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quinta-feira, 16 de maio de 2013

Meia década juntos!

Primeira foto que tiramos juntos
Há exatos cinco anos atrás eu deixei ele me esperando por mais de uma hora lá na estação central de Rotterdam. Não foi bem culpa minha, eu tinha saído de casa do horário certo pra pegar o trem em Schiphol (na época eu morava em Amstelveen e o aeroporto tinha a estação mais próxima). O problema é que eu ainda não tinha pegando nenhum trem na Holanda, afinal eu tinha chegado só três semanas antes. Eu não fazia ideia de como pegar trens por aqui. Fui lá no caixa, comprei minha passagem e pedi informação pra moça do caixa de como chegar até Rotterdam. Ela me explicou que normalmente o é só pegar o trem que vai pra Den Haag (Haia) e já desce direto em Rotterdam. Mas nesse dia, lógico que tinha que ser nesse dia, a linha que vai pra Den Haag tava com problema e eu teria que ir pra Utrecht, descer lá e pegar outro trem pra Rotterdam. Eu olhei pra ela e disse: QUE? Ela riu e disse pra eu não me preocupar porque em Utrecht tem um telão enorme que diz direitinho aonde pegar o trem pra Rotterdam. Ok, até aí beleza. 

O grande problema é que na Holanda existem dois tipos de trem, o Intercity para só nas estações principais entre uma cidade e outra. O Stoptrein para em todas as estações, até nas mais minúsculas, e por tanto demora quase o dobro do tempo pra chegar de A até B. E é lógico que naquela época eu ainda não sabia disso e pulei no primeiro trem que dizia Utrecht. Demorou meio século pra chegar lá. Daí desci e pulei novamente no primeiro trem que dizia Rotterdam e de novo mais o dobro de meio século. Nessa brincadeira toda eu acabei atrasando mais de uma hora. Mas é claro que eu comuniquei a ele toda minha jornada e disse que iria atrasar (no trem tem um visor que indica o horário de chegada em cada estação).

Eu fiquei apavorada achando que ele ia desistir de me esperar e cascar o fora, afinal nós conhecemos a fama de pontualidade extrema dos holandeses. Mas ainda bem que ele cresceu numa família metade grega e sabe que chegar atrasado é algo normal. Portanto, quando eu cheguei na estação toda 'esbaforida', ele ainda estava lá todo fofo me esperando. E foi assim que eu o vi pessoalmente pela primeira vez. E foi nesse dia que nos tornamos um casal e nunca mais nos separamos. 
Flores que ele me mandou quando fizemos um mês de namoro

Meu aniversário de 25 anos
Acho que já contei aqui como o conheci, mas caso você não tenha lido (e eu to com preguiça de procurar), aí vai um resuminho. Por volta de março de 2008 eu já estava com passagens compradas pra ser au pair na Holanda. Nessa época eu já conhecia, através do Orkut e alguns blogs, algumas au pairs brasileiras que moravam na região de Amsterdam. Mas eu não queria vir pra Europa e só ter amizade com brasileiras. Foi então que eu descobri que no extinto Myspace havia um chat em que poderíamos escolher a língua. Eu fui na cara dura e escolhi holandês e comecei a conversar, em inglês, com algumas pessoas lá. Uma delas era o Stefan e depois de umas três horas batendo papo por lá nós trocamos MSN (to me sentindo uma velha falando de Orkut, Myspace e MSN) e começando a bater papo todos os dias. Teve dias de virarmos a noite conversando e com o tempo eu já sabia que ele era um cara especial. Então três semanas depois que eu cheguei na Holanda ele finalmente me convidou pra conhecer a cidade dele, Rotterdam. E foi assim que tudo começou. 

