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segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Momento desabafo: EU ODEIO MEU EMPREGO!!

Como vocês já devem saber, desde outubro do ano passado eu estou trabalhando para os correios holandeses - TNT Post NL - e de lá pra cá eu passei por poucas e boas nesse emprego. No início eu estava adorando muito meu trabalho, eu trabalhava num horário bom e achava super gostoso trabalhar ao ar livre (o clima estava perfeito até o final de novembro) e o trabalho em si era até gostoso fazer. Eu estava perdendo peso e aprendendo a andar de direito de bicicleta (leia sobre isso aqui) e ainda por cima tinha uma boa oportunidade de treinar meu holandês e a minha "people skills". Tava tudo indo super bem até o dia em que, pela primeira vez na minha vida, o pneu da minha bicicleta furou enquanto eu estava trabalhando e os meus chefes não fizeram absolutamente pra me ajudar. Eu tive que terminar meu trabalho com o pneu furado e ainda tive que pagar o pneu novo com meu próprio dinheiro (que custou 20 euros, o que é praticamente um dia de pagamento meu). Nesse dia aconteceu minha primeira desilusão com meu trabalho. 

Deixa eu contar um pouco sobre as condições de trabalho que o correio nos proporciona aqui na Holanda. Algum tempo atrás eles passaram por uma séria reorganização e muita coisa mudou, pra pior diga-se de passagem. Antes os carteiros podiam trabalhar full time, de uns dois anos pra cá só podem trabalhar part time. Nenhum carteiro pode trabalhar mais do que 15 horas por semana e todos temos que trabalhar aos sábados e somos obrigados a ter a segunda-feira de folga. Até aí tudo bem, não me afeta em nada. O grande problema é como precisamos fazer nosso trabalho. Quando a gente é contratado, nós recebemos uma chave de uma garagem (isso mesmo, uma garagem) onde as bolsas com as cartas são entregues (cada bolsa com ±20K e tem dia que são mais de 5 bolsas). A nossa obrigação é pegar as bolsas com as cartas do nosso bairro, colocá-las na bicicleta (que eu mostrei nesse post), aí a gente pedala até o nosso bairro e entrega as cartas. Depois retornamos à garagem pra buscar as bolsas com as cartas para o segundo bairro (temos um de manhã e um à tarde), só que nesse meio tempo a gente precisa comer alguma coisa e é lá mesmo, nessa garagem que a gente almoça. Nessa garagem não tem eletricidade e nem aquecimento, lá eles colocaram uma pequena mesa de escritório e algumas cadeiras de plástico e é nessas condições que a gente almoça. Seria tudo bem se fosse no verão e/ou se a Holanda fosse um país que chovesse pouco, mas a verdade é que no outono as temperaturas já começam a cair severamente e a chuva e o vento castigam o país. Não é raro que os carteiros fiquem ensopados num frio de 5ºC e ainda temos que sentar naquela garagem gelada pra comermos. E o pior, no frio de -10ºC e a gente não tem nem um lugar aquecido pra gente poder almoçar e retomar as energias pro próximo bairro. E o pior de tudo, não temos em lugar algum um banheiro disponível. Trabalhamos de 11h às 17h e se precisarmos usar o banheiro, temos que tocar a campainha na casa de alguém. 

Fora esses problemas, ainda temos os problemas com o uniforme e a bicicleta. A unica coisa que o correio nos fornece é uma jaqueta e mais nada. A bicicleta que usamos pra trabalhar é nossa e as roupas e calçados também. Nem mesmo boas luvas pra trabalhar durante o inverno eles nos fornecem. Durante esses meses que estou trabalhando pra eles eu já enfrentei todos os tipos de condições climáticas, já tive que trabalhar contra ventos de 100Km/H, já tive que trabalhar em baixo de chuva de granizo, com 10 cm de neve no chão, com tudo congelado e deslizando, num frio de -10ºC e tudo mais. Isso tudo seria muito mais aceitável se eles nos dessem melhores condições trabalhísticas, mas os nossos supervisores não fazem nem uma ligação pra saber se tá tudo bem com vc. E o pior de tudo é que se vc ficar doente um dia, vc só pode faltar trabalho se passar pelo médico da empresa. E para conseguir um dia livre pra fazer uma prova por exemplo, é uma grande burocracia. Ah, e tava esquecendo de comentar, se a gente cai da bike durante o horário de trabalho, não é considerado acidente de trabalho e a empresa não tem nenhuma responsabilidade por isso. Então se vc cai e quebra a perna, por exemplo, o problema é todo seu e se não puder trabalhar por algum tempo vc também não recebe nada da empresa. A verdade é que eu adoro o trabalho, mas odeio as condições em que tenho que trabalhar e realmente não entendo como os carteiros não fazem greve por aqui. Eu lembro que meu primeiro namorado era carteiro aí no Brasil e até protetor solar eles providenciavam para os trabalhadores, eles tinham sapatos especiais e tudo mais e ainda ganham muito mais do que qualquer carteiro ganha aqui. 

Enfim, eu só precisava desabafar um pouco e fazer com que vcs entendam o porque de eu reclamar tanto do meu trabalho nas minhas redes sociais....

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Agora chega!!!

Uns quatro meses atrás um fenômeno aconteceu, um carinha chamado Michel Teló lançou mais uma musiquinha imbecil que seria o próximo hit do verão brasileiro. Até aí nada de novo, tudo normal. Até que uma semana antes do natal eu escutei essa música tocando em uma rádio holandesa. Mas apesar de ter desprezado a música, eu não achei que era nada de mais porque a música tocou no Serious Request (vou explicar sobre esse programa daqui a pouco porque acho válido falar sobre isso), então significa que alguém pagou pra ouvir a música no rádio e provavelmente essa pessoa (ou pessoas) era brasileira. Como eu praticamente quase nunca ouço estações rádio que tocam que tocam os "hits do momento" (só ouço a Veronica que toca música dos anos 80 e 90 e a Arrow que toca os clássicos do rock, também ouço muito a Kiss.fm de São Paulo), eu sempre acabo ficando por fora dos músicas que estão bombando por aí. Por isso não fazia idéia de que "Ai se eu te pego" tinha virado febre mundial. Na verdade eu nunca tinha escutado a música até esse fatídico dia no Serious Request. E foi depois desse dia que a coisa desandou severamente...

Eu e o maridoncio fomos passar o Reveillon na casa de um amigo dele, chegando lá ele vem todo feliz com seu celular pra me mostrar a musica super legal que ele conheceu à pouco. A empolgação dele se devia logicamente ao fato de eu ser brasileira e a música também ser brasileira. Eu ri da cara dele e disse que não era o meu tipo de música e que isso no Brasil é considerado lixo da pior qualidade. Daí ele me explicou que pra ele não interessa o que a letra diz, ele gosta do ritmo e da melodia e só (que apesar dos outros chamarem de sertanejo universitário, pra mim isso sempre será um forró bem porco). Enfim, essa foi só a primeira vez que alguém que me conhece veio me mostrar essa música com a maior empolgação do mundo e eu tive que explicar que isso não é considerado música boa por 98% das pessoas que eu conheço no Brasil. 

No início de janeiro começaram a surgir várias versões dessa música, tem versão em inglês, em francês, em polonês e o caralho à quatro. Mas a pior de todas é a em holandês, porque agora todo mundo aqui acha que a letra é uma tradução literal ao original e agora eles ficam falando que eu traduzi tudo errado de propósito só pra fazer eles pararem de ouvir a música.

