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quinta-feira, 28 de junho de 2012

A menina do dedo verde...

Nunca gostei de planta. Várias das minhas brigas com minha mãe começavam com: Larissa, vai molhar as plantas. Ah, aquilo me fervia o sangue! Como assim ela queria ter uma floresta tropical em casa e eu é que tinha que molhar? Ainda bem que a adolescência passou, porque nunca houve necessidade pra tanta briga besta. Enfim, a adolescência passou e três anos atrás virei uma dona de casa. E como toda boa dona de casa eu descobri que não há nada melhor pra tornar uma casa aconchegante do que plantas. No inicio eu só comprava flores porque eu amo flores. Depois comecei a comprar ervas também porque cozinhar com ervas frescas é muito mais gostoso. Semana passada fui à uma floricultura com minha sogra e lá vimos uma bananeira linda, da espécie musa. Ela disse que meus olhos se acenderam quando eu vi aquela coisa linda na minha frente e ela resolveu me dar de presente. Não satisfeita, ela me mandou escolher mais duas plantas pra colocar na sala. Como eu queria plantas que ficam bonitas o ano todo e não ficam peladas no inverno e muito menos soltando folhas no outono, escolhi uma planta que não dá flores e outra que tem flores fortes (desculpe a minha ignorância mas eu não sei o nome de nenhuma delas, se alguém identificar pode colocar nos comentários). Aqui estão elas:
Minha bananeira linda e suas amiguinhas que não sei o nome
Não satisfeita em ter me dado umas plantinhas pra decorar minha sala, ela também resolveu me dar um saco de terra pra eu plantar as sementinhas de couve que ganhei ano passado, aproveitei e plantei também umas sementes de alface que tinha aqui em casa há muito tempo. Já tá até brotando. Agora eu empolguei geral e hoje fui comprar uns vasos pra poder plantar umas flores lindas pra enfeitar minha sacada. To querendo até plantar rosas, será que ando muito ambiciosa? Alias, sacada essa que a sogra também ajudou a enfeitar dando um conjunto de mesa e cadeiras de presente de aniversário pro Stefan em maio. Apesar que esse verão fajuto não estar cooperando pra gente poder sentar lá fora e aproveitar nossa sacada, já conseguimos comer lá algumas vezes: 

Maridoncio aproveitando o solzinho de fim de tarde depois da janta

No início da primavera ainda com o manjericão Highlander
Como eu disse, faz tempo que compro ervas e as coloco no parapeito da janela da sala porque é o lugar mais iluminado da casa pois bate sol de manhã e no final da tarde e também porque ainda não tenho muitas opções de lugares para colocar. Quando nos mudamos pra cá, lá no final de maio do ano passado, eu comprei uma planta de manjericão. Essa planta resistiu à três semanas em que saímos de férias na Grécia (minha sogra vinha duas vezes por semana pra molhar as plantas), resistiu ao outono, ao inverno e até que mais ou menos dois meses atras eu resolvi que era hora de comprar uma nova. Isso mesmo, a planta viveu por exatamente um ano e chegou a ficar com um metro de altura! Tava até dando umas florzinhas lindas, branquinhas e miudinhas. Foi triste jogar fora, mas as plantas não estavam bonitas mais, estavam amarelando muito rápido, já tinha dado o que tinha que dar. 

Meu pé de menta lindo dando flor e enfestado de pulgões!
Então quando fui comprar um manjericão novo vi também um pé de menta lindo e não resisti à ideia de tomar chá de menta fresquinha. Ambas plantas foram colocadas na mesma janela e estão crescendo enlouquecidamente. Dou água três vezes por semana e só, não adubo nem nada. Água e muito sol, esse é o meu único tratamento. A menta já está com quase um metro também e está brotando umas florzinhas roxas muito fofas. Só que ontem de manhã, enquanto eu regava e admirava todas minhas plantinhas lindas, eis que vejo um monte de coisinhas verdes se movimentando pela minha menta e para minha surpresa era pulgão. Isso mesmo, PULGÃO! Tive até que olhar na internet pra ter certeza. Fiquei tão triste. Então quando eu estava voltando do trabalho eu vi uma joaninha no portão, resolvi trazer ela pra casa e coloquei na planta. Foi um massacre! Ela devorava pulgão por pulgão sem misericórdia haha. Mas como a planta é grande e os pulgões são muitos, uma joaninha só não vai dar conta. Comprei um spray à tarde, tomara que resolva senão vou ter que jogar a planta fora e isso dói o coração. Mas é melhor perder uma planta do que esses bichos se espalharem por todas as outras e virarem praga, né? Aiai, como eu queria ainda ter birra de plantas, era tão mais fácil.....

domingo, 24 de junho de 2012

Feminismo prático e sem clichês....

E aqui estou eu de volta! Andava morrendo de preguiça de escrever aqui, mas como já tinha algum tempo que eu estava planejando um post sobre o assunto eu resolvi parar de enrolar e escrever logo. O assunto é sobre como ser feminista de verdade e sem aqueles clichês de de que mulheres feministas são masculinizadas, odeiam homens e odeiam mais ainda mulheres bonitas e atraentes que ganham a atenção dos homens. Na verdade não é nada disso (apesar de infelizmente esse tipo de feminista existir), ser feminista na prática é entender que a mulher tem exatamente o mesmo valor que o homem na sociedade e que a gente faz o que bem quiser com o nosso corpo e nosso intelecto. Ninguém tem o direito de ditar como devemos nos comportar! Mas a coisa não é tão fácil assim. Inclusive pra nós mulheres é complicado finalmente se liberar dessa sociedade patriarca e nos declararmos independentes de conceitos encravados em nossas cabeças por todos os lados da sociedade desde antes de virmos ao mundo. É talvez a tarefa mais difícil pra uma mulher e mais difícil ainda pra um homem entender esse tipo de coisa. E antes de eu ir adiante, eu quero deixar bem claro que a culpa não é dos homens e nem das mulheres. Ninguém tem culpa de como a sociedade é, mas só porque não há culpados não quer dizer que devemos aceitar as coisas como são e não fazer nada pra mudar o que não está certo. Acho que esse é o ponto em que você não tá entendendo mais nada, né? Então eu vou explicar meu ponto de vista com exemplos práticos, experiências pessoais e também comparando um pouco as diferenças entra a Holanda e o Brasil em termos de sexismo (simplesmente porque esses são os países que eu tenho experiencia suficiente pra comparar). 

Vamos lá, o primeiro ponto que quero levantar é a relação que a maioria das mulheres têm com seu corpo e a beleza. Estamos vivendo na era da perfeição, a tecnologia digital mudou todo o nosso conceito de estética e deturpou nossa ideia de "corpo perfeito" e "beleza real". No Brasil eu nunca tive problemas com meu peso, mas em 3 anos de Holanda eu engordei 12 quilos. Pode não parecer muito mas foi o suficiente pra acabar com a minha auto-estima. Perdi a conta de quantas vezes eu chorei por não ter o corpo perfeito, por não caber mais nas roupas que trouxe comigo do Brasil e por não me sentir atraente. O pior de tudo é que ao olhos do meu marido eu continuava sexy e atraente. Em momento algum o apetite sexual dele por mim diminuiu, mas mesmo assim eu me sentia tão mal que começou até a interferir na nossa vida sexual. Até que eu precisei de ouvir da pessoa menos feminista que eu conheço o tanto que isso era burrice minha. Que talvez meu corpo não era mais o padrão aceito pela sociedade, mas que se o único cara que importa pra mim me aceita, me ama e me deseja do jeito que sou, pra que ficar choramingando por causa disso? A gente aprende a odiar nosso corpo se ele não estiver dentro dos padrões estipulados pela mídia do Photoshop, mas esquecemos que só precisamos nos importar com os nossos próprios padrões e talvez, se você estiver afim de se importar com isso, com o padrão do seu parceiro. Mas o certo é que você tenha um parceiro que tenha você como padrão e não um que vá tentar de mudar pra fazer você caber em um outro padrão que não é a sua realidade (e acredite em mim, esses parceiros existem aos montes). No meu caso, o meu parceiro não liga a minima pros meus quilinhos extras, ele só não quer que eu engorde a um ponto que vá prejudicar minha saúde, e isso é a única coisa que importa pra ele, que eu seja saudável. Desde que tive essa conversa, eu tenho me focado em voltar a me amar do jeito que sou. E também em cuidar do meu corpo pra que eu seja saudável e não pra ficar "em forma".

