sitcons bestinhas pra assistir. Toda minha atividade internética tem sido através do celular, porque dele eu não me canso nunca. 

A unica coisa que penso no momento é em julho, julho se tornou meu mês preferido. É o mês da liberdade! De julho ao final de agosto eu só preciso fazer o que gosto e as energias se renovam. E é só isso que tenho em mente no momento, sobreviver os próximos meses para aproveitar minhas 8 semanas de liberdade. 

Até lá vou escrevendo aqui quando me sentir inspirada, espero que compreendam minha ausência. Não é nada sério, é só mesmo falta de energia e motivação. Uma hora passa :-D


terça-feira, 9 de julho de 2013

Férias, muitas férias, férias que não acabam mais!

Como contei no meu post anterior, estou de férias!!! Ainda estou esperando algumas notas, então não sei ainda se peguei alguma recuperação nesse ultimo bloco escolar, mas até segunda ordem eu terei as próximas oito semanas completamente livre!

Mas e agora, o que fazer com tanto tempo livre? Bom, eu demorei uns dias pra me adaptar ao fato de não precisar estudar. Os primeiros dias eu ficava andando pela casa que nem uma barata tonta procurando o que fazer. Então decidi que irei à academia todos os dias agora, cada dia fazer um treinamento diferente. Já vou três vezes por semana normalmente, nesses dias eu dedico tanto à musculação quanto aos exercícios aeróbicos (cardio). Agora eu resolvi que vou manter esses três dias pra musculação e nos outros irei fazer um cardio mais puxado. Duas vezes na semana rola também de ir à aula de spinning, o que me agrada muito. Quero chegar no final dessas férias com mais resistência, força e menos percentual de gordura corporal. 

Outra coisa que está nos meus planos é desenterrar meu teclado e voltar a estudar musica. Eu já faço aula de canto e sempre dedico ao menos 45 minutos diários à isso, mas tenho sentido muita falta de tocar um instrumento. E o coitado do meu teclado está ali, só pegando poeira por pura falta de tempo de me dedicar a ele. Então, nas próximas semanas irei estudar teclado todos os dias. 

Também tenho duas viagens marcadas. Daqui duas semanas irei passar 15 dias na Grécia novamente. Dessa vez vamos viajar pela primeira vez na vida com um casal de amigos. Estamos super na expectativa, acho que vamos nos divertir muito lá. E no final de agosto passaremos uma semana na ilha de Teschelling, uma das ilhas no norte da Holanda. Iremos com minha sogra e meu sobrinho. Nunca viajei pras ilhas holandesas, dizem que são bem bonitas, veremos. 


Então é isso, aproveitar as férias porque nunca precisei tanto delas quanto preciso esse ano. E você, quais são seus planos pras férias? 

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Meu primeiro ano de faculdade acabou!

Sim, eu sei que não dou as caras por aqui já faz um mês. Mas eu tava passando pela fase mais complicada da faculdade e mal tava tendo tempo até pra comer. Só que hoje eu finalmente fiz a ultima prova do ano letivo. Sabe o que isso quer dizer? Que meu primeiro ano de faculdade chegou ao fim! Eu sobrevivi a tudo e agora terei dois lindos e mais do que merecidos meses de férias pra aproveitar a vida e não pensar em nada relacionado à escola. 

Na verdade eu ainda vou ter que passar esse final de semana terminando um projeto que tenho que entregar na segunda e na terça ainda tem mais uma provinha de espanhol. Então, na verdade só estarei oficialmente de férias depois de terça. Mas só de já ter terminado 90% das matérias, principalmente das mais pesadas, eu já estou me sentindo bem mais leve e feliz. 

Quando penso em tudo que me aconteceu nesse primeiro ano de faculdade, eu mal acredito que só fazem 10 meses que essa jornada insana começou. Nesse primeiro ano eu chorei, ri, estressei, fiquei puta da vida, aprendi muuuuuuuuito (não só academicamente, mas também aprendi bastante sobre mim mesma). 

Entrei pra faculdade cheia de inseguranças, o curso era em um idioma que tinha acabado de aprender, com colegas que são uns 10 anos mais novos do que eu e ainda por cima eu era a unica estrangeira na sala. Todas as chances estavam ali na minha fuça, gritando pra eu falhar. Mas elas escolheram a pessoa errada pra vir atazanar, porque eu trabalhei muito duro pra conseguir terminar meu primeiro ano acadêmico. O vontade de desistir apareceu algumas vezes, mas a vontade de ser bem sucedida foi sempre mais forte. 

No momento o meu maior sentimento é de orgulho. Estou extramente orgulhosa de mim e de tudo que conquistei nesses 10 meses. As noites mal dormidas, os finais de semana enfurnada dentro de casa fazendo projetos, os dias de verão que fiquei estudando pras provas (ao invés de ir pra praia), as vezes que deixei de sair com as amigas pra fazer projeto em grupo. Tudo isso valeu super a pena porque minhas notas têm sido super bonitas. No primeiro bloco (contei sobre o sistema de blocos aqui) da faculdade eu peguei uma recuperação em Marketing e no terceiro bloco pequei uma em Psicologia. Mas tirando isso, só tirei 8s e 9s alguns 7s também nas outras matérias. Acho que posso considerar que tive um bom saldo final do primeiro ano. Tudo bem que eu ainda tenho que esperar umas duas semanas pra saber os resultados desse ultimo bloco, mas até agora eu estou confiante que passei em tudo. 