Depois disso a febre começou a passar e o povo foi parando de falar sobre isso comigo, até que hoje no meu curso de holandês, uma colega marroquina que estava de férias lá e só voltou pras aulas hoje, veio toda contente me mostrar o maior sucesso nas paradas marroquinas no momento, e adivinha que música ela pôs pra tocar na maior altura no BlackBarry dela? Pois é, eu achei que estava livre disso, mas me enganei. Mas o pior não foi o episódio de hoje no curso e sim o episódio de ontem no trabalho. Depois de ter trabalhado 5 horas seguidas na rua num frio de -8ºC e louca de vontade de ir pra casa ficar quentinha, me vem uma colega de trabalho com um CD virgem na mão:
- Liss, você poderia gravar umas músicas do Michel Teló pra mim? Eu gosto tanto daquela que toca na rádio (porque ninguém aqui consegue pronunciar o nome da música)
- Olha, o problema é que eu não gosto das músicas dele, por isso eu nunca baixei nada e nem pretendo...
- Nossa, você só pode ser louca de não achar a música dele legal, ele é um gênio! E você é muito anti-social de não ter orgulho da cultura do seu país..
E assim ela saiu andando brava comigo e eu tenho a impressão que amanhã ela não me dará nem bom dia. 

Porra, eu adoro um tanto de banda brasileira, agora mesmo se você pegar meu MP3 player vai ter Cazuza, Barão Vermelho, Nenhum de Nós e Pato Fu. E até mesmo estilos que eu não gosto muito como Bossa Nova e MPB ou um samba de raiz, etc eu posso admirar se tiver tocando no lugar que estou, não é esse tipo de música que me irrita. Se um amigo holandês chegasse todo feliz porque descobriu uma música do Chico Buarque eu ficaria toda feliz por ele. Mas sabe o que os holandeses deveriam fazer com a música do Teló e sua versão holandesa? Enfiar lá no meio do * e me deixar em paz! Chega disso!!!! (que por sinal é uma música super legal do Skank hehe)

Agora abrindo parenteses pra falar do projeto Serious Request. Esse projeto começou à 8 anos quando um DJ da rádio 3FM resolveu descobrir como era passar uma semana inteira sem comer pra saber como as pessoas pobres do mundo se sentiam tendo fome o tempo todo. Então ele ficou uma semana só se alimentando de líquidos (absolutamente nada sólido) e filmando tudo que aconteceu com ele. No ano seguinte ele descobriu que as pessoas se interessaram tanto pelo "experimento" dele que começaram a fazer doações pra Cruz Vermelha. Por isso ele resolveu convidar mais alguns DJ's e transformar isso em um tipo de Reality Show. E foi assim que a Casa de Vidro surgiu. Todo ano, uma semana antes do natal, 3DJ's se trancam em uma casa de vidro e ficam uma semana inteira só se alimentando de líquidos. Nesse tempo tudo que acontece na Casa de Vidro é televisionado e também vai ao ar pelo rádio. Vários artistas e celebridades holandesas vão lá dá um apoio pra eles. E durante a semana várias ações são feitas em todo o país para arrecadar doações. E uma das maneira de doar uma grana pedindo uma música pra tocar durante o programa, assim você paga uma quantia de 25 euros por música. Depois de uma semana trancados na casa, eles saem e revelam quanto foi doado. Esse ano (2011) foram mais de 8 milhões de euros e toda essa grana vai pra Cruz Vermelha. É uma iniciativa super legal e eu acho que se todos os países "ricos" fizessem algo parecido, a pobreza acabaria no mundo. Pensa, se um país minúsculo como a Holanda consegue arrecadar 8 milhões em uma semana, imagina países grandes como a Alemanha, França, EUA, etc...seria magnífico! 

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Decisões de "gente grande".

Ser adulto é sempre ter que tomar decisões difíceis? É ter que se dar conta de que o futuro já não está mais tão distante e que a vida só caminha pra frente? Aqui estou eu, com meus 20 e muitos anos e nesse último final de semana eu tomei a decisão mais difícil da minha vida. Eu já vinha amadurecendo a ideia há alguns meses, mas no último final de semana tudo se consolidou. Calma, eu vou explicar do que eu estou falando. 

Eu sempre tive um grande sonho na vida e esse ainda é era basicamente meu único sonho na vida: Ser vocalista de uma banda de rock, se fosse de metal seria melhor ainda. Eu já contei sobre isso com mais detalhes em outros post, mas basicamente eu não nasci com o "dom" do canto, e por isso comecei a estudar canto por volta dos 13 anos. Em resumo (quem quiser saber mais detalhes é só ler minha bio), meu sonho sempre foi o rock/metal mas por coisas da vida eu acabei indo parar no canto clássico e acabei me decepcionando muito, depois de quase uma década me dedicando à isso. Em 2007 eu já estava de saco cheio de me dedicar ao canto clássico (por vários fatores diferentes, tanto por me decepcionar com a cena clássica de BH quanto pelo fato daquilo nunca ter sido uma paixão pra mim) e foi nessa época que eu decidi voltar pras minhas raízes e voltar a estudar a técnica belting (se ficou curioso dá uma olhadinha na Wikipedia pra saber o que é) e outras técnicas "não-clássicas" que me ajudariam à ser uma ótima cantora de rock/metal. Eu já conversei aqui sobre as minhas dificuldades nessa fase de transição, foi um momento muito difícil pra mim tanto tecnicamente (conseguir largar os vícios que quase 10 anos de clássicos causaram na minha voz) quanto emocionalmente (eu quase desisti totalmente de cantar nessa fase). Enfim essa fase já passou, mas não era disso que eu tava falando, eu tava falando que em 2007 eu resolvi voltar às minhas raízes e por isso comecei a procurar faculdades de música que não fossem eruditas. Bom, até 2007 não existia nenhuma em Minas e eu não descobri nenhuma no Brasil. E foi basicamente por isso que eu vim parar na Holanda, para correr atrás de uma faculdade de música para cantores no estilo pop e rock (porque aqui tem umas doze)

Basicamente, se não fosse por esse sonho tão grande dentro de mim, eu não estaria aqui há quase quatro anos, não teria conhecido meu marido e não teria vivido tudo que vivi e amadurecido tudo que amadureci. Eu devo muito à esse sonho pois, mesmo que ele nunca se realize, é por causa dele que eu estou onde estou hoje em dia e é por causa dele que eu sou a pessoa que sou, que eu cheguei até aqui. E é por isso que me dói tanto ter que desistir dele. Veja bem, não estou desistindo da música (o dia que isso acontecer eu morro de depressão) e nem estou desistindo de estudar canto, já que nos últimos meses eu tenho feito mais progressos como cantora do que nos últimos 8 anos da minha vida. Finalmente encontrei uma professora que me entende -a professora que eu tinha no inicio do ano era mais nova do que eu, recém formada e super inexperiente para trabalhar com um caso tão complexo quanto o meu, em setembro ela se mudou para o norte do país e a professora substituta está fazendo milagres com a minha técnica vocal- e a chama voltou a se acender no meu coração. O que eu estou desistindo é de fazer uma faculdade de canto, é de ter um diploma de ensino superior em música, é esse sonho que eu estou deixando livre para ir habitar o coração de outra adolescente com a cabeça nas nuvens. 

Mas porque eu estou desistindo disso se estou fazendo progresso e feliz com os resultados? Simplesmente porque a concorrência é muito grande. Nos últimos três anos e meio eu tenho ido à open days (um dia dedicado à informar os alunos sobre os cursos, tirar dúvidas, etc e tal) em várias faculdade de musica e tenho visto o quanto a demanda pra canto é gigantesca, eu particularmente acredito que isso é devido à quantidade de show de talentos dedicados ao canto que existe na TV mundial. Passeando pelas faculdades, a gente entra nas salas de produção musical, percussão (ou bateria), baixo, etc e as salas estão super vazias, geralmente não passam de 10 alunos interessados nessas matérias. A sala de guitarra já tem mais gente, mas nunca mais do que 20 pessoas. A sala de composição musical normalmente tem por volta de 30/40 pessoas. Já a sala de canto tem mais de 100 pessoas, sem brincadeira! As vezes a gente fica do lado de fora assistindo os professores falarem porque é impossível entrar na sala de tão cheia. Tão entendendo a dificuldade? Cada faculdade abre por volta de 8 vagas para canto por ano e cada uma delas recebe mais de 400 candidatos pra essas oito vagas. Se eu tivesse 18/19 anos como a maioria desses candidatos, eu nem me importaria, iria tentar todo ano até uma hora entrar. Mas a verdade é que eu só tenho mais dois anos antes de chegar nos 30 (e ser obrigada a pagar quase o dobro por uma faculdade) então eu não tenho mais tempo à perder, né?