O segundo ponto é a obrigação que a sociedade nos impõe de sermos sempre bonitas e impecáveis. O cabelo tem que ser sempre macio e brilhante, as unhas sempre bem feitas e os pelos indesejáveis sempre arrancados fora. As roupas tem que "acentuar suas curvas" (ou escondê-las se você não tiver uma figura perfeita), os sapatos sempre altos pois ser alta é um atributo, certo? E o pior de tudo, a maquiagem é quase que obrigatória para todas as mulheres. Existem inclusive profissões em que a mulher é literalmente obrigada a se maquiar, tipo aeromoça. Conheço uma menina que foi mandada embora de uma empresa porque estava fazendo peeling e não pode se maquiar por 2 meses. Quando me mudei pra Holanda eu via várias mulheres "normais" sendo entrevistadas na TV e com o rosto completamente limpo, eu achava aquilo um absurdo! Como assim você sabe que vai aparecer em rede nacional e não se dá ao trabalho de passar uma base e, pelo menos, um rímel? Demorou um tempo pra eu aceitar a ideia de que ninguém é obrigada a se maquiar. Se quer sair por aí de cara limpa é um direito seu e ninguém pode te julgar por isso, afinal essa é a sua cara. Não me levem a mal pois eu sou louca por maquiagem, só não acho legal o fato de isso ser uma obrigação. E outra, eu não vejo maquiagem como uma maneira de esconder suas imperfeições e muito menos de te deixar "mais bonita", maquiagem pra mim é uma forma de arte, uma forma de expressão assim como roupa. E eu uso quando to afim e do jeito que eu quiser, oras! E outra coisa, ninguém é obrigada a ser bonita e feminina o tempo todo (ou em tempo algum, na verdade). Uma vez ouvi de uma tia minha que se eu continuasse a dormir de camiseta velha ao invés de dormir com uma camisola sexy, o marido iria procurar outra. Bom, se a camiseta que eu durmo o faz tão infeliz assim, talvez seja melhor pra ele encontrar alguém se seja sexy até dormindo, não é mesmo? 

O terceiro ponto e também talvez o mais importante é a nossa sexualidade. Como uma menina nascida e criada no Brasil, eu cresci com homens de todo tipo (desde pedreiros até engravatados) "mexendo" comigo. No Brasil a gente aprende que isso é, de alguma forma, uma coisa boa. Ter atenção dos homens é sempre uma coisa boa, né? NÃO! Foi só depois de ter mudado pra Holanda que eu descobri que homens que demonstram a atenção que têm por você com palavras, gestos e até com as mãos, são caras nojentos e detestáveis. A diferença entre os dois países é que no Brasil os homens são criados pra deixar os seu "instinto animal" correr solto e por isso eles não se poupam em dizer coisas como "oh gostosa!", em fazer gestos e até em lascar a mão na sua bunda se houver oportunidade. Pra eles isso é normal, seu corpo é propriedade pública e eles têm todo direito de abusar dele. Fica até difícil pra um "cara de bem" saber o limite entre "brincadeira" e "ofensa" (coloquei entre aspas porque pra mim ambos são ofensa, mas eu só descobri isso fazem poucos anos).  Na Holanda a coisa é diferente, não sei se por medo ou se por criação, os homens nunca demonstram o interesse por uma mulher com nada mais do que olhares.  Inclusive já ouvi de amigas solteiras aqui que se um cara de der uma olhada e você não se aproximar dele depois é um sinal bem claro de que você não está interessada. Isso pode ser bem confuso pra nós que fomos criadas na cultura de que o cara é que tem que "chegar" na mulher, mesmo quando essa já deixou bem claro a falta de interesse, é "obrigação" dele insistir até ela ceder. E é aí que entra o tema mais delicado de todos, o estupro. Fica super difícil pra um cara saber a barreira entre a tal insistência e o abuso sexual. E fica mais difícil ainda pra mulher saber a barreira entre os dois, mas eu não vou entrar nesse tema aqui porque eu não tenho a experiência necessária pra tratar de um assunto tão importante. Existem vários textos na internet sobre isso, eu recomendo esse aqui (apesar de ser em inglês) pois é super real e conta uma situação que poderia ter acontecido com qualquer uma de nós. 

Mas mesmo com a cultura do atenção vinda de um homem seja ele quem for é sempre boa, a gente também aprende que mulher que tem vários parceiros sexuais é suja e imoral. Também aprendemos que não importa o quanto a gente queira fazer sexo com aquele carinha delicia, a gente tem que segurar a vontade até pelo menos estarmos em um relacionamento sério com ele, no mínimo. Somos julgadas pelas escolhas sexuais que fazemos e até poucos anos nossa virgindade foi considerada um atributo. Muito é falado em "mulher pra comer" e "mulher pra casar", como se o numero de parceiros sexuais fosse alguma indicação de caráter ou comportamento. É estipulado um numero de pênis (qual é plural disso?) aceitável para sua idade. Enquanto os homens são "treinados" pra soltar todos seus instintos animais, nós aprendemos que os nossos devem ser domados a qualquer custo. Mas a verdade é que o corpo é nosso e a unica pessoa que pode estipular uma quantidade aceitável de parceiros somos nós mesmas. 

O ultimo ponto é a nossa independência financeira. Acho que esse é o ponto em que eu sempre fui feminista, talvez por eu ter sido criada por uma mãe solteira, eu nunca achei que uma mulher deveria depender de um homem pra nada relacionado à dinheiro. Lógico que isso soa meio hipócrita vido de uma pessoa que passou um ano sem trabalhar e que mesmo trabalhando hoje em dia ainda não ganha 1/3 do que o marido ganha. Sim, mas no meu caso foi uma circunstância e mais importante, foi temporário (apesar de que só vai acabar mesmo depois que eu formar). Mas a diferença é entre aquelas meninas que sonham em encontrar um cara pra sustentá-las e assim elas nunca vão precisar trabalhar e se preocupar com nada de importante. Nem to falando daquelas mulheres que acabam fazendo a escolha de parar de trabalhar pra cuidar dos filhos e da casa (porque ser dona de casa é sim uma profissão), mas sim das mulheres que acham que o homem têm obrigação de suprir à todos os seus caprichos e vontades enquanto ela não faz nada de produtivo com a própria vida. Essas sim são o único tipo de mulher que eu desprezo no mundo. E mesmo você que trabalha porque não tem outra opção mas vive sonhando com o tipo de vida que eu acabei de descrever, sim, eu te desprezo. A verdade é que eu sempre fui independente financeiramente. O problema foi eu ter mudado pra um outro país sem visto e consequentemente acabei tendo que ficar sem trabalhar. Mas mesmo assim eu fazia tudo na casa, limpava, cozinhava, arrumava, lavava e passava roupas e tudo mais e nunca me atrevi a pedir ajuda pra ele. Hoje em dia a gente divide um pouco o serviço doméstico mas mesmo assim a maioria ainda é minha, já que eu trabalho menos horas do que ele. Mas a gente já combinou que no momento em que eu trabalhar o mesmo tanto de horas, o serviço doméstico vai ser meio a meio. E outro detalhe, se algum dia ele ficar sem trabalho e eu ganhar o suficiente pra sustentar nós dois, ele é que vai ficar cuidando da casa e eu vou trabalhar, sem o menor problema. 

