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quarta-feira, 12 de julho de 2017

Chama apagada

as vezes eu acordo e por alguns momentos está tudo bem
por alguns momentos eu sou uma pessoa normal
então
de repente
bate o vazio
e então eu me lembro que não está tudo bem
que não sou exatamente o que consideram normal

eu só queria que esse vazio fosse preenchido
com alguma coisa
qualquer coisa
mas nada preenche
por muitos anos parece que acreditei que a comida preencheria esse vazio
mas só preencheu minha cintura
e só fez piorar tudo

eu costumava ter uma chama dentro de mim
nem sempre brilhava forte
mas estava sempre lá
brilhando
lutando pra não se extinguir
mas agora
não sei exatamente quando ou como
só sei que essa chama está completamente apagada
não sobrou nenhuma fumaça
nada que possa voltar a se acender dentro de mim

é tudo tão vazio
tudo sem sentido
sem vontade
sem necessidade
sem urgência

eu só queria querer alguma coisa
sentir alguma coisa
precisar de alguma coisa
mas nada parece valer qualquer esforço
e eu fico aqui remoendo algo que poderia ser
mas não é mais

será que um dia vai voltar a ser?
será que a chama vai voltar a queimar dentro de mim?
será que vou conseguir me olhar no espelho e reconhecer aquela pessoa refletida ali?

aquela pessoa se perdeu em algum momento na história
eu não sei quem é essa nova pessoa olhando de volta pra mim
sinto falta do meu antigo reflexo
de quem eu era antes de ser consumida pelo nada
pelo vazio
pela falta de propósito

queria gritar pro mundo
implorar por ajuda
dizer que não estou bem
que preciso de algo
que não sei exatamente o que é
mas sei que ninguém quer mesmo saber disso
é bem mais fácil colocar minha máscara e fingir que o sorriso é genuíno
é bem mais fácil não incomodar ninguém
é bem mais fácil desaparecer...

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Vivendo acima do peso

24 anos morando no Brasil. 24 sem nunca ter o menor problema com meu peso. Pelo menos 10 desses 24 anos (dos 14 aos 24) eu sempre pesei entre 48 e 53kg e segundo especialistas esse é meu peso ideal. Eu sou uma menina miúda, tenho somente 1.53 de altura. Antes dos 13/14 eu não pesava nem 45kg, durante o ensino fundamental eu era chamada e Olívia Palito e perna de graveto. Magrela e era a palavra que me definia...

Entrei pra adolescência e os hormônios me deram formas me mulher. Os seios sempre foram modestos e ainda são, mas o quadril arredondou e a bunda ficou bem saliente. Com isso ganhei uns quilinhos, o que acabou com meu título de magrela e me rendeu um título de boazuda. Era assim que vários seres do gênero masculino se referiam a mim: gostosa, boazuda, delícia, etc. Ouvia esse adjetivos diariamente de estranhos na rua, de colegas da escola, de carinhas em shows, dos amigos do meu pai. Eu era uma menina de 15 anos e já tinha que saber me defender dos famosos "tarados", só que eles estavam por toda parte e não se contentavam somente em dizer os adjetivos (muitas vezes gritados no meio da rua), eles queriam encostar, passar a mão nas curvas recém adquiridas, "tirar uma casquinha". Tive que lidar com isso até o dia que mudei do Brasil, aos 24 anos de idade.

Réveillon 2003, aos 20 anos 
Então mudei pra Holanda e em pouco tempo comecei a perceber que as roupas que eu trouxe do Brasil já não me serviam mais. Subi numa balança e pela primeira vez na minha vida eu me assustei com o que vi. Em somente 6 meses morando na Holanda eu tinha subido de 53 pra 58kg! Assustei porque nunca tinha passado dos 53kg na vida e nunca tive problema algum em entrar nas roupas que tinha. 

Primeiro final de semana na Holanda, aos 24 anos

Achei que meu corpo estava reagindo às mudanças, fuso horário diferente, hábitos alimentares diferentes, menos atividade física, mais tempo livre pra atacar a geladeira, etc. Não me preocupei muito, afinal era inverno e eu precisava comprar roupas novas de qualquer jeito. Daí chegou a primavera e as roupas do Brasil que antes estavam um pouco apertadas, agora já nem entravam mais. Subi na balança de novo e BAM! dos 58 aos 63kg. Dez quilos em um ano! Era hora de fazer algo. Comprei um tênis e comecei a sair pra caminhar todos os dias, 90 minutos por dia. Nessa época eu parei de engordar, consegui me manter por volta dos 60kg por um bom tempo só deixando de ser sedentária.  Mudei pra Bélgica durante o outono e percebi que não iria conseguir sair pra caminhar todos os dias com chuva, vento, granizo e até neve. Então pela primeira vez na vida me matriculei numa academia. Odiava, mas ia todos os dias. Fazia aula de Spinning, Pilates, fazia esteira, fazia bicicleta. Achava tudo uma merda, mas ia. E assim eu mantive os 60kg por um ano. Mas ainda não conseguia emagrecer...

Dois meses na Holanda, a calça já não ficava folgada mais
Foi aí que entrei pro mundo louco das dietas. Fiz dieta da sopa, dieta das notas, dieta dos sucos, dieta das proteínas. Contei caloria de cada garfada, teve época de eu comer só 800 calorias por dia. Com isso eu fui me sentindo cada vez pior, comecei a odiar meu corpo, comecei a me odiar por deixar chegar naquele ponto. Dez quilos em um ano, como isso aconteceu? Eu tinha só 26 anos, se continuasse desse jeito eu iria pesar 90kg quando chegasse aos 40. Eu parei de usar bikini, comecei a comprar roupas largas pra não marcar "as banhas" e continuava a fazer dietas malucas. Cheguei ao ponto de substituir minhas refeições por diet shakes. Meu intestino só funcionava de duas formas, ou eu passava semanas constipada ou eu passava semanas de diarreia. Minha pele ficou horrível, meu cabelo e unhas quebradiças. Foi uma época horrível em que eu estava mais preocupada com os números na balança do que com a minha saúde. E o pior é que mesmo com essas dietas malucas e academia cinco vezes por semana, eu não conseguia diminuir os números na balança. Ficavam sempre ali entre 60 e 63kg.