E é por isso que no último final de semana eu tomei a decisão de desistir completamente de uma faculdade de canto e investir em outra área. Eu já estava pensando nisso fazia algum tempo, mas sábado passado eu fui à um open day da faculdade de comunicação e meu mundo mudou. Sim, eu irei estudar Comunicação com especialização em Mídia Digital. É uma área bem vasta onde eu posso atuar na área de Markenting ou na área de Jornalismo. Mas o melhor de tudo, eu vou poder trabalhar com a segunda coisa que eu mais amo: Internet! O que torna essa decisão super difícil pra mim é a ideia de que para estudar Comunicação eu não precisaria ter saído do Brasil, né? Existem várias faculdades ótimas nessa área e eu poderia muito bem ter ficado por aí mesmo. Mas a vida me trouxe até aqui e me fez tomar essa decisão por aqui, então é assim que vai ser. E a música vai ser meu hobby mais querido, vou continuar estudando e me aprimorando. E a verdade é que pelo menos 90% dos músicos que eu admiro (fora da música erudita, claro) não têm um diploma universitário de música...

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Roubaram o inverno!!!

Olha aqui, quem roubou o inverno Holandês faz favor de devolver com urgência! Não aguento mais viver nesse tempo de chuva constante e ventos fortíssimos. O que aconteceu com a estação mais mágica do ano? Este seria é meu quarto inverno no país dos moinhos e até agora só tem sido decepção. Depois de um outono lindo, quente e ensolarado (vai entender), dezembro chegou com muita chuva, granizo e ventos entre 50 e 100 quilômetros por hora. Não sei se vocês se lembram, mas desde outubro eu estou trabalhando para os correios daqui. E como tudo nesse país, as cartas são entregues em bikes, tipo essa:

Bom, vocês devem lembrar que eu não sou a melhor ciclista do mundo (leia aqui) e a minha bike é de 26 inch, portanto praticamente uma bike infantil. Por isso pedalar contra o vento forte e a chuva carregando peso não é uma tarefa fácil para mim. A verdade é que nesses quatro meses eu aprendi a lidar com a bike e a pedalar em condições que nunca imaginei. Estava até gostando do meu emprego e até considerando a possibilidade de trabalhar com isso até entrar para a faculdade em setembro deste ano. Mas foi só dezembro começar que minha opinião sobre meu emprego mudou. O tempo virou e ao invés de trazer gelo e neve (que é o normal de dezembro), o que veio, como já citado acima, foi muita chuva e vento. Vou confessar que estava meio amedrontada com a idéia de ter que pedalar no gelo e na neve, mas duvido muito que seja pior do que pedalar contra (ou até mesmo à favor) uma ventania de 100kmh e chuva de granizo. Enfim, depois de passar um mês inteiro odiando cada minuto do meu emprego, eu decidi que até trabalhar no McDonalds seria melhor, então estou mandando currículo literalmente para tudo quanto é canto na esperança de encontrar algo novo. 
Voltando ao "roubamento" do inverno. Eu já falei várias vezes sobre as estações do ano aqui na "zoropa" do norte.  Sempre comento do quanto eu adoro o fato de cada estação ser super definida (tirando o verão) e que cada uma tem seu lado especial. Já até falei que a minha favorita é o outono apesar do vento e da chuva (ironia?). Mas para mim a mais mágica é o inverno. O frio, o gelo, a neve, as roupas, as luzes, o comportamento das pessoas, tudo isso e mais um bocado de coisas me fazem ver o inverno como se fosse um eterno filme de natal. Mas o melhor de tudo é que o inverno da "zolandia" é a estação mais seca do ano! Praticamente todo dia o céu está azul e o sol está lindo e "brilhoso" (mesmo não esquentando nada). E isso é 100% de garantia de que eu vou estar o dia todo de bom humor.

O meu primeiro inverno aqui foi no final de 2008 e eu entrava em êxtase todos os dias assim que abria as cortinas do meu quarto. Esse inverno não foi muito frio, mas a temperatura ficou constantemente abaixo de 0ºC. Não houve muita neve, na verdade ela derretia antes de chegar ao chão (aqui tem um vídeo da primeira vez que vi neve na vida). E foi a primeira vez que vi lagos e rios congelados. Eu estava no paraíso! Algumas fotinhas feitas por mim nessa época:

 



No inverno de 2009 eu estava morando na Bélgica e foi a primeira vez que eu vi uma nevasca. Brinquei de guerra de bola de neve, fiz anjo de neve e até um boneco de neve foi feito hehe. Esse inverno foi o mais rigoroso que já passei por aqui, com temperaturas chegando à -12ºC. Foi também o ano em que eu mais aproveitei o frio e me diverti muito com a neve. Mais fotos feitas na época:









O inverno de 2010 foi menos rigoroso e só houveram algumas tempestades de neve, não foi constantemente branquinho, mas foi o segundo White Christmans consecutivo que eu tive:




Agora vocês entendem o porque de eu querer o inverno de volta? Já estamos no final da primeira semana de janeiro e até agora nada, lembrando que TODAS essas fotos foram tiradas em dezembro e até hoje, todos os invernos que eu passei aqui a primeira neve caiu já no final de novembro e o gelo já veio no inicio de dezembro. E não é melhor abrir a cortina do quarto e ver tudo branquinho do que ver um céu cinza, chuvas infinitas e as árvores dançando por causa do vento? Por favor, devolvam o inverno!!!

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

E mais um natal se foi....

Olha eu de volta! Pensaram que eu tinha abandonado o blog, né? Pois se enganaram! É que com a correria pré-natal (ficou parecendo que estou grávida, né?) sobrou pouco tempo para escrever aqui. Por falar nisso, ano que vem se você quiser fazer um carteiro feliz, não envie cartões de natal e nem deixe para encomendar seus presentes pela internet na ultima hora. É incrível a quantidade de pacotes e de cartões que eu tive que entregar nas ultimas semanas, estava trabalhando dobrado e mesmo assim tinha mais correspondência do que gente para entregar. Enfim, natal passou e ano novo está chegando e agora eu finalmente arrumei um tempinho para dar uma atenção ao meu bloguinho lindo do coração.

Deixa eu contar um pouco de como foi meu natal. Eu tinha planejado de fazer uma ceia brasileira na casa de uma amiga minha no dia 24. Só que o pai do Stefan teve um derrame e precisou passar por uma cirurgia séria, o que desestruturou a família inteira. O Stefan que foi meio que forçado a tirar alguns dias de férias antes do natal (porque ele tinha muitas horas extras no trabalho que não poderiam ser levadas para o ano que vem), acabou passando a folga dele toda resolvendo pepinos familiares. Os planos do natal foram desfeitos, inclusive o nosso jantar na casa da minha amiga e o jantar no restaurante grego no dia 25 que é tradição de família. Acabou que no dia 24 a gente foi à uma pizzaria ao lado da casa da sogra e no dia 25 a gente comeu em casa mesmo, só eu, o Stefan, a sogra e o netinho que mora com ela. Como na Holanda o dia 26 ainda é natal, a gente fez um jantar na casa do meu cunhado, que foi um desastre by the way, mas isso eu conto em outra ocasião. Enfim, o pai dele está bem e já está em casa, deu tudo certo na cirurgia e tudo não passou de um grande susto e ele até fez um grande esforço para comparecer no jantar do dia 26. 