Ufa, acho que esse foi o maior post que já escrevi na vida! Mas é tanta coisa pra se falar sobre feminismo prático e vocês não têm ideia do tanto de coisa que eu deixei de fora. Mas o resumo é, seu corpo é seu e só seu e só você define o que faz com ele. Só você define com quantos parceiros você quer ter relações, só você define se quer ser bonita e feminina ou se quer ser o que tiver afim de ser. E principalmente, é você que define o SEU padrão de beleza. A escolha também é sua em relação à seguir uma carreira ou ficar em casa pra cuidar dos filhos (desde que sua decisão não seja ser uma sangue suga, o que também é direito seu, mas nunca vou te considerar nada além de um verme). A escolha de ter filhos ou não também é sua, só pra constar. E o mais importante, você não precisa de ter um homem ao seu lado pra ser feliz. Colocar sua felicidade nas mãos de um homem é até maldade com ele. Ter um parceiro também é uma escolha sua e se o relacionamento não estiver te fazendo bem, não há nada de errado em ser solteira. Errado é ser infeliz por padrões que uma sociedade impõe e que não cabem dentro das suas opções de vida. E o mais importante, NÃO TEMOS OBRIGAÇÃO DE NADA! Só devemos ser/fazer o que tivermos vontade e o que nos faz feliz, mais nada além disso. 

E só pra finalizar, eu cansei de ouvir coisas do tipo: "Nossa, essa mulher ALÉM de bonita/gostosa/sexy/etc, ela também é inteligente/talentosa/engraçada/etc. Quer dizer, ser bonita/sexy/gostosa ou qualquer outra coisa relacionada à aparência física é o maior atributo que uma mulher pode ter, o resto é só complemento. CHEGA DISSO! Vamos parar de nos julgar (e julgar outras mulheres) pelo corpo e aparência e vamos começar a perceber que ser mulher vai muito além das "obrigações" físicas. Vamos nos libertar!!!

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Pinkpop 2012 e casais siameses...

E lá se foi mais um festival PinkPop e esse ano será o único que iremos. Foram três dias de calor, muito calor. Um sol escaldante de 30ºC e nenhuma única nuvem naquele céu azul. Estou aqui toda vermelha porque nem mesmo passando o protetor solar fator 50 a cada uma hora resolve o problema. Essa foi a primeira vez que fomos com um grupo de amigos ao invés de irmos só nós dois. Foi uma experiência super legal mas ao mesmo tempo não sei se foi tão útil assim ir em grupo. Mas vou falar sobre isso daqui a pouco, antes farei um breve review das bandas. 

Não conhecia a maioria das bandas e algumas que conhecia me decepcionaram bastante. Vamos por dia então (nem vou falar de todas as bandas que eu vi porque algumas foram tão insignificantes que nem merecem review):

Sábado:
Depois de um bocado de bandinha mais ou menos, finalmente chegou a hora da cantora mais famosa da Holanda, a Anouk. Eu adoro a voz dela e adoro quando ela canta umas músicas super rock e nervosas, mas ela também sabe cantar umas baladas chatas e melosas que ninguém merece. Mas o maior defeito dela é se achar super especial, super importante e melhor do que qualquer outro artista. Ela é a definição da palavra bitch. E por isso eu acabo tendo birra dela e não consigo apreciar tanto assim o talento que ela tem. O show foi bem parado, eu olhava ao meu redor e via gente sentada, batendo papo, dormindo, etc...poucas pessoas prestando atenção nela lá no palco. E nós nos enquadramos nessa gente. Até o Stefan que tem todos os cds dela achou o show meia boca.

Então fomos ver os Ting Tings e devo dizer que achei um cocozóvisky! Honestamente, a mulher só grita...aff. Fora que tem horas que só tem o carinha tocando a bateria e ela cantando (e não tocando a guitarra) que nem na música "That's Not My Name" e a gente ouve vários instrumentos mas não tem nenhum músico no palco a não ser eles, quer dizer que eles usam samples o show todo. Não consigo respeitar banda que usa samples por mais de 70% do show. Foi malz aí...olha se eu não tenho razão:

Aí finalmente foi a hora do tão esperando The Cure. Essa é uma banda que eu conheço desde muito novinha mas mesmo assim nunca conheci nada além dos singles que tocam no rádio. Nunca fui fã mesmo e sempre que tive oportunidade de ouvir um cd inteiro eu achei super lento e até um pouco entendiante. Acho que pra ser fã é necessário gostar realmente do estilo. Mas mesmo assim eu estava super ansiosa pra vê-los, afinal não é todo dia que temos a oportunidade de ver uma lenda do rock, né? Adorei o show, mesmo com algumas músicas que de deram um pouco de sono, eles souberam dosar super bem entre as desconhecidas e as conhecidas. Quase morri quando tocaram "In Between Days" e "Close To Me". 

Domingo:
O domingo começou pra mim com a banda Racoon. Racoon é a minha banda holandesa preferida e eu nunca me decepcionei com eles. Já os vi ao vivo antes em 2009, só que dessa vez eles se apresentaram com uma orquestra e foi tão lindo. A música "Love You More" é muito especial pra mim, todo casal tem uma música que é importante pra eles, bom essa é a "nossa" música desde que começamos a namorar. Quando eles tocaram a gente até chorou abraçadinhos, foi tão lindo...



Então fomos ver Mastodon que é talvez a melhor banda de metal da última década. O marido adooooora, eu acho legal mas não é exatamente meu estilo. Mas mesmo assim vale a pena vê-los ao vivo, mesmo eu já tendo visto eles ano passado.

Aí foi a hora de Soundgarden e assim como The Cure, eu nunca fui super fã deles. De todas as bandas consideradas Grunge eles sempre foram os que eu menos prestei atenção. Na verdade eu acho que se não fosse pelo Chris Cornell eles nem teriam ficado famosos. Aliás, o Chris é um grande filho da puta! Ele desafia todas as lógica de técnica vocal. O cara mal abre a boca e sai um volume que não existe a menor lógica. Realmente um dos melhores vocalistas ainda vivos nesse planeta, mas não mais do que isso. Ele canta tudo no piloto automático e sem a menor paixão pelo que faz. Enfim, o show não fedeu nem cheirou mas agora eu posso dizer que já assistir todas as grandes bandas de Grunge que ainda estão ativas. Depois do Soundgarden era pra gente ter visto Keane mas eu fiquei com preguiça da música água com açúcar deles e resolvi economizar minhas energias haha.

Chegou a hora da grande surpresa do festival inteiro: Linkin Park! Pra falar a verdade eu conheço umas 3 músicas deles e mais os temas que eles escreveram pros filmes dos Transformers e por isso não estava esperando nada desse show. Já tinha visto um show deles na MTV e sabia que eles faziam um bom trabalho ao vivo, mas nada que me preparasse pro que estava por vir. Duas horas sem parar (sem mesmo sair do palco e voltar pra âncora) de pura energia e profissionalismo. Foi o tipo de show best hits, só com músicas conhecidas e tudo soava tão perfeito. O vocalista Chester Bennington canta com uma precisão que é impressionante, ele não tem muito volume mas a técnica que usa é impecável, não erra uma nota o show inteiro. O resto da banda também é super precisa e passa toda a energia que é necessário pra fazer um bom show de rock. Teve direito até um cover de Sabotage dos Beastie Boys. Com certeza ganharam meu respeito e fizeram um dos melhores shows que já fui na vida!