Quando fizemos um ano de namoro
De lá pra cá nós passamos por poucas e boas pra ficarmos juntos. Fui meio que forçada à ir morar por quase um ano com a mãe dele e depois de muitos meses batendo de frente, aprendemos a lidar uma com a outra e a nos respeitar. Depois tivemos que ir morar na Bélgica pra conseguir um mísero visto pra mim, e por causa disso ele tinha que viajar 2,5h ida mais 2,5h volta todos os dias pra ir trabalhar. Depois de meses e meses esperando, finalmente recebemos a autorização pra nos casarmos e nos casamos no nosso aniversário de dois anos de namoro (na verdade dois dias antes, dia 14 de maio, porque dia 16 caía num domingo). Quando voltamos pra Holanda em 2011 caímos na bobagem de comprar um apartamento sem eu ter uma renda fixa. Então entramos em problemas financeiros e isso nos afetou bastante. Também houve o fato de eu ter passado por um momento muito difícil tentando lutar contra uma depressão que me perseguia. Tudo isso afetou muito nosso relacionamento, mas a cada obstáculo vencido a gente conseguia sair mais forte e mais unido.
Casamento

Hoje as coisas estão se ajeitando, eu não me sinto mais no fundo do poço. Já tem dois anos que tenho um visto e semana que vem vou dar entrada na papelada pra tirar o passaporte holandês. Estou terminando meu primeiro ano na faculdade, o que me dá grandes perspectivas de uma renda fixa em um futuro próximo. E nossos problemas financeiros estão aos poucos se resolvendo, ainda falta uns dois anos pra que estejamos completamente fora deles, mas já dá pra ver uma luz no fim do túnel.  E o mais importante de tudo é que com tantos problemas pelos quais passamos, nós ainda estamos mais apaixonados do que nunca. Nossa viagem à Praga nos fez perceber que ainda adoramos a companhia um do outro, que nos divertimos muito juntos e que a vida não faz mais sentido se não estivermos junto. Nunca fiquei tanto tempo em um relacionamento e não acredito que jamais terei outro relacionamento na vida. Agora é caminhar pra completar 1, 2, 3...décadas juntos e morrer velhinhos num festival de metal hahahaha

Não sou lá muito fã de Paramore (apesar de gostar de algumas músicas), mas acho que essa letra descreve bem o que eu sinto por ele...


segunda-feira, 13 de maio de 2013

Praga!


Essa semana faz cinco anos que eu e o maridôncio estamos juntos e pra comemorar nós resolvemos passar o feriado em Praga, República Tcheca. Mais pro final da semana vou escrever sobre os cinco anos que passamos juntos, hoje irei escrever somente sobre essa viagem. 

Castelo de Praga
Desde novinha eu sempre sonhei em conhecer Praga. Sempre achei a história e beleza da cidade bem mais interessantes do que cidades como Paris e Roma, por exemplo. Quando mudei pra Europa, conheci várias pessoas que já passearam muito pelo continente que me afirmaram que Praga é a cidade mais bonita daqui. Muita gente dizia que era bem mais romântica do que Paris e que passear por lá era como estar em um conto de fadas. Bom, eu ainda não conheci nem Paris e nem Roma. Na verdade até hoje eu só conheci cidades da Holanda, Bélgica e Grécia. Então não posso confirmar se Praga é realmente mais bonita ou romântica do que outras cidades. Mas posso sim confirmar que andar pela cidade é como estar em um filme da Disney. É tudo muito bonito e mágico por lá. 

Desde que eu casei eu tento planejar essa viagem pra lá. Primeiro não tinha coragem porque não tinha visto, depois não dava porque a grana tava super curta. Finalmente esse ano deu certo! Como a grana ainda tá curta (menos curta que ano passado, mas ainda estamos longe de poder esbanjar), a gente teve que ir de ônibus. Ir de avião sairia mais que o dobro do preço. Compramos um pacote com promoção de ônibus+hotel+café da manhã+guia turístico que saiu super em conta. A viagem de ônibus dura por volta de 15 horas. Pegamos o ônibus em Rotterdam às 6:30 da manhã e chegamos em Praga lá pelas 22h. É realmente de matar, mas era o único jeito que seria possível fazer essa viagem sem ir à falência. O hotel fica bem longe do centro, mas tem estação do metro há poucos quarteirões. O café da manhã era super farto e acabou dando pra fazer uns sanduíches pra levar de almoço e lanche, o que nos ajudou a economizar uma grana. O pacote incluía alguns passeios pela cidade com o guia, mas no primeiro dia os passeios não nos interessavam, então fomos passear por conta própria. Foram ao todo um dia pra chegar lá, dois dias passeando pela cidade e mais um dia pra voltar pra casa. 