Mas mesmo com toda confusão e mudança de planos, a melhor parte do natal desse ano foi, sem dúvida alguma, os presentes. Do maridôncio eu ganhei um mp4 player, (que não é Ipod porque eu sou super anti-Apple) e um livro de receitas do Jamie Oliver. A sogra me deu um kit para fazer sushi acompanhado de um livro de receitas e um trio de sombras da Dior.
E eu dei os dois primeiros livros da série "Crônicas de Gelo e Fogo" do George R. R. Martin para o maridôncio. Sim, esses são os livros nos quais a série Game of Thrones se baseia. Na verdade o presente é meio que pra nós dois porque eu também vou me esbaldar de ler hehe. O combinado seria que eu daria o primeiro para ele e ele me daria o segundo, mas como agora eu estou trabalhando e eu encontrei uma promoção super legal, acabei dando os dois pra ele e assim ele pôde me dar outras cositas, né? Agora é esperar mais alguns meses até a gente poder comprar os próximos. 
Outra coisa que eu gostaria de compartilhar aqui é o orgulho que estou de mim mesma. Em agosto, quando voltamos da Grécia, a gente recebeu algumas contas que não estávamos esperando, como uma de 500 euros do meu plano de saúde (eu falei sobre isso nesse post aqui), entre outros gastos. Então entramos em uma fase super complicada financeiramente, pois eu ainda estava sem emprego. Foi então que eu fiz uma super promessa ao Stefan: eu ficaria sem comprar roupas, sapatos, maquiagem e nada de supérfluo até o início das promoções de inverno (que normalmente começam logo após o natal). E por incrível que pareça, eu consegui cumprir! Desde agosto que eu não gasto dinheiro pra nada pessoal. Nem mesmo depois de eu ter recebido meu primeiro salário eu comprei algo somente para mim. Toda nossa grana está sendo destinada à finalização da nossa casinha e estamos também tentando juntar dinheiro para finalmente ir ao Brasil no final do ano que vem se tudo der certo. Enfim, eu ter ficado todos esses meses sem comprar uma blusinha sequer foi algo bom não só financeiramente mas também emocionamente, pois eu descobri que posso ser feliz sem ficar gastando dinheiro atoa. Mas amanhã é dia de ir me preparar para o inverno (que até hoje não chegou, já é praticamente janeiro e nada de neve, gelo ou temperaturas negativas ainda, o que está acontecendo?) e comprar umas boas roupas de frio, já que a ultima vez que eu me abasteci pro inverno holandês foi no final de 2008. Lógico que eu tenho que me comportar e me manter dentro de um orçamento, mas eu nem estou acreditando que vou poder comprar umas roupinhas novas. Eu sei que parece futilidade, mas a sensação de dever cumprido é muito boa! Eu realmente consegui manter minha promessa e agora eu terei minha recompensa. 

Enfim, deixa eu parar de falar bobagem e ir para cama. Não creio que voltarei aqui antes do ano novo então para os que lêem esse blog, feliz ano novo!! A gente se vê em janeiro.... 

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Centésimo post!

Pois é amiguinhos, este é o post de número 100 desse blog. Parece que foi ontem que eu criei esse espaço para manter minha família e amigo informados das coisas que aconteciam comigo no país do queijo Gouda. Eu tive a idéia de criar o blog durante o meu processo de escolha e negociações com famílias para ser empregada doméstica au pair em algum país "das Oropa do Norte". Queria poder trocar uma "zidéia" com outras pessoas passando por esse processo e também ajudar a quem tivesse interesse. Depois que cheguei aqui o blog virou um canal de notícias, "causos", opiniões e desabafo. No início era só mesmo minha família e alguns amigos próximos que vinham ler essa "bagaça" aqui, depois de pouco tempo começaram a aparecer algumas (ex)au pairs e de repente eu comecei a perceber que tinha gente de vários países lendo o monte de bobagem que eu escrevo. A maioria desses países super inusitados tipo o Quatar, Geórgia, Islândia, Nepal, Paquistão, etc. Eu não consigo imaginar imigrantes brasileiros morando nesses países, mas deve existir sim, senão não estariam lendo esse blog, né? Talvez sejam portugueses, mas aí eu não consigo imaginar portugueses tendo interesse em ler um blog de uma brasileira morando na Holanda, não é mesmo? Enfim, em praticamente 4 anos de existência, o blog tomou proporções que eu nunca poderia imaginar e hoje em dia eu sou mais cuidadosa não só com o conteúdo sobre qual eu escrevo mas também com o uso correto da língua, já que "escrever certo" nunca foi meu forte. É só ler os posts dos primórdios do blog para perceber o quanto eu era descuidada com ortografia e pontuação. Além disso, o teclado que eu tinha quando cheguei aqui não tinha acentos o que tornava meus textos bem feios de ler. 

Eu tenho procurado deixar o blog o mais atualizado possível, procuro escrever pelo menos uma vez por semana. Queria ser como aquelas pessoas que tem assunto para escrever 3/4 vezes ou mais por semana, mas a minha vida é bem monótona e não é sempre que acontece algo tão interessante para eu ter vontade de vir correndo escrever aqui. Ultimamente eu ando bem ocupada, estou na reta final do meu curso de holandês. No final de janeiro farei a prova e aí adeus curso! Nunca mais vou precisar estudar holandês hehe. Em setembro do ano que vem vou começar a faculdade e preciso dessa prova para ser aceita. 

Outra coisa que tem me mantido ocupada é o meu novo emprego. Acho que não cheguei a comentar aqui mas, desde o final de outubro eu estou trabalhando para os correios. Sim, agora eu sou entregadora de cartas (porque falar carteira soa super estranho). Eu fiz várias entrevistas em callcenters, lojas, supermercados, etc. Nenhum deles me aceitou ou porque eu já passei da idade de trabalhar nesses empregos "pequenos", ou porque eu tenho um leve sotaque, ou porque eu não tenho experiência de trabalho na Holanda e a experiência do Brasil não serve para nada aqui. Enfim, depois de meses tentando, o correio foi o único lugar que não criou problemas para me contratar então foi lá mesmo que eu resolvi trabalhar. São poucas horas (15 horas por semana) e o salário não é lá grandes coisas, mas é melhor do que nada e pelo menos eu tenho algo para fazer além de ficar em casa, né? Sem contar que pelo fato de eu trabalhar de bicicleta carregando por volta de 60 quilos, eu estou emagrecendo que é uma beleza. Em pouco mais de um mês eu já perdi 4 quilos. O único problema é que eu tenho que trabalhar na rua, faça chuva ou faça sol, pedalando uma bike maldita (porque para mim, bicicleta é coisa do capeta). Por enquanto está indo super bem, até estou começando a me entender com minha bike, mas o meu medo é de quando a neve começar ou as ruas começarem a congelar (que já era para estar acontecendo há umas 4 semanas mas o outono resolveu ser primavera esse ano haha), vamos ver se eu vou conseguir pedalar uma bike super pesada durante o inverno, senão eu vou ter que tentar ser escrava trabalhar no McDonald, Burger King ou algum desses lugares...aff.

A última coisa que eu queria contar é que na última segunda-feira eu e o maridôncio fomos à Ikea e fizemos a festa! Compramos 70% dos móveis que precisamos e finalmente estamos esvaziando as caixas e colocando cada coisa em seu devido lugar. Até o final dessa semana finalmente, depois de quase seis meses morando aqui, vamos poder chamar a nossa casa de lar. Pelo menos não teremos mais aquela sensação de que tudo é improvisado. Agora é voltar a juntar dinheiro para poder comprar o resto de móveis que faltam e terminar a cozinha e aí sim, nosso lindo apartamento estará 100% pronto!! Semana que vem eu posto algumas fotos dos nossos novos móveis.

Ah, tem várias pessoas reclamando que não conseguem comentar aqui. Alguém conhece uma boa ferramenta de comentários para eu instalar aqui? Estou aceitando sugestões....

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Três anos e meio juntos e um ano e meio casados....

Hoje eu e meu maridôncio fizemos três anos e meio de relacionamento e anteontem fizemos um ano e meio de casados. A gente queria ter se casado no dia 16 de maio do ano passado, assim estaríamos juntos por exatos dois anos e teríamos uma só data para celebrar. Só que dia 16 de maio caiu num domingo e prefeitura nenhuma funciona domingo, né? Então tivemos que nos casar na sexta dia 14 e por isso acabamos tendo duas datas muito próximas, o que nem importa muito porque a gente comemora tudo junto mesmo.


