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sábado, 19 de maio de 2012

É nozes na fitis

Olha eu aqui de novo!! Pois é, a vida anda corrida e a internet acaba ficando em segundo plano, né? Mas hoje estou escrevendo do meu lindo laptop que, depois de quase um mês no conserto (ou concerto? nunca sei...), finalmente voltou para os meus braços ontem e isso me faz feliz! hehe

Nessas ultimas semanas eu andado bem ocupada com a papelada para me inscrever na faculdade. Tive que mandar traduzir meu histórico escolar. Isso me fez perder quase uma semana pesquisando preços, vocês não imaginam a enorme diferença que existe entre tradutores juramentados aqui na Holanda, só pra terem uma ideia, a diferença entre o mais caro e o mais barato é de mais de 200 euros! Enfim, depois de ir buscar as traduções eu tive que levar tudo lá na faculdade pra eles tirarem cópias e enviarem para a instituição que avalia os diplomas estrangeiros, agora é esperar pelo menos 6 semanas até saber se meu histórico foi aprovado ou não, haja ansiedade. Aí a faculdade marcou algo chamado startgesprek - conversa inicial - que é pra ter certeza que eu estou escolhendo o curso certo e que não vou desistir antes de me formar porque a faculdade leva uma espécie de multa quando o aluno não se forma. Agora eu estou ocupada com os papéis para conseguir o financiamento do governo pra estudar, senão meu sonho vai por água a baixo pois não poderemos pagar os custos do curso. 

Outra coisa que tem me mantendo ocupadíssima é que daqui duas semanas terei uma apresentação de final de ano (porque o ano letivo acaba normalmente entre junho e julho aqui na Europa) do meu curso de música. Vai ser a primeira vez que vou me apresentar sem ser com um coro ou com minha técnica erudita. Estou um pouco nervosa, não sei se estou pronta pra isso mas mesmo assim vou tentar, afinal é uma apresentação pequena só pra alunos e convidados. A música escolhida não é lá muito difícil, mas é uma música tão famosa que qualquer errinho será notado por todo mundo. Lógico que não vou contar que música é hehehe. A apresentação vai ser gravada (tenho certeza que amadoramente) e se eu não achar que tem um monstro no palco, se eu não desafinar horrendamente ou se não cagar nas calças de nervoso, eu posto aqui pra todo mundo ver :-)

E além disso tudo, final de semana que vem vai ser Pinkpop. Esse é meu festival preferido e a unica tradição que tenho com o maridóvisky, desde 2010 (eu sei, tradição que passa por gerações né? hahaha) a gente vai todos os anos e esse ano não poderia ser diferente. Eu escrevi sobre o meu primeiro Pinkpop nesse post. Esse ano eu estou super empolgada porque o senhor Bruce Springsteen vai tocar lá. O cara além de ser uma das maiores lendas do rock de todos os tempos, ainda é um dos meus maiores ídolos e o UNICO cara que eu ainda acho totozinho depois dos 40. Sério, se eu amoreco envelhecer assim eu serei a mulher mais feliz do mundo!! hehehe. Em 2009 ele tocou aqui mas a gente estava falido e não pode ir, esse ano eu não perderei por nada pois morro de medo dele morrer sem eu nunca ter visto pelo menos um show. Alias, esse medo não é sem fundamento pois um membro da E-Street já morreu ano passado  :-(
Diz que ele não é uma delícia mesmo já tendo 62 anos...
Além do Springsteen eu também vou poder ver outra banda que amo: The Cure! Fora mais um tanto de banda que não sou uma grande fã mas que é legal poder ver um show deles tipo Likin Park e outras bandas holandesas que amo loucamente tipo Racoon. Se alguém tiver interesse em ver o line up do fesitval é só clicar aqui

Ah, também teve meu aniversário de 2 anos de casada e 4 anos de relacionamento, foi respectivamente nos dias 14 e 16 de maio. Eu ia escrever um post sobre isso, mas daí lembrei que já escrevi um super legal exatos 6 meses atrás e achei que ficaria só me repetindo. Sem contar que não tive tempo pra escrever essa semana pois, além de tudo que citei acima, o maridoncio me levou pra um jantar e um cineminha pra comemorar. O filme foi Dark Shadow que eu não gostei tanto assim mas que vale a pena pelos atores (todos eles) que estão perfeitos. Enfim, depois do Pinkpop e da minha apresentação a minha vida deve voltar ao normal, aí terei mais tempo para ficar escrevendo inutilidades por aqui hahaha. Até logo!

domingo, 6 de maio de 2012

Será hora de rever nossos conceitos?

Como todo mundo deveria sabe, essa semana marca oficialmente o final da Segunda Guerra Mundial. Aqui na Holanda essa é uma questão muito importante e levada super à serio. No dia 4 de maio às 20 horas o país para por 2 minutos para lembrar os mortos durante a guerra, fazemos 2 minutos de silêncio e se você estiver dentro de um ônibus, trem, etc, eles desligam os motores aonde estão e ficam parados por dois minutos. No dia 5 de maio é feriado nacional e o país se enche com festas e shows pra comemorar a desocupação alemã do território holandês. É o único feriado holandês que curto, porque o dia da rainha é uma piada que não se pode levar a sério de jeito nenhum. 

Enfim, ontem a gente saiu com alguns amigos pra comemorar tanto o dia da libertação quanto o aniversário do Stefan que foi no dia primeiro. Acabamos bebendo um pouco demais e ele acordou numa ressaca brava hoje. Então passamos o dia todo morgando em frente a TV. Como domingo nunca tem nada de interessante na TV durante o dia, a gente passou o dia todo assistindo documentários sobre a Segunda Guerra no Discovery Channel. Essa série de documentários se chama Apocalypse e é muito bem feita, ao invés deles se concentrarem na tragédia de alguns indivíduos pra nos fazer chorar, como alguns documentários fazem, eles se concentraram só nos fatos históricos e portanto eu aprendi muito ao passar a tarde toda assistindo. Aprendi inclusive que o que o Japão estava fazendo na Asia durante aquele período é muito pior do que a Alemanha tava fazendo na Europa. Mas não é sobre isso que eu quero falar nesse post. 

Antes de eu continuar eu quero te fazer refletir sobre algo. Se houvesse uma lojinha na esquina da sua casa e o dono dessa lojinha foi um nazista ativista que matou e/ou torturou judeus com as próprias mãos durante a guerra, você ainda assim compraria nessa lojinha? Você teria uma relação normal com o dono dela? Você conseguiria lidar com o fato de que de alguma forma você está financiando o nazismo? Pois é, complexo né? 

Mas porque estou falando sobre isso? Por que durante a minha tarde de Segunda Guerra, entre um cochilo e outro em frente a TV, eu escutei o nome de um designer de Sttutgart chamado Hugo Boss. Pois é, a minha reação foi a mesma que a sua agora. Que Hugo Boss, o mesmo da marca? O mesmo que faz o perfume masculino mais gostoso que existe? Não pode ser!! Mas é, eu fui conferir na Wikipedia e é ele mesmo! A marca dele foi à falência na década de trinta e com a ajuda do partido nazista ele conseguiu se reerguer. Ele não só era um nazista ativista como "doava" parte da sua renda pro partido. Além de tudo ele usava judeus aprisionados para testar seus novos produtos e os obrigava a trabalhar em sua fabrica. Sim, a marca Hugo Boss se reergueu em cima de trabalho escravo, como se ser nazista já não fosse o suficiente. 