Dezembro de 2013, por volta de 65kg
Voltei pra Holanda e continuei com as dietas malucas. Me inscrevi na academia mais próxima de casa, só que essa não era tão próxima assim, eram 15 minutos de bicicleta. Acabou que essa distancia começou a servir de desculpa pra não ir. Ao invés de ir todos os dias eu comecei a ir só duas vezes por semana, daí uma vez, daí comecei a passar uma semana inteira sem ir, duas semanas, três e por aí vai. Chegou ao ponto de eu passar 3 meses inteiros sem pisar lá. Gastando dinheiro pra nada. Foi mais ou menos nessa época que eu desenvolvi um distúrbio alimentar. Comecei a comer compulsivamente, descontava tudo na comida, tudo era motivo pra entupir. Estresse, frustrações, tristeza, depressão...eu comia até passar mal. Nessa época eu ainda trabalhava pro correio, então andava muito de bicicleta e por isso não percebi os efeitos desse distúrbio alimentar. Eu comia um pote de sorvete sem perceber e depois ficava me sentindo super mal, super culpada, daí passava o resto da semana comendo menos que mil calorias por dia. Mas como ainda fazia atividade física todo dia o ponteiro da balança só subiu um pouco nesse período, cheguei a pesar 65kg.

Entrei pra faculdade e deixei de trabalhar pro correio. Aí o sedentarismo aumentou muito, junto com os níveis de estresse e insegurança. Eu sempre dizia pra mim mesma: 'a partir de segunda eu vou me programar pra ir à academia ao menos três vezes por semana'. Toda segunda eu falhava. Mas nessa época eu comecei a aprender mais sobre nutrição e mudei meus hábitos alimentares. Foi então que parei com as dietas malucas e comecei a comer comida de verdade. O problema é que eu só via comida como componentes, quantidade de proteína, de carboidrato, de vitamina isso e aquilo, açúcares, etc. Eu ainda enxergava a comida como um mal necessário, um inimigo. Mas pelo menos eu tava comendo a quantidade de calorias necessárias pra funcionar e estava comendo comida e não tomando shakes. Meu intestino voltou a funcionar, meu cabelo, pele e unhas voltaram a ter brilho e eu voltei a me sentir com mais energia, mais saudável. Eu ainda odiava meu corpo e minha relação com a comida ainda era longe de saudável, mas pelo menos eu não estava mais me matando.

Outubro de 2013, chegando aos 70kg, roupas largas pra disfarçar
Daí começou o segundo ano da faculdade e o nível de estresse foi o maior que já tive na vida. Eu contei aqui o quanto que foi difícil passar por esse ano letivo. Foi nessa época que minha compulsão alimentar chegou ao seu pico e como eu estava bastante sedentária acabei engordando mais um bocado, no final do ano letivo eu cheguei a pesar 73kg. Nunca imaginei que fosse possível passar da casa dos 70, mas aconteceu sem eu nem mesmo perceber. Eu só fui notar que estava usando a comida como válvula de escape pro estresse já no final do ano letivo. Quando finalmente tudo acabou eu resolvi fazer uma revolução na minha vida.

Desde julho eu parei de ver comida como inimigo e também como calorias ou componentes. Comida é bom, comida é saúde e energia! Hoje em dia eu vejo comida como comida...Eu procuro evitar frituras, açúcar e coisas processadas. Também evito tudo que não seja integral. Mas perceba que a palavra chave é EVITAR e não cortar de vez, porque isso não funciona. Simplesmente tento não consumir essas coisas no dia-a-dia. O que eu consumo são produtos mais próximo possível da sua forma natural, muitas verduras e legumes, bastante frutas e carnes. De preferencia feito em casa, com ingredientes que sei de onde vem. Não conto mais calorias e nem componentes. Um prato balanceado e colorido contem todos os nutrientes que necessito, e se hoje eu consumo menos de nutriente X, com certeza irei consumir mais amanhã. Então não há com o que se preocupar. Minha relação com comida tem melhorado muito e a compulsão tá bem controlada. Antes de eu comer qualquer coisa eu me pergunto porque estou comendo aquilo, é por fome ou por prazer? Se for por fome eu como até me sentir saciada, nem mais nem menos. Se for por prazer eu limito a quantidade, pois entupir daquilo não vai me dar prazer de jeito nenhum, então como só a quantidade que acho apropriada e paro. Também estou aprendendo à dizer NÃO quando alguém me oferece algo. Dizer não é uma forma importante de aprender a controlar a compulsão.

Vestido que comprei pro réveillon de 2012 porque ficava larguinho, em junho de 2014 mal consegui entrar nele

O problema estava sendo fazer atividade física, mas por sorte abriu uma academia 24h bem na esquina da minha casa. Me inscrevi lá e tava indo 3 ou 4 vezes por semana. Mas daí comecei o estágio e tava tentando ir depois do jantar, mas aí já sabe né, a preguiça domina e acabava indo no máximo 1 ou 2 vezes só. Então meu marido teve a brilhante ideia de acordar cedinho e ir antes do trabalho. No início eu achei que não daria conta, mas agora eu to indo sem o menor problema. Todo dia às 6 da matina lá to eu fazendo 45 minutos de esteira ou usando algum equipamento pra definir a massa muscular. E assim eu vou, devagarinho, procurando ser mais saudável e me odiar menos. 

Julho de 2014, com 73kg
Não vou mentir, é lógico que quero perder peso, principalmente porque tenho um armário cheio de roupas legais e não caibo mais em nem 1/3 delas. Na Holanda não dá pra ser baixinha e gordinha, não há roupas desenhadas pra isso. Ou você é alta e gordinha ou baixinha e magra, idealmente alta e magra. Então acabo comprando o que serve e não o que gosto. Mas meu principal motivo é a minha saúde, cansei de sentir que vou morrer ao subir um lance de escada, cansei de achar que meu coração vai explodir ao correr 20 metros pra pegar o metrô. Eu quero sentir que sou dona do meu corpo e não vou mais deixar que fatores externos me influenciem.