Segunda:
Esse foi o dia de muitas bandas que não me animaram nem a levantar do chão. O destaque foi pro The Hives que animaram bem a galera. Mas esse também foi o dia do show mais esperado do festival inteiro e talvez um dos mais esperados da minha vida, eu finalmente vi Bruce Springsteen ao vivo! Sim, The Boss em pessoa lá em cima do palco e fazendo um show inesquecível e indescritível. Eu que sou fã desde que me entendo por gente me esguelhei, chorei, cantei, pulei, e saí de lá feliz e realizada. Foi perfeito! Ah, o detalhe é que ele tem 62 anos e tocou por três horas e meia sem parar pra nada, pulando, fazendo crowd surfing, dançando e tudo mais e ele também não saiu do palco pra fazer âncora. Muito músico por aí *cof* Axl Rose *cof* devia aprender com ele porque é assim que se trata os fãs. 


Agora a parte chata do festival. O maridovisky tem dois amigos de infância que ele conhece há mais de 20 anos. Os três são inseparáveis e fazem tudo juntos e nenhum deles nunca teve um relacionamento sério. Em 2008 o Stefan me conheceu e imediatamente eu virei parte do grupo. No meio do ano passado o George começou a namorar também e agora só sobrou o Marco de solteiro. A namorada do George também entrou pra turma, obviamente. Até a gente ir pro Pinkpop eu achava ela super legal, mas depois desses 4 dias juntos eu meio que tomei antipatia. Não dela como pessoa mas deles como casal. Calma que eu explico, sabe aquele casal grude, que ficam se beijando e abraçando o tempo todo não importa aonde e com quem estão? Pois é, eles são assim. Antes eu ficava achando que era porque eles estavam no inicio do namoro e além de tudo essa é a primeira namorada de verdade dele (não sei se é dela também). Mas agora já faz quase um ano e eles moram e trabalham juntos, não tem mais desculpa pro grude. Eles parecem siameses, se ela precisa ir ao banheiro ele vai com ela. Se ele vai buscar cerveja pro grupo ela vai com ele. Eles não sentam longe do outro, eles não fazem absolutamente nada se o outro não for junto. Fora que eles entram no mundinho deles e esquecem completamente que tem outras pessoas ao redor deles. Esquecem principalmente que uma dessas pessoas é o único solteiro no grupo que ele pode ficar desconfortável com isso. 

Sei lá, eu acho que estar num relacionamento não é desculpa pra falta de noção. O cara tá lá, curtindo o show de um dos artistas preferidos dele e ela ficar chamando atenção dele o tempo todo como se ele tivesse que prestar atenção só nela e não no show. Não dá pra aguentar, né gente? Essa história de ficar de grude na frente dos outros é de muito mal gosto e desconfortável pra todo mundo ao redor, mesmo pros outros casais que estão presente. Se você está em público comporte-se! Deixe o grude pra sua intimidade. Beijinho e abraço de vez em quando é normal, afinal se trata de um casal, mas quando isso deixa de ser esporádico e começa a ser a unica coisa que se sabe fazer o tempo todo, talvez deva-se considerar não sair de casa e principalmente não sair em grupo. 

Os três mosqueteiros: George, Marco e Stefan

O grupo todo: Marta, eu, Marco, George e Stefan

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Centro de informações...


Desde de que comecei esse blog lá nos primórdios de 2008, várias pessoas entram em contato comigo com perguntas sobre morar/estudar/trabalhar na Europa ou sobre ser au pair. Normalmente eu não me importo de ajudar as pessoas, mas só quando eu vejo que a pessoa pesquisou em tudo quanto é canto e não achou a resposta pra aquela pergunta. Agora, quando eu vejo que a pessoa nem se deu ao trabalho de abrir o google pra procurar a informação que precisa e já foi me mandando email com uma pergunta que a resposta está bem na cara, aí eu fico muito irritada. Tem gente que nem se deu ao trabalho de ler mais de um post no blog ou a minha bio por aqui e me manda email perguntando coisas que eu já falei e repeti várias vezes por aqui. Esse povo me dá nos nervos! 

Porque é que eu tô falando disso? Porque só essa semana já recebi três emails sem noção desse tipo. Uma delas foi me perguntando sobre a rota belga e me perguntando qual cidade que eu moro na Bélgica. Gente, se você ler ao menos uns 3 posts desse blog já vai saber que eu já não moro mais na Bélgica há mais de um ano. Outra pessoa veio me perguntar como faz pra tirar visto de au pair. Tipo assim, qual parte do "eu vim pra Europa na cara dura e sem visto e por isso tive que fazer a rota belga" você não entendeu??? Hoje recebi um email de uma menina querendo saber como fazer pra trabalhar na Holanda. Oi? Como assim? Minha filha, se eu soubesse você não acha que eu estaria fazendo algo além de entregar cartas?? Será que ela realmente acha que eu sou a pessoa ideal pra perguntar isso? O pior de tudo é que o meu blog tem ferramenta de pesquisa de post, então é só colocar uma palavra chave lá e ele encontra todos os posts com aquele assunto. Mas nem isso as fulanas se dão ao trabalho.

Mais uma vez, eu adoro ajudar de verdade. Se não fosse pela ajuda e paciência de várias meninas lá do Orkut, eu nunca teria conseguido vir se au pair aqui e consequentemente nada do que aconteceu na minha vida desde então teria acontecido. Mas a verdade é que se você tem preguiça até de fazer uma pesquisa no google ou de ler mais do que um post num blog, você não deveria nem considerar uma vida na Europa. Aqui não vai ter ninguém pra resolver nada pra você, saber se virar sozinha é indispensável! 

Quando eu estava pesquisando pra ser au pair eu devorei todas as comunidades do orkut sobre o assunto. Li e reli dezenas de blogs e sites sobre o assunto. Aprendi tudo que tinha pra aprender. Aí, depois de muita pesquisa, se eu ainda tivesse alguma dúvida específica eu perguntaria pra alguém que pudesse me ajudar. E quando eu fui fazer a rota belga também foi assim. Pra entrar pra faculdade agora também a mesma coisa. Perguntas específicas são super legais de responder, eu fico me sentindo super importante e experiente haha. Mas perguntas genéricas são um saco! Eu lá tenho cara de google ou de centro de informações por acaso? 

Bom, eu não posso ajudar muito sobre como ser au pair porque além do fato de eu já não ser mais uma desde o inicio de 2009 eu não passei pelos procedimentos do visto. Mas existem várias comunidades legais no orkut (eu sei que tá mais do que morto, mas as informações do passado continuam lá e ainda existem algumas pessoas que usam) e tenho certeza que já existem uns grupos bons no Facebook também. Fora os vários sites e blogs sobre o assunto. Sobre a vida na Holanda é a mesma coisa, tem tanto a comunidade quanto o grupo chamado Brasileiros na Holanda que podem ajudar muito, fora várias outras do tipo. Quanto a rota belga, além da comunidade (e acredito que deve ter um grupo no FB também) tem também o site Buitenlandse Partner (procura no google). Esse site é basicamente em holandês, mas se o seu parceiro não puder te ajudar com isso talvez seja a hora de repensar esse relacionamento.
Essa sou eu esgotada depois de ler os tais emails...

Desculpa estar soando tão áspera, mas é que gente folgada me dá nos nervos!!! Mas agora é hora de notícia boa, vocês que realmente leem meu blog já sabem que há algumas semanas eu estou lidando com documentos pra conseguir entrar pra faculdade. Pois é, ontem eu recebi o email de que meu histórico foi aceito!! Isso quer dizer que a partir de setembro eu irei de fato ser uma universitária. Não é lindo isso? Bom, agora eu me vou pois tenho que me preparar por Pinkpop depois de amanhã, pois agora eu tenho mais um motivo pra comemorar por lá hehehe...inté.