Então conversando com meu marido (que é historiador formado, pra quem não sabia), ele me falou que não só o Hugo Boss ficou rico em cima do massacre judeu, mas várias marcas cresceram e prosperaram em cima disso. Existem inclusive marcas que judeus no mundo todo se recusam a usar porque eles de alguma forma contribuíram para o Holocausto.

O meu objetivo com esse post não é condenar quem usa essas marcas, tanto porque a grande maioria das pessoas nem devem saber, assim como até hoje eu não sabia sobre o Hugo Boss. Eu só queria que a gente começasse sim a questionar o comportamento da nossa sociedade como um todo. Do que adianta fazer um feriado nacional, fazer documentários sobre as atrocidades da guerra e tudo mais, se várias das pessoas envolvidas não só nunca serão punidas mas continuam sendo um símbolo de poder no mundo. Quase 80% de todos os produtos que consumimos em nosso dia-a-dia é de alguma maneira relacionado à algum ditador, sendo ele ainda um ditador como em vários países africanos ou algum ditador do passado. De alguma maneira, tudo que faz o capitalismo girar tem alguma marca de sangue. Mas isso não vai me fazer deixar o meu estilo de vida, só vai me fazer começar a ver o mundo com outros olhos e perceber que nada é o que parece. 

É hora de mudar nossos conceitos, porque um cara como Sadan Hussein tem que pagar por seus crimes mas Hugo Boss não? Afinal, ele morreu em 1948 mas a sua família toda era nazista e eles continuam aí, enriquecendo com a industria mais ridícula que existe, a indústria da moda. 

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Pegaram meu teclado :-(

Quando eu mudei pra Bélgica um primo do Stefan me "deu" o teclado dele (eu to falando do instrumento musical e não do lugar que a gente digita). Desde o final de 2009 esse teclado tem sido meu companheiro de quase todos os dias. Ele me ajuda a treinar minha técnica vocal, me ajuda a escrever música e me ajuda a relaxar. Eu comprei uns métodos super legais e tava até aprendendo a tocar de verdade e não só fazer acordes pra acompanhar meus exercícios de canto. Amava ele e o usava pelo menos umas quatro vezes por semana. 

Nesse final de semana a família se reuniu aqui em casa pra comemorar o aniversário do maridoncio e o primo dele veio me pedir o teclado de volta...sniff. Na verdade ele nunca me deu dado mesmo, ele só me disse que ele tinha um teclado que não era utilizado e que eu poderia levá-lo pra casa. Na minha cabeça isso era dado, na dele isso era emprestado. Enfim, ele disse que estava precisando pra um projeto escolar e levou meu amiguinho embora. Foi triste ver aquela cena. Agora tá lá, o tripé (que na verdade tem dois pés) vazio ao lado de um microfone inconsolável. Triste! E o pior é que ele - o primo - não soube dizer se seria algo temporário ou permanente. Ele disse que se gostar do projeto escolar ele vai se dedicar a aprender o instrumento, se ele não se divertir fazendo o tal projeto talvez eu possa ter meu amiguinho de novo, mas vai saber. A verdade é que agora eu decidi que é hora de comprar o meu próprio amiguinho e não mais ficar dependendo do amiguinho de ninguém. O problema é que eu nunca comprei um teclado na vida, não sei nem o que procurar em um. Alguma sugestão? Estou aceitando ajuda hahaha. 

Então, alguns dias antes do sequestro do meu amiguinho eu estava estudando essa música pra minha aula de canto. É, na minha opinião, uma das músicas com a letra mais perfeitas já escrita no planeta. Fora que é uma das minhas bandas preferidas e eu os vi ao vivo no Graspop em 2010 e foi um show simplesmente perfeito! Dá uma olhada na letra e vê se você concorda comigo...

Amazing

I kept the right ones out
And let the wrong ones in
Had an angel of mercy to see me through all my sins

There were times in my life
When I was goin' insane
Tryin' to walk through
The pain

When I lost my grip
And I hit the floor
Yeah, I thought I could leave, but couldn't get out the door

I was so sick and tired
Of livin' a lie
I was wishin' that I
Would die

It's amazing
With the blink of an eye you finally see the light
It's amazing
When the moment arrives that you know you'll be alright
It's amazing
And I'm sayin' a prayer for the desperate hearts tonight

That one last shot's a permanent vacation
And how high can you fly with broken wings?
Life's a journey not a destination
And I just can't tell just what tomorrow brings

You have to learn to crawl
Before you learn to walk
But I just couldn't listen to all that righteous talk

I was out on the street
Just tryin' to survive
Scratchin' to stay alive

It's amazing
With the blink of an eye you finally see the light
It's amazing
When the moment arrives that you know you'll be alright
It's amazing
And I'm sayin' a prayer for the desperate hearts tonight

Desperate hearts (2x)
Did you wanna see without and give it out now
Oh, oh
Yeah, yeah
Oh yeah, yeah ya-ka-kow, ya-ka-ka-ka-kow

Oh, it's amazing

So, from all of us at Aerosmith
To all of you, wherever you are
Remember, the light at the end of the tunnel
May be you
Goodnight

Incrível

Eu deixei o certo de fora
E deixei as coisas erradas invadirem.
Havia um anjo de misericórdia, para ver-me através de todos os meus pecados.

Houve tempos em minha vida
Em que eu estava ficando louco
Tentando atravessar
A dor

Quando eu perdi o meu controle
E atingi o chão
Sim, eu pensei que eu pudesse partir, mas não pude sair pela porta

Eu estava tão doente e cansado
De viver uma mentira
Que eu desejava
Morrer

É incrível
Num piscar de olhos você finalmente vê a luz
É incrível
Quando chega o momento você sabe que vai dar certo.
Sim, é incrível
E estou fazendo uma oração pelos corações desesperados esta noite.

Aquele último tiro são umas férias permanentes.
E quão alto você pode voar com asas quebradas?
A vida é uma jornada, não um destino
E eu não posso dizer nem o que o amanhã trará.

Você tem que aprender a engatinhar
Antes de aprender a caminhar.
Mas há pouco eu não pude escutar aquela conversa correta

Eu estava nas ruas
Só tentando sobreviver
Superar pra ficar com vida

É incrível
Num piscar de olhos você finalmente vê a luz
É incrível
Quando chega o momento você sabe que vai dar certo
Sim, é incrível
E estou fazendo uma oração pelos corações desesperados esta noite

Corações Desesperados. (2x)
Vocês quiseram ver, de fora, e renderam-se então.
Oh, oh
Yeah, yeah
Oh yeah, yeah ya-ka-kow, ya-ka-ka-ka-kow

Oh! é incrível!

De todos do Aerosmith
Para todos voces, aonde quer que estejam
Lembrem se, a luz no fim do túnel
Pode ser você!
Boa noite!

*fiquei com preguiça de traduzir e copiei da internet, me processem...

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Há quatro anos atrás...

...exatamente nesse dia eu estava aterrizando em Schiphol (se você não sabe o que é, olha no Google). Era tudo tão bonito naquela época, eu andava pela cidade parecendo uma bêbada, cada casinha, cada jardim, cada passarinho. Parecia que eu estava vendo todas essas coisas pela primeira vez na vida. Era tudo tão surreal pra mim. Eu era só uma menina que ainda vivia uma vida de pós-adolescente e de repente estava realizando seu segundo maior sonho na vida, eu estava na Europa!