Mas enfim, vou deixar de lero-lero porque daqui a pouco começo a chorar de felicidade. Agora que vou estar de férias terei mais tempo pra voltar a me dedicar à esse bloguizinho querido. E assim que as minhas notas saírem eu venho aqui compartilhar a alegria de ter passado de ano ou chorar as pitangas por ter que repetir algumas matérias. Também voltarei em breve pra contar meus planos pra esse verão. Então pode voltar a visitar esse meu cantinho e saber de todas as minhas bobagens ;-)

segunda-feira, 11 de março de 2013

A gente ainda se importa com os outros?

Semana passada aconteceu algo que me deixou muito reflexiva. Estava eu na aula de espanhol da faculdade, aula essa que é aberta à todos os cursos pois é aula facultativa, então tem gente de vários curso, períodos e nacionalidades lá. Faço essa aula uma vez por semana nas quintas de manhã. 

Então, na ultima quinta no final da aula a gente tava arrumando a mochila e vestindo os casacos pra ir embora quando eu percebo que uma menina tava sentada no chão. A principio eu achei que ela estava procurando algo, pois estava sentada olhando pra baixo. Depois ela tentou levantar e caiu no chão e ficou lá deitada. Eu demorei um pouco pra processar a ideia de que ela não estava se sentindo bem. No meio tempo várias pessoas que estavam ao lado dela começaram a ir embora com um olhar de reprovação pra ela, tipo "pra que essa fulana tá deitada no chão, que palhaça". Algumas pessoas até passaram por cima dela pra pode ir embora. Eu tava mais ao final da sala e percebi que ninguém próximo à ela iria ajudá-la. Até que eu, uma angolana e a outra brasileira da sala resolvemos ir até ela pra auxiliá-la. Nesse ponto a professora, que é mexicana, também percebeu o que estava acontecendo e também veio ajudar. Então a professora disse que iria levar a menina até a enfermaria e que nós poderíamos ir embora. 

O que me chamou atenção é que TODAS as pessoas que passaram por ela e fingiram que não a viram ou que fizeram olhar de reprovação, são holandesas. A própria menina também é holandesa. Eu achei curioso que só as estrangeiras da sala (não todas, tem mais estrangeiros na sala, mas acho que eles não perceberam o que tava acontecendo) é que tomaram a atitude de socorrer a menina que tava lá, estirada no chão. 

Foi aí que eu comecei a pensar, será que as pessoas estão se preocupando cada vez menos umas com as outras ou será que isso é uma reação tipicamente holandesa? Será que foi só uma coincidência que só estrangeiros foram socorrer a menina? Ou será que como a sala ainda tava cheia, as pessoas ao lado da menina pensaram que alguma outra pessoa lidaria com o problema e por isso elas não tomaram atitude alguma? Talvez tenha sido só coincidência que só três estrangeiras foram socorrer a menina, porque também éramos uma das poucas pessoas ainda na sala e por isso a mentalidade de que alguma outra pessoa a socorreria já não cabia mais. 

Eu sempre me considerei uma pessoa meio fria e individualista, mas mesmo assim eu nunca consegui ver uma pessoa passando mal na minha frente e não fazer absolutamente nada. Mesmo eu tendo ido socorrer a menina, eu ainda passei o dia todo achando que eu deveria ter feito mais. Não achei que deveria ter deixado a menina ali com a professora sem garantir que ela receberia socorro médico. Isso porque eu mal conheço a menina, só tive três aulas com ela, não sei o nome dela e não sento próximo à ela na sala. Mas mesmo assim eu fiquei genuinamente preocupada com ela.  

Quando eu comentei o caso com meu marido ele achou que eu estava exagerando. Ele disse que os holandeses não são tão individualistas assim e que eles teriam sim ido ajudar a menina se a sala não tivesse tão cheia. Mas como eu argumentei com ele, eu não quero tirar conclusões, só sei do que eu vi. Eu tava lá, sei como tudo aconteceu e sei que só três pessoas numa sala de mais de trinta foram socorrer a menina. E  que, coincidência ou não, as três pessoas eram estrangeiras. Sem contar que o tal olhar de reprovação de algumas pessoas só veio dos holandeses, não vi nenhum estrangeiro olhando assim. 

Aí fica a pergunta. Eu estou exagerando? Você teria ajudado ou passaria direto, fingindo que não viu? Acho que é um tópico super válido para avaliação da nossa sociedade e pra nossa auto-avaliação também. Eu gostaria muito de saber a sua opinião sobre isso tudo....



quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Pessoas vem e vão...

Então, nem vou começar esse texto pedindo desculpas pela minha ausência do blog porque né, ta ficando muito batido isso. Todo mundo sabe que eu ando atolada com a faculdade e blábláblá whiskassache....

Enfim, hoje eu senti a necessidade de vir aqui pra falar de algo que aconteceu ontem e me deixou meio tristinha. Nesses quatro meses que estou na faculdade eu não gosto de uns 40% dos meus colegas de sala, tem uns 30% que são meio que indiferentes pra mim, quer dizer, ainda não formei uma opinião sobre eles porque ainda não os conheço direito, mas eles também não me irritam. O resto dos colegas são até legais, eu consigo bater um papo com eles mesmo com a nossa diferença de idade e o mais importante, eu consigo trabalhar muito bem com eles nos projetos em grupo. Mas de todos os 19 alunos da minha sala (contando comigo), tem só uma única com quem eu tive um 'click' imediato e desde o inicio eu já sabia que a convivência nos tornaria amigas de verdade.  