PS: Se tiverem alguma dúvida e/ou quiserem trocar uma ideia, sinta-se à vontade pra me mandar email ou deixar seu comentário aqui. Mas antes de me fazer qualquer pergunta, certifique-se antes de que ela já não foi respondida por aqui ;-)

sábado, 19 de maio de 2012

É nozes na fitis

Olha eu aqui de novo!! Pois é, a vida anda corrida e a internet acaba ficando em segundo plano, né? Mas hoje estou escrevendo do meu lindo laptop que, depois de quase um mês no conserto (ou concerto? nunca sei...), finalmente voltou para os meus braços ontem e isso me faz feliz! hehe

Nessas ultimas semanas eu andado bem ocupada com a papelada para me inscrever na faculdade. Tive que mandar traduzir meu histórico escolar. Isso me fez perder quase uma semana pesquisando preços, vocês não imaginam a enorme diferença que existe entre tradutores juramentados aqui na Holanda, só pra terem uma ideia, a diferença entre o mais caro e o mais barato é de mais de 200 euros! Enfim, depois de ir buscar as traduções eu tive que levar tudo lá na faculdade pra eles tirarem cópias e enviarem para a instituição que avalia os diplomas estrangeiros, agora é esperar pelo menos 6 semanas até saber se meu histórico foi aprovado ou não, haja ansiedade. Aí a faculdade marcou algo chamado startgesprek - conversa inicial - que é pra ter certeza que eu estou escolhendo o curso certo e que não vou desistir antes de me formar porque a faculdade leva uma espécie de multa quando o aluno não se forma. Agora eu estou ocupada com os papéis para conseguir o financiamento do governo pra estudar, senão meu sonho vai por água a baixo pois não poderemos pagar os custos do curso. 

Outra coisa que tem me mantendo ocupadíssima é que daqui duas semanas terei uma apresentação de final de ano (porque o ano letivo acaba normalmente entre junho e julho aqui na Europa) do meu curso de música. Vai ser a primeira vez que vou me apresentar sem ser com um coro ou com minha técnica erudita. Estou um pouco nervosa, não sei se estou pronta pra isso mas mesmo assim vou tentar, afinal é uma apresentação pequena só pra alunos e convidados. A música escolhida não é lá muito difícil, mas é uma música tão famosa que qualquer errinho será notado por todo mundo. Lógico que não vou contar que música é hehehe. A apresentação vai ser gravada (tenho certeza que amadoramente) e se eu não achar que tem um monstro no palco, se eu não desafinar horrendamente ou se não cagar nas calças de nervoso, eu posto aqui pra todo mundo ver :-)

E além disso tudo, final de semana que vem vai ser Pinkpop. Esse é meu festival preferido e a unica tradição que tenho com o maridóvisky, desde 2010 (eu sei, tradição que passa por gerações né? hahaha) a gente vai todos os anos e esse ano não poderia ser diferente. Eu escrevi sobre o meu primeiro Pinkpop nesse post. Esse ano eu estou super empolgada porque o senhor Bruce Springsteen vai tocar lá. O cara além de ser uma das maiores lendas do rock de todos os tempos, ainda é um dos meus maiores ídolos e o UNICO cara que eu ainda acho totozinho depois dos 40. Sério, se eu amoreco envelhecer assim eu serei a mulher mais feliz do mundo!! hehehe. Em 2009 ele tocou aqui mas a gente estava falido e não pode ir, esse ano eu não perderei por nada pois morro de medo dele morrer sem eu nunca ter visto pelo menos um show. Alias, esse medo não é sem fundamento pois um membro da E-Street já morreu ano passado  :-(
Diz que ele não é uma delícia mesmo já tendo 62 anos...
Além do Springsteen eu também vou poder ver outra banda que amo: The Cure! Fora mais um tanto de banda que não sou uma grande fã mas que é legal poder ver um show deles tipo Likin Park e outras bandas holandesas que amo loucamente tipo Racoon. Se alguém tiver interesse em ver o line up do fesitval é só clicar aqui

Ah, também teve meu aniversário de 2 anos de casada e 4 anos de relacionamento, foi respectivamente nos dias 14 e 16 de maio. Eu ia escrever um post sobre isso, mas daí lembrei que já escrevi um super legal exatos 6 meses atrás e achei que ficaria só me repetindo. Sem contar que não tive tempo pra escrever essa semana pois, além de tudo que citei acima, o maridoncio me levou pra um jantar e um cineminha pra comemorar. O filme foi Dark Shadow que eu não gostei tanto assim mas que vale a pena pelos atores (todos eles) que estão perfeitos. Enfim, depois do Pinkpop e da minha apresentação a minha vida deve voltar ao normal, aí terei mais tempo para ficar escrevendo inutilidades por aqui hahaha. Até logo!

domingo, 6 de maio de 2012

Será hora de rever nossos conceitos?

Como todo mundo deveria sabe, essa semana marca oficialmente o final da Segunda Guerra Mundial. Aqui na Holanda essa é uma questão muito importante e levada super à serio. No dia 4 de maio às 20 horas o país para por 2 minutos para lembrar os mortos durante a guerra, fazemos 2 minutos de silêncio e se você estiver dentro de um ônibus, trem, etc, eles desligam os motores aonde estão e ficam parados por dois minutos. No dia 5 de maio é feriado nacional e o país se enche com festas e shows pra comemorar a desocupação alemã do território holandês. É o único feriado holandês que curto, porque o dia da rainha é uma piada que não se pode levar a sério de jeito nenhum. 

Enfim, ontem a gente saiu com alguns amigos pra comemorar tanto o dia da libertação quanto o aniversário do Stefan que foi no dia primeiro. Acabamos bebendo um pouco demais e ele acordou numa ressaca brava hoje. Então passamos o dia todo morgando em frente a TV. Como domingo nunca tem nada de interessante na TV durante o dia, a gente passou o dia todo assistindo documentários sobre a Segunda Guerra no Discovery Channel. Essa série de documentários se chama Apocalypse e é muito bem feita, ao invés deles se concentrarem na tragédia de alguns indivíduos pra nos fazer chorar, como alguns documentários fazem, eles se concentraram só nos fatos históricos e portanto eu aprendi muito ao passar a tarde toda assistindo. Aprendi inclusive que o que o Japão estava fazendo na Asia durante aquele período é muito pior do que a Alemanha tava fazendo na Europa. Mas não é sobre isso que eu quero falar nesse post. 

Antes de eu continuar eu quero te fazer refletir sobre algo. Se houvesse uma lojinha na esquina da sua casa e o dono dessa lojinha foi um nazista ativista que matou e/ou torturou judeus com as próprias mãos durante a guerra, você ainda assim compraria nessa lojinha? Você teria uma relação normal com o dono dela? Você conseguiria lidar com o fato de que de alguma forma você está financiando o nazismo? Pois é, complexo né? 

Mas porque estou falando sobre isso? Por que durante a minha tarde de Segunda Guerra, entre um cochilo e outro em frente a TV, eu escutei o nome de um designer de Sttutgart chamado Hugo Boss. Pois é, a minha reação foi a mesma que a sua agora. Que Hugo Boss, o mesmo da marca? O mesmo que faz o perfume masculino mais gostoso que existe? Não pode ser!! Mas é, eu fui conferir na Wikipedia e é ele mesmo! A marca dele foi à falência na década de trinta e com a ajuda do partido nazista ele conseguiu se reerguer. Ele não só era um nazista ativista como "doava" parte da sua renda pro partido. Além de tudo ele usava judeus aprisionados para testar seus novos produtos e os obrigava a trabalhar em sua fabrica. Sim, a marca Hugo Boss se reergueu em cima de trabalho escravo, como se ser nazista já não fosse o suficiente. 