De lá pra cá tanta coisa mudou, aquela menina cheia de sonhos e esperanças se tornou uma mulher, cheia de responsabilidades e com algumas frustrações. A fase bêbada passou uns seis meses depois que cheguei aqui, a rotina fez o favor de tirar qualquer surrealismo que havia em estar morando por aqui e tudo se tronou real, comum e os defeitos começaram a aparecer. Mas mesmo com os defeitos ali, na cara, berrando pra que eu prestasse atenção, as coisas boas ainda prevalecem. Viver na Europa há muito tempo deixou de ser sonho. O conto de fadas virou realidade há pelo menos três anos. Mas a realidade que tenho hoje é imensamente melhor do que a que tinha quatro anos atrás. 

Aqui eu me sinto livre, posso ser eu mesma o tempo todo e não tenho mais que ficar fingindo que gosto de caos, que gosto de bagunça, que me importo com coisas que não tem sentido e que adoro abraçar desconhecidos. Ao contrário da maioria dos meus conterrâneos que vivem pelas bandas de cá, eu não sinto a menor falta do tal do calor humano pelo simples fato de que eu nunca fui lá muito calorosa. No Brasil eu sempre fui considerada bastante fria e seca, aqui eu sou normal. Não sei exatamente se isso é parte da minha personalidade ou se é a minha timidez influenciando na minha vida social. Nunca fui de ficar enchendo a cabeça dos outros com os meus problemas e nem de ficar chorando mágoas com quem não tem nada a ver com isso, mas sempre tive que aturar esse tipo de comportamento dos outros. Aqui isso não existe, é cada um com seus problemas e eu realmente prefiro assim, é menos hipócrita. Não que o holandês não seja hipócrita nunca, mas a hipocrisia deles tem mais a ver com politica e diplomacia do que com relacionamento pessoais. 

Rotterdam em um dos 300 dias anuais cinzentos e chuvosos
Sinto sim muita falta do sol, mas não do calor. Estou cansada de chuva e de dias cinzas, isso interfere muito no meu humor. Mas o frio me faz feliz, me faz ser eu mesma. No frio eu não tenho neuras com meu corpo e nem com as manchas que tenho nas pernas. Não preciso ficar preocupada com o que os outros pensam de mim. Aliás isso é uma coisa que há alguns anos eu já não sei mais o que é, me preocupar com a opinião alheia. Só mesmo quem é próximo de mim é que me atinge, qualquer outra pessoa está fora de alcance. Mas o verão trás desconforto, me faz refletir mais sobre as decisões que fiz na vida, me faz pensar em desistir de tudo e sumir do mundo. Enfim, como o verão aqui só no máximo dois meses, eu passo grande parte do ano me sentindo bem comigo mesma. Só não consigo ainda evitar a melancolia que dias chuvosos e cinzas me trazem.

Outra coisa que sinto muita falta é da comida brasileira. Cansei de ir ao supermercado aqui e não ter nenhuma inspiração pra cozinhar porque a diversidade é tão pequena. Aprendi a cozinhar aqui e, modéstia à parte, sou super prendada. Sei fazer de pão de queijo à sushi sem o menor problema. Sou péssima em seguir receitas, gosto mesmo é de abrir a geladeira, olhar o que tem dentro e improvisar com isso. O resultado é quase sempre muito bom! Mas por isso, toda vez que eu quero repetir aquele prato magnifico que fiz, ele sempre sai diferente pois sempre é feito na base do improviso. Meu marido é que é ótimo em seguir receitas, ele assiste os programas de culinária e depois põe em prática e fica tudo divino. Tirei a sorte grande!
Saudades da comidinha de Minas...
Sinto um pouco de falta da espontaneidade também. De ligar pra alguém e perguntar o que vai fazer hoje a noite e acabar marcando algo. Aqui é tudo agendado com antecedência e ninguém faz nada assim, do nada. Mesmo que a pessoa não tenha absolutamente nada pra fazer hoje a noite, se não estava programado na cabeça dela que hoje era dia de sair e encontrar os amigos, ela prefere ficar dentro de casa. Confesso que com o passar dos anos eu acabei ficando um pouco assim também. Até uma simples ida ao cinema com o marido acaba tendo que ser planejada com antecedência. E também não existe aquela coisa de saber que a maioria dos seus amigos se encontra normalmente naquele bar ou naquela parte da cidade e você pode simplesmente ir até lá que sempre haverá alguém pra bater um papo e tomar uma cerveja. 

Aqui eu aprendi que família não é necessariamente de sangue. Aprendi também que só existe a possibilidade de viver dignamente se todo mundo do país tiver essa possibilidade, desde os mais ricos até os mais pobres. E pra garantir isso o governo nos faz pagar impostos altíssimos, mas você prefere pagar imposto alto para que as pessoas pobres possam viver uma vida digna e consequentemente você possa viver sem medo ou que essas mesmas pessoas pobres venham te assaltar porque não tem condições de comprar comida ou pagar um aluguel? Foi aqui também que eu descobri o real valor do dinheiro e o realmente significa ter que fazer escolhas sérias de como o dinheiro ganho será gasto. Descobri também o significado da palavra discriminação. Descobrir o que é nunca realmente pertencer ao local que mora, por mais que você se esforce. Descobri que por ser estrangeira, eu nunca vou ser "boa o suficiente" aos olhos dos nativos. Ainda bem que sou branca, não religiosa e venho de um país que todos gostam, porque se eu já sofro tanta discriminação nessas condições, imagina uma pessoa que veio do Afeganistão, por exemplo. 

Mas foi aqui também que eu descobri o que é amar alguém mais do que qualquer coisa nesse mundo, o que é não conseguir imaginar a vida sem essa pessoa. Sim, logo eu. A pessoa mais anti-romance que eu já conheci é a mesma pessoa que passou por poucas e boas para ficar ao lado de quem ama.

Mas mesmo com todos os problemas, morar aqui me faz feliz. Como eu já disse, pela primeira vez na vida eu descobri que posso ser eu mesma, sem máscaras e sem hipocrisia. E o melhor de tudo é poder conhecer outros países gastando pouco (coisa que ainda não aconteceu o tanto que eu gostaria, mas a partir do ano que vem isso vai mudar) e poder ir ao shows e festivais que eu nunca teria chance de ir se ainda estivesse morando em BH. Enfim, eu saí do Brasil uma menina e virei uma mulher aqui. Aprendia a selecionar o que me afeta e a parar de sofrer por antecipação. Sou super feliz, porém a melancolia será sempre uma parte de mim. Deal with it!

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Noites de insônia...

Vira e mexe eu tenho uma noite em que dormir parece uma missão impossível. Pois é, essa é uma dessas noites. Antes eu faltava enlouquecer porque eu não queria acender o abajur pra ler senão eu acordaria o marido e nem rolava de ligar o laptop no quarto porque o seu sutil barulho e helicóptero teria o mesmo efeito. Então o jeito era ou ficar rolando na cama por horas e horas deixando todas as minhocas trabalharem na minha cabeça me fazendo pensar um monte de merda ou levantar da cama quentinha e ir pra sala fria pra conseguir ou ler ou usar o computador. Bom, desde o final de fevereiro isso tudo mudou! Agora eu tenho um lindo telefone que tem acesso à internet. Por ele eu posso ficar batendo papo com o povo, fuçando no facebook/twitter/9gag e outras inutilidades, escrever no blog e ler o blog de outras pessoas e, com a ajuda de um fone de ouvido, ficar assistindo um monte de videos no youtube sem que o marido nem ao menos perceba que eu estou acordada. 