Quinta foi só viagem de ida, a gente cruzou metade da Alemanha pra chegar lá. A paisagem é linda, cheia de montanhas e vales, com muitas fazendas e florestas também. Achei tudo bem bonito. Na sexta bem cedinho saímos pra passear por Praga. Estava chovendo canivetes e a gente acabou ficando ensopados mesmo com capa de chuva. Fui uma merda passar o dia todo molhado e com frio, mas mesmo assim foi lindo ver a cidade. Resolvemos que o ideal seria conhecer os lugares fechados primeiro pra tentar escapar da chuva. Então fomos passear pelo complexo do Castelo de Praga. O complexo consiste de uma catedral, o Palácio Real, a Golden Lane, duas capelas lindinhas e algumas exposições de arte. Passamos umas 3h passeando pelo complexo. Apesar de ser tudo tão bonito, foi bem irritante ter que ficar desviando das sombrinhas daquele tanto de turista. Mas só a vista lá de cima já valeu super a pena. 
Castelo de Praga

Castelo de Praga
Castelo de Praga
Castelo de Praga


Entrada pra rua Nerudova
Na descida do castelo a gente passou pela rua Nerudova, que era aonde os nobres moravam na Idade Média. As casas de Praga não tinham numeração até o século 18, então as pessoas pintavam ou esculpiam símbolos na frente das casas pra identificá-las. Como essa rua era nobre, essas pinturas e esculturas são verdadeiras obras de arte. No final da rua Nerudova está a igreja de São Nicholas, que é uma das igrejas mais lindas que já entrei na vida. De lá a gente ficou passeando pela região da igreja até dar a hora de ir pro restaurante/pub. Nesse dia fizemos poucas fotos por causa da chuva. Além do fato de que ambos estávamos completamente encharcados, eu também fiquei com medo da  câmera estragar com tanta chuva. Fora que como mencionei, tinham muitas sombrinhas pra estragar as fotos e também mal dava pra ver alguma coisa à distância por causa da chuva. 
Em frente à igreja São Nicholas

Igreja São Nicholas

Igreja São Nicholas

Igreja São Nicholas

Igreja São Nicholas

Pub mais legal do mundo!
Por volta das 18h fomos à um pub medieval (taverna) pra jantar. Eu recebi a dica do lugar de uma prima e dei uma pesquisada na internet. Sinceramente, foi o melhor pub/restaurante que já fui na vida! Segundo o site, o lugar é o pub mais antigo de Praga e já teve clientes ilustres como Mozart. A construção é super medieval, com mesas de madeira antiga e caveiras no teto. O lugar também só tem luz de velas e chamas, nada de luz elétrica. Todos os dias às 19h eles têm um show medieval que dura 3h com dança, musica, jogos, etc. A comida é boa e barata e a cerveja é servida em canecas de meio litro. Foi super divertido e não gastamos nem 25 euros por pessoa lá. Nunca mais vou me esquecer dessa noite!
Pub mais legal do mundo!
























!








Old Town Square
No dia seguinte resolvemos seguir o programa do nosso guia turístico pra conhecer melhor a cidade e saber mais sobre a história local. O tempo estava bem melhor, só houve alguns momentos com garoa mas permaneceu seco quase o dia todo. Nesse dia passeamos muito pela parte mais antiga da cidade (Old Town, do outro lado do rio) e fizemos muitas fotos. Passeamos também pela Charles Bridge e conhecemos o Kampa Park e no final do dia fomos convidados a jantar no restaurante indicado pelo guia. Bom, esse restaurante já foi uma decepção. A comida era muito ruim, o serviço pior ainda, o lugar frio e feio e tudo era mais caro do que na noite anterior. Odiamos! Mas depois do jantar o guia nos levou pro complexo do castelo (que é no alto de uma montanha) para podermos ver as luzes noturnas da cidade. Depois fomos passear por partes residenciais que têm muita história com a Segunda Guerra Mundial. Esses dois passeios compensaram pelo jantar meia-boca que tivemos. 