Desde o inicio do curso em setembro, seis alunos já desistiriam. Dois foram um alívio porque eram do tipo de aluno peso morto e eu estava com medo de precisar trabalhar com essas pessoas em um projeto em grupo. Fora que uma delas era uma pessoa extremamente irritante, achava tudo muito trabalho e não queria fazer nenhum tipo de esforço. As outras pessoas que desistiram eu mal cheguei a conhecer. O problema disso tudo é que eu meio que fico aliviada quando alguém que eu não gosto ou que não quero ter que fazer projeto junto acaba desistindo, afinal além de ser menos uma pessoa irritante na sala ainda é menos uma pessoa competindo comigo no mercado de trabalho. Mas a gente nunca imagina que pessoas que gostamos ou que trabalhamos bem juntos também podem desistir do curso. Pensamos ainda menos na possibilidade da unica pessoa com quem temos afinidade o suficiente pra construir uma amizade, pode ser a próxima que vai desistir do curso. 

E foi exatamente isso que aconteceu, essa menina que eu tanto gosto avisou ontem que iria desistir desse curso e seguir carreira em jornalismo. Eu super respeito a decisão dela, mas eu fiquei meio triste. Porque tinha que ser logo ela? Tanta gente idiota e/ou inútil na sala, tinha que ser logo ela? E o pior de tudo é que ela mora em outra cidade, significa que iremos continuar a ter contato pela internet mas com o tempo com certeza iremos perder o contato. Lá se vai uma boa oportunidade de construir uma amizade. 

Mas na verdade eu nem sei precisamente o porque fiquei tão triste com essa notícia, afinal na minha vida todo mundo vai e vem. Já fazem quase cinco anos que não vejo meu amigos do Brasil e acho que mais da metade deles nem notam a diferença, pois não fazem questão nem de manter contato pela internet. Nesses mais de quatro anos que moro na Holanda já fiz amizade com gente que voltou pro Brasil e que eu nunca mais vi na vida. Acho que sempre vou ter esse medo de me apegar demais à alguém e essa pessoa decidir ir embora, o que é meio hipócrita porque os amigos do Brasil com quem eu ainda mantenho contato dizem que eu é que os abandonei (tá, eles falam brincando). Não sei porque eu fiquei triste, mas sei que eu precisava vir aqui contar que fiquei triste...vai entender. 

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Farofa linguística....

Oi, meu nome é Liss e eu sou fluente em quatro línguas. Isso soa tão legal, né? Soa tão impressionante. Mas a realidade é que isso dá um trabalho enorme! Ser fluente em línguas que você usa pouco é uma coisa, agora ter que usar quatro línguas diferentes TODOS OS DIAS é algo bem complicado. A cabeça dá nó, sério mesmo. As palavras mais simples desaparecem da sua cabeça e por algum motivo desconhecido da humanidade você lembra dessa palavra em todas as outras línguas menos na que você precisa, lógico. 

Funciona assim, eu penso em português duh, além de que pelo menos 50% do tempo que passo na internet é lendo ou escrevendo em português (assim como estou fazendo agora hehe) e me comunico com alguns amigos por aqui também em português. Na rua, na faculdade, com a família do marido, etc, eu só falo holandês, além de ter que ler e escrever textos acadêmicos em holandês todos os dias. E em casa é só inglês, primeiro porque acho super estranho mudar de língua com o marido (afinal, quando a gente se conheceu eu ainda não falava holandês e a gente só conversava em inglês), então eu só falo holandês com ele quando estamos entre outros holandeses. Segundo porque eu acho importante manter meu inglês afiado, já que ele é mil vezes mais importantes no mundo do que o holandês. E terceiro porque eu acho muita folga pro marido eu ter que falar uma terceira língua dentro de casa e ele até hoje não se deu ao trabalho de aprender o português. Além disso, pelo menos 40% (o resto é dividido entre holandês e espanhol) do meu tempo na internet é com coisas em inglês. E desde setembro passado eu comecei a usar o espanhol diariamente. Eu não sou tão fluente em espanhol quanto nas outras três línguas, principalmente porque não sei tanto de gramática quanto deveria, mas na faculdade temos direito de escolher duas matérias por trimestre (expliquei o sistema de trimestres aqui) que não tem nada a ver com o nosso curso, então escolhi espanhol como uma delas pra finalmente aprender a gramática corretamente. Mas tirando a construção gramatical, eu consigo sim entender praticamente tudo que ouço ou leio em espanhol e consigo também ter conversas curtas. Agora estou aprendendo a ter conversas longas hahaha.

Eu falo inglês desde que mais ou menos meus nove aninhos. Com essa idade eu já tinha decorado todos os diálogos do filme My Girl (ou meu primeiro amor, bleh). Eu era tão fissurada em aprender a língua que eu pegava letras de música e traduzia palavra por palavra com um dicionário. Sempre odiei filmes e séries dublados, só assistia se fossem legendados e com o tempo até as legendas eu passei a odiar. Quando eu tinha uns 13 anos eu comecei a ganhar uma graninha com traduções e por volta dos 16 eu já arriscava dar umas aulinhas particulares. Passei grande parte da minha vida "pré-Holanda" ensinado inglês tanto pra crianças quanto pra adultos. E o detalhe, eu nunca realmente estudei inglês, tive um ano de aula no ensino médio, mas lá só ensinavam coisas super básicas como o verbo To Be, e nessa época eu já estava ensinando a língua então não foi muito útil pra mim. Portanto eu aprendi tudo que sei sozinha. Assim como meu espanhol, mas como a gramática do espanhol é milhares de vezes mais complicada do que a do inglês, eu sempre tive problemas nessa área. Morando na Holanda e usando inglês todos os dias, eu me desenvolvi tanto na língua a um ponto que me sinto tão confortável quanto com o português, até sonho em inglês com certa frequência. 