Então conversando com meu marido (que é historiador formado, pra quem não sabia), ele me falou que não só o Hugo Boss ficou rico em cima do massacre judeu, mas várias marcas cresceram e prosperaram em cima disso. Existem inclusive marcas que judeus no mundo todo se recusam a usar porque eles de alguma forma contribuíram para o Holocausto.

O meu objetivo com esse post não é condenar quem usa essas marcas, tanto porque a grande maioria das pessoas nem devem saber, assim como até hoje eu não sabia sobre o Hugo Boss. Eu só queria que a gente começasse sim a questionar o comportamento da nossa sociedade como um todo. Do que adianta fazer um feriado nacional, fazer documentários sobre as atrocidades da guerra e tudo mais, se várias das pessoas envolvidas não só nunca serão punidas mas continuam sendo um símbolo de poder no mundo. Quase 80% de todos os produtos que consumimos em nosso dia-a-dia é de alguma maneira relacionado à algum ditador, sendo ele ainda um ditador como em vários países africanos ou algum ditador do passado. De alguma maneira, tudo que faz o capitalismo girar tem alguma marca de sangue. Mas isso não vai me fazer deixar o meu estilo de vida, só vai me fazer começar a ver o mundo com outros olhos e perceber que nada é o que parece. 

É hora de mudar nossos conceitos, porque um cara como Sadan Hussein tem que pagar por seus crimes mas Hugo Boss não? Afinal, ele morreu em 1948 mas a sua família toda era nazista e eles continuam aí, enriquecendo com a industria mais ridícula que existe, a indústria da moda. 

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Pegaram meu teclado :-(

Quando eu mudei pra Bélgica um primo do Stefan me "deu" o teclado dele (eu to falando do instrumento musical e não do lugar que a gente digita). Desde o final de 2009 esse teclado tem sido meu companheiro de quase todos os dias. Ele me ajuda a treinar minha técnica vocal, me ajuda a escrever música e me ajuda a relaxar. Eu comprei uns métodos super legais e tava até aprendendo a tocar de verdade e não só fazer acordes pra acompanhar meus exercícios de canto. Amava ele e o usava pelo menos umas quatro vezes por semana. 

Nesse final de semana a família se reuniu aqui em casa pra comemorar o aniversário do maridoncio e o primo dele veio me pedir o teclado de volta...sniff. Na verdade ele nunca me deu dado mesmo, ele só me disse que ele tinha um teclado que não era utilizado e que eu poderia levá-lo pra casa. Na minha cabeça isso era dado, na dele isso era emprestado. Enfim, ele disse que estava precisando pra um projeto escolar e levou meu amiguinho embora. Foi triste ver aquela cena. Agora tá lá, o tripé (que na verdade tem dois pés) vazio ao lado de um microfone inconsolável. Triste! E o pior é que ele - o primo - não soube dizer se seria algo temporário ou permanente. Ele disse que se gostar do projeto escolar ele vai se dedicar a aprender o instrumento, se ele não se divertir fazendo o tal projeto talvez eu possa ter meu amiguinho de novo, mas vai saber. A verdade é que agora eu decidi que é hora de comprar o meu próprio amiguinho e não mais ficar dependendo do amiguinho de ninguém. O problema é que eu nunca comprei um teclado na vida, não sei nem o que procurar em um. Alguma sugestão? Estou aceitando ajuda hahaha. 

Então, alguns dias antes do sequestro do meu amiguinho eu estava estudando essa música pra minha aula de canto. É, na minha opinião, uma das músicas com a letra mais perfeitas já escrita no planeta. Fora que é uma das minhas bandas preferidas e eu os vi ao vivo no Graspop em 2010 e foi um show simplesmente perfeito! Dá uma olhada na letra e vê se você concorda comigo...

Amazing

I kept the right ones out
And let the wrong ones in
Had an angel of mercy to see me through all my sins

There were times in my life
When I was goin' insane
Tryin' to walk through
The pain

When I lost my grip
And I hit the floor
Yeah, I thought I could leave, but couldn't get out the door

I was so sick and tired
Of livin' a lie
I was wishin' that I
Would die

It's amazing
With the blink of an eye you finally see the light
It's amazing
When the moment arrives that you know you'll be alright
It's amazing
And I'm sayin' a prayer for the desperate hearts tonight

That one last shot's a permanent vacation
And how high can you fly with broken wings?
Life's a journey not a destination
And I just can't tell just what tomorrow brings

You have to learn to crawl
Before you learn to walk
But I just couldn't listen to all that righteous talk

I was out on the street
Just tryin' to survive
Scratchin' to stay alive

It's amazing
With the blink of an eye you finally see the light
It's amazing
When the moment arrives that you know you'll be alright
It's amazing
And I'm sayin' a prayer for the desperate hearts tonight

Desperate hearts (2x)
Did you wanna see without and give it out now
Oh, oh
Yeah, yeah
Oh yeah, yeah ya-ka-kow, ya-ka-ka-ka-kow

Oh, it's amazing

So, from all of us at Aerosmith
To all of you, wherever you are
Remember, the light at the end of the tunnel
May be you
Goodnight

Incrível

Eu deixei o certo de fora
E deixei as coisas erradas invadirem.
Havia um anjo de misericórdia, para ver-me através de todos os meus pecados.

Houve tempos em minha vida
Em que eu estava ficando louco
Tentando atravessar
A dor

Quando eu perdi o meu controle
E atingi o chão
Sim, eu pensei que eu pudesse partir, mas não pude sair pela porta

Eu estava tão doente e cansado
De viver uma mentira
Que eu desejava
Morrer

É incrível
Num piscar de olhos você finalmente vê a luz
É incrível
Quando chega o momento você sabe que vai dar certo.
Sim, é incrível
E estou fazendo uma oração pelos corações desesperados esta noite.

Aquele último tiro são umas férias permanentes.
E quão alto você pode voar com asas quebradas?
A vida é uma jornada, não um destino
E eu não posso dizer nem o que o amanhã trará.

Você tem que aprender a engatinhar
Antes de aprender a caminhar.
Mas há pouco eu não pude escutar aquela conversa correta

Eu estava nas ruas
Só tentando sobreviver
Superar pra ficar com vida

É incrível
Num piscar de olhos você finalmente vê a luz
É incrível
Quando chega o momento você sabe que vai dar certo
Sim, é incrível
E estou fazendo uma oração pelos corações desesperados esta noite

Corações Desesperados. (2x)
Vocês quiseram ver, de fora, e renderam-se então.
Oh, oh
Yeah, yeah
Oh yeah, yeah ya-ka-kow, ya-ka-ka-ka-kow

Oh! é incrível!

De todos do Aerosmith
Para todos voces, aonde quer que estejam
Lembrem se, a luz no fim do túnel
Pode ser você!
Boa noite!

*fiquei com preguiça de traduzir e copiei da internet, me processem...

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Há quatro anos atrás...

...exatamente nesse dia eu estava aterrizando em Schiphol (se você não sabe o que é, olha no Google). Era tudo tão bonito naquela época, eu andava pela cidade parecendo uma bêbada, cada casinha, cada jardim, cada passarinho. Parecia que eu estava vendo todas essas coisas pela primeira vez na vida. Era tudo tão surreal pra mim. Eu era só uma menina que ainda vivia uma vida de pós-adolescente e de repente estava realizando seu segundo maior sonho na vida, eu estava na Europa!