Old Town Square
Astronomical Clock
Opera House









Powder Tower
Entrada Charles Bridge
Charles Bridge
Charles Bridge



Charles Bridge
Charles Bridge















Praça do Mercado
Kampa Park
Kampa Park

No dia seguinte depois do café da manhã, voltamos pra Holanda. De novo uma paisagem linda através da Alemanha e de novo um dia inteirinho de viagem. Praga foi um sonho realizado! Uma cidade linda e romântica que nem a chuva e um restaurante ruim conseguiram estragar. Eu recomendo pra todos que gostam de história, arquitetura antiga e coisas bonitas. Também recomendo pra quem gosta de música erudita, ópera e balé, pois nunca vi tantos anúncios pra concertos na minha vida. Eles têm até um teatro em homenagem ao Mozart. Eu me apaixonei com a cidade e certamente voltarei mais vezes...
ópera Don Giovanni interpretada por marionetes!
Queria tanto vê-la ao vivo :(
Monumento em homenagem à Mozart
Pra quem quiser ver mais fotos, é só clicar aqui

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Cinco anos morando na Holanda!!!

Pois é, parece que foi ontem que eu aterrissei em Schiphol. Olhando pra trás, parece que a pessoa que chegou na Holanda há exatamente 5 anos era outra.... 

Em 2011 eu fiz um post sobre os prós e contras de morar por aqui. Eu ainda penso assim hoje em dia, talvez eu poderia acrescentar mais coisas a essa lista, mas não é isso que quero fazer hoje. Meus posts sobre o segundo e terceiro ano morando aqui foram mais uma espécie de resumo dos acontecimentos até os respectivos anos. Ano passado eu escrevi um post tanto quanto superficial sobre o quanto eu cresci e mudei desde que vim morar aqui. Hoje eu resolvi que vou me aprofundar mais no quanto eu venho mudando e amadurecendo desde do dia em que pisei em um avião com destino á Amsterdam. 

Eu sempre fui uma menina muito melancólica e com tendencias à depressão e me sentia vitima do mundo. Ao vir morar na Holanda eu achava que, por estar realizando um grande sonho e ainda estar cheia de esperanças de realizar todos os outros, todos esses problemas iriam passar. Sabe o Chandler de Friends? O cara que pra esconder seus medos e inseguranças usa sarcasmo e piadas? Pois é, eu sou meio assim. Me esconde atrás de uma máscara de 'menina engraçada' pra não ter que lidar com o buraco negro que é minha cabeça. Mas o problema é que eu não fazia ideia de que agia assim, era tudo inconsciente demais.  

Vir morar na Holanda foi a maior jornada de auto-conhecimento que eu poderia ter feito. Principalmente o tempo em que eu fui morar na Bélgica. Foram tantos dias em que eu ficava sozinha que não houve outra alternativa a não ser me confrontar de todas as maneiras possíveis. Foi aqui que aprendi que eu me escondo atrás das piadas e sarcasmo. Foi aqui que eu fui pressionada a lidar com a minha melancolia e tendencias depressivas de maneira a não deixar isso afetar meus planos e atitudes. Foi aqui que eu aprendi que sou, na verdade, bastante anti-social e não vejo graça alguma em coisas que são impostas.

Nesses anos de Holanda eu também me descobri uma grande ativista dos direitos humanos. Tanto que estou me programando pra trabalhar em ONGs que cuidam dessa área assim que me formar na faculdade. No últimos anos eu tenho desenvolvido tanto esse meu lado humanista e acho que parte disso é por eu ter vivido o outro lado da história. Como vocês sabem, eu vim pra cá pra ser au pair. Mas por muito tempo fui tratada praticamente da mesma maneira que as empregadas brasileiras são tratadas e isso me fez refletir muito no quanto nos consideramos superiores ao outros e nem percebemos o tamanho do nosso privilégio. Sério, só o fato de eu ter tido uma mãe que me fez ir à escola já é um privilégio enorme. Tanto eu quanto você que está lendo esse texto com algum aparelho que tem acesso à internet, fazemos parte de uma porcentagem minúscula da população mundial que teve acesso à educação. Esse ativismo todo me fez descobrir que eu não sou de maneira alguma vitima do mundo. Muito pelo contrário, eu sou uma das poucas pessoas que tem alguma forma de condição financeira e recursos básicos pra, pelo menos, tentar fazer alguma diferença no planeta. 