Holandês foi a única língua que eu estudei na vida (até o momento), aprendi do zero com cursos e métodos tradicionais (já que o assortimento de boas música, filmes e séries na língua é tão escasso). Em mais ou menos três anos eu me tornei fluente o suficiente pra ser aceita na faculdade. Eu consigo me comunicar direitinho, consigo entender sem problemas e até traduzo bem. Mas ainda estou longe de me sentir confortável com a língua. Até com espanhol que eu não domino tão bem quanto o holandês, eu me sinto mais confortável. 

Mas a verdade é que, eu nunca imaginei que algum dia diria isso mas, eu entendo bem o que acontecia com a Luciana Gimenez quando ela dava pala no programa e usava a desculpa de que fala várias línguas. É difícil admitir isso mas ela estava falando a verdade. É assim mesmo que acontece e não é só comigo e sim com todas as pessoas que eu conheço que precisam usar várias línguas diferentes todos os dias. Jamais imaginei que um dia eu me identificaria com aquele ser chamado Luciana Gimenez. Mas essa é a verdade de gente que é obrigado a ser poliglota diariamente, por mais que você fale bem todas as línguas, sempre vai soltar umas merdas nada a ver, esquecer palavras, fazer traduções sem o menor sentido e passar vergonha de tanto dar pala por aí. 

Só um pequeno exemplo de como nossa cabeça começa a funcionar depois de algum tempo:

-Então, a gente precisa salvar dinheiro pra poder viajar
-Salvar dinheiro? De que? Ele está em perigo?
-hahahaha, não, economizar, juntar dinheiro hahahahah tô pensando no inglês, save money hahahah

E esse é só um leve exemplo de como a cabeça vira uma farofa linguística depois de algum tempo vivendo em outro país e usando tantas línguas ao mesmo tempo hehehe. Alguém mais também passa por isso? Eu sei que os expatriados passam, mas e os que moram no Brasil mas que também usam mais de uma língua com frequência? Eu fico super curiosa como outras pessoas lidam com o fato de falar várias línguas. 

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Estudos, sushis e hospedes felinos

Hoje eu venho por meio deste blog declarar que eu sobrevivi ao primeiro trimestre da faculdade! Segunda passada eu tive minhas ultimas provas e hoje passei o dia todo procrastinando porque tenho até o final da semana sem nada pra estudar e isso é tão gostoso.

Deixa eu explicar um pouco como funciona os sistema de trimestres da faculdade (já que tem um tanto de gente que me pergunta isso todos os dias). Funciona assim, o ano é dividido em quatro blocos e cada bloco em dez semanas. Dessas dez semanas, oito são de aulas, uma pra estudar em casa e terminar e entregar os trabalhos e projetos pendentes e uma só de provas. Normalmente tem também uma semana de "férias" no meio, coloco entre aspas porque não creio que existem muitas pessoas que conseguem relaxar e curtir as férias sabendo que daí duas semanas começam as provas. Aí cada dez semanas começa um novo bloco, com novas matérias, novos professores e um horário escolar novo. 

Nesse bloco eu tive muitas matérias práticas, então a maioria delas são avaliadas com trabalhos. Eu tive duas matérias teóricas, Marketing e Introdução à Comunicação e essas duas foram avaliadas com provas. Pra estudar pras provas eu tive que ler dois livros enormes em holandês e também assistir à vários documentários de mais de uma hora cada um, fora o tanto de slides de PowerPoint que o professor apresenta durante as aulas. Então passei de mais ou menos quatro semanas estudando como nunca estudei na vida, passando por volta de seis horas diárias, inclusive finais de semana, fazendo resumos dos livros, mindmaps dos slides, repassando os termos com o maridoncio, fazendo anotações sobre os documentários e tudo mais que devemos fazer quando queremos tirar uma nota boa na prova. Nunca em toda a minha vida eu levei os estudos tão à sério, na verdade até eu começar a fazer cursinho pré-vestibular, eu nunca levei os estudos nenhum pouco à serio. Mas como eu aprendi da maneira mais complicada possível que fingir que to estudando não serve pra nada, eu resolvi que é melhor pegar pesado por quatro anos e dar o melhor de mim pra não só passar nas matérias mas também aprender tudo que for necessário pra me dar bem na carreira que pretendo construir muito em breve. 

