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terça-feira, 31 de maio de 2011

Planos para o verão

Olá! Lembram do meu verão ano passado (nesse post aqui)? Eu estava morando na Bélgica com um visto temporário que não me dava o direito de deixar o país. Por conta disso eu e meu marido não podemos fazer nenhuma grande viagem de férias e acabamos indo à vários shows e festivais e também conhecemos várias cidades de norte à sul da Bélgica. Foi um verão lindo, mas ficou faltando uma grande viagem pra passear e conhecer mais da Europa.

Isso tudo parece que aconteceu a um milhão de anos atrás, desde do ultimo verão um milhão de coisas aconteceram na minha vida e finalmente eu tenho um visto que me permite viajar pra onde eu bem entender. E é isso que vamos fazer esse ano, vamos passar 3 semanas na Grécia, finalmente! 

Alguns de vocês já devem saber que o pai do Stefan é grego e por isso ele sempre passou todas as férias na casa de praia que a família dele tem na Grécia. No ano que a gente começou a namorar ele teve suas ultimas férias escolares e por isso ficamos 7 semanas sem nos ver (ele já tinha marcado a viagem antes de nos conhecemos e a gente tinha um mês e meio de namoro quando ele foi pra lá). Foi um período muito difícil porque eu estava passando por problemas com a minha host family e ele lá longe. Nessa época eu não pude ir porque além de não ter grana, eu precisava trabalhar.

No ano seguinte a gente já estava combinando de ir quando eu fiquei ilegal e o Stefan começou a procurar emprego. Na incerteza de saber o que faríamos pra eu conseguir me legalizar (foi nessa época que decidimos morar na Bélgica) e ele precisando trabalhar, acabamos passando o verão inteiro na Holanda. Por falta de grana, não fizemos absolutamente nada especial nas férias, só passeamos um pouco e nada mais. Não deu pra ir a nenhum festival e nem deu pra ir visitar cidades turísticas.

Ano passado estávamos morando na Bélgica e como eu já disse, eu tinha um visto temporário e não poderia deixar o país com ele. Então mais uma vez não deu pra eu ir conhecer a Grécia. Mas como a grana pela primeira vez não estava curta, decidimos fazer coisas especiais e nos divertimos muito durante o verão. Vimos praticamente 60% da nossa lista de bandas que sempre sonhamos em ver ao vivo (sim, ambos somos fanáticos por música e por rock/metal e temos uma lista de bandas que não podemos morrer sem ver) e resolvemos conhecer os lugares lindos que a Bélgica tem pra oferecer pra nos próximos anos a gente ir passear por outros países e não precisarmos mais voltar pra passear pela Bélgica.

Esse ano finalmente eu não preciso mais me preocupar com vistos! Já posso viajar pra onde eu bem entender e finalmente vou poder ir conhecer o país considerado berço da civilização ocidental. Entre comprar um apartamento, lidar com obras no mesmo, fazer mudança, ir morar com a sogra pra economizar dinheiro do aluguel, correr atrás de papelada pra visto e, mais recentemente, ficar louca procurando emprego, eu acho que mereço esse descanso num país lindo com praias lindas e várias atrações turísticas. Três maravilhosas semanas entre o final de julho e o inicio de agosto me esperam e eu pretendo aproveitar cada segundinho de tudo.

Mas não se engane, a gente ainda é fanático com música e shows e por isso não poderíamos deixar o verão passar completamente sem nenhum festival. Por isso escolhemos 2 festivais pra ir esse ano (queríamos ir a mais, mas não teremos nem tempo e nem dinheiro pra isso), o PinkPop e o GrasPop.

Na verdade pra pagar os ingressos do PinkPop a gente teve que sacrificar a viagem que estávamos planejando pra comemorar um ano de casamento (queríamos ir pro leste europeu e conhecer Viena, Praga e Cracóvia). Mas como na época em que estávamos planejando a viagem a gente ainda não sabia se eu conseguiria o visto e os ingressos do PinkPop já estavam quase esgotados (apesar do line up desse ano deixar muito a desejar), a gente resolveu ir ao festival e deixar a viagem pra outro momento, afinal essas cidades já existem há mais de 500 anos e não serão destruídas nos próximos meses, não é? haha.

Então é isso, esses são meus planos pro verão de 2011. Quais são os seus (ou pro inverno se você morar no Brasil)?

terça-feira, 17 de maio de 2011

Um ano de casada!!!

Oi pessoas, mais uma vez estou aqui pedindo desculpas pelo meu desaparecimento. Ultimamente a vida anda meio corrida e o tempo tem ficado curto pra escrever. Fora que eu não tenho muitas novidades, então espero elas se acumularem pra então escrever tudo de uma vez haha. Bom, nessas ultimas semanas muitas coisas aconteceram várias coisas e eu vou contar tudinho pra vocês agora:

Mais ou menos 10 dias atrás eu tive a entrevista com o IND (departamento de imigração da Holanda) e consegui meu visto temporário. Agora é esperar eles analisarem os nossos documentos pra receber o visto definitivo. Mas o importante é que com esse visto (mesmo o temporário) eu finalmente já posso começar a trabalhar e voltar a estudar. E essa é uma das razões pelas quais eu ando tão ocupada, eu estou louca procurando emprego, tenho passado dias preenchendo fichas de requisições e batendo perna entregando currículos. 