Eu já não sou mais aquela menina sonhadora e cheia de esperanças inatingíveis. Eu aprendi da maneira mais difícil que alguns sonhos simplesmente não se tornam realidades, mas outros sim. E nada nos impede de criar outros sonhos ao longo da vida. Hoje eu não vivo mais de sonhos e sim de objetivos a curto prazo. No momento meu maior objetivo é terminar o primeiro ano da faculdade (ainda faltam três meses) sem nenhuma recuperação ou atrasos. Outro objetivo que eu já estou trabalhando há algum tempo é pra clarear o buraco negro que são minha emoções e não ser mais tão depressiva e melancólica. Já melhorou uma quantidade enorme desde que me tornei consciente da minha maneira de ser. Mas o processo é longo e doloroso e ainda tem dias que eu acordo sem vontade de nada, a não se ficar na cama e chorar sem motivo algum. Mas nesses dias eu sempre procuro dentro de mim mesma algum motivo pra levantar e fazer algum tipo de diferença no mundo. Mesmo que seja pequena, mesmo que seja só levar o lixo pra reciclar. 

Enfim, o post tá ficando grande e triste demais. Vou encerrar dizendo que sou sim uma pessoa feliz e que a minha jornada de auto-conhecimento só tem me feito bem. A cada dia eu tento ser uma pessoa melhor do que fui ontem. Mas a lição mais importante que eu aprendi nos últimos cinco anos é que se você não enfrentar seus problemas, eles nunca vão se resolver. Palavra de quem mudou de continente pra fugir deles e mesmo assim eles vieram na bagagem....

Ah, caso não tenha notado ainda, eu mudei o layout do blog. Me diz se ficou legal ;-)

terça-feira, 2 de abril de 2013

Nojinho....

Mais ou menos uns 15 dias atrás eu descobri esse Tumblr super engraçado. Desde então passei a ler todos os dias religiosamente. Sempre tem novidades lá e as respostas que a autora do dá pros posts são sempre geniais. Eu me divirto muito com ele, mas nunca identifiquei nenhum conhecido lá. O Tumblr mostra comentários de homens no Facebook (ou em outras mídias) que normalmente são caras misóginos, racistas, homofóbicos entre outros preconceituosos. Enfim, caras babacas que a gente não quer pegar, né?

Hoje de manhã, enquanto tomava meu café da manhã, me deparei com uma surpresa que me fez até engasgar! Eu sei que isso estar postando isso aqui vai gerar polêmica na família, mas eu precisava compartilhar, não dava pra ver isso e ficar calada. 

Agora tá aí pro Brasil inteiro ver! Meu irmão é oficialmente parte dos '101 Homens Pra Não Pegar'! 


Legenda que está no site depois da foto dele:
"Stefano Spinard é um homem capaz de liquefazer o virtual botão block do Facebook e que a gente não quer pegar."



Já faz uns 3 anos que cortei qualquer tipo de contato com meu irmão (por vários motivos diferentes), não sei absolutamente nada sobre a vida dele e nem o Facebook ou Twitter dele eu tenho mais. Por isso tive essa surpresa enorme hoje de manhã ao vê-lo lá no Tumblr. Quanto orgulho....só que não! 

Desculpa a super exposição de problemas familiares, mas a verdade é que se ele tomar conhecimento disso, talvez ele repense suas atitudes....só eu duvido muito, sério mesmo.

Ah, à qualquer pessoa que possa vir a se ofender com isso (amigos, parentes, ele mesmo), lembre-se que foi algum amigo do Facebook dele próprio que tirou o PrintScreen do que ele falou e enviou pro Tumblr. E as administradoras do Tumblr concordaram com a pessoa que enviou, senão não tinham postado. 

E tá aí a prova de que meu irmão é um cara pra não se relacionar, como se eu já não soubesse disso...



segunda-feira, 25 de março de 2013

Novo blog como projeto da faculdade

Esse trimestre eu estou tendo um curso pra aprender a identificar a identidade pessoal de uma marca. O primeiro passo pra descobrir o que é uma identidade, é descobrir qual é a sua identidade. Temos que nos analisar como se fossemos uma marca e descobrir vários pontos sobre nossa personalidade e sobre o que as pessoas pensam de nós. Ainda tenho duas semanas pra completar esse trabalho, mas como eu sou desesperada pra não deixar as coisas pra ultima hora, eu meio que já terminei. 