Foi numa dessas noites de insônia, assistindo à um vídeo sobre o real sentido da palavra feminismo (sim, eu sou super feminista, mas não no sentindo clichê da palavra e sim no sentido em que as mulheres só serão livres de verdade quando sairmos do nosso posto de simbolo sexual que a sociedade nos impõe, não que eu já tenha conseguido me libertar desses conceitos, mas eu tento - mas isso eu explico em outro post) e passando de vídeo em vídeo eu acabei descobrindo um programa no qual eu ando super viciada. Toda hora que eu tenho um tempinho livre eu corro no youtube pra assistir esse programa. O programa se chama The Atheist Experience e é formado por uma ong em Austin, Texas que visa acabar com o preconceito contra os ateus e separar religião e estado. Vamos lembrar aqui que os EUA tem uma maioria esmagantatoria (essa palavra existe?) de 80% de cristãos que tentam forçar leis de acordo com as suas crenças e obrigar os outros 20% da população à viver de acordo com isso, tipo a Europa durante a Idade Média, sabe? Eu sempre acabo assistindo alguns vídeos feitos por ateus, mas na maioria das vezes eu não concordo com eles e os acho muito extremistas. Mas esse grupo conseguiu finalmente ter o mesmo ponto de vista que eu. O propósito do show é informar sobre o que realmente é ateísmo e tentar quebrar o preconceito que existe sobre isso. Durante o programa eles recebem ligações tanto de teístas quanto de ateus e eles discutem sobre questões cruciais. Lógico que quando os fanáticos religiosos ligam as conversas nem sempre acabam bem, mas na maioria dos casos eles conseguem, no minimo, mostrar que ateus são pessoas comuns. O propósito do show não é "converter" ninguém ao ateísmo. 

Bom, não é segredo pra ninguém que eu sou ateia. Não, eu não sou agnóstica como algumas pessoas tentam me definir, eu não tenho duvidas se Deus existe ou não, eu não acredito em Deus e pronto. Mas veja bem, eu também não tenho a pretensão de afirmar que Deus certamente não existe pelo simples fato de que eu não posso provar que ele não existe, assim como ninguém até hoje conseguiu provar de fato que ele existe. Só que de acordo com as definições que eu já ouvi sobre qualquer tipo de Deus, pra mim nunca foi possível acreditar nele, assim como nunca foi possível acreditar que a Terra Média ou Hogwarts existe, infelizmente. E a verdade é que eu nunca acreditei, desde criança toda a ideia de Deus e Jesus e etc sempre foi só mais um conto de fadas, tem umas coisas lindas nesse conto de fadas, mas também tem umas coisas horripilantes principalmente se você ler o Velho Testamento. Mas enfim, eu nunca acreditei mas eu também nunca tentei convencer ninguém que Deus não existe. A minha falta de crença nele é uma coisa particular e não cabe a mim tentar te convencer que o meu ponto de vista que é o certo. Infelizmente eu tenho consciência que essa não é a postura tomada por todos os ateus. Assim como existem religiosos fanáticos que tocam sua campainha as 8 da manhã em pleno domingo pra pregar a "palavra do senhor", existem ateus imbecis que vão tentar te convencer de que quem acredita em Deus é estupido e inferior. Eu não penso assim.

A minha maior luta como ateia é contra o preconceito com quem não acredita em nenhum tipo de Deus, ou em vida após a morte, ou em espíritos, ou em qualquer coisa supernatural. Quando vc fala abertamente que não acredita em Deus automaticamente as pessoas (claro que não todas, mas a grande maioria) começam a te enxergar como alguém que não tem nenhum tipo de moral ou escrúpulos, alguém que pratica o mal, alguém que adora Lúcifer (como se alguém que não acredita em nada supernatural pudesse acreditar na existência dele). A grande maioria dos cristãos e outros religiosos nos ameaçam com a tortura eterna da nossa alma no inferno, outros dizem que irão rezar pras nossas almas serem salvas. Mas o pior são as que ameaçam de verdade, dizem que se encontrarem um ateu irão encher de porrada, matar tanto o ateu quanto a família dele e por aí vai. Quanto amor cristão, não é mesmo? Eu cresci meio que tendo que esconder o fato de ser ateia enquanto os cristãos são completamente livres pra encher meu mural do Facebook (e do orkut há alguns anos atrás) com mensagens de Deus e Jesus. Não felizes com isso, eles me mandam correntes de e-mail com mensagens de amor recheadas das palavras Deus, Jesus, santo disso e daquilo, anjos, etc. Aliás, foi no maldito email que isso tudo começou, lá no final dos anos 90. Agora que já estou com meus 20 e muitos anos eu cansei de me reprimir e resolvi lutar pelo meu direito de não acreditar! 

É lógico que eu sei que pra maioria das pessoas que acreditam em Deus, pouco importa pra elas o que eu acredito ou deixo de acreditar, essas pessoas mantêm bons relacionamento comigo e eu com elas, pois pra mim pouco importa também a crença delas. O problema é quando pessoas tentam interferir nas nossas vidas por causa da crença delas. O maior exemplo disso é a questão do casamento gay. Essa lei só não foi aprovada até hoje em países como o Brasil e os EUA por causa dos religiosos que estão no poder. Agora me diz, em que os gays irão interferir na sua fé ao poderem se casar legalmente? Se a sua igreja é contra, ótimo, não case gays lá dentro. Mas o casamento civil não tem nada a ver com isso, afinal todos os gays pagam impostos não é verdade? Portanto eles tem o direito de se casar civilmente com quem eles quiserem, ora bolas. O pior de tudo é a grande hipocrisia religiosa, afinal quantos cristãos você conhece pessoalmente que já se divorciaram? Agora pense em quantos desses milhares de cristãos que já se divorciaram são contra o casamento gay. Quer dizer que só é pra seguir os mandamentos da Bíblia que são convenientes? O cristianismo é tão vago que nem eles mesmo conseguem concordar entre si. Pegue o exemplo da Irlanda que por décadas a fio era católico matando protestante e vice-versa. Mais uma vez é o amor e tolerância que Cristo ensina colocado em prática, ê laia.

Bom, eu vou parar por aqui antes que eu ofenda alguém, afinal o meu propósito nunca foi esse. Eu sei que a maioria das pessoas que leem esse blog irão concordar com meus argumentos mesmo acreditando em algum Deus. Afinal, todos nós conhecemos aquele crente (e quando eu digo crente eu não estou me referindo só aos evangélicos) maluco que teria coragem de matar "em nome de Deus", não é mesmo? O propósito desse post é dizer que ateus merecem respeito, somos pessoas de bem que praticamos o bem e quando fazemos merda tentamos consertá-las. E o mais importante, fé é pessoal e intransferível e deveria ficar somente dentro da sua casa ou da sua igreja e não no congresso e muito menos na lei. Ninguém é obrigado a concordar com a sua definição do que seria a tal da palavra do Senhor! Afinal, cada uma das milhares de vertentes do cristianismo tem uma definição diferente. E morando na Europa a gente ainda tem que lidar com a versão muçulmana e com a versão judaica. Fora o tanto de Hindu que mora por aqui também. Não é possível que todas essas versões estejam certas, mas é sim possível que todas estejam erradas, assim como é possível que eu esteja errada. A unica coisa certa é que estado e religião não devem andar juntos, nunca! E outra coisa importante RELIGIÃO NÃO DEFINE CARÁTER! E nem a falta dela. Existem ateus bons e existem religiosos maus e vice-versa. 