Outra coisa que tem me mantindo super ocupada são as obras de acabamento no nosso apartamento. Entre escolher azulejos para o banheiro e controlar as coisas que os pedreiros doidos fazem, eu acabo gastando bastante tempo. O apartamento está indo de vento em polpa, dentro de 3 ou no máximo 4 semanas já nos mudamos pra lá, aleluia!! haha

Mas agora o motivo principal deste post: No ultimo sábado dia 14 de maio eu fiz um ano de casada!! Nem dá pra acreditar né? Parece que foi ontem que eu escrevi esse post aqui alguns dias depois do casamento. Ontem a gente fez 3 anos juntos, isso mesmo, a gente se casou 2 dias antes do nosso aniversário de namoro. Na verdade queríamos nos casar exatamente no mesmo dia, mas a data caiu num domingo e só conseguimos marcar pra sexta anterior. Mas tá valendo. 

Nesse ano de casados nem tudo foram flores, a pressão de não saber se os nossos planos para o futuro iriam se concretizar ou não por causa de um visto era grande e várias vezes interferiu em nosso relacionamento. Também o fato de que eu tive que me contentar em não ser nada além de uma dona de casa por esse tempo acabou com minha alto estima. Mas o importante é que todos os problemas e obstáculos que a vida nos impôs só nos fizeram mais fortes como casal e descobrimos o quanto nos amamos e o quanto a gente conta um com o outro pra tudo nessa vida. Não existe amor perfeito, mas existe aquele que é perfeito pra você, e eu encontrei o meu depois de anos de busca. 

Agora é botar em prática os planos para o futuro porque o visto chegou e não há mais nada me impedindo de ser feliz e realizar meus sonhos. E tudo isso fica muito mais fácil quando se tem alguém pra te incentivar, ter empurrar pra frente e te dar forças. 

Bom, por enquanto é isso...eu só queria dar sinal de vida e compartilhar com vocês a alegria de estar junto da pessoa que amo por 3 anos e com quem eu pretendo passar o resto da minha vida...

Enfim, that's all folks...assim que der eu volto com mais noticias sobre minha vida na Holanda......

terça-feira, 26 de abril de 2011

Três anos de Holanda!!! Três anos no país dos tamancos, moinhos e tulipas....

O dia era lindo e ensolarado, mas ainda era bem frio pra alguém que tinha acabado de sair do verão brasileiro e cair na primavera holandesa. O horário era 11:50 da manhã e eu tinha acabado de descer de um vôo de quase 12h. De repente lá estava eu, numa terra estranha, com um povo estranho que falava uma língua estranha. O dia era 26/04/2008 e de lá pra cá minha vida virou do avesso e minha história começou a ser contada com mais convicção.

Nesses três anos eu morei em Amstelveen por três meses enquanto eu cuidava de uma menina linda de dois anos e meio e tentava lidar com seus pais problemáticos. Não deu certo! Então me mudei pra Amsterdam onde morei seis meses. Lá eu cuidava de duas meninas encapetadas e sua mãe solteira, control freak e neurótica. Mas lá dava mais certo do que na primeira casa porque eles não tentavam fingir que eu "fazia parte da família" e por isso a gente tinha um relacionamento mais de patrão e empregado e não tinha nada pessoal envolvido. Mas no final desses seis meses meu visto acabou e eu fiquei situação irregular, foi aí que eu fui mandada embora porque a família tinha medo da multa que eles poderiam receber por terem uma pessoa ilegal morando e trabalhando pra eles. 

Foi então que eu fui morar com o Stefan e sua mãe, pois eu não tinha nenhum outro lugar pra ir. Nesse tempo eu fiquei trabalhando e faxineira e baby sitter e me aprofundei nos estudos da língua holandesa. 

Ah sim, eu conheci o Stefan pela internet quando eu comprei as passagens pra vir pra cá. Eu queria fazer algumas amizades por aqui e comecei a adicionar pessoas com interesses em comum no Myspace o no Facebook. Foi então que comecei a conversar com ele e imediatamente a gente soube que quando nos encontrássemos pessoalmente nos daríamos super bem. Depois de três semanas por aqui, a gente finalmente marcou a data pra se conhecer e imediatamente já éramos um casal. E somos até hoje....

Depois de alguns meses morando na casa da minha sogra e decidindo nosso próximo passo, nós resolvemos mudar pra Bélgica e nos casarmos por lá, assim eu conseguiria um visto e a vida ficaria muito mais fácil. Foi assim que em novembro de 2009 nos mudamos pra Turnhout e em maio de 2010 a gente se casou. 

Nesse tempo eu comecei um curso intensivo de holandês e entrei pra academia de ginásticas. Enquanto isso a gente foi à vários shows e festivais e conhecemos a Bélgica literalmente de norte à sul. E no final do verão começamos a procurar um lugar pra morar quando voltássemos pra Holanda.

No inicio desse ano a gente comprou um apartamento em Rotterdam (Holanda) e agora estamos lidando com as obras de acabamento e com a compra de móveis e todas essas chatisses que é montar um casa. Também estamos super ocupados com as burocracias chatas de transferir meu visto belga pra Holanda. 

Enquanto isso eu estou me preparando pra fazer o teste de proficiência da língua pra poder começar a fazer faculdade no segundo semestre ou no inicio do ano que vem. Também estou preparando minha primeira viagem de férias em três anos, já compramos as passagens e no final de julho eu finalmente vou conhecer a Grécia! 

Bom, esse é um resumo muito curto desses três anos morando na Holanda (e também na Bélgica). Nesses anos eu ri e me diverti muito, também já sofri e chorei bastante. Conheci o amor da minha vida, fiz algumas grandes amizades, senti falta das minhas amizades e família no Brasil, fiquei homesick, me decepcionei e também me surpreendi com algumas coisas, pessoas e situações e fiz o meu melhor pra poder compartilhar o máximo possível com os poucos leitores desse blog. Obrigada a todos vocês pela força que sempre recebo e prometo manter contato sempre que possível....

terça-feira, 12 de abril de 2011

Momento de protesto e reflexão....