O meu problema é que por mais que eu estude e faça tudo direitinho, eu nunca me sinto preparada de verdade pra prova nenhuma, por isso eu odeio provas e prefiro mil vezes ter meu conhecimento avaliada por trabalhos e projetos. Eu entendo a matéria toda, decoro os termos importantes, associo o que preciso saber com exemplos e saio de casa confiante que vou fazer uma boa prova. Aí eu abro a prova e me dá um branco fudido, eu começo a ficar nervosa, vai me dando uma vontade de chorar. Mas a medida que eu vou sabendo responder algumas perguntas o nervosismo vai passando e eu vou conseguindo fazer a prova sem vomitar em cima dela. E lógico que eu sou do tipo que vai correndo no livro pra ver se eu acertei a resposta daquela pergunta. Eu não sou do tipo que precisa tirar um notão e muito menos ser a melhor da sala, eu me contento com uma nota suficiente pra passar na matéria e não precisar repetir tudo. Enfim, agora é esperar duas semanas pra saber o resultado...
Fazendo resumo do livro em holandês, traduzindo pro português com a ajuda do Google
Mas nem só de trabalho duro vive uma pessoa, né? Uns dois finais de semana passados eu convidei alguns amigos pra fazer uma sushi night. Ano passado eu ganhei de presente (agora não lembro se foi no meu aniversário ou no natal e to com preguiça de procurar agora) um kit pra fazer sushi em casa. Então a gente fez um vaquinha pra comprar os ingredientes e eu enrolei por volta de 200 sushis, alguns nigiris e vários sashimis com o que sobrou do peixe. Ficou delicioso! Todo mundo comeu até não caber mais e ainda sobrou alguns pro meu almoço no dia seguinte. Nunca recebi tantos elogios em um jantar com amigos e pretendo fazer novamente, assim que eu tiver três horas livres pra ficar fazendo rolinhos e mais rolinhos de sushi haha.
Enrolei 30 rolinhos sozinha o que rendeu mais ou menos 200 sushis, comida pra um batalhão!
Agora que as provas passaram e eu já posso respirar aliviada (pelo menos até semana que vem, quando começa o novo bloco), eu posso curtir um pouco a convidada felina de honra que ficará hospedada aqui em casa pelas próximas três semanas enquanto uma amiga está passeando pelo Brasil. Ela é a coisinha mais fofa e peluda e eu estou apaixonada por ela, mas não posso ficar tanto assim porque dentro de três semanas ela vai voltar pra casinha dela e eu vou ter que adotar um pra mim permanentemente porque senão eu entro em depressão.
Toetje é a gatinha mais fofa da Holanda! Ah sim, o nome dela pronuncia tutia, e significa docinho em holandês
Bom, acho que essas foram todas as novidades por enquanto. Vou aproveitar o resto da minha semana sem me preocupar com os estudos porque semana que vem começa um novo bloco e acaba a folga. Gostaria que você me contasse como são/eram suas experiencia com provas, é normal passar pelo estresse e nervosismo que eu passo? Me conte pra eu saber que sou normal e não sou a unica que entro em panico hahaha. E hasta la vista... 





segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Ultimo ano de mais uma década...

Aqui estou eu de volta! Acharam que eu tinha esquecido desse blog né? Pois se enganaram :-P

Estava ocupada com a faculdade, semana de prova está chegando e eu estou entrando em desespero, vocês não têm a menor ideia do quanto eu estou estressada com isso. A minha felicidade é que escolhi um curso que a maioria da matérias não tem prova e sim um projeto pra entregar no final do trimestre (depois explico melhor como funciona o sistema de trimestres), então só tenho prova de duas matérias, mais essas matérias são super teóricas e tem muuuuuuuito material a ser estudado, então até bolha no dedo eu já adquirir de tanto fazer resumos e esquemas. 

Mas esse post não é pra falar da chatura da minha faculdade e sim da coisa linda que foi meu aniversário esse ano! Eu tive não uma, não duas, não três, mas quatro comemorações. Isso mesmo, QUATRO!

A primeira comemoração foi no final de semana antes do aniversário, saímos pra jantar com a sogra. Então no dia do aniversário eu saí com o maridôncio pra jantar e depois fomos no cinema. Foi super legal porque me dei ao luxo de comer meu sanduíche preferido no Burger King (parece bobo, mas depois eu vou  fazer um post contando porque Burger King se tornou motivo de comemoração pra mim) e fomos assistir o mais recenten filme da série Resident Evil, mas infelizmente esse filme foi uma grande decepção na minha vida, afinal sempre fui fã dessa série mas esse filme não deu, entrou pra lista dos piores filmes que já vi na vida...dessa vez nem o rostinho lindo da Mila Jovovich salvou o filme. 

Depois, na sexta uma amiga me chamou pra ir na casa dela e quando eu cheguei lá tinha uma festa surpresa pra mim! Ela fez bolo e me deu um lindo par de botas que praticamente não saíram mais do meu pé desde então. Até pastel teve haha. Amei a surpresa e cada dia me sinto mais feliz de saber que eu tenho uma amiga como ela, meu coração enche de alegria toda vez que penso nela e no laço que a gente construiu juntas. 

Na sexta seguinte, mais de uma semana depois eu fui jogar sinuca e tomar umas cervejas com vários amigos. Precisamos fazer tanto tempo depois porque é sempre tão difícil conciliar as agendas de todo mundo, então essa foi a unica maneira de reunir todas as pessoas que me fazem feliz neste país. Infelizmente, sempre existem as pessoas que cancelam na ultima hora ou que simplesmente não aparecem, mas eu já aprendi a não deixar isso me afetar e a valorizar quem está presente.

Enfim, eu achei super válido poder comemorar tantas vezes e de maneiras tão especiais meu ultimo aniversário na casa dos vinte. Ano que vem uma nova década se inicia na minha vida, mas por enquanto eu vou aproveitar o ultimo ano que me resta desta e dar o melhor de mim pra realizar meus sonhos e manter esses amigos lindos que conquistei ao longo dos meus 29 anos de vida. Não sei o que seria de mim sem essas pessoas maravilhosas ao meu lado...


sexta-feira, 5 de outubro de 2012

E a vida deu um giro...

Outubro começando e com ele a depressão pré aniversário....só que não! Esse ano não! Esse ano eu tenho muito pra comemorar, conquistei tantas coisas, venci tantos obstáculos, lutei, sacrifiquei várias coisas e fui recompensada pela vida. A maioria das pessoas fazem o balanço geral do ano em dezembro, eu sempre faço em outubro e desde de outubro do ano passado a minha deu um giro de 180 graus e quando eu olho pra trás parece que meu ultimo aniversário foi há uns 5 anos atrás.