O produto final desse trabalho tem que ser um meio de mostrar sua identidade visualmente. Pode ser com uma revista, um vídeo, quadrinho, animação, site, blog, etc. Desde que seja feito por você mesmo, não pode ser algo que já existe. E como eu já escrevo esse blog há 5 anos e tenho leitores do mundo todo e alguns que estão sempre comentando aqui, eu resolvi que o melhor pra mim seria fazer um blog novo pra esse projeto. 

Pra que esse trabalho seja suficiente pra tirar uma nota legal, eu precisei usar algumas coisas que o professor listou. Uma delas foi ter que usar uma metáfora pra me definir. Também precisava conter um avatar sobre mim, contando quem eu sou, as coisas que eu gosto e o resultado de um teste de aprendizado chamado Kolb. Eu precisava também contar um pouco da minha história (de onde eu vim, como cresci e tudo mais) e sobre meus planos pro futuro. Além disso eu precisei contar sobre como eu me represento pro mundo, tipo quais são meus ideais e crenças (não necessariamente religiosas) e qual é o meu estilo visual (roupas, cabelo, etc) e meu estilo musical. Outra coisa que precisava era contar sobre as coisas que me inspiram na vida, tipo filmes, pessoas, artistas, lugares, etc. 

Então eu criei um blog com todas essas informações. Elas estão todas espalhadas entre a barra lateral, as páginas do menu e os posts que escrevi. Nunca passei tanto tempo dedicado a falar de mim mesma. Nunca me senti tão egocêntrica. É bem diferente de ter um blog pra contar das suas experiências e opiniões. Não sei se vou manter esse novo blog, talvez se eu encontrar alguma outra utilidade pra ele além de falar só sobre eu mesma. Talvez eu o use como portfólio no futuro. Ah sim, o professor me deixou fazer o blog todo em inglês, ao invés de holandês o que trás ainda mais possibilidades do blog virar algo a mais no futuro. 

Então, se você ficou curios@, é só clicar aqui. Gostaria muito de saber sua opinião sobre esse projeto. Talvez tenha alguma coisa sobre mim que eu tenha deixado de fora e que você ache que seja importante colocar lá. Mas a unica coisa que peço é pra não deixar comentários lá, pois é um trabalho pra faculdade. Pode deixar seu comentário aqui, ou mandar email ou contar o que achou pelo Facebook. E vamos todo mundo comemorar minha egocentricidade forçada!!!! \o/

sexta-feira, 22 de março de 2013

New Girl - muito mais que uma simples sitcom

No inicio do ano passado eu estava procurando novas séries pra assistir com o maridôncio, afinal Hollywood não consegue produzir séries no ritmo em que as assistimos. Acabei lendo um review sobre a nova série New Girl que me deixou interessada. Nunca fui assim grande fã da Zooey Deschanel, mas também nunca tive nada contra ela. Só acho que ela fazia o papel da Manic Pixie Dream Girl com muita frequência (como nos filmes Yes Man e 500 Days of Summer) e isso meio que me broxava em relação à ela. Mas apesar das suas escolhas de papéis no cinema, eu sempre achei ela uma fofa. Mas eu li tanta coisa legal sobre New Girl que resolvi baixar e give it a try. E não é que eu fiquei completamente apaixonada pela série? Sério, acho que foi a melhor descoberta dos últimos anos, junto com Modern Family e Cougar Town.  A série é engraçada, inteligente e faz questão de explorar seus personagens de maneira tridimensional. Fora que não é humor de claquete com risadinhas falsas no fundo. 