Eu praticamente nunca venho aqui pra protestar contra coisas que acontecem no mundo. Mas na ultima semana houveram 2 acontecimentos que me fizeram refletir muito sobre o modo em que o mundo está se desintegrando. Desde 2001 (depois dos atentados de 11 de setembro), o mundo está presenciando uma grande revolta contra o povo muçulmano, como se todas as pessoas com essa religião estivessem pilotando os aviões que derrubaram as Torres Gêmeas. 

Na ultima semana houveram duas chacinas, uma no Rio de Janeiro e outra em Alphen aan de Rijn na Holanda....

O que eu nunca vou consegui entender:
Um cara entra numa escola com uma arma na mão, mata sei lá quantas crianças e professores e depois se mata, deixa uma carta que onde fica bem claro que ele é cristão, mas no final das contas ele é só um doido....

Outro entra num shopping (na Holanda) e faz a mesma coisa, tão dizendo que ele também queria  purificar os impuros (ele tbm era cristão), e no final ele não é considerado nada a mais do que um doido....

Mas um muçulmano entra num restaurante e explode uma bomba lá, matando não só um monte de gente mas a ele próprio, mas nesse caso ele não é considerado um doido, ele é considerado um extremista religioso....

Quando um judeu ou cristão faz uma grande merda (em nome de Deus), nunca é nada mais do que uma grande merda feita por um doido e ninguém nunca liga isso à religião. Mas quando um muçulmano faz uma grande merda, ele vira automaticamente um xiita extremista que fez em nome de Allah e foi a religião que deixou o cara doido e o Alcorão não presta....

Será que não é hora de muda nossos conceitos e ver que as pessoas doidas são doidas independente de religião? Que usar o nome de Deus ou Allah pra fazer merda é algo pessoal e não algo que a religião prega?

Eu não sigo religião nenhuma, não acredito em Deus algum, mas sei que religião não molda personalidade e religião nenhuma pode ser responsável por atos de cidadãos que não tem nada na cabeça e interpretam tudo ao extremo.

Músicas, filmes, video-games, etc não são responsáveis pelo comportamento insano das pessoas, assim como religião também não. É hora de parar de dar rótulos às pessoas por causa de suas crenças e começar a ver que decisões são tomadas baseadas no caráter e na história pessoal de cada um, e não porque o livro tal disse isso ou o filme tal mostrou aquilo. 

Não é porque uma mulher anda toda coberta que ela concorda com um cara entrar num restaurante e explodir todo mundo lá dentro. Aliás, se o filho dela estiver nesse restaurante e morrer com a explosão, a dor dela não será menor do que a dor das mães das crianças da escola no Rio de Janeiro. E assim como as mães dessas crianças não culpam seu Deus pelo atentado de um cristão e vão rezar pra ele pela alma das crianças, a mãe muçulmana também vai pedir a Allah que guarde a alma de seu filho e não vai mudar de religião por causa disso....

Enfim, isso é só um ponto de vista de alguém que mora na Europa a 3 anos e que não se conforma com as injustiças que são feitas aos muçulmanos por causa da irresponsabilidade e loucura de uma pequena minoria. É hora de acordar e perceber que quem faz a loucura é a pessoa e não as coisas ao redor dessa pessoa....

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Bandas que mais marcaram a minha vida - parte 4

Como vcs já devem saber, eu ando dedicando meu tempo com as obras do apê, mudança da Bélgica pra Holanda e burocracia pra conseguir meu visto holandês. Portanto, eu não tenho muitas novidades pra contar e não quero ficar "flodando" esse blog falando somente sobre isso. Por isso hoje eu escolhi falar mais uma vez de uma artista que me influenciou muito quando eu estava formando meu gosto musical lá nos anos 90.

Desde 1995 a MTV se tornou uma importante parte da minha vida (e deixou de ser por volta de 2000 quando eles deixaram de ser a MUSIC Television). Nessa época eu conheci vários artistas que me fizeram mudar meu conceito sobre musica e com a MTV eu pude criar meu próprio gosto musical. Mas isso já foi mais do que dito aqui no blog e eu não quero ficar repetindo tudo que digo. Se quiserem ler mais sobre isso, clique aqui, aqui e/ou aqui.

Enfim, essa pequena introdução sobre meu relacionamento com a MTV na década de 90 é necessário pra falar da artista de hoje. Fiona Apple. Foi lá pro meio de 1996 que eu conheci essa cantora que me fez babar e me apaixonar por ela, sua voz, suas composições, suas letras e sua beleza exótica. Fiona tinha só 16 anos quando gravou seu primeiro álbum Tidal. Um álbum cheio de raiva e melancolia, mas com letras e melodias tão maravilhosas que deixavam qualquer pessoa de queixo caído. O que mais me chamava atenção nela, além de sua musica maravilhosa e sua voz grave e potente, era sua paixão pelo que estava fazendo. Suas performances deixavam qualquer pessoas desorientada com tanta paixão. E eu no inicio da minha adolescência, acabei me tornando fã na primeira vez que eu assisti ao seu primeiro clipe, Shadowboxer:

Logo após do sucesso de Shadowboxer, Fiona mostrou que não era só mais uma adolescente bobinha e apareceu num clipe que deixou público e mídia sem entender direito. Uma beleza exótica seguida pro um corpo extremamente magro, quase anoréxico, num clima de "ressaca depois de festa" que induz que Fiona já não tinha mais nenhum tipo de inocência. A musica era forte e impactante e o clipe não fica pra trás. Criminal é até hoje uma das musicas que mais gosto dela.