Ano passado eu estava na fossa, estava me sentindo uma loser total. Tinha feito tantas entrevistas de emprego e nada. Não fazia ideia se ia conseguir passar na prova de Holandês pra conseguir fazer faculdade e muito menos se meu diploma do ensino médio seria aceito pela escola que eu queria. Sem contar que eu ainda estava lidando com a minha escolha de desistir de fazer faculdade de música pra estudar algo mais relevante pro meu futuro. 

Desde outubro do ano passado eu comecei a trabalhar (em um emprego que eu odiava, mas era melhor do que nada) e trabalhei no mesmo emprego até agosto agora e só saí pra começar a faculdade, inclusive meu chefe ficou super triste porque eu saí. Também fiz a ultima etapa do curso de holandês e depois de 6 meses estudando loucamente passei na prova de proficiência da língua em fevereiro. Consegui um segundo emprego (que acabou não dando certo, mas pelo menos valeu a experiência e foi ótimo pra auto-estima), fui aceita na faculdade e há pouco mais de um mês eu comecei a estudar. Logo no primeiro mês eu já passei em uma matéria que foi a mais difícil da minha vida, tirei um lindos 8 pontos em 10. Esse projeto sugou minha vida na ultimas 4 semanas, eu mal tinha tempo pra comer, dormir, tomar banho e tudo mais. Vida social então foi algo que eu não tive. Nem na internet eu tava aparecendo direito. Mas valeu super a pena porque eu já garanti meus pontos pra passar em uma das matérias e isso é algo muito recompensador pra mim.

Outra coisa que me fez feliz durante esse ano é o fato de eu ter conseguido manter o cabelo vermelho por uma ano inteiro. Eu seu que é bobo e fútil, mas isso na verdade representa o quanto que eu tenho me tornado uma pessoa disciplinada e determinada ultimamente. Se não fosse toda essa disciplina eu já teria desistido da faculdade na primeira semana. Na área de música eu também tenho evoluído bastante, mas como toda a pressão e estresse agora está indo pra faculdade eu tenho cantado mesmo só pra me descontrair e desestressar, não tenho mais a necessidade de cantar profissionalmente e agora é mesmo só um hobby pra me tirar dos problemas da vida. Mas mesmo assim ainda tem uma parte de mim que fica torcendo pra que um dia tudo mude na minha vida e que tudo me leve à ser uma cantora profissional algum dia hahaha. 

Enfim, eu podia ficar aqui falando e falando sobre o tanto que minha vida melhorou no ultimo ano, mas acho que já deu pra ter uma ideia, né? Só sei que a fossa que eu estava ano passado foi embora e hoje em dia eu me sinto bem mais realizada. Será que sou só eu que fico analisando a vida só levando em consideranção o numero de conquistas e realizações? Alguém mais fica analisando a vida toda quando o aniversário está aproximando? De qualquer modo, esse ano eu posso relaxar e não ficar toda depressiva pelo fato de estar completando 29 anos de vida e sim celebrar esse fato =)

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Meu jeito Dr. House de ser...

O marido e eu adoramos assistir séries. Nós curtimos séries de fantasia, terror, suspense e comédia. Somos viciados em Game of Thrones, Walking Dead, Supernatual e vários sitcom's tipo How I Met Your Mother, New Girl, Cougar Town e mais um tanto. Esse é o nosso passa-tempo durante a semana, a gente janta e aí vai assistir alguma séria que eu baixei pela internet. Mas quando o verão chega a gente fica se sentindo super órfãos, todas as séries entram de férias e nunca sabemos o que fazer depois do jantar. Então a gente resolve ou rever desde o início uma série que já acabou ou começar a assistir uma série de algum estilo que um de nós dois normalmente não curte muito. Esse verão a série escolhida foi House. Ele sempre achou uma série interessante, eu nunca vi graça mas também nunca tinha assistido à um episódio inteiro. A verdade é que a dinâmica da série é bem bestinha, um paciente tem algum sintoma que ninguém consegue identificar e é mandando pra o Dr. House. Aí House faz um monte de merda, quebra regras e protocolos e quase mata o paciente (porque ele sempre fica pior durante o episódio), então no terceiro ato ele tem uma epifania e salva a vida do paciente. São pouquíssimos os episódios que não se baseiam nessa fórmula. No final acaba sendo mais uma séria de investigação, daquelas que eu acho um porre. 

Mas o que faz dessa série interessante não é sua fórmula e sim seu personagem principal, o Dr. House. House é um cara cínico, sarcástico, irônico que não gosta de nada e que acha que todo mundo é idiota. Ele fala o que bem entende, do jeito que quer e sem fazer rodeios. Ele trata todo mundo com desrespeito e não espera que ninguém o trate bem. A unica coisa que ainda faz com que ele tenha motivos pra continuar vivendo é sua curiosidade em saber como as coisas funcionam. Ele enxerga tudo como um quebra-cabeças, desde o corpo humano até os relacionamentos humanos e é por isso que ele se tornou médico. 

Enfim, esse post não é um review da série e muito menos um julgamento. Esse post é pra falar no tanto que eu sou parecida com ele. Eu também tenho problemas em enxergar o mundo com lentes cor de rosa, também não vejo família, amor e amizades da mesma maneira que a maioria das pessoas vêem. Eu também tenho uma tendencia enorme a achar que todo mundo é idiota até que se prove o contrário. Eu também sou sarcástica, irônica e muitas vezes até cínica. A unica diferença é que todos esses traços da minha personalidade ficam bem quietinhos dentro da minha cabeça. Ao contrário do Dr. House, eu nunca tive coragem de falar o que me dá na telha, de tratar as pessoas o tempo todo com falta de respeito, de agir do jeito que a minha cabeça quer agir. Talvez se eu fosse um gênio indispensável como ele eu teria coragem de ser mais coerente comigo mesma. Mas como eu sou só mais uma pessoa comum no mundo e sem nenhum dom especial, eu tenho que me adequar às convenções sociais e fingir que eu sou normal. O meu lema na vida é sempre "Just Smile and Wave". 