Esse verão eu aprendi como é libertador colocar um bikini estando 20kg acima do peso e ligar o foda-se. Não que eu precise de validação masculina, mas meu marido me conheceu com 53kg e vivenciou todo o processo de ganho de peso ao meu lado. Em momento algum ele deixou de me achar atraente, em momento algum ele me pediu pra voltar a ser magra. Ele fica sim preocupado quando eu corro um pouco e falto morrer, mas ele sempre esteve ali dando apoio e aguentando meus momentos de fraqueza. As vezes que eu tive minhas crises de choro porque meu vestido preferido já não me cabia mais, ele nunca me mandou fechar a boca, pelo contrário, ele sempre ficou receado com as dietas malucas que eu fazia. E depois de 5 anos lidando com o ganho de peso eu estou aprendendo a me ver do jeito que ele me vê, estou também percebendo que a minha saúde é mais importante do que uma cinturinha fina. É um caminho longo e difícil pra chegar na auto-aceitação, mas sem chegar lá só existe auto-destruição....


segunda-feira, 24 de novembro de 2014

O que quero ser quando crescer?

A resposta sempre esteve na ponta da língua: quero cantar! De preferencia em uma banda de metal/rock, fazer shows, gravar álbuns, escrever minhas próprias músicas...bem por aí. Então enfiei na cabeça que pra conquistar isso tudo eu precisava ir pra faculdade aprender isso tudo. Em Belo Horizonte e em toda Minas Gerais não existe faculdade de música popular, rock, etc, se quiser estudar música na faculdade vai ter que ser música erudita. E foi bem isso que eu fiz, comecei a estudar música erudita um pouco antes meu primeiro ano do ensino médio, participei de vários coros, produções de ópera, recitais, fiz aulas com professores renomados e até ganhei uma graninha com o canto erudito. 

Fiz isso de 1999 até 2007, nesse tempo em comecei e terminei o ensino médio, fiz cursinho e tentei vestibular três ano seguido, tanto pra UFMG quanto pra UEMG. Não passei na em nenhum dos dois por causa de cursos que não têm nada a ver com música, tipo matemática e química. Mas eu nunca parei de me dedicar ao canto. Só que fui ficando cansada desse mundo erudito. É muita falsidade nesse meio, muita gente querendo fuder com os outros só pra ficar bem vista aos olhos dos maestros e produtores. Fora que eu comecei a reavaliar o porque de eu estar fazendo isso tudo e percebi que, apesar de eu amar muito e ter sim bestante satisfação, a musica erudita não era minha paixão. Eu queria uma banda, queria escrever minhas próprias musicas, queria fazer turnê. Nada disso seria possível se eu continuasse a me dedicar tanto ao canto erudito. 

Apesar de tudo eu ainda estava com a ideia fixa de que pra realizar meu sonho eu precisava fazer uma faculdade de canto, então comecei a procurar fora de Minas Gerais por algum curso universitário mais direcionado à musica popular, rock, etc. Foi aí que eu tomei a decisão mais drástica da minha vida. Eu mudei pra Holanda! Eu já contei aqui um pouco de como foi que eu decidi mudar pra cá. Vim com a certeza absoluta de que eu iria estuar na Rock Academy no sul da Holanda. Daí eu fui visitar a faculdade e descobri que além de mim, metade do país resolveu ir estudar canto. Também descobri que todos os cursos eram dados em holandês e eu precisaria aprender a língua antes de me inscrever. Então resolvi procurar outras faculdades, pois a Holanda tem várias faculdades direcionadas à outros estilos musicais além do erudito, eles têm até uma faculdade especializada em metal! Mas todas tinham o mesmo problema: competição acirrada. Se eu quisesse aprender baixo a história seria diferente, mas eu queria o mesmo que várias pessoas, queria estudar canto. 

Foi então que me inscrevi pra um curso preparatório pra faculdade de musica de Rotterdam. Foi nessa época também que comecei à ter contato com músicos já formados por essa mesma faculdade (e outras espalhadas pelo país) e todos eles me diziam a mesma coisa, diziam que fazer faculdade de música não significa nada, não garante que você vai se dar bem como músico, não garante que você vai ter algum tipo de renda depois de formar. A maioria dessas pessoas já formadas estavam passando por dificuldades financeiras, tendo que dar aulas das 8 da manhã até as 22 horas pra conseguir pagar o aluguel, algumas até estavam trabalhando em empregos nada a ver com musica, depois de ter dedicado 4 anos à se tornar músicos profissionais. O que todos me diziam é que não é necessário ter um diploma acadêmico pra ser um bom músico e que eu estaria perdendo meu tempo e meu dinheiro. 

Nessa época eu tomei a decisão mais difícil da minha vida, eu desisti de fazer faculdade de musica. Veja bem, eu não desisti da musica e nem desisti de estudar com bons instrutores e me aprimorar. Eu continuo fazendo curso de canto com uma professora ótima e tenho uma banda na escola de musica com quem me apresento algumas vezes por ano. Eu desisti foi de ter um diploma dizendo que eu aprendi aquilo tudo em nível  universitário. Mas porque essa decisão foi tão difícil? Porque eu passei praticamente 15 anos da minha vida com essa ideia fixa de que eu precisava disso tudo pra me tornar a cantora que eu gostaria de ser. Eu inclusive deixei isso ser uma barreira no passado, achando que eu não seria boa o suficiente pra cantar em uma banda até eu obter esse diploma. Foi muito complicado mudar de ideia e tem hora que eu acho que ainda não mudei completamente, acho que é um longo processo até eu conseguir me limpar totalmente desse pensamento. 