Fiona Apple cresceu em Nova Iorque e aos 12 anos, voltando da escola pra casa, foi estuprada pro um grupo de garotos anos mais velhos. Durante a adolescência Fiona sempre foi problemática, tímida e fechada pra novos amigos e novas experiências. Ela passava seus dias trancada no seu quarto tocando piano e escrevendo músicas e segundo ela mesma, sofrendo de um severo distúrbio alimentar  (nunca foi revelo qual). No final de 94 ela enviou algumas demos de algumas musicas pra gravadoras e em 95 ela começou a gravar seu primeiro álbum.

Depois de 2 anos divulgando Tidal e fazendo tournê pelo mundo, Fiona tirou algum tempo de folga pra começar a compor seu segundo álbum. Em 1999 saiu o aclamado When The Pawn...O álbum era um mix de jazz, soul e pop com muita agressividade, raiva, e angústia. Ela manteve as características de seu primeiro álbum, mas é muito nítido seu amadurecimento não só como musicista mas também como pessoa. Musicas como A Mistake e Paper Bag mostram que Fiona não consegue fazer musicas ruins. O single desse álbum é Fast As You Can, um clipe super alternativo mostrando uma Fiona usando roupas casuais, cabelo preso e nenhuma maquiagem.

Novamente Fiona estava em processo de divulgação de um álbum e fazendo tournê mundial com ele. Depois disso ela resolveu dar um tempo na musica e se dedicar a outras coisas na vida. Depois de alguns anos Fiona resolveu gravar seu terceiro álbum mas, infelizmente, a indústria musical passou por várias mudanças desde os anos 90 e Fiona teve problemas com sua gravadora. Eles não queriam aceitar seu álbum porque alegaram que não haviam hits nele. Então, quando Fiona anunciou que não faria um álbum se não pudesse sair exatamente do jeito que ela queria (sem os palpites da gravadora), seus fãs se mobilizaram e criaram o movimento Free Fiona. O movimento consistia em um website, envio de cartas diárias a gravadora, petição assinada pro não sei quantas milhares de pessoas e milhares de maçãs (appels) despejadas na porta da gravadora. Com toda essa mobilização, a gravadora autorizou Fiona a finalizar seu álbum dando-a liberdade de fazer tudo do seu jeito.

Foi assim que em 2005, Fiona lançou o maravilhoso Extraordinary Machine. O álbum mostra Fiona como uma mulher madura, crescida e muito mais segura de si. Fiona se expressa com mais nitidez e menos medo de ser julgada por ser quem é. O primeiro single O'Sailor é talvez uma das melhores musicas de sua carreira e eu, particularmente, acho que é graças a esse álbum que cantoras como Amy Winehouse, Adele, Duffy, etc (todas surgiram depois desse álbum) conseguem seguir nesse estilo musical e ainda ganhar dinheiro e serem famosas.


Apesar de todos os esforços dos fãs e de Fiona, Extraordinary Machine não foi um sucesso de vendas (o que não é de surpreender, pois o mercado pra esse tipo de musica se abriu algum tempo depois) e a gravadora resolveu não investir mais na divulgação do álbum depois do clipe de O'Sailor. Mas isso não foi impedimento pra Fiona e ela decidiu continuar divulgando seu álbum e fazendo clipes com seu próprio dinheiro. Foi assim que surigiu o clipe de It's Not About Love com seu amigo e ator Zach Galifanakis (The Hangover e Due Date). O clipe custou menos de 500 doláres e Fiona mostrou que não é preciso muito dinheiro pra fazer algo legal.  

Desde 2007 (quando acabou a trounê) Fiona está usando seu tempo pra viver sua vida e trabalhar em novas composições. Desde o ano passado estão rolando rumores na internet de que Fiona estaria preparando um novo álbum pra ser lançando no final desse ano. Tomara que seja verdade pois, pros fãs como eu, 6 anos sem nada novo é uma tortura!!

Alguns anos atrás perguntaram pra a ela o porque de suas músicas serem cheias de raiva, tristeza e melancolia e essa foi sua resposta: 
"I only write when I'm angry or sad, so because that's when I just have to write... If I'm having a good time and I'm happy and things are going really well, why would I want to stop what I'm doing to go and write at the piano?" 
"Eu só escrevo quando estou com raiva ou triste, só porque é nessas horas que eu preciso escrever....se eu estou me divertindo e feliz e tudo está indo muito bem, porque eu vou parar o que estou fazendo e sentar no piano e compor?"

Com  essa declaração, eu encerro esse post sobre uma das cantoras que mais mexem comigo até hoje, quase 15 anos depois da primeira vez que a vi na MTV...


Vou deixá-los com uma apresentação ao acústica, pra vcs verem que ela não detona só em estúdio mas é uma das poucas cantoras no mundo que soam melhor ao vivo do que no álbum:

quarta-feira, 30 de março de 2011

Fotos do novo apartamento....

Oi pipols que ainda acompanham esse bolg. Como eu disse no post anterior, eu ando atarefada com obras no nosso apartamento o com burocracia pra eu me mudar pra Holanda. Portanto o blog tem andado meio abandonado. Prometo no futuro, assim que minha vida estiver mais organizada, voltar a postar com mais freqüência por aqui. Por enquanto aí vão as fotos do apê que tinha prometido. Como disse no ultimo post o apê ainda está todo pelado, por isso vou colocar hoje as fotos do "antes" e quando ficar pronto vou colocar as fotos do "depois" hehehe....


Quarto de hóspedes (e mais um do mesmo tamanho que será escritório)

Vista da janela da sala

Vista da sacada (em alguns meses vai estar tudo verdinho)

Sacada (boa pra fazer churrasquinho hehe)


Corredor gigante haha

Cozinha

Sala

Sala de jantar

Banheiro

Dispensa

Quarto de casal

segunda-feira, 14 de março de 2011

Mudança....