Mas o motivo pelo qual eu resolvi escrever sobre a série não é simplesmente pra fazer uma resenha e dizer o quanto eu gosto dela. Até porque isso seria muito injusto com as outras séries que eu também gosto o mesmo tanto ou até mais. Eu vim aqui pra falar um pouco sobre toda a polêmica que está rolando por aí sobre a falta de diversidade étnica em séries de TV. Essa polêmica começou com a popularidade do seriado Girls (que eu achei tão besta, muito provavelmente ainda irei escrever sobre ele agora que a segunda temporada acabou), que tem como cenário a região do Brooklyn em Nova Iorque. A polêmica toda se dá ao fato de que um show passado numa cidade tão diversa como NY não tem nenhum protagonista "de cor" (odeio tanto esse termo, mas não consegui pensar em nenhum melhor pra usar). Essa polêmica desencadeou uma grande análise em relação à outros shows localizados em NY ao longo dos anos. Olha, vou ser sincera, eu não sei até que ponto isso afeta as pessoas "de cor" simplesmente por não ser considerada uma (mesmo sendo latina e pros americanos e europeus eu também faço parte de uma minoria). Mas a verdade é que as minorias quase não tem destaque em programas que não são feitos especificamente pra elas, que quando são, são caricaturas mal feitas. Eu consigo entender bem o quanto isso pode ofender todo um grupo de pessoas que estão sendo reduzidas à uma caricatura. E pra evitar mais ofensas, eu prefiro me abster de tentar analisar o fato. Se você faz parte de um grupo que se sente ofendido por ser representado por caricaturas, por favor, sinta-se livre pra usar os comentários e fazer a sua análise. 

Ao invés de ficar analisando os programas que não incluem pessoas "de cor" ou incluem de maneira irreal e caricaturesca, eu prefiro focar nos poucos que o fazem e fazem direito. E um deles é a série New Girl! A série conta com não só um, mas DOIS dos seus personagens principais de etnias diferentes. 

Winston é um dos três roommates de Jesse (Zooey Deschanel) e ele é negro. Ele aparece em todos os episódios e ao invés de ser o personagem negro da série (o que o tornaria uma caricatura), ele é só mais um dos personagens, sendo um cara normal que passa por problemas e situações normais. Não há nada que aconteça com Winston que não poderia ser vivido por um personagem branco, chines, mexicano, etc. Já estamos quase no final da segunda temporada e até agora só houve um único episódio em que a cor dele foi assunto, mas isso só foi usado pra mostrar como é idiota tentar tratá-lo diferente por causa da cor da sua pele, pois ele é só um cara comum. Por um tempo ele namorou uma menina negra, mas no momento ele está de rolo com uma asiática. Isso mostra que a série também não tem a mentalidade de que negro só namora negro como acontece em outras séries por aí.

A outra personagem "de cor" é CeeCee, que é a melhor amiga de Jess. CeeCee é indiana e é uma modelo bem sucedida. Assim como Winston, CeeCee também é só mais uma personagem, passando por problemas muito parecidos aos que a Jess passa. Lá pra metade da segunda temporada ela começa a mostrar um pouco suas raízes indianas, mas isso tudo é feito de maneira muito natural e real. Eu já trabalhei com indianos e sei que as coisas que são mostradas na série são verdade e não um exagero ou caricatura. *SPOILER ALERT* CeeCee também começa um relacionamento com Schimdt, outro roommate da Jess, que é judeu. Mais uma mostra de que etnias se misturam na série do mesmo jeito que acontece no mundo real. *SPOILER ALERT*

Depois do episódio piloto o personagem Coach foi substituído por Winston.

Além disso tudo, ainda tem a questão da Jess ser uma mulher independente, forte e determinada. Ela saiu de um longo relacionamento que não deu certo e sofreu por causa disso. Mas ela se recompôs e foi viver a sua vida. Ela passa por relacionamentos e encontros sexuais, mas esse não é o maior propósito de sua existência. Ela é inteligente, engraçada, carinhosa e meio bobona. Mas ela também é uma nerd que não deixa de ser feminina e linda. Ela luta pelo que acredita e faz o possível pra fazer diferença no mundo. Depois de anos vendo a Zooey só existir em um filme pra ser o 'love interest' do protagonista masculino, é super legal ver ela sendo a protagonista. E além de tudo, como é a marca da série, Jess é só uma pessoa normal e não simplesmente uma personagem feminina. Ela passa pelos mesmo problemas que os roommates masculinos dela passam. Isso é uma visão que não ocorre com muita frequência em séries e filmes. 

Esses são só alguns dos motivos pelos quais eu amo New Girl. Talvez por eu estar mais próxima da faixa etária dos personagens, eu vejo muita realidade nas situações que acontecem com eles. O jeito que eles lidam com tudo também é muito sincero. Eu honestamente espero que a série ganhe uma longa vida na TV, porque qualidade e talento eles tem de sobra! E ao invés de ficar reclamando dos programas que não te representam e que você não consegue se identificar com eles, que tal parar de dar audiência pra eles e dar uma chance pros que estão fazendo as coisas direito? Eu super recomendo e duvido que você vá se arrepender. A não ser que você não goste de comédias bem feitas e inteligentes :-P


segunda-feira, 11 de março de 2013

A gente ainda se importa com os outros?