Pra finalizar e poder finalmente tentar ir dormir, eu vou deixar vocês com um pedacinho do programa. Nessa parte eles meio que resumem tudo que eu disse aqui. Infelizmente não existem vídeos do programa com legendas em português, mas eu acho que o inglês deles é bem simples de entender...

terça-feira, 10 de abril de 2012

Olhando através do prisma...

Nesse post aqui eu escrevi um pouco sobre o tanto de zica que acontece na minha vida. Depois de ler os comentários que ele atraiu eu resolvi dar uma reavaliada nos meus conceitos e parar de prestar atenção só no que não dá certo. Na verdade isso aconteceu porque vários equipamentos aqui em casa resolveram pifar de uma vez só. Primeiro foi a cafeteira que queimou, duas semanas depois o microondas simplesmente  parou de dar qualquer sinal de vida e semana passada o laptop resolveu morrer também. Quanto a cafeteira eu pouco me importo pois quase não tomo café, mas o senhor meu marido não vive sem alimentar o vício dele. Já o microondas é elemento crucial na minha cozinha, pois ele é um daqueles que são combo com forno de ar quente, vaporizador para vegetais e grill. Não há um dia sequer que eu não use o bendito. E o laptop nem se fala, pra mim, viver sem computador é o mesmo que viver sem um braço ou uma perna (e não, eu não estou exagerando). Tanto a cafeteira quanto o microondas foram presentes de casamento, o que significa que não têm nem 2 anos anos de uso, e isso aumenta ainda mais a frustração de quando eles quebram pois são relativamente novos. Bom, apesar da zica disso tudo ter quebrado praticamente de uma vez só, ainda estava tudo na garantia! Por isso eu comecei a tentar enxergar até as merdas que acontecem com outros olhos. A cafeteria foi consertada em 10 dias e ficou novinha em folha e o microondas foi arrumado em 48h e está funcionando lindamente. E o melhor, não precisamos pagar nenhum centavo pra isso (só a gasolina pra levar pro conserto). Já o laptop ainda está lá consertando e nós estamos usando um emprestado da sogra. Ainda bem que compramos um seguro pro nosso laptop porque a garantia já tinha acabo há 1 ano, mas o seguro ainda vale até outubro. Agora é torcer pra que eles consigam salvar tudo que estava no HD! 

A verdade é que todos nós (pessoas com acesso à internet no conforto do nosso lar) somos super sortudos e não nos damos conta. Só o fato de a gente ter um computador, televisão, celular, a geladeira cheia de comida, cama confortável e chuveiro quente já é algo que deveríamos agradecer todos os dias de nossas vidas. Outra coisa que normalmente esquecemos de olhar pro lado da sorte é de termos nascido com duas pernas, dois braços, olhos que enxergam, ouvidos que escutam, boca que fala. E podemos até não ser nenhuma super modelo, mas não nascemos com nenhuma deformação no rosto e nem no corpo e isso é algo que podemos considerar sorte. Todos nós (novamente, pessoas com acesso à internet no conforto do nosso lar) tivemos chances de frequentar a escola, de passear, de ter hobbies, de escolher nossos amigos e namorados/maridos. Nascemos em um país livre onde podemos escolher nossa religião (mesmo que algumas - ou a falta dela - ainda sofram preconceito e outras ainda prevaleçam, não existe nenhuma lei que nos obriga a seguir determinada crença), podemos escolher em quem vamos votar, podemos escolher que curso vamos seguir da vida. 

Agora falando mais de mim particularmente, eu me considero extremamente sortuda pois eu tive a coragem de seguir meu sonho e apesar de toda a zica que eu enfrentei, tudo acabou dando certo pra mim. Mesmo com o tanto de experiências ruins que eu tive, nada de horrível nunca aconteceu comigo por aqui (tipo alguns casos que ouço que meninas vem pra cá cheias de esperanças e acabam virando prostitutas e afins) e todas as experiências ruins foram igualmente compensadas por experiências boas.

Eu fico o tempo todo batendo na tecla das "conquistas" e da realização dos meus planos pro futuro e esqueço de ver o quanto a vida já me deu de presente. Por exemplo, eu nunca procurei o amor, conhecer um cara legal e me casar nunca foi sonho meu e muito menos objetivo de vida. Já estive super apaixonada no passado mas assim que as coisas começavam a ficar muito sérias eu pulava fora de pavor de "criar raízes". Por isso eu nunca consegui considerar meu casamento como uma "conquista",  e na verdade não é! O que é de fato é pura sorte, isso sim. Eu encontrei um cara legal (assim como já encontrei no passado), só que dessa vez eu o conheci na época certa da minha vida, numa época em que eu estava crescendo e amadurecendo e já não tinha mais medo de compromisso e nem de criar raízes. Eu nunca acreditei em alma gêmea e muito menos que só existe uma pessoa certa pra você no mundo todo, e continuo não acreditando nisso. Mas hoje em dia eu acredito que apesar de haver mais de uma pessoa no mundo pra você, o que faz a diferença é a época da sua vida em que você vai conhecer a pessoa perfeita. Na verdade você já pode ter conhecido outras pessoas perfeitas em outros momentos da sua vida, mas o momento não era certo pra dar valor à isso. Então quando junta o momento certo com a pessoa certa é aí que você sabe que vai durar pra sempre ou não.  E isso depende unica e exclusivamente de sorte e mais nada. 

Enfim, chega de ficar filosofando aqui. A verdade é que as vezes eu fico puta da vida e preciso desabafar e meu blog é a minha ferramenta pra isso, mas tem hora que fica parecendo que eu só vejo o lado negativo da vida e isso não é verdade, eu sou feliz mesmo com os problemas, com as más decisões, com as merdas que a vida trás. Eu sei sim admirar as coisas boas que acontecem comigo, mas a verdade é que quando eu tô feliz eu vou curtir a vida e acabo vindo aqui só quando eu to mal (ou quando tenho algum acontecimento importante pra compartilhar) e acaba parecendo que eu to sempre mal. 

Pra terminar eu vou citar uma das minhas cantoras preferidas - Fiona Apple - que disse algo sobre suas músicas que se encaixa perfeitamente no que descrevi no parágrafo anterior, talvez assim vocês entenderão melhor meus devaneios...

"I only write when I'm angry or sad because that's when I just have to write. If I'm having a good time and I'm happy and things are going really well why would I want to stop what I'm doing to go and write at the piano? "

Tradução:
"Eu só escrevo quando estou brava ou triste porque é nessa hora que  eu realmente necessito escrever. Se eu estou me divertindo e tudo está indo super bem, porque eu iria parar o que estou fazendo e sentar num piano pra escrever?"

terça-feira, 27 de março de 2012

Passei!!!!!