Então, semana passada a gente finalmente recebeu as chaves do apartamento que compramos. A localização é ótima, no centro da cidade, ao lado do metro, ponto de ônibus, shopping, prefeitura e correios. Sem contar a vista maravilhosa que temos, de um lado vemos o lago e o bosque que fica em frente ao prédio, do outro temos uma vista maravilhosa e perfeita do "skyline" de Rotterdam, simplesmente lindo! 

No momento estamos na correria pra começar com as obras de acabamento. O prédio é novinho em folha, terminou de ser construído no final do ano passado, portanto o apartamento está totalmente pelado, não tem nadinha de nada, somente as portas e os aquecedores já estão instalados. Portanto a maior dificuldade é escolher coisas que agradam tanto a mim quando ao senhor meu marido haha. Mais ou menos três meses atrás (quando decidimos comprar o apartamento), escolhemos a cozinha que será medida semana que vem e instalada dentro de oito semanas. Fim de semana passado escolhemos o piso e no momento estamos fazendo orçamento pra arrumar as paredes. O ultimo passo será escolher o banheiro e assim o apartamento estará pronto e só precisará ser decorado.

No momento eu estou de volta à Bélgica (tenho passado a maior parte do tempo hospedada na casa da minha sogra na Holanda pelo fato de que na Bélgica eu não tenho nada pra fazer e ninguém pra me fazer cia) por uns 3 ou 4 dias encaixotando todos nossos pertences pra fazer a mudança no início do mês que vem. Olha que beleza que meu apto está hahaha


É muito estranha a idéia de que nós já temos uma casa própria antes de chegar nos 30 anos. É mais estranha ainda a idéia de que ele conseguiu fazer uma hipoteca para os próximos 30 anos com o salário do seu primeiro emprego. Estamos muito felizes e empolgados com o nosso novo cantinho e mal podemos esperar pra fazer de lá o nosso lar. Não sei se será o lugar em que vamos passar o resto de nossas vidas, mas tenho certeza que passaremos a próxima década lá com toda certeza!

Agora é só ir semana que vem me inscrever na prefeitura de Rotterdam e voltar a morar oficialmente na Holanda. Assim que eu estiver inscrita eu já posso começar a trabalhar e terminar o ultimo nível do curso de holandês pra fazer o teste da língua e mandar solicitações pras faculdades de musica que andei visitando nos últimos meses....

Bom então vocês já sabem, se eu der uma sumida básica daqui é porque ando ocupada com a mudança, as obras do apê e a busca por um emprego....então, hasta la vista....

PS: Eu ainda não tive tempo de tirar fotos do apê, mas semana que vem eu post umas fotos aqui do apê como está agora e depois que ficar pronto eu coloco novas fotos....só assim pra ter uma idéia da trabalheira que vem pela frente hahaha

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Metal é o meu barato....

O tempo passa, a gente cresce, amadurece, evolui, muda de opiniões, fica mais complexo e menos bobo pro mundo. Com isso nosso gosto musical também muda. Quebramos barreiras e preconceitos e aprendemos que musica boa é aquilo que nos agrada e não nos preocupamos mais se aquele "carinha super gatiz" vai te achar ridícula por gostar de banda X ou Y.

Meu gosto musical começou a ser formado bem cedo. Enquanto meus amigos ouviam Sandy e Junior, Trem da Alegria, Balão Mágico e outras coisas pra crianças (que eu também gostava, não nego), eu já era completamente apaixonada por artistas como Michael Jackson e Madonna. Naquela época (final dos anos 80, início dos 90) não existia uma definição clara entre os estilos musicais. Existia o "pop dançante," o "pop rock "e o "rock pesado". E nessa época eu gostava de todos esses estilos, afinal eu era criança e como toda criança, eu era movida por sensações e sentimentos, então eu gostava das musicas que me provocavam sensações e sentimentos que me agradavam.

Na minha casa as coisas sempre foram super diversificadas, minha mãe sempre foi puxada pro lado da MPB, meu pai sempre curtiu um rock clássico dos anos 60 e 70 e minha irmã mais velha era mais pro lado pop e dance da época. Foi então que em 93 ou 94, não lembro bem, meu cunhado entrou na história. Com brinco na orelha (na época ainda se falava brinco, ninguém falava piercing), calça jeans rasgada e camisa de banda. Sim, ele era o que a gente chamava de "metaleiro" e eu sempre achei ele foda! Era o irmão que eu sempre quis ter. Mas nessa época ser metaleiro não era algo definido, se escutava as músicas que caiam na definição "rock pesado" sem diferenciar se era hard rock, thrash metal, heavy metal ou grunge. Era tudo pesado, era tudo sujo, era tudo contraditório. 

Graças a ele eu conheci um monte de banda boa como Pearl Jam, Iron Maiden, Metallica, Guns'n'Roses (apesar dessa ser uma banda que eu não consigo levar a serio haha) e várias outras que até hoje estão entre as minhas preferidas ever! Em 1995 minha irmã se casou com ele (e estão juntos até hoje com dois filhos lindos) e no mesmo ano minha mãe colocou TV à cabo lá em casa. Na TV à cabo tinha um canal fodástico chamado MTV e nessa época o "rock pesado" dominava as paradas seguido pelo "pop rock" e somente um pouquinho do "pop dançante". Graças à MTV eu conheci melhor as bandas que tinha descoberto através do meu cunhado e descobri mais inúmeras bandas que mudaram meu conceito de "música boa". Os VJ's da MTV nessa época eram um caso aparte. Eu era louca por vários deles. Não perdia um Fúria com o Gastão Moreira, não perdia o Disk com a Sabrina Parlatore e a Soninha Francine era a minha preferida de todos!
 