Então depois de meses pensando no que eu gostaria de fazer eu descobri que a unica coisa que eu gosto tanto quanto musica é a internet. Pesquisei cursos e faculdades e escolhi o curso de comunicação com especialização em mídia digital. Estou no meu terceiro ano e no momento estou fazendo estágio. Estágio aqui funciona diferente, são seis meses de estágio em tempo integral. Não tem aulas nesse período (só duas vezes por mês um encontro pra conversar sobre as experiencias no estágio) então é praticamente como se estivéssemos no emprego que teremos depois de formados. Eu gosto do meu curso, apesar de me sentir bem frustrada de vez em quando. Eu gosto também do meu estágio. Mas as vezes fico questionando se é isso mesmo que quero pro resto da vida. Passei tantos anos perseguindo um sonho que nunca parei pra pensar no que faria caso não desse certo. Hoje em dia eu acordo todos os dias bem desmotivada, acho legal o que faço mas não mais que isso, nada mais que legal. Será que eu me sentiria assim se tivesse escolhido um outro curso? Será que qualquer coisa que fizer que não seja diretamente relacionado à música vai me fazer sentir assim? Será que vou ter que passar o resto da vida procurando por algo que me satisfaça por completo, além da música? Ou será que vou ter que me contentar com fazer algo que acho simplesmente legal? 

Ainda tenho até julho de 2016 pra responder todas essas questões, mas na verdade o que me faz tudo piorar é a pressão que sinto pra já ter todas essas respostas, afinal já tenho 31 anos e já era pra ter minha vida resolvida. Ou não? O que fazer quando o seu plano de vida precisa ser totalmente retraçado depois dos 30? Como lidar com a incerteza de não saber o que quer? Nem posso dizer que me sinto como uma adolescente decidindo meu futuro porque quando eu era adolescente eu sabia exatamente o que queria ser quando crescer....

Música que define esse momento da minha vida: Mary Jane da Alanis Morissette. Quase 20 anos ouvindo o álbum Jagged Little Pill e até hoje encontro músicas com letras relevantes pra coisas que sinto :-)

Mary Jane

What's the matter Mary Jane, you had a hard day
As you place the don't disturb sign on the door
You lost your place in line again, what a pity
You never seem to want to dance anymore
It'sa long way down
On this roller coaster
The last chance streetcar
Went off the track
And you're on it
I hear you're counting sheep again Mary Jane
What's the point of trying' to dream anymore
I hear you're losing weight again Mary Jane
Do you ever wonder who you're losing it for
Well it's full speed baby
In the wrong direction
There's a few more bruises
If that's the way
You insist on heading
Please be honest Mary Jane
Are you happy
Please don't censor your tears
You're the sweet crusader
And you're on your way
You're the last great innocent
And that's why I love you
So take this moment Mary Jane and be selfish
Worry not about the cars that go by
All that matters Mary Jane is your freedom
Keep warm my dear, keep dry
Tell me
Tell me
What's the matter Mary Jane
Mary Jane (tradução)
O que há Mary Jane, teve um dia difícil?
Assim você põe o sinal de "não perturbe" na porta
Você perdeu o lugar na fila de novo, que pena
Você parece mais querer dançar
É uma longa descida
Nesta montanha russa
O bonde da última chance
Saiu da pista
Com você dentro
Ouço você contando carneirinhos de novo, Mary Jane
Pra que tentar continuando a sonha
Ouço você perdendo peso de novo, Mary Jane
Você imagina para quem você está perdendo isto?
Bem, isto é velocidade máxima, baby
Na direção errada
Há um pouco mais feridas
Se este é o caminho
Que você insiste em seguir
Por favor seja honesta Mary Jane
Você está feliz?
Por favor não censure suas lágrimas
Você é uma doce guerreira
E está em seu caminho
Você é a ultima grande inocente
E esta é a razão por eu te amar
Então pegue este momento, Mary Jane, e seja egoísta
Não se preocupe com os carros que vão embora
Tudo que importa, Mary Jane, é sua liberdade
Mantenha-se quente minha amiga, mantenha-se seca
Conte-me
Conte-me
Qual o problema Mary Jane?


quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Bandas que mais marcaram minha vida - The Gathering e Anneke van Giersbergen

Já contei aqui algumas vezes que o ano 2000 foi um ano de muitas descobertas musicais na minha vida. Nesse ano descobri várias bandas de metal com vocal feminino. Nesse post eu falo sobre a grande influencia que a banda holandesa After Forever teve minha vida. Junto deles tem mais algumas bandas que tiveram a mesma importância pra mim, entre elas Within Temptation, Lacuna Coil e The Gathering (de todas essas bandas só o Lacuna Coil não é holandês). Na época ainda não havia definição pra essas bandas, umas eram consideradas metal melódico, outras doom metal, algumas gothic metal e a maioria eram chamadas de symphonic metal. Hoje em dia essas bandas são conhecidas como Female Fronted Metal. Cada uma dessas bandas tinha (ou ainda tem) algo que me influenciou profundamente e no caso do The Gathering a influência veio claramente da vocalista deles, a Anneke van Giersbergen. 

Strange Machines ao vivo em 1996 no festival Pinkpop

Eu conheci o The Gathering num álbum de coletâneas metal que venho numa revista, no álbum tinha a musica 'Strange Machines' e eu fiquei imediatamente apaixonada por eles. Pouco tempo depois um amigo me deu o álbum 'Nighttime Birds' e eu simplesmente não conseguia parar de ouvir aquelas músicas. As melodias eram cativantes, os instrumentos eram extremamente bem executados e os vocais eram inexplicavelmente supremos. Aquela voz, aquela técnica, aquele vibrato, aquela emoção toda. Eu estava apaixonada pelas musicas 'On Most Surfaces', 'Third Chance' e 'Shrink'. A vocalista Anneke van Gierbergen tinha me conquistado completamente!

Nessa época a banda ainda se classificava como doom metal, depois de um tempo procurando mais coisas deles eu descobri que eles tiveram um vocalista masculino antes da Anneke, eu até procurei umas musicas antigas pra ouvir mas não curti muito. Aliás o primeiro álbum com a Anneke, o 'Mandylion' (Nighttime Birds é o segundo álbum com a Anneke) também não me agradou por completo, só gostei de algumas musicas. O terceiro álbum com ela foi o 'How to Measure a Planet?' e foi aí que a banda começou a transitar do doom metal pra um metal/rock mais alternativo. Essa também foi a época em que a banda começou a ganhar mais visibilidade internacional, principalmente na América Latina. Eu continuei seguindo o trabalho deles e cada dia ficava mais apaixonada pelas musicas que eles faziam e pela voz da Anneke. Eles foram se afastando cada vez mais do metal e ficando mais alternativos. O meu álbum preferido vai sempre ser o 'Souvenirs', mas 'If Then Else' também tem um lugarzinho especial no meu coração. 
Liberty Bell do álbum "How to Measure a Planet?"