De lá pra cá tanta coisa mudou, aquela menina cheia de sonhos e esperanças se tornou uma mulher, cheia de responsabilidades e com algumas frustrações. A fase bêbada passou uns seis meses depois que cheguei aqui, a rotina fez o favor de tirar qualquer surrealismo que havia em estar morando por aqui e tudo se tronou real, comum e os defeitos começaram a aparecer. Mas mesmo com os defeitos ali, na cara, berrando pra que eu prestasse atenção, as coisas boas ainda prevalecem. Viver na Europa há muito tempo deixou de ser sonho. O conto de fadas virou realidade há pelo menos três anos. Mas a realidade que tenho hoje é imensamente melhor do que a que tinha quatro anos atrás. 

Aqui eu me sinto livre, posso ser eu mesma o tempo todo e não tenho mais que ficar fingindo que gosto de caos, que gosto de bagunça, que me importo com coisas que não tem sentido e que adoro abraçar desconhecidos. Ao contrário da maioria dos meus conterrâneos que vivem pelas bandas de cá, eu não sinto a menor falta do tal do calor humano pelo simples fato de que eu nunca fui lá muito calorosa. No Brasil eu sempre fui considerada bastante fria e seca, aqui eu sou normal. Não sei exatamente se isso é parte da minha personalidade ou se é a minha timidez influenciando na minha vida social. Nunca fui de ficar enchendo a cabeça dos outros com os meus problemas e nem de ficar chorando mágoas com quem não tem nada a ver com isso, mas sempre tive que aturar esse tipo de comportamento dos outros. Aqui isso não existe, é cada um com seus problemas e eu realmente prefiro assim, é menos hipócrita. Não que o holandês não seja hipócrita nunca, mas a hipocrisia deles tem mais a ver com politica e diplomacia do que com relacionamento pessoais. 

Rotterdam em um dos 300 dias anuais cinzentos e chuvosos
Sinto sim muita falta do sol, mas não do calor. Estou cansada de chuva e de dias cinzas, isso interfere muito no meu humor. Mas o frio me faz feliz, me faz ser eu mesma. No frio eu não tenho neuras com meu corpo e nem com as manchas que tenho nas pernas. Não preciso ficar preocupada com o que os outros pensam de mim. Aliás isso é uma coisa que há alguns anos eu já não sei mais o que é, me preocupar com a opinião alheia. Só mesmo quem é próximo de mim é que me atinge, qualquer outra pessoa está fora de alcance. Mas o verão trás desconforto, me faz refletir mais sobre as decisões que fiz na vida, me faz pensar em desistir de tudo e sumir do mundo. Enfim, como o verão aqui só no máximo dois meses, eu passo grande parte do ano me sentindo bem comigo mesma. Só não consigo ainda evitar a melancolia que dias chuvosos e cinzas me trazem.

Outra coisa que sinto muita falta é da comida brasileira. Cansei de ir ao supermercado aqui e não ter nenhuma inspiração pra cozinhar porque a diversidade é tão pequena. Aprendi a cozinhar aqui e, modéstia à parte, sou super prendada. Sei fazer de pão de queijo à sushi sem o menor problema. Sou péssima em seguir receitas, gosto mesmo é de abrir a geladeira, olhar o que tem dentro e improvisar com isso. O resultado é quase sempre muito bom! Mas por isso, toda vez que eu quero repetir aquele prato magnifico que fiz, ele sempre sai diferente pois sempre é feito na base do improviso. Meu marido é que é ótimo em seguir receitas, ele assiste os programas de culinária e depois põe em prática e fica tudo divino. Tirei a sorte grande!
Saudades da comidinha de Minas...
Sinto um pouco de falta da espontaneidade também. De ligar pra alguém e perguntar o que vai fazer hoje a noite e acabar marcando algo. Aqui é tudo agendado com antecedência e ninguém faz nada assim, do nada. Mesmo que a pessoa não tenha absolutamente nada pra fazer hoje a noite, se não estava programado na cabeça dela que hoje era dia de sair e encontrar os amigos, ela prefere ficar dentro de casa. Confesso que com o passar dos anos eu acabei ficando um pouco assim também. Até uma simples ida ao cinema com o marido acaba tendo que ser planejada com antecedência. E também não existe aquela coisa de saber que a maioria dos seus amigos se encontra normalmente naquele bar ou naquela parte da cidade e você pode simplesmente ir até lá que sempre haverá alguém pra bater um papo e tomar uma cerveja. 

Aqui eu aprendi que família não é necessariamente de sangue. Aprendi também que só existe a possibilidade de viver dignamente se todo mundo do país tiver essa possibilidade, desde os mais ricos até os mais pobres. E pra garantir isso o governo nos faz pagar impostos altíssimos, mas você prefere pagar imposto alto para que as pessoas pobres possam viver uma vida digna e consequentemente você possa viver sem medo ou que essas mesmas pessoas pobres venham te assaltar porque não tem condições de comprar comida ou pagar um aluguel? Foi aqui também que eu descobri o real valor do dinheiro e o realmente significa ter que fazer escolhas sérias de como o dinheiro ganho será gasto. Descobri também o significado da palavra discriminação. Descobrir o que é nunca realmente pertencer ao local que mora, por mais que você se esforce. Descobri que por ser estrangeira, eu nunca vou ser "boa o suficiente" aos olhos dos nativos. Ainda bem que sou branca, não religiosa e venho de um país que todos gostam, porque se eu já sofro tanta discriminação nessas condições, imagina uma pessoa que veio do Afeganistão, por exemplo. 

Mas foi aqui também que eu descobri o que é amar alguém mais do que qualquer coisa nesse mundo, o que é não conseguir imaginar a vida sem essa pessoa. Sim, logo eu. A pessoa mais anti-romance que eu já conheci é a mesma pessoa que passou por poucas e boas para ficar ao lado de quem ama.

Mas mesmo com todos os problemas, morar aqui me faz feliz. Como eu já disse, pela primeira vez na vida eu descobri que posso ser eu mesma, sem máscaras e sem hipocrisia. E o melhor de tudo é poder conhecer outros países gastando pouco (coisa que ainda não aconteceu o tanto que eu gostaria, mas a partir do ano que vem isso vai mudar) e poder ir ao shows e festivais que eu nunca teria chance de ir se ainda estivesse morando em BH. Enfim, eu saí do Brasil uma menina e virei uma mulher aqui. Aprendia a selecionar o que me afeta e a parar de sofrer por antecipação. Sou super feliz, porém a melancolia será sempre uma parte de mim. Deal with it!

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Noites de insônia...

Vira e mexe eu tenho uma noite em que dormir parece uma missão impossível. Pois é, essa é uma dessas noites. Antes eu faltava enlouquecer porque eu não queria acender o abajur pra ler senão eu acordaria o marido e nem rolava de ligar o laptop no quarto porque o seu sutil barulho e helicóptero teria o mesmo efeito. Então o jeito era ou ficar rolando na cama por horas e horas deixando todas as minhocas trabalharem na minha cabeça me fazendo pensar um monte de merda ou levantar da cama quentinha e ir pra sala fria pra conseguir ou ler ou usar o computador. Bom, desde o final de fevereiro isso tudo mudou! Agora eu tenho um lindo telefone que tem acesso à internet. Por ele eu posso ficar batendo papo com o povo, fuçando no facebook/twitter/9gag e outras inutilidades, escrever no blog e ler o blog de outras pessoas e, com a ajuda de um fone de ouvido, ficar assistindo um monte de videos no youtube sem que o marido nem ao menos perceba que eu estou acordada. 