Todos os programas eram bons, era música pelo menos 20 horas por dia e o resto eram desenhos nada bonitinhos como South Park e Beavis and Butthead. Tinha o Feijão, programa de musica alternativa. O Clássicos MTV com a "enciclopédia do rock" Fabio Massari. O Hits MTV com o Gastão Moreira que tocava o "novo rock" como Smashing Pumpkins e Garbage. Tinha também o Pé da Letra com as traduções das músicas (lembrando que Google nessa época ainda estava longe de existir). Enfim, tinha programas pra todos os públicos e gostos musicais. Eu amava a MTV e passava todo o meu tempo livre assistindo ao canal. 

Por volta de 98/99 as boy bands e hot chicks dominaram as paradas junto com a música brega brasileira, de lá pra cá foi só declínio e a MTV perdeu toda a sua essência, dizem que nem clipes passa mais, não sei, não vejo MTV desde 2000 e aqui na Holanda só passa os fake reality shows comprados da MTV USA, um lixo!

Enfim, meu gosto musical era livre e sem preconceitos. Se eu gostasse da musica ou do artista eu não tinha vergonha de dizer. Eu era uma pessoa que tinha na minha coleção de fitas K7 e discos de vinyl (sim, isso mesmo, cds só em ocasiões especiais porque eram caros e MP3 ainda não existiam) bandas como Metallica e Slayer e também Hanson e Ace of Base. Pra mim não tinha nada de mais gostar de metal e pop, era algo normal. 

Até que em 2000 eu entrei pro ensino médio e lá as definições sobre estilos musicais começaram a ficar mais claras pra mim. No colégio a turma skatistas juntava num canto, a turma do hip hip no outro canto, os grunges estavam se extinguindo e a turma do metal se unia. Como eu não gostava de hip hop e de musica de skatista, eu acabei me juntando com a turma que gostava de metal. Mas pra fazer parte dessa turma eu paguei um preço não muito barato. Eu tive que me "reinventar". Primeiro paço foi começar a andar só de preto, cinza, vermelho ou roxo. Nenhuma cor além dessas era permitida. Segundo passo foi começar a só ouvir músicas com a definição "metal". Significava que tudo que eu gostava musicalmente que não se definia como metal, eu teria que parar de gostar.  Nem o hard rock era aceito. Tinha que ser metal, thrash metal, heavy metal, doom metal, death metal, black metal, symphonic metal, gothic metal, etc. A única coisa que era aceitável além do metal era a música erudita, porque se você gostasse de musica clássica, seria considerado super inteligente e cool.  Nessa época, eu tive que esconder meus cds, fitas e vinyl's das coisas que eu gostava e que não eram metal. Ficava tudo escondido no maleiro do meu armário. Ai de mim se algum dos meus "amigos" vissem que eu tinha um cd dos Hanson. Era a morte pra mim!

Mas o segundo grau passou, minha adolescência acabou e eu percebi o quanto é estúpido mudar sua personalidade e seu jeito de ser pra ser aceito por pessoas que no fundo você nem liga. Com os anos eu descobri que amizade de verdade te aceita exatamente do jeito que você é, sem se importar com o tipo de musica que você ouve ou as roupas que você usa. 

Nos últimos anos eu tenho retornado às minhas raízes musicais. Coisas que me faziam vibrar antes de eu começar a me importar com o que os outros pensavam de mim. E comecei a me permitir gostar  de várias coisas novas também. Não quero ser do tipo de pessoa que só gosta de musicas "do meu tempo" sendo que tem tanta coisa boa aparecendo por aí. 

Mas mesmo com essa volta às minhas raízes, eu percebo que apesar de tudo é o metal que mais mexe comigo, que mais me faz vibrar e é ao metal que eu dedico a maior parte do meu tempo. Acho que está no meu sangue gostar de metal. Shows de metal são sempre os que entram no top da minha lista de melhores shows que já assisti. Amo o metal mais do que qualquer outro estilo musical e acho legal que hoje eu consiga admitir isso por mim mesma e não por pressão de pessoas do meu grupo social. 

Houve uma época (na minha transição pra deixar de ser gótica) em que eu até tinha vergonha de admitir que gostava de metal, não queria que as pessoas pensassem que eu ainda era aquela adolescente revoltadinha. Mas hoje em dia, quase 10 anos após o fim da adolescência, eu posso afirmar sem medo que no meu MP3 Player tem Mika, Hanson, Ace of Base e coisas do tipo, mas também tem Slayer, Dio, Metallica, After Forever e vários outros. Metal é o estilo que eu mais gosto, mas não é o único estilo que gosto. E sou feliz por ter me libertado dos preconceitos e medos. Música é a minha vida e a minha maior paixão! E eu não tenho mais medo de ser quem eu sou...

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Estudando música

Essa semana eu fui assistir ao filme Black Swan e esse filme me deixou com muita coisa pra pensar, muita coisa pra concluir sobre o tempo em que dediquei minha vida à música erudita.

Trailer de Black Swan

Se você acompanha esse blog, sabe que eu vim pra Holanda pra fazer faculdade de música. Se tiver interesse de saber como e quando, é só dar uma olhada na minha bio aqui no site.

Como escrevi na bio, eu comecei a estudar canto por que queria me tornar uma vocalista de uma banda de rock/metal, mas acabei seguindo o conselho da minha professora e fui estudar canto lírico, já que além da minha voz ser bem volumosa e cheia, canto lírico era a única possibilidade de eu tentar fazer uma faculdade de canto em Belo Horizonte. 