Deixa eu dar um exemplo claro, essa semana um colega de sala (que infelizmente faz parte do meu grupo em um projeto) foi em frente da turma pra contar que dez anos atrás a mãe dele ficou muito doente e quase morreu - preste bastante atenção no QUASE, do verbo ainda está viva. Aí ele contou que por causa disso ele tem andando super depressivo ultimamente e que não está dando conta do estresse da faculdade. No final do "discurso" dele, ele se debulhou em lágrimas e todo mundo aplaudiu e mandou mensagens de apoio moral pra ele. A professora falou que iria mandar email pros outros professores pra que eles pudessem "pegar leve" com o garoto. E qual foi a minha reação? Eu fingi que senti tanta dó dele quanto os outros colegas, mas por dentro eu queria dar umas boas bofetadas na cara dele, isso sim. Ah, vira gente! Sua mãe quase morreu dez anos atrás, mas ela NÃO morreu! Tenho certeza que na época deve ter sido horrível, ainda mais porque ele era uma criança, mas vamos combinar né? Como assim agora, dez anos depois e com a mãe vivinha da silva, ele resolveu entrar em depressão? E não é super conveniente pra ele que essa depressão apareceu justamente quando ele começou a estudar. E o pior é que os professores vão pegar leve com ele por causa disso. Eu que ainda não domino a língua cem por cento, tenho que me esforçar em dobro pra dar conta e ele que passou por problemas DEZ anos atrás pode se esforçar menos. É justo?

Esse tipo de coisa me faz questionar se eu sou fria demais pros problemas dos outros ou se o problema é que é idiota demais pra eu ter qualquer tipo de compaixão. Afinal, eu tenho certeza que não estaria tão puta da vida se a mãe dele estive doente agora ou se esse ano fosse o aniversário de dez anos da morte dela. Tenho certeza que eu não iria considerar esse colega um idiota. Mas agora, por causa desse "problema" dele não só eu acho o cara um tremendo idiota e babaca mas também acho que meus outros colegas e professores também são idiotas por levarem à sério esse "problema". Mas enfim, se eu fosse um gênio como o Dr. House eu teria coragem de estar falando isso tudo pro colega idiota ao invés de estar desabafando por aqui....

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Do outro lado da vida...

Gente, eu sobrevivi à primeira semana de aula!!! Na verdade já começou a segunda semana e ainda estou viva! hehehehe.

Vou contar uma coisa, estudar é o cú do mundo, viu!? Acho que todos os três leitores desse blog já devem saber que eu tenho uma grande tendência geek. Mas eu nunca fui e nem nunca serei nerd. Estudar pra mim é uma tortura enorme! Eu adoro assistir aulas sobre matérias que me interessam, principalmente quando o professor sabe o que está fazendo. Mas eu odeio ter que estudar em casa, odeio ter que fazer trabalhos e projetos, odeio ter que fritar os neurônios. 

Já na primeira semana o viado do professor nos deu duas essay's e mais dois trabalhos em grupo pra fazer em quatro dias. Metade da sala quase morreu! E eu juro que não teria conseguido se não fosse pelo maridoncio que além de ter me ajudado com a estrutura dos textos e com essa língua do capeta, ainda fez praticamente todo o trabalho de casa e ainda fez o jantar dois dias seguidos. 

Até agora eu tive duas matérias super legais, Design e Introdução à Comunicação. O resto das matérias são  tão chaaaaatas. Tem também algumas matérias livres, aquelas que você escolhe independente do seu curso. Eu escolhi Study Planning and Time Management porque depois de dez anos que formei no ensino médio, achei que seria uma boa ideia "reaprender" a estudar. Escolhi também Espanhol porque é algo muito gostoso fazer uma matéria que eu realmente entendo, em uma língua que eu gosto de ouvir e lógico pra ver se meu espanhol desenrola de vez e deixe de ser somente entender o que as pessoas falam e conseguir ler um texto. Eu quero realmente me tornar fluente na língua até o final do ano.

Como eu disse no post anterior, meus colegas são legais (apesar de serem tão novinhos) e é lógico que eu me juntei com os nerds pra fazer o grupo do nosso projeto. Nerds ruleiam o mundo e são normalmente os que realmente trabalham e levam as coisas à serio. Sem contar que é tão legal poder falar de jogos, música e filmes. Acho que ano que vem o grupo todo vai aos festivais junto hahaha.

A coisa mais legal é que o projeto só dura quatro semanas e depois só teremos matérias que me agradam. Acho que se eu sobreviver à essas quatro semanas (que são as mais cheias e puxadas por causa do projeto), eu sobreviverei lindamente ao próximos quatro anos. Quando o projeto acabar eu venho aqui contar mais sobre ele. Agora vou ali voltar à estudar porque ainda tem muito trabalho pra ser feito. 

sábado, 1 de setembro de 2012

Primeira experiência na faculdade.

Então, semana passada foi a semana de introdução na faculdade. Não houve nenhuma aula, é uma semana só mesmo pra gente conhecer os colegas de classe, coordenadores, salas de aula e tirar dúvidas sobre o ano letivo. O primeiro dia de introdução foi mesmo aquele negocio de se introduzir pra turma, falar um pouco sobre a sua vida e hobbies e conhecer todo mundo. O segundo dia foi sobre conhecer a cidade, fizemos um tour a pé por mais de três horas. Essa atividade seria super legal que eu já não conhecesse a cidade hahaha. Mas o maior problema é que quando a gente tá andando e andando acaba que ninguém conversa tanto e acabamos não conhecendo todo mundo do jeito que gostaríamos. Mas no final teve um jantar pra todo mundo e acabou sendo legal apesar do cansaço. 