Após a turnê pra promover o álbum 'Home', Anneke anunciou que deixaria a banda. Os fãs enlouqueceram e ninguém aceitou a noticia com o coração aberto. Em 2008 a banda anunciou uma nova vocalista, a norueguesa Silje Wergeland. Com ela eles já lançaram três álbuns, o 'West Pole', 'Disclosure' e 'Aterwords'. Essa nova fase é bem mais experimental e até mesmo um pouco psicodélica. A Silje é uma ótima vocalista e a maioria dos fãs estão contentes com a entrada dela pra banda. Enquanto isso a Anneke continuou sua carreira lançando vários álbuns com sua nova banda Agua de Annique e participando de inúmeros projetos com vários músicos espalhando pelo mundo.  
You Learn About It do álbum Souvenirs

Eu continuo extremamente fã da Anneke e acompanho sua carreira solo com muito carinho, já fui à cinco shows dela. Continuo gostando muito de The Gathering, apesar de essa nova fase não ter o mesmo significado pra mim quanto a fase com a Anneke tinha. Até então só tinha visto um show deles em 2011 e achei a Silje muito boa ao vivo também. Infelizmente nunca tive a oportunidade de ver um show do The Gathering com a Anneke nos vocais. Mas isso tudo mudou no ultimo domingo, 09 de novembro!
Anneke van Gierbergen - Take Me Home

No ultimo domingo a banda comemorou 25 anos de existência e fizeram um show super especial com todos os ex-vocalistas. Foi uma experiencia linda demais. Passei praticamente seis meses na expectativa, conheci gente que estava vindo do Canadá, EUA, Brasil, Russia e outras partes do mundo só pra ver esse show. Quando eles tocaram a primeira musica com todos os vocalistas em cima do palco eu cheguei a chorar de emoção. Também fiquei emocionada quando vi a Anneke cantando musicas super nostálgicas. Em vários momentos eu me senti com 15 aninhos novamente, ouvindo musicas que marcaram tanto a minha vida sendo cantadas pela formação daquela época. E o mais impressionante foi ver a reação do público à cada uma dessas musicas nostálgicas. 
The Gathering - Saturnine, com todos os vocalistas no ultimo domingo. 

Depois do show os membros da banda foram dar autógrafos e tirar fotos com os fãs que ficaram. Mesmo com tanta gente urubuzando cada um deles em momento algum eles perderam a paciência e a doçura com ninguém. Foi um carinho tão extremo que eu me senti acolhida e especial. Nunca imaginei que pudesse ser tão bem tratada por musico nenhum. Eles passaram mais de duas horas dando atenção pra todo mundo que pediu. Eu finalmente realizei meu sonho de tirar fotos com a Anneke, ela brincou que ia roubar meu vestido. Sempre rindo, sempre simpática, ela até reconheceu vários fãs que seguem a carreira dela. Tudo muito mágico! 
Eu com cara de boba alegre ao lado da Anneke

Não consigo parar de ouvir The Gathering desde domingo e acho que estou com uma mistura de êxtase perpetuo com depressão pós show. Já fui à tantos shows na vida e nunca me senti assim depois de nenhum. Não sei explicar, só sei que tenho muito orgulho de ser fã e ter sido tão influenciada pelo The Gathering e a vocalista mais perfeita de todos os tempos, Anneke van Giersbergen....

terça-feira, 28 de outubro de 2014

Agora é com vocês!

Oi gente, estou tentando manter esse blog mais ativo e novamente estou falhando. Tive umas semanas meio apertadas no estágio e a vida social anda meio agitada também, teve aniversário, teve dois shows, teve festival (à trabalho), teve saída com os amigos. Então acabou não sobrando muito tempo pra escrever aqui. Mas eu quero mesmo voltar a escrever ao menos uma vez por semana e por isso preciso da ajuda de vocês. Eu tenho uns assuntos que estou planejando escrever e gostaria que vocês me ajudasse a planejar a ordem em que os escreverei.

As opções são
- Como estou lidando com o fato de ter ganhado 20kg desde que mudei pra Holanda
- Bandas que mais marcaram minha vida - The Gathering e Anneke van Giersbergen
- Procurando sentido nas coisas que faço
- Vivendo com depressão clínica
- Solidão crônica e sensação de inferioridade
- Aprendendo à trabalhar na Holanda
- Como lidar com ansiedade social
- Passando do 30 e ainda descobrindo o que quero ser quando crescer

Então é isso, vou escrever na ordem em que os tópicos forem pedidos. Agora é com vocês! hahahaha

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Fim do Orkut e amizades virtuais