Comecei minhas aulas de canto lírico no final de 1999, com 15 pra 16 anos. Em 2000 comecei o ensino médio e nessa época descobri as bandas Nightwish, After Forever, Within Temptation e várias outras, todas elas com vocal lírico (ou tentando ser).  Algum tempo depois várias meninas "goticazinhas" começaram a estudar canto lírico também, algumas eram muito boas, mas a grande maioria era de dar dor de cabeça.

Em dezembro de 2002 eu me formei no ensino médio e fui fazer cursinho pra passar no vestibular. Junto com o cursinho eu trabalhava, cantava em coros renomados e estudava canto lírico com professores super respeitados no país. Estava tudo indo no caminho certo, fiz a prova na UFMG das matérias escolares (port, mat, hist, etc) e as provas de canto e percepção musical. Nas provas musicais e nas das matérias de humanas e línguas eu fui super bem, tirei uma nota super legal e estava super satisfeita, mas nas provas de matemática e química eu fui pessimamente mal e por causa disso não passei pra segunda etapa. Como eu peguei o resultado da prova da UFMG na véspera da prova da UEMG, fui fazer a prova super triste e acabei cometendo vários erros e não passei na UEMG também. 

No ano seguinte eu não pude continuar fazendo cursinho, mas entrei pra vários coros naquele ano e continuei a fazer aulas de canto com ótimos professores. Mas adoeci na época do vestibular e por causa disso não passei pra segunda etapa novamente. Foi nessa época que eu comecei a ficar de saco cheio desse mundo da musica "clássica". Nunca foi minha praia, nunca foi meu sonho e ainda por cima tinha um tanto de gente  sem o menor talento fazendo a mesma coisa.

Então eu resolvi entrar pra um coro mais amador só pra descontrair e comecei a fazer aulas com um professor mais pop também, mas continuei nos coros profissionais e fazendo aulas de canto lírico até o final de 2007. Foi em dezembro desse ano que eu resolvi desistir de vez do canto lírico e ir seguir meu real sonho de ser uma vocalista em uma banda de rock/metal. Por causa disso, em abril de 2008, eu fiz minhas malas e vim pra Holanda já que nesse país existem pelos menos umas 15 faculdades de música e todas elas têm, além da música erudita, cursos pra quem quer seguir carreira no mundo pop/rock.

Mas agora vem o porque do filme Black Swan ter mexido comigo. Nesses 8 anos que me dediquei à música erudita, eu vi coisas terríveis acontecerem com pessoas que queriam ser perfeitas, assim como a personagem de Natalie Portman no filme (dançarina de balé clássico). Nesse mundo da música "clássica", se você acerta você será idolatrada, mas se você erra você será apedrejada até a morte. Não existe meio termo. Não existe "ser boa o suficiente". Tem que ser PERFEITO! É muita competição e muita comparação. E isso nunca foi pra mim, nunca tive a pretensão de ser perfeita, de ser melhor do que a fulana, de ser a mais fodona. Pra mim, ser boa já bastava. Sempre bastou. Mas nesses 8 anos eu tive que aprender a pensar na perfeição e agora isso tem me atrapalhado.

No último mês eu andei procurando uma boa professora de canto pra me preparar pra entrar pra faculdade ano que vem (após 3 anos aprendendo holandês pra poder estudar numa faculdade daqui) e fiz algumas aulas teste com professoras que usam técnicas diferentes. TODAS elas me disseram que a minha técnica lírica está me atrapalhando de me soltar, de mostrar quem eu sou através do meu canto. Todas elas me disseram que no pop/rock/metal não é necessário ser perfeito, ser bonito, ser preciso. É necessário ser bom e só! E é por causa disso que eu comecei a estudar música em primeiro lugar, pra ser boa no que faço. Pra ser uma boa front woman de uma boa banda e nada além disso. Mas todos esses anos convivendo com uma perfeição impossível de ser alcançada, acabaram com meu espírito de liberdade musical. 

Agora, aos 27 anos de idade, depois de praticamente 15 anos estudando música, eu tenho que "reaprender" a cantar, não tecnicamente falando, mas emocionalmente. Tenho que cutucar aquela menina de 13 anos que não se importava com a opinião dos outros e cantava por amor a música e gratificação pessoal. Tenho que voltar aos primórdios da minha vida musical, antes da idéia de perfeição começar a me assombrar. Será que vou conseguir apagar 8 anos de "lavagem cerebral"? Tomara que sim. Tomara que alguns meses de preparação pra faculdade e mais 4 anos estudando na faculdade e 2 de mestrado consigam me fazer encontrar a adolescente perdida em mim....


sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Bandas que mais marcaram a minha vida - parte 3

Oi pessoas, eu sei que já faz um bom tempo que não escrevo aqui, me perdoem por isso. Minha vida tem sido uma eterna espera e por isso eu não tenho feito muitas coisas interessantes e conseqüentemente não tenho muito o que escrever por aqui. Mas lendo o blog da Redd de repente me lembrei da parte desse blog em que eu falo de artistas que admiro muito. Então resolvi aproveitar a deixa do post da Redd e falar um pouco sobre a melhor artista que surgiu na última década, a Joss Stone.