O que mais me surpreendeu foi a faixa etária das pessoas na minha sala. A maioria nem chegou aos 20 anos ainda. Lógico que todo mundo já se adicionou no Facebook e eu fui olhar a idade do povo e pelo menos 90% da sala nasceu entre 1993 e 1995. Isso mesmo, tem gente de 17 anos estudando comigo, gente da geração da minha sobrinha que nasceu em 96. A pessoa mais velha depois de mim tem 22 anos e já acha que está muito velha pra estar estudando. Isso é realmente algo que eu vou ter que aprender a lidar. Como levar a sério uma pessoa que nasceu exatos 10 anos antes de mim? Como me identificar com alguém que nasceu no mesmo ano em que eu fui ao cinema assistir Jurassic Park? Como não ficar me sentindo super mal por estar começando a estudar já tão tarde? E o mais importante, como não ficar neurótica sabendo que essas pessoas tão mais novas do que eu serão minha futura competição no mercado de trabalho?

A verdade é que as aulas começam com salas por volta de 25 pessoas e acaba com mais ou menos 10. Como as pessoas entram pra faculdade tão cedo por aqui, acaba que muitos resolvem trocar de curso na metade do caminho. Outros conseguem um emprego legal e resolvem parar de estudar e mais um tanto fica só tomando bomba até que o governo os multe o suficiente pra ou eles tomarem vergonha na cara ou largarem os estudos. 

Deixa eu explicar mais ou menos como funciona o sistema de ensino holandês: Aos 4 anos todo mundo é obrigado a ir pro jardim de infância. E quando eu digo obrigado é isso mesmo que eu quero dizer, os pais que não matriculam na escola e não os mantêm por lá até os 18 anos são multados e até presos. Então, a criança começa o jardim de infância aos 4 e aos 6 eles começam o ensino básico. Aos 12 anos é hora de entrar pro ensino médio e com essa idade que eles já têm que decidir o que querem para o futuro. Eles fazem uma prova que vai determinar praticamente o resto da vida deles. 

Existem três tipos de ensino médio por aqui, o primeiro é o VMBO e é igual ao ensino técnico no Brasil e dura dois ou três anos, não tenho certeza. Com o diploma desse curso técnico você não pode entrar nem pra faculdade e nem pra universidade (e sim, a diferença entre faculdade e universidade é bem grande por aqui, mas já eu explico) mas você pode fazer uma especialização do curso técnico que terá um diploma acima do ensino médio e abaixo da faculdade, o MBO. Essa especialização dura quatro anos e aí sim você estará qualificado para uma faculdade. 
O segundo é o mesmo nível do nosso ensino médio no Brasil, o HAVO. A diferença é que você só dá foco pro grupo de matérias que te interessam, tipo exatas, humanas, línguas, ciências, etc. O curso dura quatro anos e quando você forma tem o direito de entrar pra faculdade e se fizer um ano inteiro de faculdade, aí sim pode se transferir pra uma universidade. 

O terceiro é um curso super específico que eu não sei o que seria no Brasil, esse chama VWO. É basicamente um curso de seis anos que vai te preparar pra faculdade. E assim como o HAVO, no VWO você só dá foco ao grupo de matéria que te interessam. Depois de formado você pode entrar direto pra universidade e depois fazer mestrado sem nenhum curso preparatório. 

Quanto à diferenças entre a faculdade (HBO) e a universidade (WO) é na intensidade em que aprnedemos as coisas. A faculdade é mais guiada pro mercado de trabalho em que executamos tarefas e a universidade é mais guiada pra um mercado de trabalho em que pensamos mais, tipo a área de pesquisas. Ambos dão direito de fazer mestrado, mas se você fizer HBO você terá que fazer um ano de curso preparatório primeiro.

Na Holanda é normal já começar um estudo logo que termina o ensino médio e é por isso que os alunos da minha classe são tão novinhos. O normal aqui é ter um diploma de mestrado entre os 22 e 25 anos. Meu marido tirou dois mestrados antes de completar 25 anos. Ele fez duas universidades ao mesmo tempo, História e Public Management. Quando ele se formou demorou um tempo pra encontrar um emprego em sua(s) área(s), mas desde 2009 ele trabalha pra prefeitura de cidade de Utrecht na área de planejamento de segurança pública. 

Com o meu diploma do HBO eu vou poder trabalhar em várias áreas, incluindo marketing e jornalismo. Mas eu ainda não decidi se vou fazer mestrado ou não, acho que só vou decidir isso depois do meu segundo ou terceiro ano de faculdade. Todos os brasileiro com ensino médio completo podem entrar pro HBO, e se tiver curso superior completo você terá que avaliar seu diploma antes de saber se pode fazer WO. Mas se a sua vontade for mesmo fazer universidade e o diploma não for bom o suficiente, é só fazer um ano de HBO e aí terá o direito de transferir para um WO. 

Bom, por enquanto é isso. Semana que vem começam as aulas de verdade e eu estou super ansiosa e até meio nervosa. Assim que eu tiver um tempinho livre eu venho contar como foi a experiência de começar minha primeira faculdade. E depois eu farei um post sobre como o governo holandês nos incentiva financeiramente a estudar e como nos pune (também financeiramente) se não nos formarmos em tempo. Hasta la vista...