Eu não creio que já contei aqui como a gente se conheceu e todo mundo me pergunta isso, por isso resolvi escrever sobre isso hoje. Tudo começou em meados de 2008 quando eu estava no processo de negociação com uma família em Amstelveen para ser au pair da filha deles. Quando as negociações foram concluídas e a viagem marcada, eu resolvi que era hora de fazer alguns amigos holandeses. Eu já conhecia, graças ao orkut, algumas brasileiras que moravam como au pair na Holanda. Algumas delas se tornaram minha melhores amigas e até hoje estamos sempre juntas. Outras acabaram não sendo tão legais quanto pareciam na internet e a maioria delas acabaram voltando para o Brasil e acabei perdendo contato com muitas delas. Mas eu não estava me mudando para a Holanda para ficar andando só com brasileiras, né? Eu queria conhecer mais da cultura local, queria saber como eram as pessoas daqui, como eles lidavam com a vida, enfim, como funcionava a cabeça dos holandeses. Foi então que eu descobri uma ótima ferramenta no extinto Myspace, essa ferramenta era uma sala de bate papo em que você podia escolher com gente de qual país você queria conversar. 

Entrei algumas vezes nesse bate-papo e em uma das vezes lá estava o senhor meu marido. A gente começou a conversar e quando percebemos, já tínhamos virado a madrugada (madrugada para mim, para ele já era dia claro). Depois de várias horas de conversa sem cessar, a gente resolveu se adicionar no MSN e daí para frente foram várias noites sem dormir, só conversando e conversando infinitamente. Nessa época eu já sabia que, se a gente chegasse a se conhecer pessoalmente, haveria algo muito legal entre a gente. É lógico que eu nem imaginava que um dia ele viria a ser meu marido e provavelmente passaria o resto da vida comigo, mas eu já imaginava sim que, ao menos, meu namorado ele seria. Isso porque nenhum de nós tinha webcam e eu só tinha visto algumas fotos dele.

Nisso se foram uns dois meses e a gente cada dia mais "a fim" um do outro. No final de abril eu cheguei na Holanda, nessa época ele estava terminando o mestrado e eu estava me adaptando com a família, com o país, com a minha nova vida. Por esses dois motivos a gente demorou três semanas para nos conhecermos. O nosso primeiro encontro foi no dia 16 de maio de 2008 e eu contei um pouco sobre ele aqui. A gente gosta de brincar que foi o destino que nos fez conhecer exatamente nessa data (é só brincadeira mesmo, porque nenhum de nós acreditamos em destino haha), pois maio é o mês do aniversário dele (que cai no dia primeiro de maio) e o dia 16 é o dia do meu aniversário (16 de outubro). E por isso essa data se tornou tão especial pra gente. Já no nosso primeiro encontro a gente virou um casal, não teve essa estória de ir "ficando" até ver no que vai dar. 

O segundo encontro foi em Amsterdam e foi mais mágico ainda (ainda mais porque boa parte do nervosismo não existia mais). No terceiro encontro ele já me levou para conhecer a família dele. Depois eu comecei a passar todos os finais de semana com ele. Até que ele teve que ir passar sete semanas na Grécia, quando a gente se conheceu pela internet ele já tinha comprado as passagens para ir passar as férias lá e não tinha mais como mudar de planos. Eu não pude ir porque tinha que trabalhar e porque não tinha dinheiro o suficiente. Foram as piores sete semanas da minha vida (nessa época eu estava tendo problemas com a minha host family e tive que trocar de família), mas o que me motivava a esperar por ele foi o pedido de casamento que ele me fez antes de viajar. Sim, ele ajoelhou no chão e tudo mais e, aos prantos, me pediu em casamento e eu, logo eu, disse sim! Quem diria, né? 

Quando ele voltou, no final de agosto, a gente passou um final de semana prolongado na Bélgica, visitamos a cidade de Gent, Bruges e Antuérpia e até hoje essa foi a melhor viagem que eu já fiz na vida! Em fevereiro minha vida de au pair acabou e eu fui morar com ele e a mãe dele até a gente decidir o que faríamos para conseguir um visto para mim. Em novembro de 2009 nos mudamos para a Bélgica porque essa era a melhor maneira de conseguir o visto sem eu ter que ficar 6 meses no Brasil, longe dele. 


Ao chegar na Bélgica começamos imediatamente a lidar com a burocracia para nos casarmos lá. Papelada, entrevistas (para provarmos que a gente é um casal de verdade), enchessão de saco, enfim você pode ler sobre tudo isso aqui no blog. Em abril de 2010 finalmente conseguimos a autorização para nos casarmos e então, no dia 14 de maio, a gente "atou os nós" e estamos firmes e fortes até hoje. 

Em fevereiro desse ano a gente comprou um apartamento e em março nos mudamos de volta para a Holanda. E a cada luta, a cada problema que superamos, a cada crise de mal humor e todas as coisas que todos os seres humanos precisam passar, a gente fica mais forte juntos, nos amamos cada dia mais e temos cada dia mais certeza de que tomamos as decisões certas. Mesmo que de vez em quando eu tenha uma grande vontade de esganá-lo hahaha.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Morrendo de raiva!

Mais uma vez vim aqui para reclamar, espero de coração que essa seja a ultima vez em muito tempo porque ninguém merece ficar ouvindo (ou lendo) reclamação dos outros, né? Mas é que hoje aconteceu algo que me deixou morrendo de raiva!

Alguns dias atrás eu escrevi um pouquinho sobre o sistema de saúde na Holanda neste post aqui. Poucos dias depois, coincidentemente, começou um grande debate na internet sobre o SUS por causa da notícia que o Lula tem câncer mas irá se tratar por um hospital particular. Quando eu escrevi meu post de pós e contras essa notícia ainda não tinha saído, mas eu já andava comparando o sistema de saúde daqui com o do Brasil por causa de um pequeno acidente que aconteceu comigo.

Vamos ao "causo": Um pouco mais de um mês atrás eu fui à um festival gratuito na região sul de Rotterdam, fomos eu, o Stefan e um amigo dele. Lá eu finalmente conheci pessoalmente a Simone (depois de mais de um ano de amizade virtual). Nesse festival tocou uma banda super legal de folk metal e eu, já um pouco felizinha por causa da cerveja, comecei a pular que nem uma mongol e acabei levando uma queda feia. Na hora eu só senti uma leve dorzinha no meu pulso, mas durante a noite depois que o efeito do álcool passou eu faltei morrer de dor e meu pulso estava três vezes maior que o normal. Eu não conseguia movimentá-lo para lado nenhum. Aí o Stefan apavorado ligou para o médico (era um domingo) e só conseguiu contato com caixa postal. O recado da caixa postal dizia que se fosse um caso de emergência poderíamos ir diretamente ao hospital, mas se ao chegar lá eles decidissem que não era emergência, a gente teria que arcar com os custos do nosso próprio bolso. Aí começou a dúvida, será que um pulso quebrado é considerado emergência? E se não tiver quebrado, aí a gente vai ter que pagar do nosso bolso? O que fazer? Decidimos que seria melhor esperar até a segunda para ir primeiro ao médico e descobrir o que tinha acontecido. Então eu passei o domingo todo morrendo de dor, na base do paracetamol e na segunda eu marquei uma consulta bem cedinho. Chegando lá o médico literalmente só puxou meus dedos e disse que não sabia se estava quebrado, que era para eu ir ao hospital tirar um raio-X e me deu um cartãozinho para me consultar lá. 