A Joss pra mim é uma das melhores cantoras da atualidade. Quando ela surgiu, entre 2003 e 2004 eu estava largando minha faze "gostika tr00 from hell" e me apaixonei por ela sem o menor medo de ser feliz. Na época ela tinha apenas 15 anos e sua voz me deixava em êxtase! Mas apesar do cd (Soul Sessions) ser super gostoso de ouvir, eu achava meio chato pq é um cd somente com regravações.
Fell In Love With A Boy (White Stripes)

Aí, mais ou menos um ano depois saiu o Mind, Body and Soul e eu pirei na batatinha com ele, principalmente com o fato de que 80% das músicas foram compostas por ela mesma, uma guriazinha de 16 anos. Acho que ele está no top 10 de cds que mais ouvi na vida.
Spoiled (musica escrita pela Joss que me dá arrepios de ouvir)

Então ela resolveu experimentar com o hip hop no Introducing Joss Stone, um álbum que foi 100% composto e co-produzido por ela. Esse álbum tem umas músicas muito boas, mas no todo não me agradou muito, ficou muito super produzido e faltou exatamente a pitada da alma (trocadilho com soul haha) que era a marca que me fez apaixonar pela Joss. Acho que o cd é também o que menos mostra seu poder vocal.
Tell me about it (primeiro single do álbum)

Agora vem a parte do porque ela é uma das poucas artistas que eu admiro não só artisticamente, mas tbm a personalidade. Além de ser a doçura em pessoa, Joss tem uma personalidade inquebrável e não deixa ninguém passar por cima dela e de sua arte. Ela não vê música como uma forma de fazer dinheiro, e sim como uma forma de se expressar e se libertar, o dinheiro pra ela é só uma conseqüência e não um objetivo. E por isso ela teve vários problemas com sua antiga gravadora EMI que, já durante a divulgação do Introducing, começou a sabotá-la por ela não cumprir com algumas exigências da mesma (tais como voltar a ser loira). E por isso o álbum foi super mal divulgado tendo somente dois singles.

Alguns anos depois, Joss que resolveu se livrar de toda a super produção do Introducing e resolveu gravar um cd em casa, somente um computador, mics e amplis, dois amigos pra ajudarem na composição das musicas e sua banda. O cd foi todo gravado em uma semana numa maneira super old fashioned (making off). Com isso a gravadora ficou putaça e Joss teve que começar uma briga infinita pra conseguir lançar o cd. Depois de quase 2 anos Joss conseguiu o que queria, lançar o álbum Coulor Me Free, mas a gravadora disse que não iria investir um centavo na divulgação do cd, então Joss resolveu fazer tudo sozinha e começou um processo longo e caro pra se desligar da EMI. Depois de muita luta, ela pagou uma multa milionária e finalmente se livrou da gravadora que a impedia de voar alto e montou sua própria gravadora, a Stone'd Records.
Incredible (minha favorita do Coulor Me Free)

Joss também já fez alguns trabalhos como atriz, ela atuou no filme Eragon fazendo um pequeno papel como uma vidente. Ela também participou da terceira temporada da série The Tudors no papel de Anne of Cleves. Joss também participou do filme Snappers no papel de uma lésbica, mas sua antiga gravadora não aceitou o papel e por isso o filme nunca foi lançado.

No momento Joss está trabalhando em composições pra um novo álbum, tem trabalhado como cantora convidada com vários artistas e tem contratado novos artistas pra sua gravadora.
Joss Stone foi convidada pra cantar em algumas musicas do novo álbum de Jeff Beck



Além disso tudo, Joss está se preparando pra entrar pro livro dos recordes ao cantar no show mais alto do mundo. Sim, Joss foi convidada pra fazer um show pra ajudar crianças carentes na região do Himalaia. Joss está sempre envolvida em causas para ajudar crianças e animais, recente ela posou pra uma campanha contra o uso de peles de urso.

Enfim, Joss Stone é uma menina-mulher com cara de anjo, jeitinho doce, meigo e carinhoso e personalidade forte e determinada. Joss mostrou que não é preciso milhões de dolares pra se fazer música boa, mostrou que não é preciso ser "sexy symbol" pra vender álbum e mostrou também que se vc tem a oportunidade de fazer o que mais ama do jeito que quer, pra que ouvir pessoas que querem te moldar e te obrigar a fazer algo que não quer? Joss tem somente 24 anos e quase uma década de carreira e mais um futuro brilhante à sua frente. Eu espero sinceramente que as pessoas percebam seu valor como artista e que a deixem voar alto, pois eu quero muitos álbuns dela pra deixar minha alma mais leve.

Free Me (música que ela diz o que pensa sobre sua antiga gravadora)
Ain't I got you on your back foot
If you know I got you really good
'Cuz that's something deep inside of me
I've got to (be)

And if you find it hard to follow me
If I loose you in my jet stream
Then you only gotta raise your eyes
And see me fly

Don't tell me that I won't
I can
Don't tell me that I'm not
I am
Don't tell me that my master plan
aint coming through
Don't tell me that I won't
I will
Don't tell me how you think
how I feel
Don't tell me cuz I know what's real
what I can do

Something that you don't see everyday
A Little girl who'll find a way
Through a world that is designed to
break all of your dreams


If There's someone thing I will say to you
It's that, there's nothing that you can't do
'Cuz it's all about your attitude
Don't let them get to you

Don't tell me that I won't
I can
Don't tell me that I'm not
I am
Don't tell me that
my master plan aint coming through
Don't tell me that I won't
I will
Don't tell me how to think
how to feel
Don't tell me 'cuz I know what's real
What I can do

And when we're
Singing in our own voice
We can make that choice,
to be, to be free

Music, yeah, I luv it
Free me EMI
PS: Tava esquecendo de comentar o fato dela morar numa fazenda numa vilazinha perto da cidade de Denver, Inglaterra. Isso tudo prova que mesmo depois de toda a fama e dinheiro, ela continua sendo uma pessoa super simples e pé no chão e nunca deixou essas futilidades lhe subirem a cabeça. Isso me faz admirá-la de uma maneira que eu nunca imaginei que admiraria um artista....