Semana passada aconteceu algo que me deixou muito reflexiva. Estava eu na aula de espanhol da faculdade, aula essa que é aberta à todos os cursos pois é aula facultativa, então tem gente de vários curso, períodos e nacionalidades lá. Faço essa aula uma vez por semana nas quintas de manhã. 

Então, na ultima quinta no final da aula a gente tava arrumando a mochila e vestindo os casacos pra ir embora quando eu percebo que uma menina tava sentada no chão. A principio eu achei que ela estava procurando algo, pois estava sentada olhando pra baixo. Depois ela tentou levantar e caiu no chão e ficou lá deitada. Eu demorei um pouco pra processar a ideia de que ela não estava se sentindo bem. No meio tempo várias pessoas que estavam ao lado dela começaram a ir embora com um olhar de reprovação pra ela, tipo "pra que essa fulana tá deitada no chão, que palhaça". Algumas pessoas até passaram por cima dela pra pode ir embora. Eu tava mais ao final da sala e percebi que ninguém próximo à ela iria ajudá-la. Até que eu, uma angolana e a outra brasileira da sala resolvemos ir até ela pra auxiliá-la. Nesse ponto a professora, que é mexicana, também percebeu o que estava acontecendo e também veio ajudar. Então a professora disse que iria levar a menina até a enfermaria e que nós poderíamos ir embora. 

O que me chamou atenção é que TODAS as pessoas que passaram por ela e fingiram que não a viram ou que fizeram olhar de reprovação, são holandesas. A própria menina também é holandesa. Eu achei curioso que só as estrangeiras da sala (não todas, tem mais estrangeiros na sala, mas acho que eles não perceberam o que tava acontecendo) é que tomaram a atitude de socorrer a menina que tava lá, estirada no chão. 

Foi aí que eu comecei a pensar, será que as pessoas estão se preocupando cada vez menos umas com as outras ou será que isso é uma reação tipicamente holandesa? Será que foi só uma coincidência que só estrangeiros foram socorrer a menina? Ou será que como a sala ainda tava cheia, as pessoas ao lado da menina pensaram que alguma outra pessoa lidaria com o problema e por isso elas não tomaram atitude alguma? Talvez tenha sido só coincidência que só três estrangeiras foram socorrer a menina, porque também éramos uma das poucas pessoas ainda na sala e por isso a mentalidade de que alguma outra pessoa a socorreria já não cabia mais. 

Eu sempre me considerei uma pessoa meio fria e individualista, mas mesmo assim eu nunca consegui ver uma pessoa passando mal na minha frente e não fazer absolutamente nada. Mesmo eu tendo ido socorrer a menina, eu ainda passei o dia todo achando que eu deveria ter feito mais. Não achei que deveria ter deixado a menina ali com a professora sem garantir que ela receberia socorro médico. Isso porque eu mal conheço a menina, só tive três aulas com ela, não sei o nome dela e não sento próximo à ela na sala. Mas mesmo assim eu fiquei genuinamente preocupada com ela.  

Quando eu comentei o caso com meu marido ele achou que eu estava exagerando. Ele disse que os holandeses não são tão individualistas assim e que eles teriam sim ido ajudar a menina se a sala não tivesse tão cheia. Mas como eu argumentei com ele, eu não quero tirar conclusões, só sei do que eu vi. Eu tava lá, sei como tudo aconteceu e sei que só três pessoas numa sala de mais de trinta foram socorrer a menina. E  que, coincidência ou não, as três pessoas eram estrangeiras. Sem contar que o tal olhar de reprovação de algumas pessoas só veio dos holandeses, não vi nenhum estrangeiro olhando assim. 

Aí fica a pergunta. Eu estou exagerando? Você teria ajudado ou passaria direto, fingindo que não viu? Acho que é um tópico super válido para avaliação da nossa sociedade e pra nossa auto-avaliação também. Eu gostaria muito de saber a sua opinião sobre isso tudo....