Ao chegar no hospital eu tive que fazer um cadastro e esperar por volta de meia hora antes de ser atendida. Quando finalmente chegou minha vez, eles tiraram o raio-X e me mandaram esperar de novo, nisso mais meia hora se passou. Eu pensei que eles estavam "imprimindo" (não consigo encontrar palavra melhor para isso) para me entregar. Aí veio uma moça e simplesmente me falou que não estava quebrado, só isso. Não me falou o que tinha acontecido, não me deu nenhuma informação do que fazer, não recebi nenhum pedaço de papel, nada nada nada. Então eu perguntei se ela podia ao menos me receitar um remédio para acabar com a dor, ela disse que eu teria que voltar ao meu médico para saber o que fazer com o pulso e pegar a receita. E foi isso que eu fiz. Ao chegar no consultório o médico não podia mais me atender pois estava com a agenda lotada, então a recepcionista foi lá dentro e voltou com uma receita para analgésico. Então eu perguntei como eu deveria proceder com a mão enxada, dolorida e sem movimento. Ela simplesmente disse que era para eu fazer o que me parecesse confortável. Ela disse que sem o o raio-X não tinha como saber qual o tratamento ideal. Nossa, nessa hora eu tive que me segurar para não rodar a baiana naquele consultório...aff

Enfim, semanas se passaram e o pulso melhorou bastante mas ainda dói dependendo do movimento que eu faço. Aí hoje, um pouco mais de um mês depois, eis que chega aqui em casa uma conta de 50 eurecas do plano de saúde. Quando eu vou olhar o porque da conta eu descubro que é a cobrança pelo raio-X que eu tirei. Raio-X esse que eu nem recebi! Não é de matar qualquer um de raiva? 

Deixa eu explicar só um pouquinho do plano de saúde obrigatório da Holanda: Quando eu me inscrevi no plano aqui eu recebi de cara uma conta de 500 euros para pagar á vista e sem prazo. Depois disso a gente pega uma pequena fortuna de 200 euros por mês. Só que nessa bosta de plano tem uma coisa que chama eigen risico, acho que no Brasil é chamado de franquia. Esse eigen risico é de 170 euros e tudo que você usar que custa menos que isso será retirado do seu próprio bolso, além da quantia mensal paga ao seguro. E é por isso que eu sou obrigada a pagar 50 eurecas para um mísero raio-X que nem saiu da tela do computador.

Eu morei um ano e meio na Bélgica e lá eu fiz vários exames e fui ao médico algumas vezes e nunca tive problemas e muito menos passei raiva com o sistema de saúde de lá. No Brasil eu NUNCA tive plano de saúde, sempre fui atendida pelo SUS e não tenho nada além de boas experiências para contar. Aqui eu só passo raiva, sou mal atendida e não vejo nenhuma capacitação nos médicos daqui. Sinceramente eu sinto que jogo meu dinheiro no lixo todos os meses. Eu digo agora e vou repetir sempre, se algum dia eu tiver uma doença tão séria quanto câncer, eu arrumo minhas malinhas e vou me tratar pelo SUS porque se eu depender do plano de saúde daqui, além de eu ter que gastar rios de dinheiro com isso, eu ainda só vou conseguir ser diagnosticada quando estiver perto de morrer...afff.

As queridonas Laís Menine e Paula Volker escreveram um pouco sobre isso no blog delas e inclusive usaram um texto meu. Nos comentários eu escrevi em detalhes os problemas do sistema da saúde daqui, se alguém tiver interesse é só dar uma olhadinha lá. 

E vocês meninas que moram na Holanda, compartilham da minha opinião sobre o sistema de saúde daqui? E as meninas que moram em outros países, como é o sistema de saúde aí? No Brasil eu já sei, mas gostaria de ouvir experiências de pessoas daí também...

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Verbalizando...

Hoje eu vim aqui para expressar minha raiva, revolta, frustração e o escambau com a língua holandesa! Ao contrário da maioria das minhas amigas aqui na Holanda, eu nunca tive o menor problema em aprender a língua e em menos de dois anos morando aqui eu já falava, entendia, lia e escrevia sem muitos problemas. No momento estou no último nível no curso antes de poder entrar para a faculdade, em janeiro farei o staatsexamen (prova de proficiência da língua necessária para ser admitida em qualquer faculdade daqui) e aí eu nunca mais vou precisar de fazer curso desse idioma.

Com o passar dos anos eu aprendi a não questionar a falta de lógica e de personalidade dessa língua. Eu sempre achei e sempre acharei uma das línguas mais feias do mundo e além disso é uma língua super inútil se você não pretende criar raízes por aqui. Os únicos países que falam holandês no mundo são a Holanda e o norte da Bélgica. O Suriname e as Antilhas têm o holandês como língua oficial, mas na prática eles falam mesmo é o papiamento (sim, esse é o nome de uma língua de verdade), espanhol, inglês, etc...Eles aprendem a língua na escola mas nunca a usam, então quando eles chegam aqui eles têm que aprender tudo de novo. Na Africa do Sul uma das línguas faladas é o afrikaans, que é uma variação do holandês e na Indonésia também existem dialetos variados do holandês. Todos esses países são ou foram colônia da Holanda. Mas tirando isso, não existe nenhum outro lugar no mundo que o holandês seja útil.

Como minhas raízes foram cravadas por aqui e é aqui que eu pretendo ficar por pelo menos mais uns 30 anos, eu enfiei a cara no aprendizado da língua, mesmo odiando imensamente a mesma. Com o tempo eu acostumei com os sons esquisitos, aprendi a formar frases que só fazem sentido nesse idioma e em mais nenhum, descobri que tentar associar holandês com qualquer outra língua é perda de tempo e finalmente descobri o porque de eu adorar tanto o inglês.
Desde o final de 2009 que eu falo somente holandês com todo mundo, na rua, nas lojas, nos supermercados, nos transportes públicos, com a família e com amigos holandeses e em todas as outras situações do cotidiano. Como Stefan eu continuo falando só inglês porque essa foi a língua que a gente se conheceu e eu acho muito esquisito mudar isso, sem contar que é uma maneira de eu continuar praticando meu inglês, afinal eu não sei o que o futuro me espera e qualquer coisa que acontecer na minha vida, o inglês será sempre mais importante que o holandês. Também tem a questão de que em três anos e meio eu já falo a língua dele muito bem e ele mal sabe cumprimentar alguém em português, então como forma de protesto eu decidi que a gente nunca vai falar a língua dele quando estivermos sozinhos. Com as minhas amigas brasileiras que moram aqui eu continuo falando português porque não faz sentido a gente falar outra língua, né? E assim eu também mato a saudade do meu idioma. 

Apesar de ser ou não fluente na língua varia muito de posto de vista, eu me considero fluente sim. Lógico que ainda não tenho um vocabulário tão grande quanto eu gostaria que fosse. As vezes cometo alguns erros gramaticais também, mas nada que seja absurdo e que impeça que as pessoas me entendem. E a minha escrita ainda tem que melhorar um bocado. Mas a questão é, eu já conheço a língua bem o suficiente para começar a corrigir os próprios holandeses nos erros que eles cometem e, acredite em mim, eles não gostam muito disso haha.

Outro dia eu entrei numa discussão acirrada com um grupo de holandeses sobre o fato deles transformarem qualquer palavra em verbo. Xô explicar: Um conhecido meu disse que me mandaria um email, que em holandês seria email sturen. Só que ao invés disso ele disse na verdade "Ik ga je emailen", isso traduzido ao pé da letra seria "eu vou te emailar" (ou algo parecido). Ora bolas, email não é um verbo, não indica ação, o verbo que acompanha é enviar ou mandar (em holandês é sturen), certo? Dá para flexionar o verbo de acordo com a pessoa e com o tempo? Dá pra dizer eu email, você emaila, nós emailamos? (Ik email, jij emailt, wij emailen). O mesmo acontece com outras coisas corriqueiras do dia-a-dia como jogar futebol. Qual é o verbo aqui? Jogar, certo? Bom, de acordo com os holandeses, não é bem assim. Você pode dizer voetbal spelen (jogar futebol) ou você também pode dizer voeteballen, que em português seria, ao pé da letra, futebolear. Agora imagina, eu futebolo, você futebola, nós futeboleamos. Tem algum sentindo??? NÃO! O pior de tudo foi a minha sogra, que comprou um Nintendo Wii e agora ao invés de dizer que vai jogar, brincar ou sei lá o que no Wii, ela diz que vai Wiien, que seria no bom português Wiizar (ou Wiiar?) Tem cabimento uma coisa dessas? Wii é o nome de um vídeo game, então se a gente for pensar por essa lógica, poderíamos falar Xboxzar, Play Stationar, etc. 