Lembram desse post aqui? Pois é, ele foi escrito há 5 semanas atrás e hoje eu vim aqui pra contar que o resultado acabou de sair e eu passei!!! Agora eu tenho um certificado na língua holandesa e eu nunca mais vou precisar me preocupar em fazer aulas! Estou tão feliz que tive que vir compartilhar aqui, afinal não é só de lamúrias, desabafos e tristezas que vive esse blog. Depois de mais de três anos estudando e dando duro eu finalmente colhi os resultados e obtive mais uma grande conquista nessa minha vida. Mês que vem faz 4 anos que eu vim parar na terra mais molhada que eu conheço e já tenho um post todo especial preparado pra ocasião. Por enquanto eu vou deixar vocês com uma música que me faz super feliz vou comemorar essa conquista com um jantarzinho especial com meu amoreco. Semana que vem eu volto ou não com mais um post maneirinho pro deleite de todos hahaha

Ace of Base - Beautiful Life

You can do what you want just seize the day
What you're doing tomorrow's gonna come your way
Don't you ever consider giving up
You will find, oh oh oh
[Chorus:]
It's a beautiful life, oh oh oh oh
It's a beautiful life, oh oh oh oh
It's a beautiful life, oh oh oh oh
I just want to be here beside you
And stay until the break of dawn
Take a walk in the park when you feel down
There's so many things there that's gonna lift you up
See the nature in bloom, a laughing child
Such a dream, oh oh oh
[Chorus]
I just want to be here beside you
And stay until the break of dawn
You're looking for somewhere to belong
You're standing all alone
For someone to guide you on your way
Now and forever
[Chorus]
I just want to be anybody
We're living in different ways
It's a beautiful life
I'm gonna take you to a place
I've never been before oh yeah
It's a beautiful life
I'm gonna take you in my arms and fly away
With you tonight
* ai que saudade dos anos 90 em que se podia ter um super hit pop sem ser

 bizarra/andrógena/puta e ainda fazer letras super legais e fazer todo mundo feliz...

quarta-feira, 21 de março de 2012

E a primavera chegou!!!!

O sol está brilhando, as temperaturas subindo e o humor fluindo lindamente! Acho que todos sabem do meu amor pelo outono e o inverno, inclusive eu falei sobre isso recentemente nesse post. Mas a verdade é que depois de praticamente 6 meses de frio e escuridão, não existe uma só pessoa que não se alegra com a chegada da primavera. Mesmo os que sofrem de alergia ficam super felizes com as flores desabrochando, talvez por estarem dopados de anti-histamínicos hahaha. 

Enfim, essa semana eu estou de super bom humor (mesmo tendo meus turnos cancelados no trabalho) e aproveitei pra começar a famosa Spring Cleaning (já que estou com tanto tempo livre). Estou fazendo por partes, cada dia um quarto. Segunda foi o dia de organizar o quarto da bagunça (futuro quarto de hóspedes). O lugar estava a definição do caos, era caixa espalhada pra tudo quanto é canto, livros jogados no chão, sacolas e mais sacolas em todos os lugares, literalmente impossível de andar lá dentro. Depois de mais de 3h limpando e arrumando tudo, agora tem uma pilha de caixa num canto, espelhos e quadros que ainda vamos colocar na parede em outro canto, e os livros em outro canto. O quarto parece que dobrou de tamanho! E agora até dá pra abrir a janela hahaha. 

Hoje foi o dia do quarto de casal. Na verdade não tinha bagunça nenhuma lá pois é o lugar que dormimos e eu não consigo dormir com bagunça. Mas eu precisava organizar a minha cômoda de uma maneira que eu pudesse colocar todas as minhas futilidades coisas de maquiagem e cabelo lá porque eu já não aguentava mais ficar me maquiando na pia minuscula que tenho no banheiro. E algumas das coisas que estavam no quarto da bagunça precisavam se colocadas no nosso guarda-roupas gigante. Nas sala/cozinha/sala de jantar (porque é tudo juntos rs) eu só tive que dar uma limpeza no alto dos móveis porque assim como o nosso quarto, eu não deixo virar bagunça já que é a parte da casa em que passamos a maior parte do nosso tempo. Amanhã é dia de arrumar o escritório e assim fazer a coisa mais chata do planeta: organizar papelada! Ter que escolher o que vai ser jogado fora e o que precisa ser guardado é um inferno! Eu deixei o escritório pra amanhã porque o Stefan tá de folga e ele pode me ajudar hehehe. Aí na sexta vai ser dia de dar aquela senhora faxina no banheiro e lavabo (porque aqui eles são separados, não se "caga" aonde se toma banho hehe) e aí a casa estará limpa e organizada para receber os móveis que ainda precisamos comprar. 

Assim que eu receber meu pequeno salário irei à uma floricultura pra comprar umas plantas bem bonitas pra colocar na minha sacada e temos também que comprar uma mesa e cadeiras para colocar lá e assim aproveitar os dias lindos de sol e quem sabe até poder estrear a mini-churrasqueira que ganhamos de natal, né? Dentro de casa já está cheio de flores, mas eu nunca acho que é suficiente então quero comprar mais e e mais rs.

Esse ano ainda não temos planos pras férias de verão, acho que vamos ter que escolher entre viajar ou terminar de comprar tudo que precisamos pra casa (nem lustre a gente tem ainda), mas se o clima continuar bonito assim, se a chuva der tréguas e a temperatura não passar dos 25ºC eu nem me importo de ficar por aqui mesmo curtindo minha casinha linda. Agora é ver se eu consigo ajudar o marido à pendurar as cortinas sem sair divórcio hahaha. 

Enfim, esse foi só um postizinho rápido pra mostrar que nem tudo é uma merda e que eu sou sim muito feliz com a minha vida, apesar de toda a zica mencionada no último post. Na verdade eu vou é aproveitar esse tempo em que eu só tenho que trabalhar e que meu emprego não exige muito esforço mental, pra relaxar e curtir a primavera (afinal trabalhar com o sol brilhando é muito mais gostoso), já que a partir de setembro a faculdade vai consumir todo o meu tempo e meus neurônios e eu tenho certeza que vou até sentir falta do tempo em que minha maior preocupação era colocar cada carta na casa certa hahaha. Enfim, beijos ensolarados para todos e aproveitem a vida porque ela é tão curta e tão linda ao mesmo tempo....

sexta-feira, 16 de março de 2012

Chuta que é macumba!!!

E eu acho que fui lá e chutei. Não tem outra explicação pra minha falta de sorte nessa vida, tudo que existe a minima possibilidade de dar errado comigo, com toda certeza dará! Eu nunca tinha percebido o quanto eu era azarada até depois de vir morar aqui pras bandas do norte europeu. Não sei se minha falta de sorte que já existia nos meus 24 anos de Brasil se potencializou por eu ter me casado com alguém que também é super azarado ou se eu só comecei a notar de verdade porque foi aqui que eu tive que começar a lidar com "coisas de gente grande". Enfim, que zica é constante na minha vida, isso é fato consumado! Todos os problemas que pude ter com visto eu tive, problemas pra comprar um apartamento, problemas pra me cadastrar ou me inscrever em tudo e qualquer coisa, etc etc etc ad infinitum. Mas o pior de tudo foram meus problemas com os empregos que tive desde que cheguei aqui, e é sobre isso que vou falar nesse post...