Semana passada o Orkut deu seu ultimo suspiro de vida. Foram dez anos que mudaram a maneira com que os brasileiros se relacionam com as redes sociais e a maioria de nós ainda acha que o Orkut era infinitamente melhor que o Facebook. O Orkut oferecia inúmeras possibilidades de interação que o Facebook não oferece (ou começou a oferecer pouco tempo atrás). Muita gente assim como eu acredita que o Facebook seja uma plataforma mais pra ficar vendo o que os outros estão fazendo do que pra criar um diálogo verdadeiro. Quem aqui já não perdeu noites de sono discutindo um ponto de vista em alguma comunidade do Orkut? Agora, quem já fez o mesmo em um grupo do Facebook? Talvez porque estamos ficando mais velhos e isso tudo não importa mais, ou porque sabemos que tudo que fazemos no Facebook está sendo documentado. A verdade é que o nível de engajamento entre as duas plataformas é completamente diferente. Eu, como estudante de comunicação com especialização em mídia digital, posso dizer que o Facebook frustra e nos compele a viver num mundo onde nos esforçamos pra impressionar quem nos segue. O Orkut tinha um pouco essa função, mas a interação nas comunidades era o alvo e não o compartilhamento dos acontecimentos de nossas vidas. O foco do Orkut era conectar pessoas, o do Facebook é mostrar as coisas que você faz ou até o que você pensa. Não que isso seja necessariamente ruim, só não é tão legal e motivador quanto passar horas discutindo aquela série que você ama ou aquela banda que mudou sua vida. 
Enfim, uma das coisas que nos deixa mais saudosos do Orkut são as pessoas que conhecemos por lá. Eu fiz grandes amigos por lá e um dos namoros mais longos que já tive também começou em uma das dezenas de comunidades que eu fazia parte. Conheci gente de Belo Horizonte que acabaram virando meus amigos na "vida real" também e conheci gente do Brasil inteiro (e até do resto do mundo) que viraram amigos virtuais muito queridos. A maioria dessas pessoas eu ainda mantenho contato. Quando mudei pra Holanda pra ser au pair, 80 por cento das informações que consegui foram nas comunidades de au pair daqui. Também quando mudei pra Bélgica pra conseguir um visto de permanência, comunidades como a Brasileiros na Bélgica me deram várias dicas úteis. O Orkut era quase uma plataforma de utilidade pública! 

Por anos as comunidades que mais tomaram meu tempo eram das séries Lost e Supernatural. Lá eu passava várias horas diariamente, especulando, bolando teorias, falando sobre episódios passados, falando sobre os atores, etc. Foram noites sem dormir conversando (e as vezes brigando) nos tópicos de ambas comunidades. Mas a comunidade que mais me marcou, que sempre foi a mais querida, foi a da banda After Forever. Já falei aqui sobre o quanto essa banda foi importante na minha vida e que foi um dos fatores de eu ter escolhido a Holanda pra morar. Essa comunidade foi transferida pro Facebook com vários membros originais e alguns novos. Nessa comunidade eu conheci pessoas incríveis! Tenho um carinho enorme pela maioria dos membros e o nosso relacionamento é muito legal. Infelizmente todas essas pessoas queridas só fazem parte da minha vida virtualmente.

De todas essas pessoas especiais que conheci lá, a mais querida de todas foi a Laís Tomaz. A Laís e eu começamos a nos falar com mais frequência por volta de 2009, quando ela montou um fã-site sobre a Floor Jansen, vocalista do After Forever. Nessa época eu estava começando a estudar holandês e a Laís pediu minha ajuda pra traduzir algumas entrevistas e artigos pro site (pra quem não sabe os membros do After Forever são holandeses). Eu aceitei pois vi como uma boa oportunidade de praticar meu holandês e também porque sempre achei a Laís bem legal. Mas nessa época era só isso mesmo, uma garota legal da comunidade. Nós começamos a nos comunicar com mais frequência via chats e outras redes sociais, no começo falando mais sobre musica e sobre canto (ela também estuda canto). Depois de uns meses conversando com certa frequência eu já me sentia a vontade de falar de coisas mais pessoais. O relacionamento foi progredindo naturalmente, a gente se falava cada vez com mais frequência e por mais horas e cada vez tocando em assuntos mais pessoais. A Laís é 8 anos mais nova que eu, mas quando eu converso com ela eu nunca vejo diferença nenhuma pois ela tem mente aberta e experiência de vida. 

De 2009 pra cá muita coisa aconteceu tanto na minha vida quanto na dela, mas ambas passamos por todo o processo juntas durante esses anos. Sinto que crescemos juntas, temos uma visão bem parecida do mundo e até nossas frustrações são mais ou menos as mesmas. Quando algo bom acontece comigo ela é uma das primeiras pessoas com quem quero compartilhar e quando é algo ruim, eu quero correr pra desabafar com ela. Sempre tive a sensação de que ela me entende e ela sempre tem o poder de me fazer sentir melhor quando eu to pra baixo. 

Porém até esse verão a Laís era só um bando de palavras GTalk e fotos nas redes sociais, ela sempre foi virtual e por mais que nosso relacionamento fosse genuíno, ele nunca teve a parte física de ir afogar as mágoas num boteco, de ir à shows juntas, de bater perna pela cidade, de ir ver um filme. Nenhuma das coisas que uma amizade "normal" tem. Até que ano passado em agosto ela me mandou uma mensagem pra informar que estava vindo pro festival Wakken na Alemanha e depois viria passar uns dias na minha casa. Eu entrei em êxtase!! Fiz questão de montar o quarto de hóspedes pra ela (que até então tava cheio de caixas e bagunça que não tinha lugar no resto casa), fiz um roteiro de lugares pra levar ela pra conhecer, entupi ela de dicas de viagem e de festivais. Passamos um ano inteiro planejando essa viagem, eu nunca quis tanto conhecer alguém pessoalmente quanto ela. 

No inicio de agosto desse ano ela finalmente chegou com o namorado. Eles ficaram só 4 dias, foi o suficiente pra levar eles pra conhecer Rotterdam e Amsterdam e pra nos divertir e conversar muuuuuito. Apesar de quatro dias ser extremamente pouco, ela tava alí, real, de carne e osso. Eu tava com medo da situação ser meio constrangedora, tipo passamos 5 anos conversando praticamente todos os dias por horas seguidas, daí nos vemos pessoalmente e não temos nada pra conversar. Mas foi bem o contrário disso, pareceu que nos ver pessoalmente era algo normal que acontece com frequência. Não houve um momento sequer que a gente não ficou à vontade em ter ultrapassado o virtual e tornado tudo real. Quando ela foi embora ficou um vazio enorme por vários dias, a sensação de estarmos perdendo toda essa experiência de estar juntas e fazer coisas que amigas "normais" fazem. Eu confesso que chorei uma tarde inteira só de pensar que não faço ideia de quando eu a verei pessoalmente de novo, até agora escrevendo esse texto uma lágrima acabou de descer pelo meu rosto só de pensar nisso. A vontade que tenho é de entrar no próximo avião pra São Paulo só pra ver ela, ninguém mais, só ela.