Das quatro línguas que eu falo esse fenômeno só acontece no holandês. Imagina em inglês você tentar falar I footballed today, I Wiied a little bit, I emailed you. Se a gente for seguir a lógica dos holandeses, daqui a pouco não vai mais haver necessidade de usarmos qualquer verbo, é só pegar uma palavra qualquer e transformá-las em verbo. Fácil, né? Só que não! Tá, tudo bem, na linguagem falada esse tipo de coisa é até aceitável, mas quando você pega um jornal para ler e encontra esse tipo de coisa escrito, dá um desanimo de continuar estudando essa porcaria de língua dos infernos! Não vejo a hora de terminar logo esse curso e ir estudar grego para passar mais raiva ainda haha. Pelo menos ler grego eu sei, só falta aprender qual o significado da palavra que eu li hehe.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Prós e contras...

Hoje faz três anos e meio que eu cheguei na Holanda. Nesse tempo um tantão de coisas aconteceram e você pode ler toda a minha trajetória desde o inicio aqui no blog. Mas o objetivo deste post não é contar minha história e nem falar do quando eu cresci, amadureci e aprendi nessa terra. Esse post é para contar um pouco do que eu acho bom e ruim nesse país. Assim como todos os países, a Holanda tem pontos super positivos e várias coisas negativas. No inicio tudo parece lindo e perfeito, mas depois que a rotina se estabelece e viver aqui se torna algo tão normal quanto viver na sua cidade natal, a gente começa a notar as coisas que acontecem que não são as que mais nos agrada. Vou deixar bem claro que o escreverei aqui parte somente do meu ponto de vista e de minhas experiências pessoais. Não estou aqui para dizer nenhuma verdade absoluta sobre morar na Holanda, tanto porque o que eu posso considerar negativo ou positivo pode ser exatamente o oposto do que você considera...Sem contar que eu só tenho como parâmetro de comparação o Brasil e a Bélgica. Vamos começar pelos pontos positivos:

Prós em ordem de importância para mim:

Segurança
Segurança é assunto sério na Holanda. A taxa de homicídios é tão baixa que quando acontece um ele vai parar na mídia como escândalo. Assalto também é algo que eu NUNCA ouvi falar por aqui. É claro que existem os chamados pickpockets e se você der mole com objetos de valor eles vão roubar (assim como eu tive minha bolsa roubada pela primeira vez na vida aqui). Mas existe uma grande diferença entre alguém simplesmente pegar sua bolsa quando você se distrai e alguém vir armado e violentamente tomar a bolsa de você. Um é só um inconveniente super chato, o outro é uma agressão à sua pessoa que pode acarretar em algum trauma. 

Outra coisa que eu considero de super importância dentro do quesito segurança é o fato de você poder andar em paz pelas ruas. Eu morei em Amsterdam e agora moro em Rotterdam, duas das maiores cidades da Holanda. Em ambas cidades eu ando sozinha à noite, pego transporte público, ando de bicicleta, faço tudo sem o menor medo de algo acontecer comigo. Em Amsterdam era super comum eu voltar para casa andando da balada as três da manhã e nunca nada me aconteceu. As mães daqui deixam seus filhos de 5/6 anos irem para escola sozinhos, à pé ou de bike, e elas não têm medo de nada acontecer com eles. É claro que não pode ficar dando mole à toa, existem bairros que devem ser evitados depois que escurece e não dá para ir fazer cooper no parque depois de um certo horário por causa de alguns junkies que rondam por lá e, normalmente, junkies são super imprevisíveis e podem sim tentar roubar seu dinheiro. Em uma visão geral, eu posso usar meu tênis Adiddas aqui sem ter medo dele ser roubado e eu ter que voltar para casa descalça. Eu posso andar pela rua com meu celular e/ou MP3 Player na mão e ninguém vai tomar de mim. 

No verão é super normal dormir com as janelas abertas (lembrando que eu nunca vi nenhuma janela aqui com grades e nem casas com muros), algumas pessoas também dormem com as portas destrancadas pois elas têm mais medo de acontecer um incêndio e não conseguirem abrir a porta a tempo de sair do que de um ladrão entrar na sua casa no meio da noite para te roubar. Mas é lógico que quando saímos de casa a gente tranca tudo, pois é quando a casa está vazia que os ladrões se aproveitam. Outra coisa é o fato de a grande maioria da população não ter garagem e deixar o carro dormir na rua e raramente acontece um arrombamento para roubar algo dentro do carro e o roubo do carro em si é quase impossível porque vender carro roubado por aqui é uma tarefa extremamente difícil. O Stefan já cansou de esquecer de trancar o carro e algumas vezes ele esqueceu a chave na porta do carro e nunca fomos roubados.

Temperatura
Outra coisa que eu adoro na Holanda são as temperaturas super amenas. Aqui é considerado calor extremo quando chega na casa dos 30ºC e o frio extremo acontece quando a temperatura vai abaixo de -10ºC. Isso é só para se ter idéia do quando as temperaturas daqui são sempre medianas. Para mim que nunca, na minha vida inteira, soube lidar muito bem com o calor isso é uma grande razão para continuar morando aqui. Mesmo no verão mais quente são raros os dias que temos calor acima dos 25ºC e isso me agrada muito. Já o contrario do calor eu sei lidar super bem com o frio, na verdade eu me sinto muito bem disposta e feliz no frio, o único problema é sair da cama de manhã, mas depois que eu consigo levantar meus dias se tornam super produtivos. Mas mesmo adorando o frio, eu não sei se conseguiria encarar frio extremo como acontece em vários países. A idéia de temperaturas de -40ºC me assustam muito. Por isso eu fico feliz com o inverno ameno da Holanda, é frio o suficiente para me fazer feliz mas não tem nada que eu não consiga aguentar. Mas tirando algumas semanas no verão e um ou dois meses no inverno, o resto do ano a temperatura média daqui gira entre 10 e 20 graus positivos o que faz a maior parte do ano ser muito agradável. O problema é que apesar das temperaturas perfeitas, na minha opinião, é o clima chuvoso daqui, mas isso vai entrar nos contras já já.

Transporte público
Esse é mais um grande pró de morar aqui. Apesar de ser muito caro (comparado com a Bélgica por exemplo), em 90% dos casos os trens, ônibus, metros e bondes são super eficientes e pontuais. Como eu moro ao lado de um ponto central na cidade, eu tenho tudo super pertinho. Tanto o metro quanto o ônibus param ao lado da minha casa e a estação de trem fica à dez minutos de metro ou vinte minutos com a bike. Mas o que eu acho mais legal é o fato de você ter todos os horários e itinerários do transporte público no site, Dá para planejar exatamente o horário que você vai pegar o transporte, aonde vai descer, quanto vai pagar e tudo mais pela internet antes de sair de casa. Outra coisa legal é que você tem um só cartão para pagar todas as formas de transporte público no país inteiro. Então acabou esse história de ir para outra cidade e ter outro sistema de pagamento, é tudo pago com o cartão magnético e é descontado dos créditos que você colocou nele. Eu acho super fácil isso. Sem contar que você paga pelos quilômetros percorridos, então não tem um valor fixo para a pessoa que vai descer logo ali na frente e para pessoa que vai até o final do trajeto, acho isso mais justo. Só que como eu disse, o preço do quilômetro percorrido é bem salgadinho. Mas se você quer um serviço bem feito você tem que pagar por ele, né?