Como a maioria de vocês sabem, eu vim para cá pra ser Au Pair, cheguei aqui e dei de cara com uma família maluca. A mãe suspeitava que o marido tinha tido um caso com a au pair que trabalhou lá antes de mim (uma australiana de 19 anos), mas mesmo assim ela resolveu contratar outra. Vai entender...Então o clima lá era extremamente tenso (lá nos primórdios do blog tem algumas coisas sobre isso, só que nessa época eu não tinha coragem de falar abertamente sobre esse tipo de coisa), era o marido falar algo do tipo "nossa que vestido bonito" pra mim que eu já recebia tratamento de gelo da mãe. Era horrível! Ela me tratava constantemente como uma rival, sendo que eu não tava nem aí pra aquele mané do marido dela, cruz e credo nele. A situação ficou insuportável depois que eu flagrei ela no sofá da sala com outro cara. Foi no dia que roubaram minha bolsa em Amsterdam e por isso eu cheguei muito mais cedo em casa e encontrei ela toda descabelada, de camisola e deitada nos braços de um "amigo". Eu percebi na hora que eles tinham acabado de fazer algo e ela ficou super espantada de me ver chegando em casa. Eu fingi que não percebi nada e nunca comentei do assunto com ela, mas o clima que já era ruim acabou ficando insuportável e eu decidi procurar outra família e me mudar de lá o mais rápido possível. 

A outra família parecia super legal, era uma mãe solteira e duas meninas com caras de anjinho, uma de 4 e outra de 7 anos. Eu tinha o meu próprio apartamento no centro de Amsterdam que eu dividia com uma estudante holandesa (o apartamento que a família morava só tinha 2 quartos, então ele alugaram o apê de cima pra au pair e a holandesa alugava um quarto lá). Eu trabalhava muito mais porque lá não era só cuidar das meninas, eu também tinha que arrumar casa, lavar e passar roupa e tudo mais, a única coisa que eu não fazia era cozinhar, o resto era tudo minha obrigação. Mas eu nem ligava porque eu ganhava mais que o dobro lá e como era no centro de Amsterdam, rolava até de pegar uns extras de faxina sem problema. A verdade é que até aquele momento eu nunca tinha ganhado tanto dinheiro na minha vida! Mas toda essa grana veio com um custo alto. As meninas com cara de anjinho eram na verdade duas diabas dos infernos!! Elas eram do tipo que derramavam um suco, aí eu falava que ia ajudar a limpar mas que elas teriam que limpar também e aí elas viravam e falavam "num vou limpar nada porque minha mãe paga você pra limpar". AAAAAAARGH! Posso matar? A mãe era outra bruxa! Pra começar, eu não podia comer nada na casa sem permissão. Ela também tinha mania de me ligar do trabalho e dizer que ia pra uma happy hour e que eu assasse uma pizza com as meninas e que colocasse elas na cama e que ficasse esperando a dondoca chegar e isso só acontecia lá pras 1h da manhã. Veja bem, eu começava a trabalhar as 7:30 da matina e tinha que ficar lá plantada esperando a madame até 1h? E o pior, no dia seguinte lá estava eu no batente de novo às 7:30. E isso acontecia no mínimo uma vez por semana. Fora quando ela me mandava uma mensagem as 23h na sexta pedindo pra eu trabalhar no sábado de manhã e ficava brava quando eu dizia que já tinha planos. Enfim, era um cocô. Só pra ilustrar mais a história, alguns dias antes do natal de 2008 ela comprou um guarda-roupas novo e por isso fez uma faxina no antigo. Ela chegou pra mim com com um saco cheio de roupas de frio, dizendo pra eu escolher as que eu queria e o resto era pra eu jogar no lixo. Como era meu primeiro inverno por aqui, eu fiquei toda feliz com as roupas e peguei todas que me serviram, independente de achar bonita ou não. Uns dois dias depois, na véspera do natal, ela me viu usando uma das blusas que estavam no saco. Aí ela olhou e olhou e olhou e disse: "Liss, eu mudei de idéia e gostaria de ter minhas roupas de volta". Como assim??? Eu devolvi tudo só de raiva e passei o natal chorando de ódio daquele ser. Duas semanas depois foi aniversário da filha mais velha e ela mandou fazer um bolo gigantesco e sobrou mais da metade do bolo. No dia seguinte, ao guardar as coisas do café da manhã na geladeira, eu vi aquele tanto de bolo e tirei um pedacinho pra mim, juro que era super pequeno. Aí a noite a menina (isso mesmo, a menina que fez aniversário) chegou pra mim e disse: "Mama said you stole a piece of my cake and I didn't like it, ok?". Oi? Como assim²???? Tipo assim, eu posso até ter errado de pegar um pedaço sem pedir primeiro, mas fala sério, ao invés da bruxa ter vindo reclamar comigo, ela foi jogar a peste da filha dela contra mim, a filha que precisava me respeitar porque é comigo que ela ficava o dia inteiro...afff. Mesmo assim eu continuei lá, aguentando firme e forte todos os desaforos que passava até o dia que meu visto venceu e a bruaca (que já sabia que meu visto iria vencer quando me contratou) me ligou do trabalho dela falando que não queria o risco de tomar uma multa por minha causa (se a imigração descobre que tem um ilegal vivendo na sua casa, a multa é de 10 mil euros) e que eu tinha até o fim do dia pra arrumar minhas coisas e sumir dali (não, eu não estou exagerando, ela falou assim mesmo). Como assim³??? Nem ela e nem as meninas tiveram o trabalho de se despedir de mim, não que tenha feito alguma falta...

Enfim, depois disso eu fui morar com o Stefan e a minha sogra (nessa época ele ainda morava com a mãe) e fiquei só fazendo uns bicos de faxina (desses eu não tenho muito o que reclamar, inclusive uma das minhas patroas, que é brasileira, se tornou uma grande amiga minha) até terminar meu curso de holandês em Amsterdam e decidir o que fazer da minha vida. Foi aí que mudamos pra Bélgica e o resto da história eu já cansei de contar por aqui. Na Bélgia eu resolvi não trabalhar e só me dedicar à estudar holandês, fui fazer um curso intensivo e ser uma dona de casa vivendo às custas do marido hahaha. 

No início do ano passado nós voltamos pra Holanda, tive que esperar alguns meses pro meu visto sair e estava coordenando as obras do nosso apê (nem acredito que já fez um ano que a gente comprou nossa casinha =D). Aí o visto saiu em cima da hora da gente sair de férias, então a minha procura por emprego só foi começar de verdade em setembro. Foi aí que eu comecei a trabalhar nos correios e eu já falei da insatisfação que tenho com eu emprego nesse post aqui. Enfim, a primavera chegou e eu estou meio que fazendo as pazes com meu trabalho, afinal eu provavelmente vou precisar manter esse emprego até lá pra agosto já que não há nenhuma perspectiva de encontrar outra coisa por enquanto e em setembro eu já começo a fazer faculdade. Agora que eu não preciso mais fazer aulas de holandês (espero que nunca mais), eu posso trabalhar mais dias na semana e ganhar uma graninha a mais. 