Logo depois que ela voltou pra casa foi meio estranho voltar a falar só pelo GTalk e por redes sociais, ficou uma sensação imensa de que aquilo não era mais suficiente. Mas agora, alguns meses depois, já está tudo normal novamente. Continuamos conversando várias horas por dia e continuamos compartilhando tudo que acontece na vida. Mas agora sabemos que virtual não é suficiente e sabemos que nossa amizade é de verdade, por isso já estamos pensando em novas possibilidades de nos vermos o mais rápido possível. E sim, uma pessoa pode se tornar extremamente importante na sua vida sem você nunca ter conhecido pessoalmente. Amor transcende até as barreira físicas. E sim, eu tenho plena consciência de que esse post saiu bem lésbico e meloso, mas nem ligo :-P

Amizades "normais" não são a única opção e se não fosse pelo Orkut eu nunca saberia disso....

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Rhodos, Rhodes, Rodes....old town e acropolis de Rhodos

Enfim chegamos à ultima parte da minha viagem pela ilha de Rodes. Quem dera que a minha viagem tivesse durado o mesmo tanto que contar sobre ela tá durando. Nesse post vou contar sobre um dos lugares históricos mais impressionantes que já fui na vida, a Old Town (cidade medieval) dentro da cidade de Rhodos. Também vou contar sobre a ultima Acrópolis que visitamos na ilha, que também fica situada na cidade de Rhodos. 

Aqui eu contei um pouco sobre a história da cidade medieval de Rhodes, então vamos pular essa parte e ir direto ao que interessa. Queríamos chegar lá bem cedinho antes do comercio abrir e os ônibus lotados de turistas chegassem. Chegamos por volta das 9 da manhã e a cidade era nossa! Foi uma delícia andar e tirar fotos sem ter que brigar por espaço.

Dubrovnik na Croácia
Minha primeira impressão foi: ESTOU EM KING'S LANDING!!!! As muralhas, as ruas super estreitinhas, as casinhas medievais e o castelo que poderia muito bem ser o Red Keep. Fora a vista pro porto que poderia ser o Black Water que banha a cidade. Eu sei, eu sei, to aqui falando de Game of Thrones e talvez você nem seja fã. Sem contar que King's Landing já existe na cidade de Dubrovnik na Croácia, onde a séria é filmada. Mas eu garanto que a cidade medieval de Rhodos poderia muito bem servir de cenário pra série.

Eu já conheci várias cidades medievais, a maioria na Bélgica e Holanda, mas também na Suiça e República Tcheca. Muitas dessas cidades são maravilhosas! Mas nenhuma nunca me deu a sensação de estar num filme medieval tanto quanto Rhodos, acho que foi por causa das muralhas ao redor da cidade. Cada ruazinha, cada prédio, cada portaria, tudo me encantava e me fazia voltar lá no século 12. Gostaria que as fotos que fiz pudessem capturar a magia de estar lá, mas infelizmente acho que meu modesto celularzinho não deu conta do recado, mas eu juro que tentei...
Portão principal de acesso por terra
Knight Street (rua dos cavaleiros) onde ficavam os hotéis de cada país que fazia parte das cruzadas
Portão bonito
Uma das várias ruazinhas da cidade. Essas portinhas são casas onde ainda moram pessoas
Entrada do Red Keep...não, pera, entrada do palácio do Crusade Master (mestre das crusadas)
Entrada do palácio do Crusade Master (mestre das crusadas)
Dentro do palácio
Dentro do palácio
Tá vendo, não fui só eu que me senti em King's Landing
Saída pro mar
Portão principal de acesso por mar
Entrada do museu arqueológico (antigamente era um hospital)
Dentro do museu arqueológico
Dentro do museu arqueológico
Dentro do museu arqueológico
Vista da muralha pelo lado de fora
Segundo portão de acesso por terra
Torre bonita
Esse foi provavelmente um dos passeios mais inspiradores que já fiz, saí de lá querendo escrever um livro de fantasia com esse cenário em mente. Passamos boa parte do dia lá, passeando pelas ruazinhas e olhando as lojas e os cafés/restaurantes. Quando tudo começou a ficar insuportavelmente cheio e o calor começou a fritar a pele voltamos pro hotel, pegamos o carro e fomos passar a tarde na praia de Kamiros. Ficamos lá até o sol se por e jantamos por lá mesmo, um dos peixes mais deliciosos que já comi na vida! 
Que vida difícil essa....
No dia seguinte não tínhamos carro mais, então decidimos fazer um tour de barco pela ilha de Symi que fica mais ou menos duas horas de viagem. Mas a gente é anta e não perguntou com antecedência como esse passeio funcionava e quebramos a cara. O chegamos no porto por volta das 10:30 jurando que tinha um passeio a cada hora ou algo do tipo, mas na verdade o passeio sai uma vez ao dia, às 10 da manhã, e retorna no fim da tarde. Então lá se foram nossos planos. Ficamos sem saber o que fazer, então descobrimos que ainda faltava uma acrópolis pra visitar (que não é mencionada em nenhum dos livros ou sites que pesquisei). Descobrimos que tem um ônibus que nos deixa lá perto e resolvemos ir. Ainda bem que fomos porque mesmo não sendo uma acrópolis impressionante, a vista é bem bonita. Subimos a montanha, tiramos fotos, ficamos admirando a vista e depois resolvemos voltar pra cidade caminhando.  