Pessoas
Há quem diga que as pessoas daqui são super frias e sem graça. Eu nunca concordei com isso, eles só são super conservados e não se abrem tão fácil à estranhos. Eles também não são de ficar de muito contato físico e paparicos. Na verdade eles são super formais, até os pais, irmãos, amigos, etc, eles cumprimentam com três beijinhos, a coisa mais rara é ver alguém se abraçando aqui. Mas eu nunca achei isso ruim porque eu sempre fui assim também. No Brasil eu era considerada uma pessoa fria mas aqui eu sou normal haha. Apesar que eu adoro um abraço, mas não de estranhos e eu também não sou de ficar me abrindo para qualquer pessoa na fila do banco, sabe? Na verdade, depois que eu fui morar na Bélgica (onde o povo é super escroto e sem educação), eu acho que os holandeses são super atenciosos e cuidadosos, só que eles têm que se sentir confortáveis ao seu lado, têm que confiar em você e isso leva, literalmente, anos e anos até eles te acolherem no "círculo de confiança" deles.

CONTRAS

Clima
Na minha opinião, o maior contra desse país é o clima! Sim, enquanto as temperaturas são perfeitas para mim, o clima é uma desgraça. Estatísticas dizem que em um ano normal (sem nenhuma mudança climática drástica tipo o el niño) a Holanda tem em média 300 dias de chuva e tempo fechado e só o restante é ensolarado. Isso pode deprimir até a mais alegre das pessoas. Quando você acorda de manhã, abre a cortina e está chovendo pelo oitavo dia consecutivo sem nenhuma trégua, dá vontade de fazer as malas e sumir daqui! No verão chove praticamente o tempo todo, são poucos os dias de sol e nesses dias os holandeses vão à loucura, matam trabalho e escola para aproveitar o solzinho quentinho. No outono a chuva além de molhada (duh) ela é gelada e assim várias pessoas que vão para o trabalho ou escola de bike acabam ficando super doentes. O inverno chove bem menos, mas ainda assim chove mais do que a gente gostaria. A primavera é bem dosada entre chuva e sol, mas assim como o inverno, sempre acaba chovendo mais do que a gente gostaria. Eu sei que tem países tipo a Escócia que chove bem mais do que aqui, mas eu moro é aqui e a chuva acaba com meu bom humor, ainda mais agora que trabalho entregando cartas em cima de uma bike haha. Ah, e eu tava esquecendo de mencionar a ventania constante principalmente durante o outono, tem hora que parece que as árvores vão sair voando. É assustador as vezes.

Xenofobia
Pois é, ser uma estrangeira morando na Holanda (e acredito que em boa parte da Europa) é ter que lidar com o preconceito de várias pessoas, é ter que provar o tempo todo que você é mais competente que os que nasceram aqui (ser igualmente competente não serve, tem que ser mais). É ter que trabalhar melhor e mais horas do que eles, é ter que falar a língua sem cometer nenhum erro, mesmo quando eles mesmo erram. É ter que todos os dias provar que você merece estar aqui e ninguém tem o direito de te tratar como se você fosse um ser inferior. Normalmente eu não me importo em lutar pelo meu lugar no mundo, mas as vezes cansa ter que ficar provando para todo mundo que eu sou tão boa e competente quanto ou mais que eles, tem dias que eu quero fazer as coisas "pelos cocos", mas aqui eu não tenho esse direito. Eu sofro um pouco menos com preconceito porque a grande maioria das pessoas não me vêem como estrangeira (digo não-européia) e quando eu abro a boca para falar com eles eu já falo na língua deles. Mas eu fico imaginando pessoas com um tipo físico super étnico, tipo os negros, os asiáticos, os árabes, etc, ainda mais os que ainda não aprenderam a língua, esses devem sofrer preconceito todos os dias da vida deles, deve ser horrível!

Burocracia
Você que vive reclamando da burocracia brasileira, vem para Holanda e tente resolver o menor dos problemas por aqui. Tudo que é relacionado ao governo e repartições públicas são sinônimo de dor de cabeça das bravas. Tudo, absolutamente tudo, exige milhares de formulários preenchidos, documentos e mais documentos e mais documentos e mais documentos ad infinitum, e muita, mais muita paciência. Sim, porque primeiro você tem que lidar com a incompetência dos funcionários públicos porque eles nunca sabem nada sobre coisa nenhuma e sempre precisam pedir ajuda do seus superiores. Segundo porque toda e qualquer decisão, por menor que seja, demora dias, semanas ou até meses. Nada vem fácil quando se trata de resolver problemas com repartições públicas.

Sistema de saúde
Depois que eu me mudei para cá eu descobri que o SUS é um sistema lindo! Apesar das filas, hospitais atendendo mais gente do que conseguem e a má distribuição de recursos, os médicos brasileiros são muito mais capacitados do que os daqui. O fato de plano de saúde ser uma coisa opcional e não obrigatória também é um ponto positivo para o Brasil nesse quesito. No Brasil, se você tiver uma suspeita de que quebrou o pulso você vai direto ao hospital e tira um raio x. Aqui você primeiro tem que passar no médico generalista para ele te dar uma autorização para fazer o raio x, raio x esse que fica só na tela do hospital, você não recebe ele. Eles só te informam que não está quebrado mas não te falam o que foi que aconteceu e nem como deve ser tratado. É tchau, benção e se vira. Outra coisa que me revolta é você ir ao médico com uma dor estranha e eles vão procurar os seus sintomas no Google! É verdade, eles fazem isso de verdade. É para ter seus sintomas procurados no Google que você paga aquele absurdo de plano de saúde? Sem contar que se você tiver um sintomas que eles não conseguem identificar, eles te mandam voltar para casa, tomar paracetamol, repousar e se persistir você marca outro horário com ele daí uma semana. Então se for uma coisa séria você tem que ficar sofrendo uma semana inteira até ser tratada. Tudo isso que eu estou relatando aqui são coisas que aconteceram comigo pessoalmente, não são estórias que ouvi de terceiros. 

Bom, eu podia falar aqui de como eu acho os impostos que pagamos aqui super altos, mas é graças à esses impostos que a segurança que eu citei lá em cima é mantida, é por causa dos impostos que as ruas estão em bom estado e tudo funciona do jeito que tem que funcionar. Tudo bem, dói pagar 60% do seu salário em impostos, mas desde que a gente veja o nosso dinheiro sendo usando para manter o país funcionando, acho que vale a pena.

Também não poço deixar de comentar o tanto que odeio as festas de aniversário na Holanda. Se houvesse inferno, para mim ele seria passar o resto da eternidade em uma festa de aniversário daqui. O povo faz um círculo com cadeiras, te colocam para conversar com alguém que você nunca viu na vida e os assuntos são os mais entendiantes possíveis. Aí eles servem café, chá ou refrigerante, de vez em quando cerveja ou vinho, mas é raro. Aí tem uns chips e queijos como salgados. Então é a hora do bolo que na maioria das vezes é uma torta de maçã comprada no supermercado. Normalmente não tem nem música, nada para entreter as pessoas, fica todo mundo sentadinho em seus lugares morrendo de tédio mas fingindo que está adorando aqueles papos chatos. 

Mas por outro lado, pelo fato de termos as quatro estações bem definidas (tirando a chuva quase que constante) o comportamento das pessoas muda quando as temperaturas começam a subir na primavera e até os aniversários ficam menos chatos, porque normalmente o povo inventa um churrasco (de hamburguer e linguíça haha) e só o fato de estarmos sentados do lado de fora já torna tudo mais agradável. 

Ufa, acho que bati o recorde de maior post já feito nesse blog! Enfim, como todos os países a Holanda tem várias coisas legais e várias coisa que são problemáticas. Mas mesmo assim é aqui que eu me sinto em casa, foi aqui que eu encontrei minha felicidade e é aqui que eu estou construindo minha vida adulta. Pretendo morar aqui enquanto eu conseguir aguentar a quantidade de chuva, aí depois que eu aposentar eu me mudo para um país mais seco haha. Ah é, esqueci de mencionar que a coisa que eu mais amo em morar aqui é o fato de que é aqui que meu amor está...