Mas o motivo desse post/bíblia foi um emprego temporário que eu consegui pra trabalhar por algumas semanas. Mas lógico, como costuraram a boca do sapo com meu nome dentro, a budenga não deu certo também. O trabalho era em um call center para ligar pra empresas no Brasil e fazer pesquisa de mercado com eles. Eu estava achando perfeito, era ótimo pra eu conseguir alguma experiência na Holanda além de entregar cartas, eu podia ligar em português mesmo e eu poderia ter a chance de lidar com a minha telefone-fobia (eu tenho pavor de telefone, mas isso é assunto pra outro post). Sem contar que as horas eram ótimas e dava pra eu conciliar com meu trabalho nos correios (como esse era temporário, eu não poderia simplesmente largar os correios sem saber se conseguiria alguma outra coisa depois). Já no primeiro dia a zica começou! O projeto era pra durar de 6 à 10 semanas e eu estava contando com isso. Mas adivinhem, ele duraria na verdade de 3 à 6 semanas, e isso já é palhaçada porque eu já tinha feito planos com o dinheiro que ganharia por no mínimo 6 semanas. Já na primeira semana eles cancelaram 2 turnos que eu trabalharia por falta de números pra ligar. Até aí tudo bem porque na segunda semana se normalizou. Aí essa foi a terceira semana e seria estendido por mais duas. Eu já tinha até planejado meus turnos pra semana que vem. Eis que hoje de manhã eu recebo um email falando que meus turnos pra semana que vem foram cancelados pois não há números suficientes pra ligar. Aí eu mandei uma mensagem pras minhas colegas que estão trabalhando no mesmo projeto perguntando se elas também receberam esse email e adivinha? Nenhuma delas recebeu, só eu, só cancelaram os MEUS turnos! Não é de morrer de raiva? Se eu acreditasse em reencarnação eu ia acreditar que fui uma patroa muito ruim na outra vida e agora eu tenho que sofrer como empregada, seja em uma casa de família ou em uma grande empresa, eu devo precisar ter um carma pra cumprir antes de poder finalmente ter um emprego legal, em que eu ganhe bem e seja respeitada como trabalhadora....merda!


E só pra não falar que eu sou super mal humorada e só sei reclamar da vida, e também pra compensar por mais um post gigantesco só pra desabafar, eu deixo vocês com um vídeo hilário que eu vi hoje e que fez minha barriga doer de tanto rir. Pra quem tem mais de 20 anos com toda certeza será de dar gargalhadas. 

Os Trapalhões - Back in Black (AC/DC)

terça-feira, 6 de março de 2012

Assunto polêmico...

Então, hoje o assunto é polhemiks. Estava agora conversando no Facebook com a Redd e outras pessoas sobre um assunto super importante pra mim. A questão de eu nunca ter tido nenhum pingo de vontade de ter filhos. O QUE?!?! Pois é, seu queixo caiu agora né? Como assim eu não quero ter filhos? Tenho certeza que toda a imagem que vc tinha sobre mim acabou de ir por água abaixo, né? Declarar que não quero ter filhos é o mesmo que declarar que matei uma pessoa, que adoro o diabo, que maltrato cachorrinhos indefesos e outras coisas horripilantes por aí. Aliás o efeito que essa declaração causa nas pessoas é ainda pior do que quando eu digo que sou ateia (estou pressentindo que depois dessa frase o número de leitores desse blog vai cair imensamente).

Pras pessoas que ainda não clicaram no X no canto direito da página pra nunca mais voltarem, eu vou tentar explicar essa minha decisão de nunca me tornar mãe. Eu nunca tive nenhum tipo de extinto materno, desde criança boneca pra mim só servia pra rabiscar a cara e cortar os cabelos. Na verdade eu tenho um pouco de medo de bonecas, acho que talvez eu tenha assistido os filmes do Brinquedo Assassino mais do que deveria hahaha. Anyway, os anos foram passando e a adolescência chegou. Essa é normalmente a fase em que as meninas começam a sonhar em se casar com o príncipe encantado e construir uma linda família com ele. Eu sonhava em ser uma estrela do rock e viajar o mundo, sem raízes, sem preocupações, sem ninguém pra me encher o raio do saco. Quando eu comecei o meu primeiro namoro sério, que durou 3 anos, eu comecei a questionar se me casar era algo a se considerar. E não era! Ele me pediu em casamento e eu disse não (tadinho) e esse é o único motivo do nosso namoro ter acabado. Depois disso eu tive mais dois namoros sérios e vários rolos por aí, mas sempre sabendo que nunca passaria disso, nunca seria mais do que um namoro. Nessa época eu já me atrevia a dizer que não queria filhos e que nunca entendi porque as pessoas tinham a necessidade de gerar outras pessoas. Nessa época eu sempre ouvia um "Ah, isso é fase, vai passar. Vc vai ver, quando vc conhecer alguém que te faça querer casar vc tbm vai querer ter filhos". E como eu era super novinha e ingênua, eu meio que acreditava nisso. 

Pois então, eis que eu me mudei pra Holanda e conheci essa pessoa que me fez querer casar. Já estamos juntos a praticamente 4 anos (em maio) e casados a quase 2 anos. E nesse tempo a vontade de ter filhos nunca deu nem uma pontadinha sequer. Pelo contrário, me causa um certo desconforto só em pensar na possibilidade. Quando eu conheci o Stefan, antes das coisas ficarem sérias entre a gente (ele me pediu em casamento com um mês e meio de namoro), eu conversei com ele sobre isso. Disse que se ele escolhesse passar o resto da vida comigo ele estaria escolhendo uma vida sem filhos. Ele disse que também nunca teve vontade e que não fazia questão nenhuma disso. Talvez esse tenha sido o motivo principal de ele ter deixado de ser "só mais um namorado". Lá no fundinho da minha alma eu tenho uma pontinha de medo de que com o passar dos anos ele mude de ideia, mas como não dá pra prever o futuro eu não vou ficar sofrendo por antecipação, né?

Enfim, porque é que eu to falando tudo isso? Pra que eu tenho que expor uma decisão tão pessoal e que interfere tão pouco na vida das outras pessoas? Por que, por incrível que pareça, eu sofro muito preconceito por causa disso. Como eu disse lá no primeiro parágrafo, as pessoas passam até a te tratar diferente depois que descobrem que vc não quer ter filhos. E o pior, eles tentam te convencer a ter filhos igual um religioso fanático tenta te converter à fé dele. É algo insuportável! E as vezes dói muito saber que pessoas que deveriam estar do meu lado e me dar apoio em todas as situações (como sua família e amigos próximos) são os que mais tentam me "provar" que eu estou errada, que ter filhos é o único caminho a ser seguido por um casal e que eu devo ser algum tipo de alien por não ter o tal do instinto materno.

Existem vários mitos relacionados com pessoas que não querem ter filhos, mas o mais injusto deles é que a gente não gosta de crianças. Gente, a maior alegria da minha vida são os meus sobrinhos (tanto os de sangue quando os adquiridos pelo casamento) e meus primos e os filhos das minhas amigas. Eu amo loucamente cada um deles e daria a minha vida por cada um deles. Sem brincadeira. Ser tia é a minha maior realização. As vezes eu me pego imaginando que daqui a pouco todas as minhas amigas terão filhos (todas já estão na casa dos 30, então é só uma questão de tempo), e que eu vou sobrar porque elas não terão mais tempo pra mim. Mas depois eu penso que se elas não fizerem questão de arrumar tempo pra mim, é porque nunca foram minhas amigas de verdade. 

Nesse papo que eu tava tendo no Facebook foi postado esse texto aqui. Ele fala exatamente do preconceito que casais sofrem ao declararem que não querem ter filhos e sobre os mitos e verdades sobre pessoas que não pretendem nunca ser pais. O texto é longo e talvez vc tenha preguiça de ler tudo, então vou copiar e colar as partes que achei mais interessantes e que são relacionadas aos meus motivos:

“Toda mulher nasce com o instinto materno”
Podemos dizer que não existe amor materno como instintivo. O amor materno é relacional e, portanto, é construído na vida social. Por isso, um grande mito é aquele que diz que toda mulher deve ser mãe e que esse amor materno é natural quando, na verdade, a relação mãe e filho é construída, ou seja, há para ela a possibilidade da escolha da maternidade.

“Só é possível ser feliz quando se tem um filho”