De tarde fomos à praia em frente ao hotel e depois jantamos no restaurante ao lado do hotel. No dia seguinte de manhã cedinhos voamos de volta pra casa e esse foi o final do nosso passeio maravilhoso pela ilha de Rodes. Eu fiz muitas fotos, muitas mesmo! Selecionei as mais legais pra postar aqui, mas tem um álbum no meu facebook com muito mais. A ilha é maravilhosa e tem atividades pra todos os gostos, tem natureza, tem praia, tem história, tem comida boa e tem vida notura. Espero voltar lá um dia, talvez com uma câmera melhor pra registrar toda a beleza da ilha. Foi um passeio inesquecível! E pra finalizar, fotos de alguns dos gatinhos que encontrei por lá ^.^







quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Rhodos, Rhodes, Rodes....costa leste

Terceiro dia de viagem e nesse dia pegamos o carro e fomos passear pela costa leste da ilha. Acordamos cedinho e fomos visitar as ruínas de Ialyssos, como contei no post anterior. De lá pegamos uma estradinha que liga as duas costas e no meio do caminho passamos no Bee Museum (museu da abelha) pra comprar mel. Mel grego é o meu preferido e sempre que vou lá eu compro vários potes, também encomendo quando alguém de lá ta vindo pra cá (tipo meu sogro que mora lá). A costa leste da ilha tem praias maravilhosas e por isso decidimos levar tudo necessário pra fazer pit-stops durante o passeio e parar pra dar um mergulho em algumas dessas praias. Esse lado da ilha tem menos ruínas pra visitar, então o legal mesmo é admirar a paisagem e conhecer as vilazinhas que tem por lá. 

Primeira parada foi a cidade de Faliraki, segundo minhas pesquisas as praias lá seriam super legais de visitar. Mas a cidade é extremamente turística e as praias muito lotadas, por isso não gostamos e fomos embora. De lá dirigimos pra baía de Ladiko onde encontra-se a praia chamada Anthony Quinn Beach (aparentemente o ator era dono da praia nos anos 60). A praia é linda! É uma praia pequena e rochosa, não tem areia, você vai das rochas direto no mar. Eu achei lindo demais, mas as rochas pontudas entre meus pés não foram tão legais. Por isso dei um mergulho só e saí e o marido nem quis entrar na água. Ficamos lá até secar e voltamos pro carro pra continuar a viagem. 


De lá dirigimos em direção à cidade de Lindos, parando nas vilazinhas de Kalithies e Ahangelos no caminho. Nenhuma das duas vilas tinham nada de interessante, pra ser sincera. Já a cidade de Lindos é deslumbrante! As casinhas todas branquinhas e a Acrópolis se destacando lá no topo. A vista da estrada é de tirar o fôlego de verdade, aos pés da cidade está a baía com um mar tão azul que é difícil de acreditar. Lindos é a ultima das três cidades mais importantes da ilha durante a Idade Antiga e por isso é um ponto turístico obrigatório. 


A cidade é car-free (não pode passar carro) pois as ruas são extremamente estreitas e as construções protegidas pela UNESCO, portanto carros podem afetar essa estrutura. Por isso a gente deixa o carro num estacionamento fora da cidade e passeia à pé por lá. Dentro da cidade é uma loucura de turista pra todo lado, uma confusão misturando gente e lojas vendendo tralha pra galera. Como as ruas são muito estreitas fica difícil se locomover no meio de tanta muvuca. Mas mesmo assim nós passeamos e vimos bastante da cidade. Depois de mais de uma hora caminhando decidimos que era hora de subir pra Acrópolis. Só que com um calor de 40 graus na cabeça eu não tava afim de ficar subindo um zilhão de degraus até chegar no topo do monte. Então pegamos um burrinho pra subir. Por cinco euros por pessoa um tiozinho te leva até a entrada da Acrópolis em cima de um burro. Fui uma experiencia no mínimo estranha e no final eu fiquei sentindo como se tivesse explorado desses animaizinhos. Mas né, eu precisava andar de burrinho na Grécia pelo menos uma vez na vida...

Entramos na Acróplis e eu fiquei encantada. Já fui duas vezes na Acrópolis de Atenas (a palavra acrópolis significa 'cidade alta' e a de Atenas é a maior e mais bem conservada da Grécia) e sempre achei linda, mas a de Atenas só tem vista pra cidade e a de Lindos tem vista pro mar, pra cidade e pras montanhas ao redor. Fiz um zilhão de fotos e achei que deveria ter feito mais. A Acrópolis não está muito bem conservada mas está em processo de restauração. Pelo que entendi o plano é reconstruir tudo do jeito que costumava ser 2,5 mil anos atrás. Não sei como me sinto em relação à isso, mas é legal saber que ao menos está recebendo atenção e cuidado. 
Uma das ruazinhas estreitas da cidade
Os burrinhos que levam as pessoas até a entrada da Acrópolis
Parte da Acrópolis
Baía de Lindos vista de cima da Acrópolis

Parte da Acrópolis









Parte da Acrópolis
Cidade de Lindos vista de cima da Acrópolis
Parte da baía de Lindos vista de cima da Acrópolis


Voltamos pro carro por volta das 15:30 e fomos direto pra cidade de Pefki. No caminho passamos pelas ruínas do castelo de Asklipios, que pra nossa surpresa não está aberto à visitação do publico e por isso só vimos lá de baixo. Então chegamos em Pefki, uma cidadezinha fofa (talvez a mais fofa da ilha) e uma praia delícia que dá pra andar mais de 100 metros sem a água passar da cintura e sem nenhuma onda sequer....parece mais uma piscina gigante. Ficamos lá de mais ou menos 16 horas até por volta das 18 horas só nadando e curtindo um solzinho gostoso de fim de tarde. Depois dirigimos de volta pro hotel e comemos um baita pita gyros pro jantar. 
Castelo de Asklipios lá no topo da montanha
Mar aos pés do castelo de Asklipios
Mar aos pés do castelo de Asklipios
Praia de Pefki
Praia de Pefki

No dia seguinte fizemos um passeio rápido pela parte central da ilha e visitamos um lugar chamado Seven Springs (sete nascentes) que é onde todos os rios da ilha brotam da terra. Depois passamos o resto do dia na praia de Tsampika, que não é tão bonita quanto a praia de Pefki mas é tão rasa e calma quanto. 




Seven Springs
Ufa que post enorme! O próximo será o ultimo post sobre essa viagem e vou contar sobre meu passeio pela cidade medieval e sobre a Acrópolis da cidade de Rhodos. Muito provavelmente haverá algumas fotos dos gatinhos que encontrei pela ilha :-) Até breve....