Foi numa dessas noites de insônia, assistindo à um vídeo sobre o real sentido da palavra feminismo (sim, eu sou super feminista, mas não no sentindo clichê da palavra e sim no sentido em que as mulheres só serão livres de verdade quando sairmos do nosso posto de simbolo sexual que a sociedade nos impõe, não que eu já tenha conseguido me libertar desses conceitos, mas eu tento - mas isso eu explico em outro post) e passando de vídeo em vídeo eu acabei descobrindo um programa no qual eu ando super viciada. Toda hora que eu tenho um tempinho livre eu corro no youtube pra assistir esse programa. O programa se chama The Atheist Experience e é formado por uma ong em Austin, Texas que visa acabar com o preconceito contra os ateus e separar religião e estado. Vamos lembrar aqui que os EUA tem uma maioria esmagantatoria (essa palavra existe?) de 80% de cristãos que tentam forçar leis de acordo com as suas crenças e obrigar os outros 20% da população à viver de acordo com isso, tipo a Europa durante a Idade Média, sabe? Eu sempre acabo assistindo alguns vídeos feitos por ateus, mas na maioria das vezes eu não concordo com eles e os acho muito extremistas. Mas esse grupo conseguiu finalmente ter o mesmo ponto de vista que eu. O propósito do show é informar sobre o que realmente é ateísmo e tentar quebrar o preconceito que existe sobre isso. Durante o programa eles recebem ligações tanto de teístas quanto de ateus e eles discutem sobre questões cruciais. Lógico que quando os fanáticos religiosos ligam as conversas nem sempre acabam bem, mas na maioria dos casos eles conseguem, no minimo, mostrar que ateus são pessoas comuns. O propósito do show não é "converter" ninguém ao ateísmo. 

Bom, não é segredo pra ninguém que eu sou ateia. Não, eu não sou agnóstica como algumas pessoas tentam me definir, eu não tenho duvidas se Deus existe ou não, eu não acredito em Deus e pronto. Mas veja bem, eu também não tenho a pretensão de afirmar que Deus certamente não existe pelo simples fato de que eu não posso provar que ele não existe, assim como ninguém até hoje conseguiu provar de fato que ele existe. Só que de acordo com as definições que eu já ouvi sobre qualquer tipo de Deus, pra mim nunca foi possível acreditar nele, assim como nunca foi possível acreditar que a Terra Média ou Hogwarts existe, infelizmente. E a verdade é que eu nunca acreditei, desde criança toda a ideia de Deus e Jesus e etc sempre foi só mais um conto de fadas, tem umas coisas lindas nesse conto de fadas, mas também tem umas coisas horripilantes principalmente se você ler o Velho Testamento. Mas enfim, eu nunca acreditei mas eu também nunca tentei convencer ninguém que Deus não existe. A minha falta de crença nele é uma coisa particular e não cabe a mim tentar te convencer que o meu ponto de vista que é o certo. Infelizmente eu tenho consciência que essa não é a postura tomada por todos os ateus. Assim como existem religiosos fanáticos que tocam sua campainha as 8 da manhã em pleno domingo pra pregar a "palavra do senhor", existem ateus imbecis que vão tentar te convencer de que quem acredita em Deus é estupido e inferior. Eu não penso assim.

A minha maior luta como ateia é contra o preconceito com quem não acredita em nenhum tipo de Deus, ou em vida após a morte, ou em espíritos, ou em qualquer coisa supernatural. Quando vc fala abertamente que não acredita em Deus automaticamente as pessoas (claro que não todas, mas a grande maioria) começam a te enxergar como alguém que não tem nenhum tipo de moral ou escrúpulos, alguém que pratica o mal, alguém que adora Lúcifer (como se alguém que não acredita em nada supernatural pudesse acreditar na existência dele). A grande maioria dos cristãos e outros religiosos nos ameaçam com a tortura eterna da nossa alma no inferno, outros dizem que irão rezar pras nossas almas serem salvas. Mas o pior são as que ameaçam de verdade, dizem que se encontrarem um ateu irão encher de porrada, matar tanto o ateu quanto a família dele e por aí vai. Quanto amor cristão, não é mesmo? Eu cresci meio que tendo que esconder o fato de ser ateia enquanto os cristãos são completamente livres pra encher meu mural do Facebook (e do orkut há alguns anos atrás) com mensagens de Deus e Jesus. Não felizes com isso, eles me mandam correntes de e-mail com mensagens de amor recheadas das palavras Deus, Jesus, santo disso e daquilo, anjos, etc. Aliás, foi no maldito email que isso tudo começou, lá no final dos anos 90. Agora que já estou com meus 20 e muitos anos eu cansei de me reprimir e resolvi lutar pelo meu direito de não acreditar! 

É lógico que eu sei que pra maioria das pessoas que acreditam em Deus, pouco importa pra elas o que eu acredito ou deixo de acreditar, essas pessoas mantêm bons relacionamento comigo e eu com elas, pois pra mim pouco importa também a crença delas. O problema é quando pessoas tentam interferir nas nossas vidas por causa da crença delas. O maior exemplo disso é a questão do casamento gay. Essa lei só não foi aprovada até hoje em países como o Brasil e os EUA por causa dos religiosos que estão no poder. Agora me diz, em que os gays irão interferir na sua fé ao poderem se casar legalmente? Se a sua igreja é contra, ótimo, não case gays lá dentro. Mas o casamento civil não tem nada a ver com isso, afinal todos os gays pagam impostos não é verdade? Portanto eles tem o direito de se casar civilmente com quem eles quiserem, ora bolas. O pior de tudo é a grande hipocrisia religiosa, afinal quantos cristãos você conhece pessoalmente que já se divorciaram? Agora pense em quantos desses milhares de cristãos que já se divorciaram são contra o casamento gay. Quer dizer que só é pra seguir os mandamentos da Bíblia que são convenientes? O cristianismo é tão vago que nem eles mesmo conseguem concordar entre si. Pegue o exemplo da Irlanda que por décadas a fio era católico matando protestante e vice-versa. Mais uma vez é o amor e tolerância que Cristo ensina colocado em prática, ê laia.

Bom, eu vou parar por aqui antes que eu ofenda alguém, afinal o meu propósito nunca foi esse. Eu sei que a maioria das pessoas que leem esse blog irão concordar com meus argumentos mesmo acreditando em algum Deus. Afinal, todos nós conhecemos aquele crente (e quando eu digo crente eu não estou me referindo só aos evangélicos) maluco que teria coragem de matar "em nome de Deus", não é mesmo? O propósito desse post é dizer que ateus merecem respeito, somos pessoas de bem que praticamos o bem e quando fazemos merda tentamos consertá-las. E o mais importante, fé é pessoal e intransferível e deveria ficar somente dentro da sua casa ou da sua igreja e não no congresso e muito menos na lei. Ninguém é obrigado a concordar com a sua definição do que seria a tal da palavra do Senhor! Afinal, cada uma das milhares de vertentes do cristianismo tem uma definição diferente. E morando na Europa a gente ainda tem que lidar com a versão muçulmana e com a versão judaica. Fora o tanto de Hindu que mora por aqui também. Não é possível que todas essas versões estejam certas, mas é sim possível que todas estejam erradas, assim como é possível que eu esteja errada. A unica coisa certa é que estado e religião não devem andar juntos, nunca! E outra coisa importante RELIGIÃO NÃO DEFINE CARÁTER! E nem a falta dela. Existem ateus bons e existem religiosos maus e vice-versa. 

Pra finalizar e poder finalmente tentar ir dormir, eu vou deixar vocês com um pedacinho do programa. Nessa parte eles meio que resumem tudo que eu disse aqui. Infelizmente não existem vídeos do programa com legendas em português, mas eu acho que o inglês deles é bem simples de entender...